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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

UM POEMA DE NATAL QUE CARREGA UMA REALIDADE GRITANTE



EU NÃO GOSTO DE VOCÊ, PAPAI NOEL!...

ALDEMAR PAIVA

 Eu não gosto de você, Papai Noel! 
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedra nessa fantasia.

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz,
sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente
e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai, cansado,
trouxe um trenzinho feio, empoeirado,
que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
“É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
eu pensei que meu bilhete com atraso,
chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda,
ele partiu dando muitas voltas,
meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.

O resto eu só pude compreender quando cresci
e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco:
“Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”.

Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar
e como quem não quer abandonar
um mimo que nos deu, quem nos quer bem,
disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”.

Meu pai calou-se e pelo rosto veio
descendo um pranto que, eu ainda creio,
tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído,
mamãe gritou ele não deu ouvidos,
saiu correndo e nunca mais voltou.

Você, Papai Noel, me transformou num homem
que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal.

Meu pobre pai doente, mal vestido,
para não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão,
e num gesto nobre, humano e decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara,
no entanto depois de grande,
minha mãe, em prantos,
contou-me que fôra preso
e como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia,
entrou na cela e o libertou pro céu.

sábado, 14 de dezembro de 2019

É NATAL! RELEMBREMOS ESSE POEMA DE COELHO NETO.

FELIZ NATAL PARA VOCÊ, MEU CARO LEITOR!





OS TRÊS REIS MAGOS
Coelho Neto

Diz a Sagrada Escritura que, quando Jesus nasceu,
No céu fulgurante e pura uma estrela apareceu.
Estrela nova, brilhava mais que as outras... porém,
Caminhava, caminhava, para os lados de Belém.

Avistando-a os Três Reis Magos disseram: "Nasceu Jesus!"
Olharam-na com afagos, e seguiram a sua luz...
E foram andando, andando, dia e noite a caminhar...
E viam a estrela brilhando, sempre o caminho a indicar.

Ora, dos três caminhantes, dois eram brancos...
O sol não lhes tisnara os semblantes, tão claros como o arrebol...
Era o terceiro somente escuro de fazer dó,
Os dois seguiam adiante, e ele afastado e só...

Nascera assim negro e tinha a a cor da noite na tez...
Por isso tão triste vinha... era o mais feio dos três!
Andaram até que um dia, da jornada o fim chegou.
E sobre uma estrebaria a estrela errante parou...

E os Magos viram que, ao fundo, do presépio, vindo-os vir,
O Salvador desse mundo estava lindo a sorrir...
Ajoelharam-se, rezaram, contritos postos no chão,
E ao Deus-Menino beijaram a alva e pequenina mão...
E Jesus os contemplava, a todos com o mesmo amor,
Porque olhando-os não notava, a diferença da cor!


sábado, 10 de agosto de 2019

UM POEMA - GISELDA MEDEIROS



MOTIVO - XXI

O homem caminha
sol a sol
sobre as águas
da vida
até que, de repente,
naufraga.
E os outros lhe tecem canto
de saudade
à espera do próximo náufrago. 

GISELDA MEDEIROS. In Tempo das Esperas 


quarta-feira, 5 de junho de 2019

UM CÉU - POEMA DE GISELDA MEDEIROS




UM CÉU
 Giselda Medeiros

Ah, como queria ter
no teu esplêndido corpo
um lugar só para mim
onde a música que ouvisse
fosse somente tua voz.
Onde, em tardes sonolentas,
sibilos de amor houvesse.
Onde a ternura varresse
esses estúpidos  tédios.
Depois um incêndio sonoro
de beijos, abraços mil
carbonizasse nossa alma.
Nossas cinzas voariam
pela amplidão deste mundo
pelos espaços ao léu.
E lá, entre astros luzentes,
da lua roubando o mel,
seríamos mais do que amantes,
seríamos mais do que amados...
Seríamos o próprio céu.

(in Tempo das Esperas)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

CRÔNICA INTERESSANTÍSSIMA DE VIANNEY MESQUITA



   

GALÃO DIFERENTE


             É próprio das grandes almas desprezar 
grandezas e almejar mais o médio do que o  muito. 
(Francisco Gómez de QUEVEDO y Saltibañez VILLEGAS.  
Escritor áureo espanhol. Madrid, 14.9.1580 – Villanueva de los Infantes, 8.9.1645).


Vianney Mesquita*


É deplorável ser comum no Brasil, em todos os seus rincões e em razão de haver uma cultura arraigada desde os primeiros instantes da Colonização Portuguesa - decênios iniciais do Seiscentos - o fato de pretender o cidadão representar, sob todos os aspectos, algo mais do que seu perfil regular permite, ideia configuradora, com variância de graus, da denominada soberba patrimonialista.
Esta circunstância é examinada, a miúdo, por diversos especialistas da história  patrial no decurso de sua fase de implantação, porém com rebatimentos constantes e modificados (às vezes, para pior), como Octávio Ianni, Caio Prado Junior, Rui Martinho Rodrigues, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Florestan Fernandes, bem assim de outros autores que examinam o fenômeno, incluindo tempos recentes e a quadra fluente, em investigações stricto sensu na contextura das academias e institutos de pesquisa.
O fecho desta croniqueta, porém, exemplificativa do excepcional engenho inventivo brasileiro, mormente de cariz nordestino, traz um raro exemplo de manifestação contrária à pretensão das pessoas, parece que, de caso pensado, ideado por um sertanejo cuja procedência desconheço, no entanto tudo faz indicar ser ele um experto do canto de desafio, moto principal das cantorias próprias desta região do País e, nas mais das vezes, de tão espirituoso conteúdo.
Está bem surtido, e.g., o acervo de piadas com militares, especificamente com praças, do soldado sem fita ao cabo (ambos praças prontos), do anspeçada (antigo praça pronto) ao segundo tenente, todas de invenção desconhecida e da qual (para mim um fenômeno) não se reclama autoria em quaisquer condições.
Conta-se que, ao se apresentar à caserna na idade propícia a “servir à Pátria”, um postulante a recruta, após satisfazer a várias indagações de um sargento que cuidava do assunto, teve a si dirigidas esta perquisição e as subsequentes.
- Quantos irmãos você tem?
- Doze.
- Tudo vivo?
Não. Vivo só eu. O resto tudo é otário!
Narra-se, também, de um recruta que tencionava “passar a pronto”, o qual se esmerava em decorar as continências de todas as graduações dos diversos estratos oficiais armados brasileiros – Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar, Bombeiro Militar etc., a fim de se dar bem quando da avaliação final para chegar a soldado pronto. Então, já sabia, DECORADO E DE SALTO (mas somente se conhece “de cor e salteado”), as fitas, galões, estrelas, estrelas sobre fundo circulado e outros indicativos de todas as instituições armadas nacionais.
Eis que, numa manobra castrense pelas ruas da localidade onde servia (cidade grande!), apareceu ao longe, para cruzar com o contingente de seu quartel, um grupo grande de escoteiros com toda a hierarquia do grupamento – lobos, rambos, seniors e pioneiros – com o multicolorido fardamento e indicativos jerárquicos.
À medida que o conjunto se aproximava da sua bateria, tendo ao lado seu oficial comandante, ele se apavorava, pois jamais tinha visto essa espécie de “arma brasileira”, tampouco havia aprendido a vênia que deveria fazer ao “oficial” que vinha à frente, sobradamente estrelado e policromizado em excesso.
Ao chegar junto do pioneiro escotista comandante, ajoelhou-se, com as mãos postas, e disse solenemente:
- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Narra-se, ainda, o caso de um tenente que, não concordando com as grosserias de seu major comandante, lhe indagou:
- Major, se eu lhe disser que o senhor é burro, imbecil, o que pode ocorrer comigo?
- Prisão na certa! E na solitária!
- Mas, se eu apenas pensar nisso?
- Ah! De pensar ninguém é proibido!
- Major, então eu penso!

 Para findar estas notas, diversamente do que se diz – “o general gostaria de ser a metade do que o cabo pensa que é” – vem a contraposição à ideia de empáfia, expressa numa cantoria.
Numa vila interiorana do Nordeste brasileiro, o cantador iniciava a peleja junto a outro violeiro, com seus instrumentos afinadíssimos. Antes da introdução, da querela versificada propriamente dita, passou na frente dos disputantes o Segundo Sargento, então delegado do lugar (anos 1950), quando o poeta cantou:
- Vou botar mais um galão no ombro desse tenente!
Fingindo-se aborrecido, o Sargento expressou, de imediato:
- Não gosto de chaleiragem! Não sou tenente. Sou é sargento! Detesto puxa-saco!
Incontinenti, o cantador obtemperou:
- [...], mas o galão que eu digo é um galão diferente/É um pau com duas latas/Uma atrás e outra na frente!



segunda-feira, 20 de maio de 2019

MARIA HELENA MACEDO COMEMORA HOMENAGEM




Dia desses, ao cair da tarde, Maria Helena Macedo reuniu um grupo de ajebianas, alguns familiares e amigos para um encontro no seu Ap, em que comemorou a láurea, justamente a ela conferida, por ocasião da sessão comemorativa do aniversário da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB, Coordenadoria do Ceará. Lá também estava a escritora Evan Bessa, que foi, também agraciada com a Medalha Cândida Santiago Galeno, instituída pela AJEB/CE. Aliás foram três vultos importantes que foram condecorados neste ano de 2019: Maria Helena do Amaral Macedo, Maria Evan Gomes Bessa e Antônio Galeno, este, Diretor da Casa de Juvenal Galeno.

Foi um momento descontraído, em que pudemos conversar, trocar ideias, rir e nos divertir muito, acompanhado de finas e saborosas iguarias e de um bom vinho.

Foi, sem dúvida, um encontro salutar, agradável e muito aconchegante, com a recepção impecável da anfitriã. A seguir, o registro fotográfico daquele momento inesquecível.

REGISTRO FOTOGRÁFICO


Presidente da AJEB, Elinalva Alves, ladeada 
por Evan Bessa e Maria Helena Macedo


Maria Helena e Giselda Medeiros


Evan Bessa e Giselda Medeiros


Ajebianas entregam flores à Maria Helena Macedo


Maria Helena, Gilda, Evan e Nirvanda


Maria Helena entre os amigos


Maria Helena com a prima Socorro


A amiga Norma


Argentina, Giselda, Gizela, Margarida e Vicente Alencar


Evan e Maria Helena, exibindo ao peito
 a Medalha a que fizeram jus.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

UM CORDEL ESPECIAL PARA GUTEMBERG ANDRADE





           CORDEL  DO GUTEMBERG

           Autor: Francisco José PESSOA de Andrade Reis



          NESSE MOMENTO SUBLIME
          PRA MIM DE GRANDE VALOR
          QUEM FALA É MEU CORAÇÃO
          COM VERSOS DE PURO AMOR
          JÁ PRESTANDO CONTINÊNCIA
          PRO CORONEL REFERÊNCIA
          NO CORDEL E TROVADOR

          PEDAGOGO E ADVOGADO
          FUNDADOR E COMANDANTE
          DO COLÉGIO DA P M
          FOI PROFESSOR ATUANTE
          FEZ DESSE COLÉGIO UM TEMPLO
          QUE AINDA HOJE É EXEMPLO
          PARA QUALQUER ESTUDANTE

          DEIXANDO POR ORA, A FARDA
          CINGINDO SEU AVENTAL
          TRABALHOU NA SUA PEDRA
          QUE FOI POLIDA E AFINAL
           ASSUMIU O COMPROMISSO
          DE SEMPRE ESTAR A SERVIÇO
          DA IRMANDADE UNIVERSAL

          AS LETRAS FALAM MAIS ALTO
          VERSEJAR SE TORNA A META
          E SOB O ENCANTO DAS MUSAS
          SEU ARCO DISPARA A SETA
          A MAIS DIFÍCIL DAS PROVAS
          SEU ALVO ERA FAZER TROVAS
          ASSIM NASCIA O POETA

          COM SUA CAPACIDADE
          DE FOMENTAR UNIÃO
          A TODOS SEMPRE ELE ALEGRA
          TANTO AOS SIM COMO AOS NÃO
          COM SUA VOZ SEMPRE MANSA
          SEU TIMBRE SUAVE ALCANÇA
          O OUVIDO DO CORAÇÃO

          E NESSE MODUS VIVENDI
          A TODOS LEVANDO PAZ
          TOMA AS RÉDEAS COM VIGOR
          O QUE A TODOS SATISFAZ
          DESSA UBT SEM UM RÂNCIO
          LEMBRANDO FERNANDO CÂNCIO
          QUE NÃO NOS DEIXA JAMAIS


          FINALIZANDO POETA
          QUE TODOS DIGAM AMÉM
          PELA MULHER PRATEADA
          CAJADO QUE VOCÊ TEM
          DOU-TE UM ÓSCULO NA FACE
          NÃO SÓ A ÁGUIA RENASCE
          TU RENASCESTE TAMBÉM!

                       PESSOA