sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
REMEMORANDO LUSTOSA DA COSTA
Lustosa
da Costa – muito mais que Jornalista
Giselda Medeiros
Stendhal,
mestre do romance psicológico, diz-nos que “um romance é como um arco de violino.
E o corpo do violino, que ressoa, é a alma do leitor”. Efetivamente, um
não se completa sem o outro e, por isso, é que dizemos, após concluída a
leitura de Vida, Paixão e Morte de Etelvino Soares (São Paulo: Editora
Maltese, 1996), sentirmo-nos, assim, vibrando, os que perlustramos as páginas
plenas de inquietação e serenidade, de realismo e ficção, de amor e ódio,
páginas inesquecíveis desse romance, cujo título traz o cinzel da inteligência
do jornalista Lustosa da Costa; título dado, não “pomposamente”, mas guardando-lhe a sugestiva dimensão emocional.
A
matéria-prima de que se serviu o obreiro foi (re)buscada nos corredores
tortuosos da provinciana Sobral do início do século XX. Com ela em mão,
procurou (re)compor o cenário, que retratasse a sociedade daquela época, em sua evolução dialética, a
caminho da transformação. Caracterizou suas personagens, dando-lhes ações tão
reais que nos é possível senti-las saltar da imobilidade do papel para a
representação concreta. Assim é que no capítulo introdutório “A Execução”,
mesmo ainda sem termos tomado conhecimento de seus protagonistas, eles surgem,
inesperadamente, da obscuridade do passado para o palco do presente, a
encenarem o ato final, diante de nossa perplexidade. Aí dá-se o choque
emocional, e o leitor, ávido pelo esclarecimento do fato, vai, página por página, inteirando-se dos
conflitos e das necessidades das personagens vistas em seus desequilíbrios
sociais e ontológicos.
Na
verdade, o capítulo inicial, apresentando alto teor fotográfico e documental, é
a síntese reveladora do drama vivenciado pelo protagonista, verdadeira saga
humana, na qual a personagem Etelvino Soares demonstra o caráter desafiador e
intimorato de um homem apaixonado pelo jornalismo construtivo e justo. Em
nenhum momento, sob as mais diversas pressões político-sócio-eclesiásticas,
deixou-se corromper. Antes, procurou denunciar o convencionalismo da sociedade,
enfatizando o contraste entre o “ser” e o “aparentar ser”, mesmo correndo
riscos inevitáveis.
Ditas
estas considerações, faz-se necessário, agora, que teçamos alguns comentários
(despretensiosos, é claro), com relação a alguns pontos que nos chamaram à
atenção. Em primeiro lugar, o foco narrativo em terceira pessoa mostra um
narrador onisciente que, no entanto, inclui-se como personagem – e isto apenas
no capítulo inicial – embora disfarçadamente entre parênteses. Entendemos ser
tal procedimento um recurso técnico usado pelo Autor, ou seja, o de intuir no
leitor a veracidade do fato. O narrador acompanhou toda a vida e paixão de
Etelvino, como mero espectador, mas não pôde calar-se diante de sua morte
trágica, que é desfecho do romance. Por essa razão, o caráter documental a que
nos referimos antes. Vejamos: (Enquanto vida tiver, jamais se apagará da
memória dos meus tímpanos fatigados o som daquele urro feroz do moribundo que
depois se vai esvaindo, esvaindo, esvaindo até se converter no doído ganir dum
cachorro atropelado.). Atente-se para a construção do tempo verbal “se vai
esvaindo”, em que a locução apresenta um aspecto durativo da ação expressa pelo
verbo, sem que a ela seja dada uma definição na divisão geral de tempo
presente, passado e futuro. É como se a cena se registrasse num tempo que vai
sempre se prolongando.
Em
segundo lugar, na pele de narrador detalhista, o que se nota através da
multiplicidade de informações, leva-nos o Autor a refletir sobre as condições
da realidade social de um tempo em que a dominação (muito mais intensa que
hoje), das oligarquias corrobora a veracidade deste pensamento do historiador
A. Hauser, com que expressou a vitória do capitalismo industrial: O dinheiro
é a força que domina toda a vida política e privada e (...) todos os direitos
passam a exprimir-se através dele. Tudo, para ser compreendido, tem de se
reduzir a um denominador comum: o dinheiro. E, em terceiro lugar, a
caracterização (a nosso ver) de um romance de costumes com tendências
naturalistas, quando combate, com inabalável urdidura, a Igreja, a Família, a
Justiça, imergindo no mais profundo da miserável condição humana de suas
personagens para daí trazer-nos temas que, mesmo recorrentes, ganham mais
dramaticidade quando tratados pela pena sensível de Lustosa da Costa. Dessa
maneira, ele denuncia, com argúcia, a vaidade, a futilidade, a hipocrisia, a
ambição, a inveja, o adultério, o sexo, enfim, os impulsos antagônicos do ser
humano. E tudo isso apresentando densidade conteudística, fluxo narrativo
emergente, em que sobressai a capacidade de trabalhar as personagens em suas
tramas, o que lhe confere o irrefutável pendor para a narrativa longa.
Digna
de nota é também a coerência da linguagem. Os períodos curtos, em sua grande
maioria, denunciam o equilíbrio do processo criativo do Autor e o seu
compromisso com o leitor, no que concerne ao entendimento da mensagem. Os
diálogos guardam uma aura de autenticidade, reveladora, muitas vezes, do mundo
psicológico de suas personagens. Há aí sátiras, ironias, metamorfoses de
comportamentos ou, simplesmente, o desnudar-se de almas.
Vida,
Paixão e Morte de Etelvino Soares é, pois, a narração de uma luta insana,
quixotesca, em que se digladiam a moral e suas pretensas autoridades, a
oligarquia, o tradicionalismo conservador das famílias de estirpe, o clero, a
política, a justiça, enfim, a comunidade aristocrática sobralense, que se
impõe, dominadora, caricaturizada na personagem Romão Patriolino de
Albuquerque. Do outro lado, a figura de Etelvino, um arraigado jornalista que
nada mais queria senão combater os moinhos da injustiça e da opressão.
Por
fim, fazemos nossas as palavras do inesquecível mestre da crônica, o cearense
Mílton Dias, ao prefaciar “Cartas do Beco”, em que enumera as qualidades de bom
ficcionista, que é Lustosa da Costa: “estilo simples, escorreito, a prosa pura,
enxuta, a que não falta um lirismo contido, o vocabulário rico, sem afetação, a
palavra fácil, a plasticidade, abordando os temas mais vários, os mais graves e
os mais leves com a mesma vibrante espontaneidade”. E, em seguida,
arremata: “o leitor que o conhece tem a impressão de estar a ouvir-lhe a voz”.
Pois é assim mesmo, mestre Mílton. Lendo
Lustosa da Costa, sentimo-lo em cada letra, em cada frase, em cada período, em
cada capítulo, em cada obra, limpo em sua integridade de homem de imprensa, e,
como poucos, a conquistar o aplauso e a simpatia de seu público leitor. O humor
inteligente, o cavalheirismo fazem deste jornalista de largo conceito e
militância um homem perspicaz. Por isso sabe ele que é necessário reinventar
a vida e para tal transpõe a objetividade do fato jornalístico em literatura. Assim ,
o que é ou o que foi produto de um tempo atravessará os espaços da
historicidade do cotidiano e passa a ser arte vertical e transcendente: Ars
longa, vita brevis.
Desse modo, Lustosa, aceitando seu convite,
entramos prazerosamente nesta saga sobralense e gostamos tanto de conviver
com seus protagonistas que difícil é, agora, nossa retirada.
(in CRÍTICA REUNIDA)
domingo, 10 de novembro de 2013
POETA E POETISA - Sânzio de Azevedo
Não é a primeira vez
que abordo esse assunto, mas resolvi retomá-lo depois de uma conversa que tive
há algum tempo com o amigo e poeta Jorge Tufic, oportunidade em que ele me revelou não concordar com o
costume, que grassa em nossa imprensa, de se dizer, ao falar de uma mulher que
faz versos, tratar-se de “uma poeta”.
Sinésio Cabral, em trabalho de 199l, 1 após lembrar que, em
Antenor Nascentes, em Silveira Bueno e na Delta Larousse (e eu acrescentaria
Caldas Aulete e Koogan-Houaiss), encontra-se poetisa como feminino de poeta,
adverte que em latim temos poeta (poeta) e poetria (poetisa); em francês, poète
e poétesse; como, em inglês, poet e poetess. Ao que eu acrescento, em espanhol,
poeta e poetisa; em italiano, poeta e poetessa e, em alemão, Dichter e
Dichterin.
No mesmo trabalho,
cita Sinésio Cabral o poeta e crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, o qual
considerava Francisca Júlia “talvez o mais característico dos poetas
parnasianos do Brasil”, dizendo em seguida que “a poetisa professou a arte pela
arte”. 2
E observa o ensaísta
cearense: “Trata-se, aqui, do emprego correto de poetas (a poetisa entre
poetas) e de poetisa (feminino de poeta).” 3
José Peixoto Júnior,
escritor cearense radicado em Brasília, em texto publicado numa revista
dirigida por Nilto Maciel, ao referir-se a poeta e poetisa, assinalou: “O uso
dos dois epítetos nunca arranhou a igualdade reinante no seio do poetismo;
jamais limitou o espaço a ‘quantos bebem a água do Parnaso’; entretanto,
insinuam o enquadramento do substantivo poeta na classificação morfológica do
grupo ‘comum de dois’, submetendo-o ao vexame de ver-se antecedido por forma
articular feminina na determinação daquela que verseja, denominando-a de ‘a
poeta’.” O mesmo ensaísta sugere que o vocábulo poetisa “deve ter surgido nos
estertores do Iluminismo”. 4
O filólogo
conterrâneo José Alves Fernandes me apresentou o único exemplo que vi, fora de
nosso tempo, do emprego de poeta com referência a uma mulher. É do século XVII,
e diz: “No fim de todas elas (...) vem hua natural de Saxônia chamada Rosuvides
estremada na língua Latina & Grega, & Poeta laureada da qual diz
Arnoldo (...) que foi admirável assi na prosa, como no verso.” 5
É o caso de se
imaginar o que, em nossos dias, teria levado alguns a substituir poetisa pelo
equivalente masculino, tratando embora de mulher. Terá sido a palavra
desgastada pela produção de tantas versejadoras sem mérito, ao longo dos anos?
Não, esse argumento não procede, se pensarmos no número imenso de homens
escrevendo maus poemas no Brasil, ontem, hoje e certamente amanhã...
Embora continue
julgando ser poetisa o feminino legítimo de poeta, como juíza o é de juiz, ou
pintora de pintor, ainda admito que alguém se refira a uma autora de poemas
chamando-a de poeta, mas desde que seja respeitado o gênero do vocábulo.
Cecília Meireles, em
“Motivo”, disse: “Não sou alegre nem sou triste: / sou poeta.” Lendo este
último verso, não podemos ter certeza quanto ao fato de a autora de Viagem
aceitar a forma feminina “a poeta” (que me parece antiestética), mas, se me é
lícita a lembrança de um testemunho oral, contou-me o saudoso escritor Edigar
de Alencar que, ao perguntar a Cecília Meireles se ela havia escrito algum
poema humorístico, teve dela esta resposta: “ – Eu sou um poeta elegíaco!”
Note-se que a escritora disse “um poeta”, e não “uma poeta”.
Curioso constatar que só acontece esse atentado à gramática
com o vocábulo poeta. Ninguém diz que a atriz Cacilda Becker foi “uma ator”, ou
que a pintora Tarsila do Amaral foi “uma pintor”, o que equivaleria
rigorosamente a “uma poeta”...
José Veríssimo, tratando de Júlia Cortines, afirmou, no
começo do século XX: “esta poetisa é um poeta tão bom como nossos melhores”. 6
Claro que o crítico usou poeta para generalizar, tanto que o estudo se intitula
“Uma poetisa e dois poetas”, pois fala também de Cruz e Sousa e de Luís
Guimarães Filho.
Bem outro é o caso de
Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) que, no estudo “Uma poetisa poeta”,
datado de 1920, comentando a escassez do trabalho cultural das mulheres (as
quais, para ele, “não se distinguem (...) por uma produção satisfatória e nem
mesmo apreciável”), conclui o trabalho com esta frase: “A Sra. Maria Eugênia
Celso não é uma poetisa, é um poeta, mas de alma profundamente feminina.” 7
Parece-me estar nessa
visão preconceituosa (e machista) a origem da aversão de alguns ao vocábulo
poetisa. E ainda assim o crítico respeitou a gramática, pois não escreveu “uma
poeta”...
Sirva-me de consolo a leitura de uma poetisa atual, que
assume de maneira forte e bela sua condição de mulher que faz versos; trata-se
de Elisabeth Veiga, que escreveu um poema intitulado, justamente, “Poetisa”:
Ponho a palavra batom no papel
-- palavra de carne
como o beijo é
vermelho.
Ponho a palavra rímel
e os olhos se fecham
sob mel negro
dessa tinta alerta,
e o poema se entrega
entre teus dedos,
observa
o ócio com que o
folheias:
se tivesse pétalas
voava
suicida, de volta para
o vidro de perfume.
Mas o silêncio da
rosa
é perfeito
quando é só:
rosa – eternidade na
mesa.
Mas ponho a palavra
terra.
Sou origem.
Poetisa. Não poeta. 8
(da Academia Cearense de Letras)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
PARA REFRIGÉRIO DE NOSSA ALMA
REVELAÇÃO
Cf. Salmo 23/22
Horácio Dídimo
Quando
vejo a estrela azul
Brilhando
por um instante
Descanso
em águas tranquilas
E em
pastagens verdejantes.
Minha
alma se fortalece,
Minha
vida se transforma,
Uma mesa
é preparada
E meu
cálice transborda.
Quando
vejo a estrela azul
Em todo
seu esplendor
Sei que
tudo vai mudar,
Sei que
tudo já mudou,
Que o
Senhor é meu pastor
E nada me
faltará.
Música de Mauro Augusto
terça-feira, 29 de outubro de 2013
LIVROS & LIVROS
Agradecemos aos autores o envio de seus maravilhosos livros.
"(...) o poeta Pereira de Albuquerque encontra, em todos os detalhes da vida, sobejos motivos para, deles, extrair poesia. Nada lhe escapa à observação: o amor, a crítica social, a felicidade, a educação, o (des)governo, a religião, a paz, o futebol,os falsos profetas, e tudo o mais.
Afirmar essas verdades é para ele apenas a maneira que escolheu para nos brindar com as suas redondilhas - os notáveis heptassílabos onde dá largas à sua aguçada percepção do mundo, enxergando, inclusive, o que outros não veem.
(...) Tem razão Dimas Macedo, poeta e crítico literário, quando o reputa um dos nossos melhores escritores".
(Vicente Alencar)
"(...) Arquiteto a Posteriori reúne textos acerca de obras cuidadosamente eleitas sob o rigor da qualidade, nos quais descreve olhar e sentimento, exercendo atitude crítica pura, incólume às práticas menores dos achaques, dos desnegrimentos gratuitos e das desmerecidas lisonjas.
Assenhoreia-se, ao traçar os conceitos e considerações, da admirável benquerença que lhe merecem os amigos e os bons textos, mas não se afasta da atitude severa dedicada à análise erudita, que modestamente chama de comentário".
(Geraldo Jesuíno da Costa)
"(...) Verdade: pelas janelas invisíveis do ÚLTIMO TREM PARA PASÁRGADA, Eduardo Fontes estira, ao longe, um olhar bifronte: é o poeta obcecado pelo simples, verdadeiro e distraído pelo Belo. E o leitor vai-se enriquecendo de Poesia, de emoção e de mistério, de conhecimento e de ideias. Diga-se frutífera a mistura de imaterial e material, de emoção e razão.
Embarque, leitor, nesse último trem: você vai em companhia de 'um poeta constantemente emocionado diante da vida e dos mistérios da morte'."
(Dias da Silva)
"(...) Talentoso e culto, desliza ao sabor de diferentes estilos literários, com muita propriedade, da mesma forma como atua dentro da área médica. E agora nos traz "Isso é coisa do Pessoa - em Prosa e Verso" para nos deleitar com suas rimas inteligentes em trovas líricas ou satíricas e com a prosa gostosa, de mesa de boteco, ao som dos copos e grugrulejo das cervejas, onde somos capazes de passar horas e horas batendo papo e gargalhando sem nos lembrarmos de que existem colesterol, inflação, dieta, imposto de renda..."
(Celina Côrte Pinheiro)
"(...) Aqui, estamos diante de um compêndio de sabedoria. São poemas sob os mais variados temas. E não pense o leitor que vai encontrar versos rebuscados, herméticos. Não! São versos simples, rolados da grande correnteza da vida.
(...) Os conceitos morais, religiosos, são trabalhados pela Autora com a mesma simplicidade e leveza, por meio de sua aguçada visão interior, a nos chamar para as suas verdades.
(...) Quem conhece Terezinha Bedê sabe de sua riqueza espiritual, de sua dignificante postura diante dos fatos imutáveis da vida. Dentro de sua visão humanizada, ela sabe (e comunga com o pensamento de Aristóteles) que a existência é uma dádiva concedida pela natureza, mas uma vida bela somente a sabedoria nos pode proporcionar."
(Giselda Medeiros)
"(...) Li a História desses povos, dessas gentes. Mas li também Camões, a Bíblia, Alencar, Machado, cordel, Moreira Campos. E me pus a escrever também. Mais para relembrar aquele povo e seus descendentes. Para recriá-los. Ou mesmo criá-los, porque talvez nada exista. O que existe é obra de arte, que é ficção. Nada é real. Quanto mais antigo mais irreal."
(Nilto Maciel)
"(...) Aqui, estamos diante de um compêndio de sabedoria. São poemas sob os mais variados temas. E não pense o leitor que vai encontrar versos rebuscados, herméticos. Não! São versos simples, rolados da grande correnteza da vida.
(...) Os conceitos morais, religiosos, são trabalhados pela Autora com a mesma simplicidade e leveza, por meio de sua aguçada visão interior, a nos chamar para as suas verdades.
(...) Quem conhece Terezinha Bedê sabe de sua riqueza espiritual, de sua dignificante postura diante dos fatos imutáveis da vida. Dentro de sua visão humanizada, ela sabe (e comunga com o pensamento de Aristóteles) que a existência é uma dádiva concedida pela natureza, mas uma vida bela somente a sabedoria nos pode proporcionar."
(Giselda Medeiros)
"(...) Li a História desses povos, dessas gentes. Mas li também Camões, a Bíblia, Alencar, Machado, cordel, Moreira Campos. E me pus a escrever também. Mais para relembrar aquele povo e seus descendentes. Para recriá-los. Ou mesmo criá-los, porque talvez nada exista. O que existe é obra de arte, que é ficção. Nada é real. Quanto mais antigo mais irreal."
(Nilto Maciel)
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Luiz Felipe Pondé - Revista Literatura
Literatura como cura
Hoje quero falar de dois sintomas que marcam nossa época. O
primeiro sintoma é a falação ruidosa de nosso mundo; o segundo é a ideia de que
o mundo sofre porque não nos amamos e que tudo se resolveria se nos
abraçássemos e parássemos de sermos gananciosos.
Fala-se demais hoje. Todos têm opinião. Até jovens de 20
anos são chamados a dar opinião sobre o mundo e a sociedade, quando mal sabem
arrumar o quarto. E quando se elegem crianças de 25 anos como arautos da
sociedade (adulto que faz isso, o faz, normalmente, para ter discípulos fiéis e
fanáticos, ou porque é bobo mesmo), o resultado é que acaba se pensando que o
mundo começou, como diz um amigo meu muito esquisito, em "Woodstock".
Quando se pensa isso, acaba-se imaginando que o problema do
mundo é mesmo aprendermos que "all you need is love"... Infelizmente,
a humanidade é mais complicada do que pensa nossa vã inteligência
woodstockiana. Contra essa visão infantil da realidade (este é o segundo
sintoma do qual falei acima), proponho a leitura da obra do grande crítico
norte-americano Edmund Wilson. Vou a ele já; antes, quero voltar ao problema do
ruído mais especificamente (o primeiro sintoma do qual falei acima).
Somos um grande mundo ridículo e falastrão. Decorrente dessa
falação, um ruído infernal toma conta do dia a dia. O silêncio, às vezes, é um
dos maiores indicativos de maturidade, não só de uma pessoa, mas de uma
civilização.
Estou falando isso por conta de um breve ensaio que caiu na
minha mão esses dias, parte integrante do volume "Best American Essays
2013", editado por Cheryl Strayed.
O ensaio ao qual me refiro foi escrito pela prêmio Nobel
Alice Munro e chama-se "Night". Nele, a autora conta a operação que
fez quando criança para tirar o apêndice e uma "coisa do tamanho de um ovo
de peru". Munro compara o comportamento atual diante de casos como o dela
e o comportamento de seus pais na época. A conclusão é que hoje se falaria como
o diabo do risco que ela corria na época. Mas, ao contrário, pouco se falou do
assunto, "respeitando o medo" sem falação. Conta Munro que, nessa
época, ela dormia num beliche com sua irmã mais nova (moravam numa espécie de
granja), e que numa noite olhou para a irmã e pensou em sufocá-la.
A partir daí, não conseguia mais dormir, pensando no ímpeto
que tivera de matar sua irmã. Numa das manhãs seguintes a suas noites de
insônia, encontrou com seu pai, todo vestido chique, saindo de casa de manhã
muito cedo. Contou para ele o que pensara e o horror que sentira.
Seu pai simplesmente lhe disse que esquecesse aquilo e que
essas coisas passam. Depois, adulta, lembra como o modo simples de falar do pai
a acalmou profundamente. A pequena Alice nunca mais teve insônia.
Na sequência, a prêmio Nobel comenta que nunca perguntara ao
pai para onde ele ia tão cedo e tão elegante. Perguntou-se se ele ia ao banco
renegociar a dívida da família ou ver a mulher que amava, mas com quem não
podia ficar porque amava sua família... Silêncio. Nem uma linha de rancor.
Hoje, escreveriam uma tese sobre como seu pai poderia ter sido um homem
desatento ou, quem sabe, infiel. Ao lembrar do seu pai no momento do
reconhecimento em que recebera o prêmio, Munro pensa em como ele teria ficado
orgulhoso de sua pequena filha insone.
Nessas horas, tenho saudade do passado e lamento como nos
transformamos em adolescentes barulhentos que se levam demasiadamente a sério.
O segundo autor que quero comentar é Edmund Wilson, um dos
últimos críticos literários, segundo Paulo Francis, a enfrentar a literatura
sem se esconder atrás de grandes teorias abstratas (que se querem
"concretas").
No volume editado por Francis pela Companhia das Letras em
1991, "Onze Ensaio - Literatura, Política, História", esgotado,
aparece sua "visão de mundo": a história é um longo processo através
do qual as civilizações se devoram, criando e destruindo, em círculos, indo
para lugar nenhum. Concordo.
Pura coragem intelectual, que tanto faz falta hoje, nesta
época de líderes adolescentes que creem em Woodstock como modelo de sociedade.
Luiz Felipe Pondé,
pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em
epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap,
discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência.
Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed.
LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
Artigo publicado Folha de S.Paulo
sábado, 19 de outubro de 2013
100 ANOS DE VINICIUS DE MORAES.
Soneto de separação
(Vinicius de Moraes)
De repente do riso
fez-se o pranto
Silencioso e branco
como a bruma
E das bocas unidas
fez-se a espuma
E das mãos espalmadas
fez-se o espanto
De repente da calma
fez-se o vento
Que dos olhos desfez
a última chama
E da paixão fez-se o
pressentimento
E do momento imóvel
fez-se o drama
De repente não mais
que de repente
Fez-se de triste o
que se fez amante
E de sozinho o que se
fez contente
Fez-se do amigo
próximo, distante
Fez-se da vida uma
aventura errante
De repente, não mais
que de repente.
domingo, 13 de outubro de 2013
UM POEMA DE SÉRGIO MACEDO
QUANTO MAIS, NADA! POEMA PRA MULHER AMADA
Sérgio Macedo
Quanto menos te vejo,
Mais tenho medo de perder a saudade,
Mais tenho medo da quarta feira de cinzas,
Deposta em minhas fantasias.
Quanto mais te perco,
Menos tempo tenho a perder
A ti,
Quanto mais envolvo à alma em teus fantasmas,
Mas procuro o lenço e o lençol,
Manchado do que eu queria fosse teu, tu.
Mais o pensamento vagueia perdido no dia,
Mais a noite alonga a fila de fantasmas
desesperançados,
Mais afina a estrada, a entrada, a saída.
Mais a sensação de perda se apresenta,
Mais o terror me espanta,
Mais o terror me serve de acalanto,
Perceba o pranto d´alma.
Quanto mais te perco, menos me encontro.
Quanto mais ando, mais ando e não chego
Quanto mais o dia amanhece, mais anoiteço,
Quanto mais o dia amanhece, mais finda o espaço.
Quanto mais te vejo, mais cresce a distância
Mais meus olhos e braços encurtam o alcance
Mais teus olhos míopes a mim me cegam.
Tempos caminham em diferentes estradas
Passam em dias ou milênios,
Canso-me verdadeiramente com o pouso do rebelde
De peito aberto e arma em punho,
Apenas um ator de raras cenas
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
12 de OUTUBRO - Dia das Crianças e dos que se Recusam a Deixar de Ser Criança!
LAMENTO AO VENTO
Diogo Fontenelle
Para Mirian Carlos, a mestra que não se esqueceu de ser menina.
A Infância passou pelos moinhos de sombras dos meus olhos tristonhos
Em rendilhas e arabescos de luz pelos telhados do antigo casarão...
Eu fui à Espanha buscar o meu chapéu azul e branco de sonhos!...
Era uma vez, um menino marujo preso numa bolha dourada de sabão,
Era uma vez, um soldadinho de chumbo em marcha pelo caderno escolar,
Era uma vez, um pequeno flautista a dançar pelos jardins de abril,
Era uma vez, um carrossel de lata a voejar pelo céu anil de Calcutá,
Era uma vez, uma doce e distante canção de ninar para um órfão febril,
Era uma vez, um circo oriental a tilintar por um domingo em prece,
Era uma vez, uma Noite de Natal esquecida num livro de poesia,
Era uma vez, uma aventura a escorrer por um folhetim de quermesse,
Era uma vez, uma tarde bordada por fios de sol numa praia em sinfonia,
Era uma vez, um grão-vizir de Alexandria a velejar um barquinho de papel,
Era uma vez, o Pirata dos Tempos que roubou a arca da minha Infância...
Ergueu muralhas de solidão pelos marulhos do meu peito menestrel,
E vestiu-me de gente grande a inundar meu coração de infinda ânsia...
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2013
A canadense Alice Munro venceu nesta quinta-feira (10) o Prêmio Nobel de Literatura 2013, informou a Academia Sueca, que a classificou como "mestre do relato curto contemporâneo". Munro, destacou a Academia em sua decisão, é consagrada por seu "harmonioso estilo de relatar, que se caracteriza por sua clareza e realismo psicológico".
Considerada por alguns críticos como "a Tchecov canadense", a escritora, nascida em 1931 em Wingham, na província de Ontário, é conhecida por suas histórias breves e publicou várias coleções ao longo dos últimos anos.
Munro, que chegou a estudar jornalismo e inglês, abandonou a universidade ao se casar. A escritora escreveu suas primeiras histórias na adolescência, mas publicou sua primeira obra, Dance of the Happy Shades (Dança das Sombras Felizes, em tradução livre), em 1968. No Brasil, a Companhia da Letras publicou seus livros Amor de uma boa mulher, Felicidade demais e Fugitiva, e a Editora Globo lançou Ódio, amizade, namoro, amor, casamento.
Suas obras costumam ter como cenário pequenas cidades onde a luta por condições de vida aceitáveis provoca em algumas ocasiões conflitos morais. O valor do prêmio é de milhões de coroas suecas (R$ 2,8 milhões) e o vencedor do ano passado foi o chinês Mo Yann.
sábado, 5 de outubro de 2013
DE "SENDAS DO SACRÁRIO
ADAGA - HERMÍNIA LIMA
Ah! Essa adaga em
riste
a retalhar-me as
carnes.
E o estorvo de
erguê-la
pensando em tuas mãos
ensanguentadas.
Ah! O dissabor de
saber
o azul da tarde
tingido
pelo carmim do golpe
e pelo talhe no
sonho.
Ah! A alegria
insistente
que traz da mesma
adaga outra imagem,
a retalhar-me o grito
do espasmo cintilante
chovendo sobre
almofadas.
Ah! Esse poder fálico
revelado,
trazendo o riso e a
gratidão da alma...
E o prazer de vê-la,
pousada, em repouso,
após a glória do
bom-combate.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
UM OLHAR SOBRE CARLOS D'ALGE - GISELDA MEDEIROS
O
Objeto Ausente
O
prestigiado Escritor, Ensaísta, Poeta, Jornalista e Professor Carlos D’Alge vem
de lançar, em elegantíssima noite no Centro Cultural Oboé, mais um de seus
livros. Trata-se, agora, de O Objeto Ausente (Fortaleza, Editora
ABC, 2003), obra que nos chega não para provocar polêmica, mas para provar e
comprovar o talento desse homem que, sendo grande, bem maior se tornou pela
coragem de levar a público seus dramas pessoais, desnudando-se completamente,
deixando sobre si apenas a túnica da verdade, esta que o conduz durante todo o
processo narrativo da obra.
Quem
teve ou ainda tem o prazer de compartilhar da amizade de Carlos D’Alge, e beber
dele a sabedoria e a experiência advindas do manancial de sua inteligência,
pode julgar-se verdadeiramente um privilegiado.
Sendo
ser humano em toda a extensão do termo, não poderia ele, porém, passar incólume
sobre este chão pedregoso da vida, sem ferir-se e, em assim sendo, ferir
também, embora de maneira involuntária, aqueles que lhe estiveram ou lhe estão
ao redor. Entretanto, jamais permitiu que ninguém ultrajasse com gestos ou
palavras as pessoas que ama, pois o seu caráter, a sua formação ética falam
muito mais alto que toda a pequenez dos invejosos.
Neste
livro, Carlos D’Alge afirma, mais uma vez, que a sua escrita é uma verdadeira
epifania, na qual ele se vai doando, em festa, ao banquete do leitor. E quanto
mais se o vai lendo mais gostoso vai sendo o ato da leitura, isto por que o seu
texto viabiliza o conhecimento de si, do outro e do mundo. Profundamente
cuidadoso na linguagem, que aparece supimpamente trabalhada, ele demonstra
ainda maior a discrição em não revelando nome das pessoas envolvidas em sua
trama amorosa, evitando desse modo qualquer constrangimento para as personagens.
Seu
drama não é menor nem maior que o de muita gente. Por isso, o leitor vai, aqui
e ali, identificando-se com particularidades das vivências do autor, mesmo por
que quem nunca se deixou levar pela ardência de uma paixão? Quem nunca teve de
tomar decisões que a outrem pareceriam pura loucura? Se ainda não, certamente
fá-lo-ão um dia. Eis por que concordamos com ele quando diz: Sem paixão não
existimos, deambulamos, e só.
Mas,
o livro não trata apenas da narrativa de seus amores, de suas paixões, das crises de depressão que o atormentaram,
das doenças, da dissolução matrimonial. Há a história de uma vida coroada de
êxito, de uma vida dedicada ao trabalho, à literatura, ao jornalismo, aos
amigos que fez nesta terra de Iracema, à família. É uma maneira que ele
encontrou para dar satisfações suas ao leitor, dentro daquele princípio que
sempre lhe norteou a vida, ou seja, o de fugir à mentira, ao fingimento, às
especulações dos que alardeiam um falso moralismo. Carlos D’Alge é transparente
e, de conformidade com Adélia Prado, coloca o sentimento “como a coisa mais
fina do mundo”. Como artista que o é, não poderia ser diferente. Escrever é um
ato de verdadeira entrega ao sentimento, e é este que move as pessoas, que dá
colorido ao mundo, que torna poética a vida. Só a beleza salvará o mundo, diz
Dostoievski.
Enfim,
Carlos D’Alge, munido do prazer aliciante da palavra, constrói em O Objeto
Ausente um mundo onde a sinceridade se faz presente em todos os sentidos, e
a verdade se planta em todos os ventos que, alvissareiros, vão-lhe invadindo o
coração numa canção de amor à vida, buscando o objeto amado que se fez ausente
na fúria dos desencontros e conflitos humanos.
E,
para concluir esta modesta apreciação, lembramos-lhe o patrício Fernando
Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em
cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes”. Assim é Carlos D’Alge.
Giselda Medeiros - in Crítica Reunida
domingo, 22 de setembro de 2013
SONETO PARA MEU PAI - GISELDA MEDEIROS
(à memória de meu pai, Jorge
Francisco de Medeiros)
Era pequena, pai, mas te recordo
A voz bondosa como me falasse...
Ah, com que gosto, ainda, quando acordo,
Tua carícia sinto em minha face.
Não me viste crescer, ó pai! Não viste
Em minha vida a primavera abrir-se...
Te foste muito antes, e foi triste
Crescer sem teu amparo definir-se.
Cresci, é bem verdade, e, hoje, poeta
Da lágrima, do amor abençoado,
Quero fazer-te um verso. E, assim, repleta
De inspiração, de amor, de suavidade,
Genuflexa, te entrego, ó pai amado,
Este meu verso cheio de saudade!
domingo, 15 de setembro de 2013
A CRÍTICA DE GISELDA MEDEIROS - DIMAS MACEDO
E como se isso não bastasse, Araripe Júnior,
ainda no século dezenove, se encarregaria de dar à literatura brasileira o seu
definitivo estatuto no terreno da crítica. E bem assim os rumos que esse gênero
literário tomaria entre nós.
Depois, eu colocaria o papel relevante das Cartas
Literárias (Rio, 1895) de Adolfo Caminha, o engenho crítico e a argúcia
intelectiva de Frota Pessoa (Crítica e Polêmica, 1902), a essencialidade
do exercício crítico de Braga Montenegro, as intuições estruturalistas de F. S.
Nascimento e o recorte estético de acento indiscutivelmente teórico que permeia
a produção de Pedro Paulo Montenegro.
A chamada crítica literária de formação
acadêmica tem no Ceará se desenvolvido com algum desassombro. Lembro, aqui, os
nomes de Linhares Filho, Batista de Lima, Lemos Monteiro e Sânzio de Azevedo, e
ponho em destaque mais especificamente o nome deste último, que é, como
sabemos, o maior historiador da nossa literatura. E trago à discussão também os
nomes de alguns poetas que exerceram ou exercem, entre nós, a crítica literária
de uma forma mais acentuada. Aluisio Medeiros, Francisco Carvalho e José
Alcides Pinto entre esses nomes a que me refiro.
Agora, quem aspira a inscrever-se nessa
tradição afortunada, é a escritora Giselda Medeiros, uma das mais argutas
expressões da nossa intelectualidade e do nosso tirocínio cultural e acadêmico.
E aspira a inscrever-se nessa tradição com a reunião, em livro, dos seus
artigos de crítica, escritos nos últimos anos e pulverizados em diversos
veículos da imprensa e em espaços outros onde se fez presente com a sua
inteligência iluminada e a sua sensibilidade indiscutivelmente criativa.
Giselda já firmou definitivamente o seu nome
como poetisa e já se revelou, de permeio, como uma das nossas contistas mais
imaginosas. Contista da condição humana e do imponderável, onde Eros e Tanatos
se abraçam. Poetisa também de escol, que paga tributo à lírica e à arte
literária de qualidade estética relevante. Crítica Reunida é o livro da
sua diversidade e do seu engenho sofisticado e mais ambicioso. Sei que falar em
ambição, no caso de Giselda, é agredir um pouco à sua sensibilidade e à sua
leveza. Mas a sua ambição literária se fez exatamente contra a sua vontade, e
se fez exatamente a partir da sua discussão e da sutilidade com que dissemina
no texto que elabora as marcas inconfundíveis do seu tirocínio teórico.
Não raro nos seus textos, faz-se presente o
sistema literário e o contexto teórico em que insere o postulado das suas
recensões, as quais saltam aos olhos do leitor como testemunho da erudição da
autora. Não faz Giselda política de jornalismo literário tão-somente. Mais do
que isso, ela nos mostra o seu viés estético e as suas linhas maiores de
pesquisa em busca das formas supremas da arte literária.
A leitura para Giselda é um pretexto e não
uma contingência aleatória. E o texto de crítica que a autora elabora é mais
que uma instância comunicativa de acento verbal, pois nele se agrega igualmente
um valor e, não raro, um sentido filosófico e uma perspectiva ontológica muito
proveitosa. E esses traços, me parece, é tudo o que remarca o seu estilo e a
sua discussão, a sua engenharia lingüística e a sua busca incessante de
conhecimento.
Para Giselda Medeiros, a crítica literária é
metacriação e não apenas desvelamento e argúcia para com a intelecção do texto
literário. E dessa forma a autora nos vai revelando a poética da crítica
literária que empreende, isto é, faz da estética do seu texto o pano de fundo
das suas intenções e dos seus grandes acertos no campo literário.
O que destacar no seu novo livro? Creio que
tudo em Crítica Reunida está sincrônico com o pensamento literário de
Giselda e com a expectativa do leitor que dele se acerca. O livro condensa um
conjunto de recensões e ensaios de diversas épocas e oportunidades. Mas em
todos os textos reunidos, é possível vislumbrar a maturidade de Giselda
Medeiros, a sua argúcia literária, a sua austeridade acadêmica, o seu vigor
criativo e, acima de tudo, a sua possessão estilística e as marcas
inconfundíveis do seu talento e da sua indiscutível leveza, em busca das formas
puras da comunicação.
O rigor metodológico está presente em Crítica
Reunida como em nenhum outro livro de crítica publicado no Ceará nos
últimos anos. Existem no livro referências bibliográficas de monta, alinhamento
de uma bibliografia no final do volume e um índice onomástico que facilita em
muito a consulta de cada um dos textos ou a localização do discurso teórico no
qual Giselda apoiou as suas conclusões e ou seus pontos-de-vista.
Louvo, por fim, a decisão da autora de
assumir, de público, a maternidade desse novo gênero literário, e a decisão
também de incorporá-lo, definitivamente, ao estuário da sua multifacetada
visão. Giselda não é escritora de poucos recursos literários. É proprietária de
sonhos e de um patrimônio literário que todo o Ceará já aprendeu a cultuar. Que
seja assim também o destino e a recepção deste indispensável Crítica Reunida.
Dimas Macedo
Membro da Academia
Cearense de Letras
domingo, 1 de setembro de 2013
HOMENAGEM A ARTUR EDUARDO BENEVIDES, NA SOCIEDADE AMIGAS DO LIVRO
As anfitriãs deste mês de agosto, Giselda Medeiros e Neide Azevedo Lopes, da Sociedade Amigas do Livro, prestaram uma significativa homenagem a Artur Eduardo Benevides, Príncipe dos Poetas Cearenses, em razão de seu nonagésimo aniversário.
Inicialmente, Neide Azevedo leu sua biografia (resumida). Em seguida, Giselda Medeiros apresentou uma apreciação sua sobre o livro "Elegia Setentã e Outros Poemas de Entardecer".
Neide Azevedo Lopes
BIOGRAFIA DE ARTUR EDUARDO BENEVIDES
ARTUR Eduardo
BENEVIDES - Nasceu em Pacatuba, 25 de julho de 1923, filho de Artur Feijó
Benevides e Maria do Carmo Eduardo Benevides. Fez os preparatórios no Colégio
São Luís e no Liceu, bacharelando-se em 1947 pela Faculdade de Direito do
Ceará. Bacharel em Letras (1970). Presidiu o Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua
e a Sociedade Acadêmica de Cultura Iniciou-seno jornalismo (“Correio do Ceará”,
“Unitário”, “O Povo”, “O Nordeste”). Um dos fundadores do Grupo Clã, de cuja
revista foi assíduo colaborador. Também escreveu em “Valor”. Professor Emérito
da Faculdade de Filosofia do Ceará. Diretor da Faculdade Católica de Filosofia.
Professor titular da Universidade Federal do Ceará. Dirigiu o Departamento
Regional do SENAC (Serviço de Aprendizagem Comercial) e o Centro de Estudos
Brasileiros da Universidade de Rosário (Argentina). Príncipe dos poetas
cearenses, a partir de 1985. Foi Diretor da José de Alencar. Ocupou o cargo de
Chefe da Procuradoria da extinta LBA (Legião Brasileira de Assistência) no
Ceará. Visitou grandes universidades européias (Oxford, Colônia, Bonn,
Sorbonne, Lisboa), em todas colhendo observações práticas sobre currículos e
orientação pedagógica. Participou do 1 Congresso Internacional de Escritores,
do II Congresso Brasileiro de Escritores, dos Congressos Cearenses de
Escritores e de Poesia.
Titular da cadeira n° 40 (patrono: Visconde de Sabóia), coube-lhe a honra de presidir a instituição no seu centenário, fazendo realizar programação comemorativa de alto nível. Portador de numerosas condecorações e medalhas, entre elas a do Mérito Cultural da Universidade Federal do Ceará, a Justiniano de Serpa (por serviços prestados à educação), a José de Alencar (pelos serviços prestados às letras e artes cearenses), a de Honra ao Mérito do SENAC (por sua colaboração à melhoria do ensino técnico-profissional no Brasil) e a Cidade de Fortaleza (concedida pela Câmara Municipal da capital cearense). Da Academia Cearense de Língua Portuguesa, da Academia Cearense de Retórica.
Membro correspondente da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro. Sua bibliografia é valiosa, reunindo importantes premiações; estreou em 1944 com os poemas de Navio da Noite; vieram depois Os Hóspedes (1946, em parceria com Aluísio Medeiros, Antônio Girão Barroso e Otacílio Colares). Outros livros de poesia: A Valsa e a Fonte (1950); Cancioneiro da Cidade de Fortaleza (1953); O Habitante da Tarde (1958); O Tempo; O Caçador e as Cousas Longamente Procuradas (1966); Canção da Rosa dos Ventos (1966);-O Viajante da Solidão (1969); Vida de Andarilho (1974); Elegias de Outono e Canção de Muito Amar e de Adeus (1974); Arquitetura da Névoa (1979); A Rosa do tempo ou o Intérmino Partir (1981); Sonetos à Beira-Mar e Elegias do Espaço Imaginário (1981), e Inventário da Tarde (1983), afora outros. Como ensaísta, publicou: A Lâmpada e os Apóstolos (1982); Universidade e Humanismo (1971); Uma Vida a Serviço da Cultura (1973); Idéias e Caminhos (1974); Evolução da Poesia e do Romance Cearense (1976); O Tema da Saudade na Poesia Luso-Brasileira (1979); Literatura do Povo: Alguns Caminhos (1980), e Camões - Um Tema Brasileiro (1983). Também se incluem na sua produção os contos de Caminho sem Horizonte (1958), a Antologia de Poetas Bissextos do Ceará (1970) e obras sobre educação. Detentor dos prêmios “Cassiano Ricardo”, de São Paulo; “Filgueiras Lima, do Ceará; “Farias Brito”, da Prefeitura Municipal de Fortaleza; “José Albano”, da Universidade Federal do Ceará, e “José Veríssimo”, da Academia Brasileira de Letras.Fonte:1001 Cearenses Notáveis-F. Silva Nobre.
Data de Nascimento:25/07/1923
Titular da cadeira n° 40 (patrono: Visconde de Sabóia), coube-lhe a honra de presidir a instituição no seu centenário, fazendo realizar programação comemorativa de alto nível. Portador de numerosas condecorações e medalhas, entre elas a do Mérito Cultural da Universidade Federal do Ceará, a Justiniano de Serpa (por serviços prestados à educação), a José de Alencar (pelos serviços prestados às letras e artes cearenses), a de Honra ao Mérito do SENAC (por sua colaboração à melhoria do ensino técnico-profissional no Brasil) e a Cidade de Fortaleza (concedida pela Câmara Municipal da capital cearense). Da Academia Cearense de Língua Portuguesa, da Academia Cearense de Retórica.
Membro correspondente da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro. Sua bibliografia é valiosa, reunindo importantes premiações; estreou em 1944 com os poemas de Navio da Noite; vieram depois Os Hóspedes (1946, em parceria com Aluísio Medeiros, Antônio Girão Barroso e Otacílio Colares). Outros livros de poesia: A Valsa e a Fonte (1950); Cancioneiro da Cidade de Fortaleza (1953); O Habitante da Tarde (1958); O Tempo; O Caçador e as Cousas Longamente Procuradas (1966); Canção da Rosa dos Ventos (1966);-O Viajante da Solidão (1969); Vida de Andarilho (1974); Elegias de Outono e Canção de Muito Amar e de Adeus (1974); Arquitetura da Névoa (1979); A Rosa do tempo ou o Intérmino Partir (1981); Sonetos à Beira-Mar e Elegias do Espaço Imaginário (1981), e Inventário da Tarde (1983), afora outros. Como ensaísta, publicou: A Lâmpada e os Apóstolos (1982); Universidade e Humanismo (1971); Uma Vida a Serviço da Cultura (1973); Idéias e Caminhos (1974); Evolução da Poesia e do Romance Cearense (1976); O Tema da Saudade na Poesia Luso-Brasileira (1979); Literatura do Povo: Alguns Caminhos (1980), e Camões - Um Tema Brasileiro (1983). Também se incluem na sua produção os contos de Caminho sem Horizonte (1958), a Antologia de Poetas Bissextos do Ceará (1970) e obras sobre educação. Detentor dos prêmios “Cassiano Ricardo”, de São Paulo; “Filgueiras Lima, do Ceará; “Farias Brito”, da Prefeitura Municipal de Fortaleza; “José Albano”, da Universidade Federal do Ceará, e “José Veríssimo”, da Academia Brasileira de Letras.Fonte:1001 Cearenses Notáveis-F. Silva Nobre.
Data de Nascimento:25/07/1923
Giselda Medeiros
Artur Eduardo Benevides
Um Artista Humano e Divino
Heschel,
em bela página do volume “Deus em
Busca do Homem” (São Paulo: Ed. Paulinas, 1975), assim se expressa: “Poucos são capazes de se elevar em raros
momentos sobre o próprio nível da terra. Mas é nesse momento que descobrimos
que a essência da existência humana consiste em estar suspenso entre o céu e a
terra”.
Toca-nos
esse pensamento definidor do poder encantatório da natureza, essência
intrínseca do ser, quando terminamos de ler Artur Eduardo Benevides em “Elegia Setentã e Outros Poemas de Entardecer”
(Fortaleza: Editora ABC, 1996).
Com
efeito, sentimos aflorar-nos a essência, suscitada pelo êxtase da Poesia,
porque o Autor tem esse dom: o de nos colocar entre o céu do poema e a terra
fecundada pelo sêmen da metáfora. Sabe ele nos conduzir a esse intermezzo,
a esse paraíso suspenso, aonde vamos abeberar-nos do vinho sagrado e do pão,
consubstanciados no Belo.
Pelas
trilhas de “Elegia Setentã”,
visualizamos, com os olhos cheios de admiração, a vereda da poesia, onde
nos deparamos com um guardador de metáforas e navegações ou um pobre
D. Quixote a imitar a esperança de uns olhos de criança, enquanto ao
longe, ouve-se o som da última parvana.
Falar
de Artur Eduardo Benevides é falar da própria poesia, pois é nele que ela
encontra seu nascedouro e sua foz. É ela que o mantém em juventude para
enlear-se à Amada, confundindo-se, inteiro, corpo e alma, n’uma lágrima
pendente ou na divina tolice dos que amam, enfrentando, contudo, o
plúmbeo tom do outono, quando os cabelos já tomam a cor das despedidas,
pois seu maior temor é o de morrer longe dos olhos da Mulher Amada. E,
embora reconhecendo os efeitos da marcha inexorável do tempo, que flui sobre
tudo com fúria indomável, poeta que é, desabafa em seu “Segundo Soneto dos
Setent’Anos”: Recuso-me, contudo, a envelhecer. / Um grande amor chegou. Por
que morrer? / Por que sentir as cousas terminadas?, para, em seguida,
aceitar a brutal realidade ontológica: “Não posso ser eterno. Sou tão pouco!
O
sonho, um dos temas sempre presente no universo criacional de Artur, ganha
relevo especial no “Soneto dos Sonhos”, em que o poeta se define um ser
onírico, reincidente, e, por força disso, eles (os sonhos) sempre voltam belos
como as aves, a recompor os rumos mais perdidos. E o poeta sabe que sonhar
é preciso, como reforça no “Soneto Autobiográfico” que, pela beleza
sugestiva das imagens, chega-nos como uma tela fotográfica de si mesmo. E quem
o conhece, sabe-a verdadeira e autêntica. Vejamos estes versos: O meu modo
solene, o jeito vago, / A melódica forma de enfrentar / Os problemas, as lutas,
o desar / E as outras cousas que em silêncio trago, / Nasceram quais nenúfares
no mar, / Ou serenas visões de um grande lago. /.../ Habito etérea torre em
decadência, / Mas essa é minha marca de existência. / O meu destino. Ou sorte.
Ou meu fanal.
A
presença de Thanatos também é constante e traz ao “Elegia Setentã” um certo tom de desalento, pondo em evidência a
condição indigente dos seres. No entanto, é ao pé do Amor e nos braços
da Amada que ele se refaz e canta altíssono, como nestes versos de “Utopia”: Poeta
e amante sendo, em mim o sentimento / Deixou de ser maré ou ímpeto de rio. /
Mas sigo altivo e lanço longo desafio / A tudo o que em tristeza vem na voz do
vento”. E arremata em “Improviso”:
Ainda assim, Amada, ainda assim, / A Deus, agradecido, louvarei, / Porque, ao
te encontrar, eu me encontrei.
Aliás,
a inelutabilidade da morte é para Artur um dos temas mestres, como o é para o
universo de Rilke, que assevera: A Morte é grande. / Nós somos suas bocas
ridentes: / se fala a Vida por nossa voz, / Ela, atrevida, soluça em nós. E
é esse universo desconhecido da Morte, que nos oprime, o que nos faz pensá-la
como infame criatura cheia de iras, a nos tolher inapelavelmente. E, quando
mais queremos viver, eis que, de dentro de nós, ela salta com sua surda foice e
nos interdita.
Hegel
considera a arte como um produto da fantasia e a vê como um dos fenômenos mais
típicos do homem, sugeridos pela sua natureza espiritual. Portanto, para a
expressão do Belo, é necessária, sobretudo, uma síntese de imaginação e
sentimento, sob uma boa dose de talento, como é o caso de Artur Eduardo
Benevides. Ele sabe, com mestria, transpor a arte do plano abstrato para o
concreto. É um poeta fecundo, superdotado de inteligência, e sua arte é, por
isso, autotranscendente. Sua poesia é um vértice de luz a projetar-se na
eternidade dos tempos, superando a finitude do espaço físico. É um artista
humano e divino, pois, efetivamente, sabe despertar em nós a “essência”,
pondo-nos suspensos entre o céu e a terra.
“Elegia Setentã e Outros Poemas de Entardecer”
é, pois, genuína expressão da arte, ipsis litteris, constituindo-se um
verdadeiro canto outonal, cujas notas marcantes são o amor, a saudade, o sonho,
a melancolia, a solidão, a morte, o mar. O mar – esse guardião de espantos – que
sempre atraiu o poeta e se transfigura nas noites do poema.
É
com essas notas musicais que Artur Eduardo Benevides tece sua canção setentã.
E, enlevadas, as musas vêm roubar do tempo a eterna juventude para vertê-la
sobre a fronte do Príncipe-Poeta, já ungida pelo beijo vivificante da Amada,
que o envolve com sua paz de nuvens e canção.
Giselda Medeiros
SAL – 29/8/2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
A FALA DE MARCELO GURGEL
Em janeiro de 2008, animado pelo
ímpeto ficcional, recém-estreado com o romance “Maquis: Redenção na França Ocupada”, comecei a escrever contos, um
gênero literário bastante atrativo para quem escreve e igualmente atraente ao
leitor.
Foi assim que contos, da minha
lavra, foram se sucedendo, no conjunto da diversificada produção de um
escrevinhador, tido como polígrafo, parte deles recorrendo à temática médica,
como lastro das estórias.
Em dezembro de 2011, juntei em
um só volume, contos que tratavam de conteúdos ou aspectos da Medicina, todos
inéditos, sob o título Estórias
Esculapianas, como aqui se mostra, e o apresentei ao VIII Edital de
Incentivo às Artes, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE),
inscrevendo-o na categoria de Contos.
Como qualquer produção do
gênero, esta obra agrega experiência e criatividade, apontando para o fato de
que a escrita traz à tona a emoção do autor, enredada em vivências pessoais,
transmitidas ou testemunhadas. Ela reúne 17 contos, todos tendo como cenário a
medicina, esta ambientada, principalmente, no Ceará, configurando situações
hilárias ocorridas e levadas ao meu conhecimento.
Este livro, avalizado pela
Secult-CE, como um dos ganhadores do VIII Edital retro-referenciado, teve o seu
financiamento assegurado pelo Governo do Estado do Ceará, ao qual,
penhoradamente, agradeço.
As ilustrações inclusas, uma
para cada estória, conferem leveza e síntese da trama exposta, foram cuidadosamente
desenhadas, a bico de pena, pelo Prof. Jesper ,
a quem presto o reconhecimento por seus claros méritos.
De princípio, sou muito grato à
Profa. Giselda Medeiros, ilustríssima
imortal das Academias Cearense de Letras e Fortalezense
de Letras, presidente de Honra da AJEB e princesa dos poetas do Ceará, por seu apurado prefácio e por suas tão
gentis palavras ao efetuar a apresentação neste lançamento.
Também o meu muito obrigado é
dirigido à Expressão Gráfica , que
se esmerou na impressão da obra, e, em especial, na estampa da sua capa,
exibindo The Four Doctors (Os Quatro Doutores), uma pintura de John Singer Sargent, pertencente ao
acervo da The Alan Mason Chesney Medical Archives of The Johns Hopkins Medical
Institutions, de Baltimore
(EUA).
Quero aqui ainda expressar a
minha gratidão à Unicred Fortaleza, em especial aos seus diretores e aos
funcionários do serviço de Marketing, que deram suporte ao lançamento da obra, propiciando,
do melhor modo possível, espaço, logística e infraestrutura, requisitadas à execução
do evento.
Tem-se que realçar aqui a
prática pessoal de coibir a espera na costumeira fila de autógrafos, até o
recebimento do livro, dispondo de uma etiqueta autografada pelo autor e colada
na folha de rosto, contendo os seguintes dizeres: “Manifesto-me
agradecido por seu interesse em relação a esta obra, cuja renda será revertida
para as ações beneficentes e evangelizadoras da Sociedade Médica São Lucas.”
Cordialmente,
Muito Obrigado!
Prof. Marcelo Gurgel Carlos
da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da
Sobrames/CE
* Discurso proferido por ocasião do lançamento do livro “Estórias Esculapianas”, na Célula de Arte e Cultura da Unicred
Fortaleza, em Fortaleza, em 23 de agosto de 2013.
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