quarta-feira, 24 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO PROFERE LINDA HOMILIA EM APARECIDA


Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

Quanta alegria me dá vir à casa de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a nossa Senhora o meu ministério como sucessor de Pedro. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, Nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.

Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me contra pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os bispos --que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão-- eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: "Mostrai-nos Jesus". É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.

Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria. Conservar a esperança. A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher - figura de Maria e da Igreja - sendo perseguida por um Dragão - o diabo - que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13ª. 15-16ª). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixamos que ela se apague nos nossos corações! O "dragão", o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé crista.

Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança - a grande esperança que a fé nos dá - sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Confiemos em Deus! Longe d'Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d'Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5,3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se "incendiará" de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: <


Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: "Fazei o que Eles vos disser" (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.

24 de julho de 2013

domingo, 21 de julho de 2013



Aos amigos que estiveram comigo no jantar de adesão, no restaurante Piaf, por ocasião do meu aniversário, quero homenagear com este 
CANTO DE AGRADECIMENTO

Deixai-me cantar...
               Deixai-me expressar em versos
               a beleza desta hora,   o sorriso da alegria,
               no esplendoroso universo
               do sonho que me alimenta a vida.
               Porque poeta é ser capaz
               de cantar o inacessível,
               de pôr estrelas nas noites mais escuras,
               de traduzir, em rútilos lampejos,
               a imensa dor do mundo, a humana dor,
               na mais esplêndida linguagem: o Amor.

               Deixai-me, então, cantar este momento...
               Deixai-me agradecer com meu humilde verso
               a beleza desta hora,
               a alegria do sorriso
               e esse grande encantamento
               da manifestação do vosso amor!

               Assim, prosseguirei cantando.
               Assim, prosseguirei sonhando
               um sonho estonteantemente belo
               como o mar sob o farol das estrelas.
             
               Assim cantando, agradeço esta homenagem
               Assim cantando, deixo-vos minha mensagem
               A peregrinar no espaço desta hora
               Em que minha alma de alegria exulta
               Na mais querida e esplêndida emoção!

Giselda Medeiros
17/7/2013

GALERIA DE FOTOS


Com Rosa Firmo, Evan Bessa e Nirvanda Medeiros 


Com o casal Bernadete e José Augusto Bezerra


Com os Acadêmicos Regine Limaverde, José Augusto Bezerra e Batista de Lima


Com a amiga Maria Helena Macedo


Com os Acadêmicos Ítalo Gurgel 
 e Vicente Alencar


Com a poetisa Hermínia Lima


Com o Acadêmico Ednilo Soárez


Com a escritora Tereza Porto


Com a amiga Constança Távora


Com o Acadêmico Ernando Uchoa Lima


Com as amigas Rejane Noronha, Conceição Seabra e Euda


Com o casal Vânia e Batista de Lima


Com Dr. Marcelo Gurgel


Com os amigos Aldo Melo e Dra. Sabrina


Ladeada pelos amigos Vicente Alencar, Maria Helena, Maria do Carmo Fontenelle e pelo casal Vilani e Dr. João de Deus.


A homenagem da Presidente Nirvanda Medeiros


Os agradecimentos 


Os parabéns pra você...


A festa dos amigos

terça-feira, 16 de julho de 2013

REGINA BARROS LEAL - CRÔNICA DO DIA



RELATO

                  Madrugada!  Letícia impulsionada pelo desejo de escrever deixa as mãos digitarem com frenesi. Sua cabeça fervilha de ideias e se apodera do tempo rememorando fatos, situações. Surgem recordações imprudentes e impudentes que dão à narrativa o tom do pecado, do proibido, da cobiça camuflada, como se fossem esconderijos das estreitas ruas de cidades exóticas, de labirintos intermináveis. Lembra Hades, o deus grego, em seus intermináveis subterrâneos. Nesse itinerário do não explícito, do invisível, do anônimo, do bizarro, expressa, à sua maneira, anseios, segredos, subjetividade, subjetivação e singularidades. Percorre o imaginário encontrando o passado vivido. Materializa-o, toma forma, ora provisória, lacunar, fragmentada e imprevisível, ora totalizante, holística e plena.
                 Deste modo, sua escrita trilha o caminho da inspiração, da fantasia, do imponderável, das descobertas, escapando dos desvios que surgem inesperados e das ruelas traiçoeiras da vulgaridade. Rememorar a vida a encanta e assim ela o faz sem resvalar para um saudosismo obsessivo. Escrever torna-se um desejo constante, uma atração arrebatadora, uma curiosidade queimante. Através da narrativa, abre fendas no tempo e caminha pelos labirintos sedutores da memória, sem aflição. Persiste em sua aventura, impulsionada pelo desejo de reviver estórias exultantes, fatos simples, pessoas marcantes, os ternos amores e as paixões proibidas. Ah! As paixões que estonteiam, marcam a existência e arrebatam sentimentos incógnitos, abismais. São como brumas densas, penachos de fumaça, bosques virgens, caminhos desconhecidos, soando, às vezes, como borrascas e ou terremotos súbitos e devastadores.

                 Letícia alça voos e, brincando de fada, transforma sapos em príncipes, burros em cavalos alazões, casebres em castelos encantados. Narra estórias sobre o cotidiano, chora partidas, relata episódios e espreita o passado, através do olhar observante do seu presente.  Às vezes, seu coração se avermelha, sangra com a dor do amigo e se regozija pelo sucesso de pessoas que alcançaram seus sonhos e cantam a vida.

sábado, 13 de julho de 2013

INSTANTES - Jorge Luís Borges



Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida, claro que tive momentos de alegria.

Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas. Se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas já viram, tenho oitenta e cinco anos e sei que estou morrendo.

sábado, 6 de julho de 2013

FLORBELA ESPANCA - BIOGRAFIA


Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.

Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
FONTES:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/
numerodois/tl3.html
http://purl.pt/272/2/index.html

http://www.torre.xrs.net/

terça-feira, 2 de julho de 2013

POEMA DO DIA


INSTABILIDADE

                     Vês?

                     Aquela onda a tecer rendas de espanto,
                     na areia,
                     não sou eu.
                     Eu sou o contorno das espumas
                     lavrado como escritura
                     para o abissal exílio dos grãos
                     de areia.
                    
                     Minha essência
                     são esses fragmentos de ausência
                     retidos na voz dos náufragos,
                     no desespero das algas e corais
                     afogados.
                    
                     Entre ti e mim há sombras
                     que devoram horas,
                     que extraviam calendários;
                     há voos que perderam a estabilidade
                     e passos esquecidos nas estradas.
                     Somos paisagens que se despedaçam
                     sob os látegos do tempo.
                    
                     Em nós, apenas os murmúrios cegos
                     de um amor espetado
                     pelos dedos espinhentos do destino.
                    
                     Somos a ânsia dos tardos andarilhos:
                     tu, as pegadas, lentas,
                     irremediavelmente tímidas;
                     e eu, o porto, a chegada final,
                     que espera em vão
                     o assentamento da âncora

                     dos teus andarilhos passos. 

GISELDA MEDEIROS

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PARA DESCONTRAIR



Filho — Papai, o que é Páscoa?
Pai — Ora, Páscoa é… bem… uma festa religiosa.
Filho — Igual o Natal?
Pai — Parecido. Só que no Natal comemora—se o nascimento de Jesus; na Páscoa, se não me engano, comemora—se sua ressurreição.
Filho — Ressurreição?
Pai — É, ressurreição. Marta, vem cá!
Mãe — Sim?
Pai — Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler meu jornal.
Mãe — Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
Filho — Mais ou menos. Mamãe, Jesus era um coelho?
Mãe — Que é isso filho? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse filho foi batizado! Jorge, esse filho não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele soltar uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
Filho — Mas Mamãe, o Papai do Céu não é Deus?
Mãe — É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
Filho — O Espírito Santo também é Deus?
Mãe — É sim.
Filho — E Minas Gerais?
Mãe — Sacrilégio!
Filho — É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
Mãe — Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudo certinho!
Filho — Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
Mãe — Eu sei lá! É uma tradição. É como o Papai Noel, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.
Filho — Coelho bota ovo?
Mãe — Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu ganho mais!
Filho — Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
Pai — Era, era melhor, ou então urubu.
Filho — Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, não é? Que dia que ele morreu?
Pai — Isso eu sei: na sexta-feira santa.
Filho — Que dia e que mês?
Pai — Hum… Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
Filho — Um dia depois.
Pai — Não, três dias.
Filho — Então morreu na quarta-feira.
Pai — Não, morreu na sexta-feira santa. Hum… ou terá sido na quarta-feira de cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois ! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
Filho — Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
Pai — É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
Filho — O Judas traiu Jesus no sábado?
Pai — Claro que não! Ele morreu na sexta, ora!
Filho — Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
Pai — É, boa pergunta. Filho, atende ao telefone pro papai. Se for um tal de Rogério, diga que eu saí.
Filho — Alô, quem fala?
Rogério — Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
Filho — Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
Filho — Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
Pai — Cristo. Jesus Cristo.
Filho — Só?
Pai — Que eu saiba sim, por quê?
Filho — Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
Pai — Coitada!
Filho — Coitada de quem?
Pai — Da sua professora de catecismo!

Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

POEMA DE SÁBADO - ANA PAULA MEDEIROS




POEMA DE SÁBADO

Minhas paixões adormecem
em travesseiros de pedras
que guardam soluços noturnos
de frias madrugadas.

Lençóis de linho cobrem minhas culpas
que se remexem e se agitam
em maremotos dentro de mim.

No leito de espinhos
mastigo areias
e degusto o sangue do crepúsculo.

Minhas dores são coisas minhas
únicas
secretas
legítimas

Mas quando ele vem
sacode minhas paixões
retira-as das pedras
e elas se alentam
se fantasiam
de máscaras que mostram sorrisos

Minhas paixões ficam à mercê do tempo
Um tempo marcado
Inóspito

Ficam pálidos e estáticos
meus sorrisos
porque ele não fica
ele sempre se vai
como o vento
efêmero
que passa pelos telhados.

Ana Paula Medeiros
(Da Academia Cearense da
Língua Portuguesa - ACLP)


sábado, 8 de junho de 2013

UM OLHAR SOBRE "SOB EROS E THANATOS" - obra de Giselda Medeiros


“Sob Eros e Thanatos”, de Giselda Medeiros
Maria do Carmo Fontenelle

Ao iniciar a presente exposição, evoco o grande Castro Alves quando assim se expressou:

“Oh! bendito o que semeia
Livros ... Livros a mão cheia ...
E manda o povo pensar.
O livro caindo n’alma
É germe que faz a palma
É chuva que faz o mar.”

Tem razão o ilustre intelectual Genuíno Sales quando, no prefácio do livro em pauta, declara: “Giselda é uma contista de primeira linha, sobretudo por incorporar na alma as grandes virtudes poéticas. Grande poeta não poderia deixar de ser grande contista”.
O pensador inglês Tom Peters costumava iterar: “Se a janela da oportunidade se abrir, não deve baixar a persiana”. Giselda mantém a persiana do triunfo bem aberta, deixando que lucipotentes auras de sabedoria iluminem sua mente. Quanta criatividade! Quanto talento demonstram as narrações arquitetadas pelo mundo ilusório da autora – “Princesa dos Poetas do Ceará”, sagrada por aclamação na augusta Casa de Juvenal Galeno, por iniciativa do memorável escritor Alberto Galeno.                
Na seleção da obra para ser utilizada na presente explanação, fiz uma triagem entre 14 exemplares, todos deslumbrantes, em estilos diversos, a saber: “O Liceu e o Bonde” – Blanchard Girão, “Ana Terra”- Érico Veríssimo, “Jardim de Inverno”- Zélia Gattai, “Margarida La Rocque”- Dinah Silveira de Queiroz, “Na Esplanada da História”- Hilma Figueiredo Montenegro, “Eugenie Grandet”- Honoré de Balzac, “Os Escravos”- Castro Alves, “Mulheres Fascinantes”- Léon Tolstoi, “O Fio e a Meada”- Batista de Lima, “Portugal e Brasil – gentes e fatos”- Armando Duarte, “Til”-José de Alencar, “Confronto”- Cláudio Queiroz, “Crítica Reunida” e “Sob Eros e Thanatos”- Giselda Medeiros.
Confesso que não foi fácil. Após rigorosa avaliação, a preferência incidiu sobre o livro “Sob Eros e Thanatos”, de Giselda Medeiros, cujo estudo começará pelo que me atraiu, de imediato, além do conteúdo, o título.
Ao pesquisar sobre ambos os seres mitológicos, tomei conhecimento de que Eros, na mitologia grega, significa “desejo erótico”. Eros era filho de Nix (deusa da noite) e de Érebo, encarregado da harmonia cósmica. Mais tarde, atribuiu-se-lhe, como pai, Zeus, Ares ou Hermes; e como mãe, Afrodite, a Venus romana, deusa nascida da espuma do mar. É representado como um menino alado, munido de arco e flechas destinadas a despertar os ardores da paixão entre os humanos. Thanatos (em árabe quer dizer Antônio). O dicionário mitológico de Nádia Jullien e a Internet afirmam que “Thanatos era um herói hipocorístico, filho de Érebo e Nix (deusa da noite), portanto irmão de Eros e irmão gêmeo de Hípnos –(deus do sono). Thanatos era deus da morte, porém Hades era quem reinava sobre os mortos do submundo. Thanatos era representado como um jovem alado, portando uma tocha apagada, ou como uma nuvem prateada, ou ainda um homem de olhos e cabelos prateados, sendo este bastante utilizado na arte e na poesia”.
À guisa de ilustração, Sigmund Freud elaborou um trabalho sobre a discussão do inconsciente, relatando duas pulsões antagônicas; Eros, uma pulsão sexual, com tendência à preservação da vida, e Thanatos, a pulsão da morte.
Outrossim, o romancista, político e poeta mineiro Darcy Ribeiro, no ano de1998, publicou uma coletânea de poemas eróticos sob o título de “Poesia de Darcy Ribeiro – Eros e Thanatos”.
Quanto à obra ora apresentada tem muito a ver com o título, pois envolve natureza, romance, paixão e sensualidade, a noite e seus mistérios, a plenitude e a complexidade da vida, a melancolia e os desencantos da morte.
Além da originalidade do título extraído da mitologia grega, senti-me atraída pela singularidade dos 37 contos, os quais apresentam uma particularidade: as narrativas, de um modo geral, prescindem dos indesejáveis vícios de linguagem, tão comuns, hoje em dia, que tanto desfiguram o idioma, banalizando o texto.
No mais, devo acrescentar que “Sob Eros e Thanatos” não chega a ser uma obra monumental, “sui generis”, porém é um apanhado de temas de muito bom gosto, pontificados no suspense e no mistério, com pinceladas bem dosadas de romantismo e humor. Na verdade, o suspense e o mistério estigmatizam a obra em causa, revelando características que nos levam a momentos delirantes, plenos de suposições míticas e conflituosas. Há ocasiões em que o leitor vacila entre a espiritualidade milenar e a parapsicologia moderna; a ficção e os mistérios do além. Em suma, trata-se de um livro interessantíssimo!  Nele fundem-se a densidade lírica do poeta, as maravilhas da natureza e o fascínio pelo quimérico, fatores esses que têm o dom de transportar-nos a vetustos casarões mal-assombrados... a estórias de Trancoso narradas no alpendre, em noites de luar, a costumes e hábitos campesinos vividos em épocas remotas.
Justo será mencionar que, na referida obra, percebe-se certo apuro com a norma culta do nosso idioma, requinte esse que a autora, sabiamente, intercala com jocosas frases de cunho popular, incluindo outros brasileirismos. Destaque para o significativo número de citações filosóficas e até bíblicas contidas na presente obra. Por exemplo: “O amor é a oportunidade única de sazonar, de adquirir forma, de nos tornarmos um universo para o ser amado”; “O homem é forte quando realiza Deus em si”; “A morte não é difícil. Difícil é a vida e o seu ofício”; “O que o homem gasta em anos para entender, aprende-o em questão de instantes de dor”; “O mar é mesmo um touro azul por sua própria sombra”;“O homem é nada comparado ao infinito e é tudo comparado ao nada”; “As estrelas nascerão. Nascerão e brilharão como os olhos das crianças”.
Numa linguagem experimental, a autora discorre sobre assuntos variados, deixando ao leitor a faculdade de deliciar-se ao derramar, suavemente, torrentes de indagações que tão bem caracterizam o suspense. Exemplifiquemos: O conto “A Pousada”- página 9, encerra algo fantasioso e, até certo ponto, aterrorizante. Dependendo do grau de sensibilidade do leitor, causará arrepios a aparição do enigmático camafeu...
Nas páginas 13,18,21,29,32,38 e 39 encontraremos:  “A Casinha da Esquina”, “A Confidência”, “ A Fogueira”, “A Lagoa”,”A Pescaria”, “A Serpente” e “A Vingança”. Todos são provenientes de uma imaginação privilegiada; vale a pena lê-los. São contos atraentes e hilariantes, sobretudo “A Serpente”, o qual provoca um misto de comiseração e risos, se levarmos em conta a “santa” ingenuidade da “coitada” da D. Marocas... Enquanto os contos “A Visita” e “Passado Azul” sugerem algo a ver com a teoria da metempsicose. Vejamos: “Na manhã seguinte, o relógio apertado em minha mão e a lembrança de uma lágrima queimando-me”; “Aquela foi a última vez que vi papai”.
Ao lermos os contos “A Fogueira” e “A Lagoa”, deparamo-nos com o conhecido fenômeno do “déjà-vu”, que consiste no fato de ver-se, pela primeira vez, um determinado local e ter-se quase certeza de havê-lo visto anteriormente.
Vejamos o 9º parágrafo da página 61, em que a autora nos traz uma mensagem de carinho e solidariedade, uma verdadeira lição de vida, ao dissertar sobre determinada ajuda concedida a um frágil e indefeso rouxinol, quando a personagem reflete: “Que importância teria um rouxinol neste imenso vale de sofrimentos? Tem sim, é uma voz a menos para espalhar a beleza, a ternura e a poesia”.
Além dos contos mencionados, todos os demais merecem nossa atenção, em particular os das páginas 100 e 104. Asseguro-lhes que, em matéria de ficção, são realmente extraordinários.  Enfim, todas as narrativas são muito bem elaboradas. Na maioria das vezes, a ficção se confunde com a realidade. E por aí vai o oceano exuberante de fatos pitorescos, emoções, mistérios e encantos que fazem de “Sob Eros e Thanatos” uma obra versátil, amena, cativante, aconselhável a quase todas as idades.
                                                      

Maria do Carmo Carvalho Fontenelle – Sócia Efetiva da Academia Fortalezense de Letras, da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil-CE. É autora do livro Pioneiras em Evidência. Seu nome consta do Dicionário de Mulheres (RS), organizado por Hilda Flores. Participa de várias antologias e coletâneas, a saber: Contos Contemporâneos (Brasília); Antologia de Prosa e Verso (Portugal); Policromias (todos os volumes); Um Livro da Ala (2º volume); AJEB Letras (antologia nacional). Recebeu Menção Honrosa em concurso de contos em Algarve/Portugal. Detém a Medalha Honra ao Mérito pela Academia Divinopolitana de Minas Gerais e a Medalha E. D’Almeida Vítor, pelo Clube Literário de Brasília; e Diploma Mérito Cultural, pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil.        



quarta-feira, 5 de junho de 2013

HISTRIÔNICO... VAMOS RIR?




HISTRIÔNICO



Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.  Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia:

"Histriônico - apenas R$ 0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?

- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

- O senhor sabe o significado de histriônico?

- Não.

- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

- O senhor tem dicionário em casa?

- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

- O senhor estava indo à biblioteca?

- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

- O senhor conhece Nélida Piñon?

- Não.

- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

- E por que o senhor não vende livros?

- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga.
Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

- Jactância.

- Pegar um livro velho...

- Alfarrábio.

- O senhor me interrompe!

- Profaço.

- Está me enrolando, não é?

- Tergiversando.

- Quanta lenga-lenga...

- Ambages.

- Ambages?

- Pode ser também evasivas.

- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

- Pusilânime.

- O senhor é engraçadinho, não?

- Finalmente chegamos: histriônico!

- Adeus.

- Ei! Vai embora sem pagar?

- Tome seus cinqüenta centavos.

- São três reais e cinqüenta.

- Como é?

- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

- Tem troco para cinco?

(Autor desconhecido)

terça-feira, 4 de junho de 2013

VAMOS PARTICIPAR?


ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES DE BRAGANÇA PAULISTA - ASES
III PRÊMIO LITERÁRIO  CIDADE POESIA

Com o objetivo de revelar e divulgar novos valores
literários e, ao mesmo tempo, sedimentar a perífrase Cidade Poesia do
município de Bragança Paulista, a ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES DE BRAGANÇA
PAULISTA- ASES - em parceria com a Prefeitura Municipal de Bragança
Paulista, por intermédio da SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E TURISMO DE
BRAGANÇA PAULISTA - promove o III PRÊMIO LITERÁRIO CIDADE POESIA, o qual
no presente ano prestigiará a modalidade POESIA. REGULAMENTO DA
PARTICIPAÇÃO: 1. Poderão participar escritores brasileiros ou não, desde
que os trabalhos sejam apresentados em Língua Portuguesa; 2. O tema será
livre; 3. Cada participante deverá apresentar uma única poesia
absolutamente inédita, assim considerada a poesia não divulgada por
quaisquer meios, seja em livro único do participante ou em coletânea de
vários autores, pela internet ou premiada em outro concurso literário; 4.
Estão impedidos de participar os sócios da ASES (efetivos e
correspondentes) e os funcionários da Secretaria Municipal de Cultura e
Turismo de Bragança Paulista; DAS INSCRIÇÕES: 5. A inscrição deverá ser
feita exclusivamente pelo endereço eletrônico asescidadepoesia@gmail.com
No campo assunto, deverá constar III Prêmio Literário Cidade Poesia; 6. A
inscrição deverá ser encaminhada em dois arquivos (anexos): 6.1 - ANEXO
I: contendo a poesia, com no máximo 40 (quarenta) versos (linhas)
digitados em Word, com título e pseudônimo, sem identificação do autor;
6.2 - ANEXO II – contendo os dados pessoais do participante, a saber:
a) título da poesia; b) pseudônimo; c) nome do autor; d) número do RG e do
CPF; e) endereço completo (rua, cidade, estado, país, CEP
(imprescindível), telefone e e-mail para contatos; f) breve currículo do
participante. 7. Os escritores nascidos ou residentes em Bragança
Paulista deverão constar no corpo do e-mail a expressão: ESCRITOR
BRAGANTINO, no caso de desejarem concorrer nessa categoria; 8. Prazo
final para a inscrição: 31de julho de 2013. DAS PREMIAÇÕES: 9. A ASES
indicará uma comissão de reconhecida capacidade intelectual e idoneidade
para julgamento dos trabalhos, cuja decisão será irrevogável, não cabendo
nenhum tipo de recurso; 10. Serão selecionadas quarenta poesias. 11. Os
três primeiros colocados serão premiados da seguinte forma: 1° lugar: R$
2.000,00 (dois mil reais), troféu Cidade Poesia, certificado e 10 (dez)
exemplares da antologia; 2° lugar: R$ 1.000,00 (mil reais), certificado
e 5 (cinco) exemplares da antologia; 3° lugar: R$ 500,00 (quinhentos
reais), certificado e 5 (cinco) exemplares da antologia; 12. Aos
classificados do 4° ao 10° colocados serão atribuídas Menções Honrosas,
além de 3 (três) exemplares da antologia. 13. Os demais classificados
receberão 3 (três) exemplares da antologia. 14. Os participantes de
Bragança Paulista concorrerão em faixa especial, desde que especifiquem no
corpo do e-mail essa condição, com a seguinte premiação: Melhor poesia de
autor bragantino: R$ 500,00 (quinhentos reais), troféu e 10 (dez)
exemplares da antologia; 15. Os prêmios serão atribuídos em sessão solene
em data e horário que serão divulgados posteriormente pelo site da ASES
(www.asesbp.com.br) e e-mails aos classificados; DEMAIS INFORMAÇÕES:
16. Casos de plágio comprovados, bem como a comprovação do não-ineditismo
da poesia, são de inteira responsabilidade do concorrente, sendo este
automaticamente excluído da seleção com as sanções legais cabíveis; 17.
Os concorrentes classificados serão notificados por e-mail sobre o
resultado do concurso, o qual também estará disponível no site da
Associação de Escritores de Bragança Paulista www.asesbp.com.br, a partir
do dia 10 de outubro de 2013; 18. O simples envio da poesia implica na
aceitação total deste regulamento; 19. Informações complementares poderão
ser obtidas no site: www.asesbp.com.br ou pelo e-mail asesbp@gmail.com
ou, ainda, com Cida Moreira (11) 4032-7163, appmoreira@yahoo.com.br
Henriette (11) 4033-3609, henriette2007@terra.com.br e Lyrss (11)
4032-0266, lyrss@uol.com.br 20. Os casos omissos serão resolvidos pela
Diretoria Executiva da ASES. Bragança Paulista, 17 de maio de 2013
APPARECIDA MOREIRA PEREIRA Presidente da Associação de Escritores de

Bragança Paulista