domingo, 21 de julho de 2013



Aos amigos que estiveram comigo no jantar de adesão, no restaurante Piaf, por ocasião do meu aniversário, quero homenagear com este 
CANTO DE AGRADECIMENTO

Deixai-me cantar...
               Deixai-me expressar em versos
               a beleza desta hora,   o sorriso da alegria,
               no esplendoroso universo
               do sonho que me alimenta a vida.
               Porque poeta é ser capaz
               de cantar o inacessível,
               de pôr estrelas nas noites mais escuras,
               de traduzir, em rútilos lampejos,
               a imensa dor do mundo, a humana dor,
               na mais esplêndida linguagem: o Amor.

               Deixai-me, então, cantar este momento...
               Deixai-me agradecer com meu humilde verso
               a beleza desta hora,
               a alegria do sorriso
               e esse grande encantamento
               da manifestação do vosso amor!

               Assim, prosseguirei cantando.
               Assim, prosseguirei sonhando
               um sonho estonteantemente belo
               como o mar sob o farol das estrelas.
             
               Assim cantando, agradeço esta homenagem
               Assim cantando, deixo-vos minha mensagem
               A peregrinar no espaço desta hora
               Em que minha alma de alegria exulta
               Na mais querida e esplêndida emoção!

Giselda Medeiros
17/7/2013

GALERIA DE FOTOS


Com Rosa Firmo, Evan Bessa e Nirvanda Medeiros 


Com o casal Bernadete e José Augusto Bezerra


Com os Acadêmicos Regine Limaverde, José Augusto Bezerra e Batista de Lima


Com a amiga Maria Helena Macedo


Com os Acadêmicos Ítalo Gurgel 
 e Vicente Alencar


Com a poetisa Hermínia Lima


Com o Acadêmico Ednilo Soárez


Com a escritora Tereza Porto


Com a amiga Constança Távora


Com o Acadêmico Ernando Uchoa Lima


Com as amigas Rejane Noronha, Conceição Seabra e Euda


Com o casal Vânia e Batista de Lima


Com Dr. Marcelo Gurgel


Com os amigos Aldo Melo e Dra. Sabrina


Ladeada pelos amigos Vicente Alencar, Maria Helena, Maria do Carmo Fontenelle e pelo casal Vilani e Dr. João de Deus.


A homenagem da Presidente Nirvanda Medeiros


Os agradecimentos 


Os parabéns pra você...


A festa dos amigos

terça-feira, 16 de julho de 2013

REGINA BARROS LEAL - CRÔNICA DO DIA



RELATO

                  Madrugada!  Letícia impulsionada pelo desejo de escrever deixa as mãos digitarem com frenesi. Sua cabeça fervilha de ideias e se apodera do tempo rememorando fatos, situações. Surgem recordações imprudentes e impudentes que dão à narrativa o tom do pecado, do proibido, da cobiça camuflada, como se fossem esconderijos das estreitas ruas de cidades exóticas, de labirintos intermináveis. Lembra Hades, o deus grego, em seus intermináveis subterrâneos. Nesse itinerário do não explícito, do invisível, do anônimo, do bizarro, expressa, à sua maneira, anseios, segredos, subjetividade, subjetivação e singularidades. Percorre o imaginário encontrando o passado vivido. Materializa-o, toma forma, ora provisória, lacunar, fragmentada e imprevisível, ora totalizante, holística e plena.
                 Deste modo, sua escrita trilha o caminho da inspiração, da fantasia, do imponderável, das descobertas, escapando dos desvios que surgem inesperados e das ruelas traiçoeiras da vulgaridade. Rememorar a vida a encanta e assim ela o faz sem resvalar para um saudosismo obsessivo. Escrever torna-se um desejo constante, uma atração arrebatadora, uma curiosidade queimante. Através da narrativa, abre fendas no tempo e caminha pelos labirintos sedutores da memória, sem aflição. Persiste em sua aventura, impulsionada pelo desejo de reviver estórias exultantes, fatos simples, pessoas marcantes, os ternos amores e as paixões proibidas. Ah! As paixões que estonteiam, marcam a existência e arrebatam sentimentos incógnitos, abismais. São como brumas densas, penachos de fumaça, bosques virgens, caminhos desconhecidos, soando, às vezes, como borrascas e ou terremotos súbitos e devastadores.

                 Letícia alça voos e, brincando de fada, transforma sapos em príncipes, burros em cavalos alazões, casebres em castelos encantados. Narra estórias sobre o cotidiano, chora partidas, relata episódios e espreita o passado, através do olhar observante do seu presente.  Às vezes, seu coração se avermelha, sangra com a dor do amigo e se regozija pelo sucesso de pessoas que alcançaram seus sonhos e cantam a vida.

sábado, 13 de julho de 2013

INSTANTES - Jorge Luís Borges



Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida, claro que tive momentos de alegria.

Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas. Se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas já viram, tenho oitenta e cinco anos e sei que estou morrendo.

sábado, 6 de julho de 2013

FLORBELA ESPANCA - BIOGRAFIA


Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.

Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
FONTES:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/
numerodois/tl3.html
http://purl.pt/272/2/index.html

http://www.torre.xrs.net/

terça-feira, 2 de julho de 2013

POEMA DO DIA


INSTABILIDADE

                     Vês?

                     Aquela onda a tecer rendas de espanto,
                     na areia,
                     não sou eu.
                     Eu sou o contorno das espumas
                     lavrado como escritura
                     para o abissal exílio dos grãos
                     de areia.
                    
                     Minha essência
                     são esses fragmentos de ausência
                     retidos na voz dos náufragos,
                     no desespero das algas e corais
                     afogados.
                    
                     Entre ti e mim há sombras
                     que devoram horas,
                     que extraviam calendários;
                     há voos que perderam a estabilidade
                     e passos esquecidos nas estradas.
                     Somos paisagens que se despedaçam
                     sob os látegos do tempo.
                    
                     Em nós, apenas os murmúrios cegos
                     de um amor espetado
                     pelos dedos espinhentos do destino.
                    
                     Somos a ânsia dos tardos andarilhos:
                     tu, as pegadas, lentas,
                     irremediavelmente tímidas;
                     e eu, o porto, a chegada final,
                     que espera em vão
                     o assentamento da âncora

                     dos teus andarilhos passos. 

GISELDA MEDEIROS

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PARA DESCONTRAIR



Filho — Papai, o que é Páscoa?
Pai — Ora, Páscoa é… bem… uma festa religiosa.
Filho — Igual o Natal?
Pai — Parecido. Só que no Natal comemora—se o nascimento de Jesus; na Páscoa, se não me engano, comemora—se sua ressurreição.
Filho — Ressurreição?
Pai — É, ressurreição. Marta, vem cá!
Mãe — Sim?
Pai — Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler meu jornal.
Mãe — Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
Filho — Mais ou menos. Mamãe, Jesus era um coelho?
Mãe — Que é isso filho? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse filho foi batizado! Jorge, esse filho não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele soltar uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
Filho — Mas Mamãe, o Papai do Céu não é Deus?
Mãe — É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
Filho — O Espírito Santo também é Deus?
Mãe — É sim.
Filho — E Minas Gerais?
Mãe — Sacrilégio!
Filho — É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
Mãe — Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudo certinho!
Filho — Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
Mãe — Eu sei lá! É uma tradição. É como o Papai Noel, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.
Filho — Coelho bota ovo?
Mãe — Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu ganho mais!
Filho — Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
Pai — Era, era melhor, ou então urubu.
Filho — Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, não é? Que dia que ele morreu?
Pai — Isso eu sei: na sexta-feira santa.
Filho — Que dia e que mês?
Pai — Hum… Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
Filho — Um dia depois.
Pai — Não, três dias.
Filho — Então morreu na quarta-feira.
Pai — Não, morreu na sexta-feira santa. Hum… ou terá sido na quarta-feira de cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois ! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
Filho — Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
Pai — É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
Filho — O Judas traiu Jesus no sábado?
Pai — Claro que não! Ele morreu na sexta, ora!
Filho — Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
Pai — É, boa pergunta. Filho, atende ao telefone pro papai. Se for um tal de Rogério, diga que eu saí.
Filho — Alô, quem fala?
Rogério — Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
Filho — Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
Filho — Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
Pai — Cristo. Jesus Cristo.
Filho — Só?
Pai — Que eu saiba sim, por quê?
Filho — Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
Pai — Coitada!
Filho — Coitada de quem?
Pai — Da sua professora de catecismo!

Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

POEMA DE SÁBADO - ANA PAULA MEDEIROS




POEMA DE SÁBADO

Minhas paixões adormecem
em travesseiros de pedras
que guardam soluços noturnos
de frias madrugadas.

Lençóis de linho cobrem minhas culpas
que se remexem e se agitam
em maremotos dentro de mim.

No leito de espinhos
mastigo areias
e degusto o sangue do crepúsculo.

Minhas dores são coisas minhas
únicas
secretas
legítimas

Mas quando ele vem
sacode minhas paixões
retira-as das pedras
e elas se alentam
se fantasiam
de máscaras que mostram sorrisos

Minhas paixões ficam à mercê do tempo
Um tempo marcado
Inóspito

Ficam pálidos e estáticos
meus sorrisos
porque ele não fica
ele sempre se vai
como o vento
efêmero
que passa pelos telhados.

Ana Paula Medeiros
(Da Academia Cearense da
Língua Portuguesa - ACLP)


sábado, 8 de junho de 2013

UM OLHAR SOBRE "SOB EROS E THANATOS" - obra de Giselda Medeiros


“Sob Eros e Thanatos”, de Giselda Medeiros
Maria do Carmo Fontenelle

Ao iniciar a presente exposição, evoco o grande Castro Alves quando assim se expressou:

“Oh! bendito o que semeia
Livros ... Livros a mão cheia ...
E manda o povo pensar.
O livro caindo n’alma
É germe que faz a palma
É chuva que faz o mar.”

Tem razão o ilustre intelectual Genuíno Sales quando, no prefácio do livro em pauta, declara: “Giselda é uma contista de primeira linha, sobretudo por incorporar na alma as grandes virtudes poéticas. Grande poeta não poderia deixar de ser grande contista”.
O pensador inglês Tom Peters costumava iterar: “Se a janela da oportunidade se abrir, não deve baixar a persiana”. Giselda mantém a persiana do triunfo bem aberta, deixando que lucipotentes auras de sabedoria iluminem sua mente. Quanta criatividade! Quanto talento demonstram as narrações arquitetadas pelo mundo ilusório da autora – “Princesa dos Poetas do Ceará”, sagrada por aclamação na augusta Casa de Juvenal Galeno, por iniciativa do memorável escritor Alberto Galeno.                
Na seleção da obra para ser utilizada na presente explanação, fiz uma triagem entre 14 exemplares, todos deslumbrantes, em estilos diversos, a saber: “O Liceu e o Bonde” – Blanchard Girão, “Ana Terra”- Érico Veríssimo, “Jardim de Inverno”- Zélia Gattai, “Margarida La Rocque”- Dinah Silveira de Queiroz, “Na Esplanada da História”- Hilma Figueiredo Montenegro, “Eugenie Grandet”- Honoré de Balzac, “Os Escravos”- Castro Alves, “Mulheres Fascinantes”- Léon Tolstoi, “O Fio e a Meada”- Batista de Lima, “Portugal e Brasil – gentes e fatos”- Armando Duarte, “Til”-José de Alencar, “Confronto”- Cláudio Queiroz, “Crítica Reunida” e “Sob Eros e Thanatos”- Giselda Medeiros.
Confesso que não foi fácil. Após rigorosa avaliação, a preferência incidiu sobre o livro “Sob Eros e Thanatos”, de Giselda Medeiros, cujo estudo começará pelo que me atraiu, de imediato, além do conteúdo, o título.
Ao pesquisar sobre ambos os seres mitológicos, tomei conhecimento de que Eros, na mitologia grega, significa “desejo erótico”. Eros era filho de Nix (deusa da noite) e de Érebo, encarregado da harmonia cósmica. Mais tarde, atribuiu-se-lhe, como pai, Zeus, Ares ou Hermes; e como mãe, Afrodite, a Venus romana, deusa nascida da espuma do mar. É representado como um menino alado, munido de arco e flechas destinadas a despertar os ardores da paixão entre os humanos. Thanatos (em árabe quer dizer Antônio). O dicionário mitológico de Nádia Jullien e a Internet afirmam que “Thanatos era um herói hipocorístico, filho de Érebo e Nix (deusa da noite), portanto irmão de Eros e irmão gêmeo de Hípnos –(deus do sono). Thanatos era deus da morte, porém Hades era quem reinava sobre os mortos do submundo. Thanatos era representado como um jovem alado, portando uma tocha apagada, ou como uma nuvem prateada, ou ainda um homem de olhos e cabelos prateados, sendo este bastante utilizado na arte e na poesia”.
À guisa de ilustração, Sigmund Freud elaborou um trabalho sobre a discussão do inconsciente, relatando duas pulsões antagônicas; Eros, uma pulsão sexual, com tendência à preservação da vida, e Thanatos, a pulsão da morte.
Outrossim, o romancista, político e poeta mineiro Darcy Ribeiro, no ano de1998, publicou uma coletânea de poemas eróticos sob o título de “Poesia de Darcy Ribeiro – Eros e Thanatos”.
Quanto à obra ora apresentada tem muito a ver com o título, pois envolve natureza, romance, paixão e sensualidade, a noite e seus mistérios, a plenitude e a complexidade da vida, a melancolia e os desencantos da morte.
Além da originalidade do título extraído da mitologia grega, senti-me atraída pela singularidade dos 37 contos, os quais apresentam uma particularidade: as narrativas, de um modo geral, prescindem dos indesejáveis vícios de linguagem, tão comuns, hoje em dia, que tanto desfiguram o idioma, banalizando o texto.
No mais, devo acrescentar que “Sob Eros e Thanatos” não chega a ser uma obra monumental, “sui generis”, porém é um apanhado de temas de muito bom gosto, pontificados no suspense e no mistério, com pinceladas bem dosadas de romantismo e humor. Na verdade, o suspense e o mistério estigmatizam a obra em causa, revelando características que nos levam a momentos delirantes, plenos de suposições míticas e conflituosas. Há ocasiões em que o leitor vacila entre a espiritualidade milenar e a parapsicologia moderna; a ficção e os mistérios do além. Em suma, trata-se de um livro interessantíssimo!  Nele fundem-se a densidade lírica do poeta, as maravilhas da natureza e o fascínio pelo quimérico, fatores esses que têm o dom de transportar-nos a vetustos casarões mal-assombrados... a estórias de Trancoso narradas no alpendre, em noites de luar, a costumes e hábitos campesinos vividos em épocas remotas.
Justo será mencionar que, na referida obra, percebe-se certo apuro com a norma culta do nosso idioma, requinte esse que a autora, sabiamente, intercala com jocosas frases de cunho popular, incluindo outros brasileirismos. Destaque para o significativo número de citações filosóficas e até bíblicas contidas na presente obra. Por exemplo: “O amor é a oportunidade única de sazonar, de adquirir forma, de nos tornarmos um universo para o ser amado”; “O homem é forte quando realiza Deus em si”; “A morte não é difícil. Difícil é a vida e o seu ofício”; “O que o homem gasta em anos para entender, aprende-o em questão de instantes de dor”; “O mar é mesmo um touro azul por sua própria sombra”;“O homem é nada comparado ao infinito e é tudo comparado ao nada”; “As estrelas nascerão. Nascerão e brilharão como os olhos das crianças”.
Numa linguagem experimental, a autora discorre sobre assuntos variados, deixando ao leitor a faculdade de deliciar-se ao derramar, suavemente, torrentes de indagações que tão bem caracterizam o suspense. Exemplifiquemos: O conto “A Pousada”- página 9, encerra algo fantasioso e, até certo ponto, aterrorizante. Dependendo do grau de sensibilidade do leitor, causará arrepios a aparição do enigmático camafeu...
Nas páginas 13,18,21,29,32,38 e 39 encontraremos:  “A Casinha da Esquina”, “A Confidência”, “ A Fogueira”, “A Lagoa”,”A Pescaria”, “A Serpente” e “A Vingança”. Todos são provenientes de uma imaginação privilegiada; vale a pena lê-los. São contos atraentes e hilariantes, sobretudo “A Serpente”, o qual provoca um misto de comiseração e risos, se levarmos em conta a “santa” ingenuidade da “coitada” da D. Marocas... Enquanto os contos “A Visita” e “Passado Azul” sugerem algo a ver com a teoria da metempsicose. Vejamos: “Na manhã seguinte, o relógio apertado em minha mão e a lembrança de uma lágrima queimando-me”; “Aquela foi a última vez que vi papai”.
Ao lermos os contos “A Fogueira” e “A Lagoa”, deparamo-nos com o conhecido fenômeno do “déjà-vu”, que consiste no fato de ver-se, pela primeira vez, um determinado local e ter-se quase certeza de havê-lo visto anteriormente.
Vejamos o 9º parágrafo da página 61, em que a autora nos traz uma mensagem de carinho e solidariedade, uma verdadeira lição de vida, ao dissertar sobre determinada ajuda concedida a um frágil e indefeso rouxinol, quando a personagem reflete: “Que importância teria um rouxinol neste imenso vale de sofrimentos? Tem sim, é uma voz a menos para espalhar a beleza, a ternura e a poesia”.
Além dos contos mencionados, todos os demais merecem nossa atenção, em particular os das páginas 100 e 104. Asseguro-lhes que, em matéria de ficção, são realmente extraordinários.  Enfim, todas as narrativas são muito bem elaboradas. Na maioria das vezes, a ficção se confunde com a realidade. E por aí vai o oceano exuberante de fatos pitorescos, emoções, mistérios e encantos que fazem de “Sob Eros e Thanatos” uma obra versátil, amena, cativante, aconselhável a quase todas as idades.
                                                      

Maria do Carmo Carvalho Fontenelle – Sócia Efetiva da Academia Fortalezense de Letras, da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil-CE. É autora do livro Pioneiras em Evidência. Seu nome consta do Dicionário de Mulheres (RS), organizado por Hilda Flores. Participa de várias antologias e coletâneas, a saber: Contos Contemporâneos (Brasília); Antologia de Prosa e Verso (Portugal); Policromias (todos os volumes); Um Livro da Ala (2º volume); AJEB Letras (antologia nacional). Recebeu Menção Honrosa em concurso de contos em Algarve/Portugal. Detém a Medalha Honra ao Mérito pela Academia Divinopolitana de Minas Gerais e a Medalha E. D’Almeida Vítor, pelo Clube Literário de Brasília; e Diploma Mérito Cultural, pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil.        



quarta-feira, 5 de junho de 2013

HISTRIÔNICO... VAMOS RIR?




HISTRIÔNICO



Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.  Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia:

"Histriônico - apenas R$ 0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?

- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

- O senhor sabe o significado de histriônico?

- Não.

- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

- O senhor tem dicionário em casa?

- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

- O senhor estava indo à biblioteca?

- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

- O senhor conhece Nélida Piñon?

- Não.

- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

- E por que o senhor não vende livros?

- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga.
Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

- Jactância.

- Pegar um livro velho...

- Alfarrábio.

- O senhor me interrompe!

- Profaço.

- Está me enrolando, não é?

- Tergiversando.

- Quanta lenga-lenga...

- Ambages.

- Ambages?

- Pode ser também evasivas.

- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

- Pusilânime.

- O senhor é engraçadinho, não?

- Finalmente chegamos: histriônico!

- Adeus.

- Ei! Vai embora sem pagar?

- Tome seus cinqüenta centavos.

- São três reais e cinqüenta.

- Como é?

- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

- Tem troco para cinco?

(Autor desconhecido)

terça-feira, 4 de junho de 2013

VAMOS PARTICIPAR?


ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES DE BRAGANÇA PAULISTA - ASES
III PRÊMIO LITERÁRIO  CIDADE POESIA

Com o objetivo de revelar e divulgar novos valores
literários e, ao mesmo tempo, sedimentar a perífrase Cidade Poesia do
município de Bragança Paulista, a ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES DE BRAGANÇA
PAULISTA- ASES - em parceria com a Prefeitura Municipal de Bragança
Paulista, por intermédio da SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E TURISMO DE
BRAGANÇA PAULISTA - promove o III PRÊMIO LITERÁRIO CIDADE POESIA, o qual
no presente ano prestigiará a modalidade POESIA. REGULAMENTO DA
PARTICIPAÇÃO: 1. Poderão participar escritores brasileiros ou não, desde
que os trabalhos sejam apresentados em Língua Portuguesa; 2. O tema será
livre; 3. Cada participante deverá apresentar uma única poesia
absolutamente inédita, assim considerada a poesia não divulgada por
quaisquer meios, seja em livro único do participante ou em coletânea de
vários autores, pela internet ou premiada em outro concurso literário; 4.
Estão impedidos de participar os sócios da ASES (efetivos e
correspondentes) e os funcionários da Secretaria Municipal de Cultura e
Turismo de Bragança Paulista; DAS INSCRIÇÕES: 5. A inscrição deverá ser
feita exclusivamente pelo endereço eletrônico asescidadepoesia@gmail.com
No campo assunto, deverá constar III Prêmio Literário Cidade Poesia; 6. A
inscrição deverá ser encaminhada em dois arquivos (anexos): 6.1 - ANEXO
I: contendo a poesia, com no máximo 40 (quarenta) versos (linhas)
digitados em Word, com título e pseudônimo, sem identificação do autor;
6.2 - ANEXO II – contendo os dados pessoais do participante, a saber:
a) título da poesia; b) pseudônimo; c) nome do autor; d) número do RG e do
CPF; e) endereço completo (rua, cidade, estado, país, CEP
(imprescindível), telefone e e-mail para contatos; f) breve currículo do
participante. 7. Os escritores nascidos ou residentes em Bragança
Paulista deverão constar no corpo do e-mail a expressão: ESCRITOR
BRAGANTINO, no caso de desejarem concorrer nessa categoria; 8. Prazo
final para a inscrição: 31de julho de 2013. DAS PREMIAÇÕES: 9. A ASES
indicará uma comissão de reconhecida capacidade intelectual e idoneidade
para julgamento dos trabalhos, cuja decisão será irrevogável, não cabendo
nenhum tipo de recurso; 10. Serão selecionadas quarenta poesias. 11. Os
três primeiros colocados serão premiados da seguinte forma: 1° lugar: R$
2.000,00 (dois mil reais), troféu Cidade Poesia, certificado e 10 (dez)
exemplares da antologia; 2° lugar: R$ 1.000,00 (mil reais), certificado
e 5 (cinco) exemplares da antologia; 3° lugar: R$ 500,00 (quinhentos
reais), certificado e 5 (cinco) exemplares da antologia; 12. Aos
classificados do 4° ao 10° colocados serão atribuídas Menções Honrosas,
além de 3 (três) exemplares da antologia. 13. Os demais classificados
receberão 3 (três) exemplares da antologia. 14. Os participantes de
Bragança Paulista concorrerão em faixa especial, desde que especifiquem no
corpo do e-mail essa condição, com a seguinte premiação: Melhor poesia de
autor bragantino: R$ 500,00 (quinhentos reais), troféu e 10 (dez)
exemplares da antologia; 15. Os prêmios serão atribuídos em sessão solene
em data e horário que serão divulgados posteriormente pelo site da ASES
(www.asesbp.com.br) e e-mails aos classificados; DEMAIS INFORMAÇÕES:
16. Casos de plágio comprovados, bem como a comprovação do não-ineditismo
da poesia, são de inteira responsabilidade do concorrente, sendo este
automaticamente excluído da seleção com as sanções legais cabíveis; 17.
Os concorrentes classificados serão notificados por e-mail sobre o
resultado do concurso, o qual também estará disponível no site da
Associação de Escritores de Bragança Paulista www.asesbp.com.br, a partir
do dia 10 de outubro de 2013; 18. O simples envio da poesia implica na
aceitação total deste regulamento; 19. Informações complementares poderão
ser obtidas no site: www.asesbp.com.br ou pelo e-mail asesbp@gmail.com
ou, ainda, com Cida Moreira (11) 4032-7163, appmoreira@yahoo.com.br
Henriette (11) 4033-3609, henriette2007@terra.com.br e Lyrss (11)
4032-0266, lyrss@uol.com.br 20. Os casos omissos serão resolvidos pela
Diretoria Executiva da ASES. Bragança Paulista, 17 de maio de 2013
APPARECIDA MOREIRA PEREIRA Presidente da Associação de Escritores de

Bragança Paulista

terça-feira, 28 de maio de 2013

CÉO ANSELMO


A MÁQUINA DO TEMPO

Se alguém um dia criasse uma máquina capaz de nos fazer voltar no tempo e reiniciar as nossas vidas, quantos de nós não desejaríamos fazer uso dela? Imaginemos como seria bom, como seria maravilhoso, reviver a nossa infância, nossa adolescência, nossa juventude... E poder fazer tanta coisa diferente!
Pensemos naquilo que teríamos a oportunidade de fazer! Por exemplo, teríamosa chance de amar com todas as nossas forças os nossos pais, nossos irmãos, nossos familiares, nossos amigos.
Como seria bom nos dedicarmos mais às pessoas, fazendo o bem, ouvindo mais e sorrindo mais. Como poderíamos empreender mais esforço para conquistar algo que almejamos tanto e que, no passado, por várias razões não conseguimos alcançar.
Pensemos naquilo que teríamos a chance de não realizar! Escolhas que tomamos e que, agora, ao regressar no tempo, não tomaríamos mais. Caminhos que trilhamos... Pessoas que maltratamos e desprezamos... O tempo que perdemos longe de Deus, vivendo como estranhos, como desconhecidos, quando na verdade, poderíamos há muito ter sido amigos. Avalie a grandeza da oportunidade de fazer tantas coisas de maneira diferente daquilo que fizemos.
A verdade é que esta máquina não existe, não é possível voltar no tempo. Nós não viveremos novamente as nossas vidas, e muito menos, outras vidas, como dizem aqueles que acreditam em reencarnação. Nós não nasceremos outra vez, mas, nesta única e irretroativa vida, temos, em Jesus Cristo a oportunidade de modificar o nosso caminho, na medida em que Ele nos capacita a amar quem deixamos de amar, perdoar e pedir perdão, viver momentos de satisfação e alegria que nunca experimentamos antes, sentir a paz que nunca tínhamos sentido, enfim, sermos novas pessoas, novas criaturas, com outros valores, com outro olhar, com outra consciência, afinal de contas foi Ele mesmo quem nos ensinou:
"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." 2 Co 5.17.
Não percamos mais o tempo, deste dia em diante, aceitemos de Deus o presente de continuarmos a viver, no entanto, numa condição distinta da que vivíamos: na condição de filhos de Deus, fazendo aquilo que está prescrito em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada, que é bom, que é saudável, que traz satisfação e completude para nossas almas.
Faça, Senhor, novas todas as coisas em nossas vidas!

Cléo Anselmo
DA REDAÇÃO DO FRANCO DA ROCHA NEWS

EDIÇÃO JC PEREIRA

sexta-feira, 24 de maio de 2013

OS 10 MAIORES POEMAS BRASILEIROS DE TODOS OS TEMPOS - REVISTA BULA





Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. São eles: “A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d’África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes. Eis a lista baseada no número de citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.

A Máquina do Mundo
(Carlos Drummond de Andrade)
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.
(Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade).

Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Poema Sujo
(Ferreira Gullar)
turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar).

Soneto da Fidelidade
(Vinícius de Moraes)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Via Láctea
(Olavo Bilac)
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Canção do Exílio
(Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

As Cismas do Destino
(Augusto dos Anjos)
Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!
Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia… O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.
Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!
A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!
Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!
Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.
E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.
(Trecho de As Cismas do Destino, de Augusto dos Anjos).

As Pombas
(Raimundo Correia)
Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

Invenção de Orfeu
(Jorge de Lima)
1.
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias,
vai lembrando de seus dias,
dias que são as histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vaia mastreação,
mastros que apoiam caminhos
a países de outros vinhos.
Está é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.
2.
A ilha ninguém achou
porque todos o sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.
Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.
Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.
Nem achada e nem não vista
nem descrita nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.
Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.
Indícios de canibais,
sinais de céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.
Rosa-de-ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!
Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?
(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).