sábado, 25 de março de 2017

ANA PAULA DE MEDEIROS APRESENTA LIVRO - "DOCÊNCIA, SABERES E PRÁTICAS"


Gostaria de iniciar destacando a grande alegria que senti pelo convite que me foi feito para apresentar a obra DOCÊNCIA: SABERES E PRÁTICAS, organizada por Francisco Ari de Andrade, Alba Patrícia Passos de Sousa e Dayana Silva de Oliveira. O livro apresenta aos leitores do mundo acadêmico e amantes dos assuntos educacionais, um acervo muito interessante de artigos científicos que abordam a docência em sua dimensão teórico-prática.
Essa especificidade da obra remete-me ao pensamento de Adolfo Vasquez, o qual assevera que “A teoria em si não transforma o mundo”. Tal assertiva nos leva a refletir sobre a necessidade da ação e da existência do homem como ser ativo dotado de intenções reais e efetivas para desencadear a verdadeira transformação no mundo. É certo que o papel da teoria é de servir como embasamento, como pano de fundo em que se efetiva a prática. Sem a assimilação da teoria, a prática pode resumir-se em atividades anacrônicas e assistemáticas, não contribuindo significativamente para a real transformação da realidade.
A ontologia de Heidegger esclarece que estamos no mundo, e o mundo é mais velho que nós, e que somos capazes de dar sentido a ele, conhecê-lo e transformá-lo. É nessa lógica que entendemos o propósito dessa coletânea, que se oferece ao leitor para potencializar seus conhecimentos acerca da busca da essência do Ser professor como alguém que, transformando o outro, transforma-se a si mesmo.
O livro compõe-se de um volume com 326 páginas, graficamente bem apresentadas com editoração da CRV Editora, ano 2017. O conteúdo traz 23 artigos de professores e pesquisadores da UFC e de outras Instituições de Ensino Superior brasileiras, estudantes de graduação e de pós-graduação da UFC e professores da rede pública do Ceará e de outros estados. Apesar da ampla diversidade de perfis dos autores e da abordagem da docência nas mais variadas áreas do conhecimento, os artigos apresentam uma característica comum: a tônica do alinhamento teórico-prático na essência de cada texto.
Ao longo da leitura, o leitor encontrará reflexões sobre a interação entre a educação formal e a não formal, sobre formação de professores, evasão escolar, gestão do estágio supervisionado, juventude, currículo, educação inclusiva e educação para o desenvolvimento sustentável, além de um amplo acervo de artigos que tratam de reflexões teórico-práticas na educação infantil e no ensino fundamental com destaque para as áreas da Língua Portuguesa, Matemática, História, Ciências, Música e Religião.  
Na discussão dessas temáticas, os autores buscam reforçar que a prática docente deve ser essencialmente pedagógica. De acordo com Libanêo, “[...] o que define algo – um conceito, uma ação, uma prática como pedagógico é a direção de sentido, o rumo que se dá às práticas educativas”. Assim, o que vai, então, orientar a prática docente é a Pedagogia, a qual está bem definida nas palavras de Gaston Mialaret como “[...] uma reflexão sobre as finalidades da educação e uma análise objetiva de suas condições de existência e de funcionamento”.
A Pedagogia, assim entendida, é, portanto, a teoria norteadora da prática educativa.  Dessa forma, a prática docente deve estar orientada por uma teoria que possibilite aos alunos, mediante suas próprias forças intelectuais e práticas, o domínio de conhecimentos, habilidades e convicções, com o objetivo de promover uma leitura crítica da realidade. Desse modo, a docência se efetiva adequadamente quando tem uma pedagogia que orienta a prática para uma direção definida. Esse é um aspecto bastante presente nos artigos desta obra.
Na mesma direção dos teóricos contemporâneos, os quais recomendam que se eduque para a criticidade e a autonomia, está a essência de cada trabalho que compõe o livro. Libâneo recomenda que o trabalho docente na abordagem dos conteúdos deva ser conduzido de forma que “[...] auxilie os alunos no domínio sólido e duradouro dos conhecimentos, levando-os a ter pensamento autônomo, coragem de duvidar e interrogar a realidade e capacidade de dar respostas criativas a problemas práticos”.
              A ação docente, vista por este ângulo, remete ao seu caráter intencional e à reflexividade que é bem definida por Pérez Gómez como “a capacidade de voltar sobre si mesmo [...], de utilizar o conhecimento à medida que vai sendo produzido, para enriquecer e modificar não somente a realidade e suas representações, mas também as próprias intenções e o próprio processo de conhecer”.
É assim, no intuito de provocar essas reflexões no leitor, que a presente obra se mostra ao público! Desfrutemos, pois, sua leitura!
Muito obrigada!

                                                         Ana Paula de Medeiros Ribeiro

Faculdade de Educação – FACED/UFC

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA










sexta-feira, 17 de março de 2017

AFFONSO TABOZA - CONSELHEIRO NATO - E SEU POEMA "A MÍSTICA DO NÁUTICO"



      A MÍSTICA DO NÁUTICO


        Algo especial dali emana:
         magia? encanto?
Não sei. Mas       
       ali um fascínio real acontece
        e a todos contagia.
       De fato,
         há viço na bela arquitetura,
brilho nas colunas, no nome, no culto à tradição;
como se dali brotasse um halo etéreo e se expandisse,
banhando o entorno de esplêndida luz.
Berço humilde, história gloriosa,
binômio que exalta e enobrece
a ação e a visão de pioneiros
e de abnegados que lhes seguiram os passos.
Código de ética não escrito
lhe rege vida,
fruto do exemplo de dirigentes
e da retidão de propósitos coletiva.
Árvore generosa,
sua sombra acolhedora
abriga e alegra, diverte e instrui,
seus frutos alimentam.
Não há  quem não se encante
com a magia que flui
desse organismo vivo e vibrante.
É bonito, é nobre,
chega a ser grandioso.
 Nossa devoção, nossa paixão, nosso orgulho,
NÁUTICO.
ETERNO.

sexta-feira, 10 de março de 2017

UM POEMA DE AFFONSO TABOZA



            ALDEIA UNIVERSAL[i]
                   Affonso Taboza

Nosso Universo é feito de aldeias,
mini, pequenas, médias e ingentes,
onde vive ou vegeta o ente humano.
Culturas e raças? Bem diferentes...

Nesse cadinho humano que é a Terra,
regem a vida as emoções pessoais,
amor e ódio, frustrações e anseios,
sentimentos de fato universais.

Peca, portanto, quem desconsidera
verdade de tamanha relevância:
Se os sentimentos dão o tom da vida,
cada aldeia tem sua importância

pois é nela que a vida acontece.
E a vida na Terra não é mais
que a soma das vidas nas aldeias,
com seus erros e acertos naturais.

Por isso, um romance ali vivido
não se anula no confim regional.
Verdade! Desde que retrate a alma,
todo romance é universal.




[i] Estes versos foram por mim escritos
a  propósito da frase de Dostoiévski:
“Se quer ser universal, cante sua aldeia”.
A frase famosa e os versos ilustram as
páginas iniciais do meu romance
Ventos da Fortuna, 2006, 356 páginas.

sexta-feira, 3 de março de 2017

LEITURA PARA QUARTA-FEIRA DE CINZAS - VIANNEY MESQUITA



“LEMBRA-TE, HOMEM, QUE ÉS PÓ”...

Vianney Mesquita*
O fraco teme a morte; o infeliz a chama; o temerário a provoca; e o sensato a espera. (BENJAMIN FRANKLIN).


É hoje um dia de igreja católica lotada, muitas vezes até por pessoas que a frequentam somente nesta data, quer por superstição, arrependimento pelos seus transportes durante o carnaval, ou mesmo as duas razões combinadas. Infelizmente, entretanto, é ressaltado o primeiro pretexto, manifesto na crendice, retratado na superstição e no fanatismo religioso.
Oportuna, porém, é a ideia de todos evocarem a leitura na Bíblia em Língua Portuguesa, onde está expressa, em Gênesis, 3:19, a divisa Lembra-te, homem, que és pó e em poeira te tornarás, quando o Criador, perpetrada a falta original, expulsou Adão do Paraíso, prescrevendo-lhe intensos trabalhos, rematados com a morte, ocasião em que o corpo - a carne – de nada mais aproveitará.
De modo diverso do ocorrente no lado oriental, a cultura do Ocidente nos infundiu a ideia de que o fim pela morte é algo terrível, embaraçoso, porquanto está disposta nos limites do impossível a admissão da nossa finitude, do termo definitivo da vida, de modo a persistirmos no raciocínio irreal e ilusório de que não se efetivará a condução da alma para a Outra Dimensão, pois a existência terrena seria sem fim.
Eis, entretanto, que balança esta “convicção”, absolutamente equivocada, ao menos uma vez por ano e no primeiro dia da Quaresma, coincidente com a Quarta-Feira de Cinzas. É quando, pois, o sacerdote da Igreja de Roma – cruzando na testa de cada um as cinzas remanescentes das palhas do Domingo de Ramos imediatamente anterior - representa Deus a nos alertar para o fato de que a Humanidade é pó e à poeira retornará em definitivo como matéria.
Então, ao modo como a Igreja procedia antes do Concílio Vaticano II, é substituída a frase latina Memento, homo, quia pulvis, es et in pulverem reverteris, igual a “Lembra-te, homem, que és pó em pó te tornarás”, podendo o celebrante dizer, alternativamente: “Arrependei-vos e crede no Evangelho”.
Esta verdade é terminante e vale para a Humanidade inteira, esteja a pessoa na velhice, quando madura, na condição de preferencial – como é da moda – com vigor na saúde e gozando de bem-estar socioeconômico, na doença e indigência, e, em particular, na juventude ou como adulta nova, em qualquer estado, se impõe que todos se deem conta de que “o reino do céu está perto”, sendo crucial que preparemos o caminho do Senhor, endireitando nossas veredas, à maneira como expresso por João Batista, a voz que clamou no deserto.
Então, no dia inaugural da Quaresma, examinemos a consciência e intentemos remover os habituais excessos, apagar as rixas com o próximo, viver mais a Palavra, ao procurar a indicação divina, a fim de que seja delineada a correção dos rumos, sem simuladas carolices nem devoções aparentes, vedadas as manifestações de atitudes, limitadas ao âmbito do edifício da igreja, porém com eficácia em todo lugar e a qualquer tempo.
 De tal maneira, experimentemos a chance de atualizar nossa Contabilidade para demonstrá-la em balanço perfeito aos órgãos de controle do Alto, com vistas a deixar nossos registros sempre limpos e nossa ficha sem rasuras nem lacunas que se façam obstáculos impeditivos do nosso intento de salvação.
Assim, completando a reticência do título, está em Gênesis, 3:19, a importantíssima divisa latina Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, convidando-nos a evocar a noção de que, na qualidade de corpo, somos cinzas, aquelas cruzadas hoje na testa de cada um.



*Vianney Mesquita é professor da Universidade Federal do Ceará. Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa e Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. Imortal-fundador da Arcádia Nova Palmaciana – Cadeira número um. Escritor e jornalista. Membro da Associação Internacional de Jornalistas (Bruxelas – Bélgica – U.E.).

ZENAIDE MARÇAL HOMENAGEIA, COM SONETO, GISELDA MEDEIROS PELA OUTORGA DO TÍTULO DE "PRINCESA DOS POETAS DO CEARÁ"


Templo

À Princesa dos Poetas do Ceará – Giselda Medeiros

Quando terão meus versos a beleza
que cinge teus poemas preciosos
nos quais os temas têm tal sutileza
que soam leves, ricos, primorosos?!

Quando terão meus versos o poder
de transmitir nas rimas o valor
dos lindos versos que fazes nascer
como se fora um terno ato de amor?!

Pois é assim, a amar cada palavra,
que cada linha que tua pena lavra
transmite sempre um mundo de emoções...

E penso, até, que fazes da Poesia
um grande templo em que a sabedoria
versos te dita em forma de orações!


Zenaide Marçal  (04/2002)