sábado, 5 de novembro de 2016

PUBLICAÇÃO DE SOCORRO LIMA MESQUITA E VIANNEY MESQUITA


Versão Sintetizada

O Autocídio sob a Óptica do Filósofo, Teólogo e Bioeticista Paranaense Luiz Antônio Bento (1)

                                                                                Socorro Lima Mesquita (2)
                                                                                Vianney Mesquita (2)


O Deus que em nós impera proíbe que partamos sem o seu consentimento. (Marco Túlio CÍCERO).

Procedeu-se, em atendimento a fins acadêmicos, à leitura do livro Bioética – desafios éticos no debate contemporâneo, onde o sacerdote católico, filósofo e teólogo paranaense Luís Antônio Bento evoca o fato de o ser humano atual perpassar difícil fase da história, permeada por múltiplas e rápidas transformações, alastradas globalmente. Essas mudanças – aduz o Autor - interferem nos modos de pensar e agir, afetando as relações socioculturais e até vinculações religiosas.
Na interpretação livre operada em parte do texto, compreendeu-se o ato suicida, do modo como divisa o Escritor - sob o ponto de vista da confissão católica e sem descer a explicações da Ciência Psicológica nem de outras fontes disciplinares - ao expressar a noção de que, perante tantas inovações, a pessoa entra em crise, sente-se insegura, de modo que não sabe o caminho a seguir.
Há de se convir na ideia de que jamais a humanidade experimentou tanta abertura de liberdade como nos dias de hoje. Contrastando com esse panorama, apontado pelo Padre Luiz Antônio Bento, surgem outras modalidades de escravidão social e psicológica, de modo que são muitas as forças destrutivas a molestar os seres humanos. Dentre estas, estão conflitos políticos, sociais, econômicos, raciais e ideológicos.
 Influenciado, então, por tantas interferências complexas, o ente humano sente dificuldades de autoafirmação. Seu pensamento balança entre a esperança e a angústia, e ele não sabe se posicionar ante tais desafios – exprime o Filósofo sob estudo.
  A história caminha tão celeremente que os seus protagonistas não logram acompanhar o próprio ritmo. Esse descompasso põe na berlinda, muitas vezes, os valores da estrutura familial. Surge, pois, outro modelo de humanismo, marcado por contradições e desequilíbrios, e os grupos familiares são importunados por tensões decorrentes das condições demográficas, como também por circunstâncias econômicas e sociais.
De efeito, esses conflitos desencadeiam desgraças, das quais o gênero humano é, simultaneamente, origem e vítima (GAUDIUM ET SPES).

2 ANTECIPAÇÃO DO FIM À PRÓPRIA VIDA – INCÓGNITA

         Não obstante o grande desenvolvimento das Ciências Sociais e de outras vertentes do conhecimento ordenado, particularizando a Psicologia e a Psicanálise, o óbito autoinfligido continua sendo um enigma, pois tem continuidade por séculos a fio, como incógnita, sem explicação plausível, de sorte que seu espectro não se limita apenas a causas psicológicas, psicanalíticas ou sociológicas, porquanto é expresso como bem mais abrangente, o que não compete aqui debater.
No seu magnificamente delineado escrito, o bioeticista Luís Antônio Bento ensina que o fato de pôr termo à própria existência representa morte intencional, a si cominada, quando a pessoa experimenta uma situação-limite, não suporta mais a pressão criada por ela mesma, por terceiros, ou pela sociedade, indiretamente.
As condições psicológicas, por consequente, sobram alteradas, restando difícil raciocinar com clareza. Parece que só existe um foco, ficando aquele sob essa compressão polimotivada a maquinar o intento, até alcançar efetivá-lo.
Os registros históricos  - consoante alvitra o ensaísta de Bioética: desafios éticos no debate contemporâneo (2008) - assentam a constante ocorrência de autopassamentos, e as tentativas visando a este propósito se expandem por toda a Terra nas mais diversas épocas.
 Consoante ele informa no ensaio sob comentário, dados da Organização Mundial da Saúde dão conta de que, atualmente, um milhão de pessoas se matam por ano no mundo. Os índices globais de suicídios oscilam de 25 óbitos em cada cem mil habitantes. No Japão e países do Continente Europeu, como Espanha, Itália, Irlanda e Holanda, bem assim no Egito, a taxa é reduzida para até menos de dez trespasses a cada cem mil habitantes.
A maior incidência de vítimas está no segmento de adolescentes e jovens abaixo dos 30 anos. Fato curioso – sugere o Teólogo cujo texto é agora interpretado - é que o suicídio atinge maior percentual de homens, apesar de as mulheres tentarem mais.
Visando ao caráter social, destacam-se os desempregados como maioria das vítimas, ao passo que os profissionais liberais representam minoria. São as mais incidentes causas geradoras desse agravo lamentável a solidão, o sentimento de inutilidade, a privação afetiva e de integração social. Daí a constante ocorrência entre viúvos, divorciados e outros que vivem sozinhos – completa o Padre  Cornélio-procopiense.
Na lição do Sacerdote paranaense, suicida é uma pessoa que decide se anular, pois seu projeto é fugir de sofrimentos, físicos ou psicológicos. Quando uma personagem está enfrentando crise depressiva, é mais passível de ser alvo de suicídio, prefere a morte no lugar da vida insuportável.
O Filósofo e bioeticista sob nota dá conta do fato de que a Igreja Católica, Apostólica e Romana abominava esse evento. Não assentia em que se efetivassem nem missas de corpo presente. No tempo que ora flui, a Filosofia eclesiástica decodifica diferentemente tal acontecimento, pois não o considera mais uma ação moral. Assim, não faz julgamentos da vítima e a recebe com misericórdia.
              Ele indigita três motivos básicos para a taxinomia do autocídio como imoral:
              a) é uma fuga individual que atenta contra o princípio da autoconservação vital;
              b) cuida-se de negação social, deixando-se de contribuir para o bem da sociedade; e
               c) constitui falha no âmbito religioso, pois atenta contra o quinto mandamento do Decálogo Mosaico – NÃO MATAR.
 O suicídio direto representa falha contra si, desfavoravelmente ao próximo e sem mercê a Deus. É oposto à dimensão da moral religiosa. O catecismo da Igreja Católica acentua: ”O suicídio é gravemente contrário à justiça, à esperança e à caridade. É proibido pelo quinto mandamento”. (Nº 2325). As pessoas que o demandam arrostam conflitos internos e externos e não vislumbram possibilidades de solvê-los.
 O Catecismo da Igreja Católica aponta “distúrbios psíquicos de natureza grave, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou de tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida”. (Nº 2282).

3 O SUICÍDIO INDIRETO

No entendimento do Escritor agora comentado, a justificativa da morte perante valorações superiores é havida pela tradição moral como suicídio indireto. A morte não é o fim, e sim o meio, para se atingir bom resultado. Os mártires doam sua vida para testemunhar o amor de Deus. A doação da vida numa dedicação aos enfermos contagiosos provoca a morte gradual. No caso, o óbito não é o fim útil, porém um gesto caritativo. Os doutrinadores católicos consideram de duplo efeito, porque a morte não é intencional, mas acidental. A atitude pode ser havida como ato heroico de demonstração de amor ao próximo.           
No concernente à responsabilidade pelo suicídio, as compreensões da Sociologia, Psicologia e outros saberes – como alvitra o Investigador ora glosado - acentuam o fato de que aquele a impor um termo à própria vida não é responsável por esse ato. Sob o espectro eclesiástico, em contraposição, o autocida responde por isso, pois, pelo fato de ser ato humano, comporta, minimamente, algo de liberdade.
Além da de perfil direto, existem outras modalidades de suicídio: o de ordem indireta pode ser classificado de ato consciente, inspirado na caridade heroica, de modo que se configura, de maneira equivocada, como uma obediência aos desejos de Deus.
              O ato de se aniquilar por amor está embasado no benquerer ao próximo, tendo como paradigma a generosidade de Jesus Cristo.  A pessoa se expõe ao martírio, acreditando solidarizar-se com os sofredores.
 O Teólogo, filósofo e bioeticista católico sob modesto exame também protege a noção de que a eutanásia, por exemplo, é algo muito complexo, bastante questionado, ou seja, se vale a pena prolongar a vida em situação de sofrimento extremo, ou deixar seguir o curso normal.
É notório o fato de que a prática da autodestruição se dá em qualquer instância, desencadeia-se pela existência de um vazio, uma falta de sentido para a vida. No momento em que surgir uma centelha de esperança, de possibilidade de uma vida feliz, certamente, o intento de autoimposição ao fim vital é eliminado. A fé em Deus muito contribui para afastar a infelicidade, que pode despertar a vontade de desistir de viver.
O autocídio nega o cumprimento do dever social e histórico, sendo o individualismo um dos grandes agravantes para o surgimento da ideia de autodestruição, consoante expresso em Bioética - desafios éticos no debate contemporâneo.

4 O OUTRO COMO CONCORRENTE

O reverendíssimo Padre Luís Antônio Bento entende – evidentemente, como o orbe inteiro o faz – o homem com estrutura de ser social. Quando, por qualquer motivo, se isola, começa a sofrer a solidão e perder o sentido da vida. Falta, por parte da sociedade, atenção para com os semelhantes.
              Comum é considerar o outro apenas como um concorrente, alguém que disputa algo conosco. Inexiste o diálogo, uma troca sempre tão rica que se experimenta no convívio social. A deficiência, sob este aspecto, o sentido de proximidade, tem consequências funestas.
 Na opinião de Pellizzaro (apud BENTO, 2008), esse questionamento é de fundamental importância, uma vez que essa lacuna pode ensejar o desencanto em relação à vida. Na perspectiva do Autor opinante - ora chamado pelo Padre Bento -  para se solucionar essa deficiência nos relacionamentos sociais, é necessário algo fundamental e simples, a todos ensinado por Jesus Cristo: o amor ao próximo.
Mera é a proposta de aproximação, mas sua aplicação solicita a se refletir em muitos aspectos complexos, sendo necessária uma avaliação técnica, tanto no âmbito individual como na contextura social. O apoio da família é muito válido nessa fase tão delicada.
Pellizzaro sugere, ainda (IBIDEM), rever alguns dos valores éticos fundamentais que possam atribuir algum sentido à vida e fortalecê-la na ocasião das crises. Desse modo, é possível assegurar que a prevenção pertinente para o suicídio é de ordem moral, de perfil social e cunho religioso.
De acordo com a reflexão de Paulo [...] “Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou humano e fraco, vendido como escravo ao pecado. Não consigo entender nem mesmo o que eu faço; pois não faço aquilo que eu quero, mas aquilo que mais detesto. Ora, se eu faço o que eu não quero, reconheço que a Lei é boa; portanto, não sou eu quem faço, mas é o pecado que mora em mim. Sei que o bem não mora em mim, isto é, em meus instintos egoístas. O querer bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. Não faço o bem que quero, e sim o mal que não quero. Ora,se faço aquilo que não quero, não sou eu que o faço, mas é o pecado que mora em mim. Assim, encontro em mim esta lei: quando quero fazer o bem, acabo encontrando o mal. No meu íntimo eu amo a lei de  Deus; mas percebo em meus membros outra lei que luta contra a lei da minha razão e que me torna escravo da lei do pecado que está em meus membros. Infeliz de mim! Quem me libertará desse corpo de morte? Sejam dadas graças a Deus, por meio de Jesus  Cristo, nosso Senhor. Assim pela razão eu sirvo à lei de Deus, mas pelos os instintos egoístas sirvo à lei do pecado”. ( ROMANOS, 7, 14-25).

5 A MODO DE TÉRMINO

Mediante a lúcida elocução do autor, cuja reflexão é nesse instante objeto de exame, constantes mutações ocorrentes no meio social são passíveis de desestabilizar as pessoas, de modo a se sentirem inseguras e infelizes, ao ponto de se desencantarem em relação à vida.b
O ente humano, sendo um ser social por natureza - na ocorrência de seu afastamento do convívio com seus circunstantes - é objeto de prejuízos incalculáveis, sendo esta causa, talvez, a que mais o conduz a intentar contra a própria vida.
Têm ressalto, ainda, o fator econômico, o sentimento de inutilidade, o individualismo e a míngua de afeto.
Aquele em decurso de entrega à própria inflição está, pois, com as frequências cerebrais alteradas, sofrendo grande pressão psicológica, de modo a não ter sucesso em reverter a situação até materializar seu desígnio lastimável.
              Evento singular, lembrado pelo autor, é observável: há discreta divulgação nos casos de suicídio. Os meios de propagação coletiva - é verdade – suprimem e rejeitam eticamente a possibilidade de lhe conceder visão pública. Procura-se, por conseguinte, não tornar massiva a ocorrência, pois pode produzir emulação em pessoas já predispostas a perpetrar esse ato tão insólito.
Nada justifica, por fim, a autoinflição, pois assalta a preservação da vida e o ser humano deixa de ser útil à sociedade. Na perspectiva do Padre Luís Antônio Bento, não se tem, entretanto, o direito de julgar as pessoas que assim procedem. De tal sorte, então, cabe a Deus o entendimento de tal comportamento, porquanto apenas Ele é capaz de conhecer e compreender o coração humano.

                                         BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

1 BENTO, Luís Antônio. Bioética: desafios éticos no debate contemporâneo. São Paulo: Paulinas, 2008.
2 BENTO, Luiz Antônio. Bioética e Pesquisas em Seres Humanos. São Paulo: Paulinas, 2011.
 3    AAVV. Dicionário de Teologia Moral. São Paulo: Paulus, 1997.
4 CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Pastoral Galdium et Spes. São Paulo: Paulinas, 2007.
5 EDIÇÕES LOYOLA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo, 1999.
6 EDIÇÕES LOYOLA. Bíblia Sagrada. TEB. São Paulo, 1994.


(1) Interpretação do livro (parte referente ao suicídio) Bioética – desafios éticos no debate contemporâneo, da autoria de Luís Antônio Bento, como tarefa realizada para a disciplina Bioética, do Curso de Graduação em Teologia da Faculdade Católica de Fortaleza, da qual é estudante Socorro Mesquita, sob a regência do Prof. Dr. Pe. Marcos Mendes.

(2) Socorro Mesquita é bacharela em Eventos, pela Faculdade Integrada de Fortaleza, e concludente do Curso de Teologia da Faculdade Católica de Fortaleza (antigo Seminário Arquidiocesano de Fortaleza). Vianney Mesquita é docente da Universidade Federal do Ceará – prof. Adj. IV. Acadêmico titular das Academias Cearense da Língua Portuguesa e Cearense de Literatura e Jornalismo. Árcade novo (fundador) da Arcádia Nova Palmaciana. Escritor e jornalista. (1)
                                                                                                       

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

NOSSA SENHORA APARECIDA - POR HORÁCIO DÍDIMO


NOSSA SENHORA APARECIDA
Padroeira do Brasil

Ó Nossa Senhora da
 Conceição Aparecida,
 Aparecei nos momentos
 Difíceis de nossa vida!

 Mostrai-nos como chegar
 Ao vosso Filho Jesus,
 Aparecei como a aurora
Da plenitude da luz!

Velai sobre as nossas casas,
Curai as nossas famílias,
Protegei nosso País!

 Abençoai as crianças,
 Mãe das nossas esperanças,
 Padroeira do Brasil!
  

 Horácio Dídimo

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

DESEJOS - POEMA DE ANA PAULA MEDEIROS



DESEJOS
Ana Paula Medeiros

Desejos
São colibris
Em bando
Sobrevoando a mesma flor.
Eles se debatem
Embriagados
Sem saber o que fazer.
O cheiro atiça
A cor atrai
Dá sede repentina...
Motivos são muitos
Razão se esvai
O calor aumenta
Os olhos se fecham
E, no mar de pétalas,
Um colibri cai
Mergulha insano
E sôfrego desfruta
O sumo da flor...
Depois, satisfeito, rodopia
Vai embora atrás dos seus.
E a flor...
Ah, a flor...
Quieta aguarda
Outros voos
De desejos
Outros pousos

De amor.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

UM BELO POEMA DE AMOR - DAUFEN BACH


“do farto amor”

que eu tenho por ti, senão farto amor e ternura.
esse amor que não padece
que não se desmerece
e, desavergonhado, não te expõe ou te humilha...
________________________ que não evanesce
deste amor tanto, me resta a paz
uma intimidade com o perdão e a culpa,
o respeito, mesmo que vadio,
o pudor, mesmo no cio...
(essa falsa castidade que não te insulta)
o farto amor, quando toca não fere,
desfere mansidão,
o calor das mãos... o inexprimível.
não é lamento diante do infinito,
se faz percebido num sussurro, não precisa de gritos,
___________ é inextinguível, é repouso e comunhão.
e tudo que há em mim, resiste
e resta a imensa piedade do amor profano,
essa ridícula crença inútil nos desenganos,
resta essa capacidade de sonhar,
resta o diálogo com a realidade
e a presteza que acompanha o doar.
resta essa coragem que suprime o medo,
uma esperança indecifrável de amante...
resta o medo de se encorajar.
este farto amor me faz dormir a tua porta
e acordar numa aurora atrevida
cantando, como pássaro peregrino,
o ultimo dia como se fosse o primeiro da vida.
resta-me sempre farto amor e lealdade,
essa coisa maior que a cumplicidade.

[daufen bach.]

terça-feira, 9 de agosto de 2016

POESIA



MINIPOEMAS
Giselda Medeiros

1.

Anoitece...
Acendem-se em meus olhos
as pálidas sombras
de tuas formas
inexatas
em asas de cimento
lento crepitar
de círios mortos.

2.

A lua teve fome.
e devorou os nossos sonhos.
]Depois apareceu no céu
esplendidamente
cheia.

3.

Em meu último momento
que se cumpra este desejo:
receber o sacramento
da extrema-unção do teu beijo.

4.

Há esperanças navegando
nas rugas
de meu rosto.
E há caminhos
navegados
nas linhas de minhas mãos.

5.

Hoje
quero apenas
o perfume das canções
que aprendi
de minha mãe
quando o amor
plantou um lindo sol
em minha longa manhã
de inverno.

6.

Quis aprender
o sentido da vida,
os mistérios que dormem na dor,
a luz que fulgura
nas sombras...
E aprendi
simplesmente
teu nome.

7.

Se te fores de mim
não murmures palavras
de adeus.
Vai como a primavera
que deixa
no tempo
a beleza das rosas.

8.

O homem caminha
sol a sol
sobre as águas
da vida
até que, de repente,
naufraga.
E os outros lhe tecem canto
de saudade
à espera do próximo náufrago.

9.

Oh... as mães...
são catedrais de amor,
salmos de fé.
O pão e o vinho.
Mar e continente
em eterno crescimento
na sagração do fruto...
dia a dia.

10.

Assim como um grito,
teus dedos alongaram-se
sobre as minhas dunas.

E houve festa no silêncio das areias.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

SAUDADE, DRA. CELINA CÔRTE PINHEIRO!



A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB-CE, por intermédio de sua Presidente, Dra. Gizela Nunes da Costa, vem externar sua tristeza pela perda irreparável, acontecida hoje, dia 3 de agosto de 2016, de sua sócia efetiva, Dra. Celina Côrte Pinheiro, mulher de grande talento, médica e escritora, conceituada entre seus pares.
Desse modo, estamos todos de luto e profundamente consternados pelo passamento dessa mulher forte,  amiga verdadeira, ser humano solidário, profissional competente, mãe devotada, esposa cuidadosa e avó estremecida.
Para que fique sempre em nossa memória a vida de nossa associada, deixamos essas pinceladas  da história de sua vida.


Celina nasceu na cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, em 24 de julho de 1949. Filha do casal Cândido  Côrte e Maria  Conceta Bianco Côrte. Formou-se em Medicina e concluiu sua especialização na mesma cidade. Casou-se aos 26 anos com o médico Francisco Wilson Pinheiro de Sousa, também ortopedista, com quem teve três filhos: Fernando, Fabrício e Flávio, todos já casados. Tem três netos: Gabriel, Giulia e Felipe.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto  da  Universidade de São Paulo (USP) no ano de 1973.   Médica Residente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) - Área de Ortopedia e Traumatologia no período de 1974 a 1976.  Estagiária na área de Ortopedia e Traumatologia do Pavilhão “Fernandinho Simonsen” da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo no período de fevereiro a julho de 1976. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) - desde 1976.     Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) - 1977.  Membro titular da Sociedade Latino-Americana de Ortopedia e Traumatologia (SLAOT) - desde 1979. Preceptora de residentes na Clínica de Acidentes  – de 1977 a 1980.  Preceptora de residentes no IJF  de 1977 a 1990.   Preceptora de residentes no HGF de 1980 a 1990. Servidora pública no Instituto Dr. José Frota desde 1977. Servidora pública concursada pelo INAMPS, lotada no Hospital Geral de Fortaleza, de 1980 a 2004. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação Regional do Ceará desde 1980.  Chefe do Centro Cirúrgico da Emergência do HGF no período de 1994 a 1996.  Chefe da Emergência do HGF em 1997. Recertificação pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) – 2003. Membro do Comitê de Osteoporose da SBOT.  Supervisora das Residências Médicas dos hospitais da rede pública estadual (CERME/ESP-CE) de julho de  2004 a setembro de 2009.  Assessora do Secretário da Saúde para desenvolvimento das Residências Médicas na rede estadual (SESA/BID) desde 2009. Proprietária da Clínica Ortopédica e Traumatológica S/C Ltda. (CLINORT) desde 1976. 
OUTRAS ATIVIDADES: Colaboradora do DN Infantil (semanário do jornal Diário do Nordeste) no período de 1984 a 1990. Colaboradora do Fort News (semanário do jornal Tribuna do Ceará) de 1986 a 1988, além de outros cadernos literários e jornais espíritas em alguns Estados do Brasil, além do Ceará.Colaboradora do periódico Gazeta Espírita. Membro do Conselho Editorial dos jornais Fortaleza Espírita e Ceará Espírita. Membro do Conselho Editorial do Jornal da SBOT – Regional do Ceará. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES) desde 1987. Secretária da SOBRAMES no biênio 1988-1990 e Vice-Presidente no biênio 1990-1992. Membro da Academia Feminina de Letras do Ceará (AFELCE) desde 2002. Membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará (ALMECE) desde 2003 – representante do município de Aquiraz. Secretária-geral da ALMECE no período de 2006 a 2008. Sócia efetiva da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil- coordenadoria do Ceará. Membro eleito do Conselho de Leitores do Jornal O POVO em 2008. Membro reeleito do Conselho de Leitores do Jornal O POVO em 2009. Colaboradora do DN Infantil – convidada pela editoria em 2008. Colaboradora do Jornal O POVO e DIÁRIO DO NORDESTE. Executa alguns instrumentos musicais desde a infância. 

PREMIAÇÕES: 3º lugar no Concurso do Centro Médico Cearense em outubro de 1984. 1º lugar no Concurso de Prosa e Poesia da SOBRAMES – Regional de Alagoas em 1990. 3º lugar no Concurso Terça-Feira em Prosa e Verso em dezembro de 2002. Diploma de Mérito Cultural pela ALMECE em 2002 e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – CE, em 2016. Diploma de Sócio Emérito da ALMECE em 2004; 3º lugar no Concurso Internacional “Escrevendo para a Infância”, realizado pela Editora Aliança (SP) em 2004.  Menção honrosa no 4º Concurso Terça-Feira em Prosa e Verso em 2004.  Menção honrosa em Concurso de Pintura realizado pela UNIMED;  1º lugar na I Jornada Literária de Camocim, realizada pela SOBRAMES-CE, no período de 24 a 26 de outubro de 2008.  Menção honrosa no Concurso Mensal de Trovas da União Brasileira de Trovadores (UBT) – regional do Ceará, em 2009. Faleceu em 3 de agosto de 2016, em Fortaleza-CE.

sábado, 23 de julho de 2016

CRÔNICA DE VIANNEY MESQUITA




CABOTINISMO
 COMPORTAMENTO ABOMINÁVEL

                                                            Vianney Mesquita*

                                    O orgulho que almoça vaidade janta desprezo. (BENJAMIN FRANKLIN, cientista, diplomata, inventor e intelectual eclético dos Estados Unidos. 1706-1790).


            O nome cabotino, adjetivo e substantivo de ambos os gêneros, significa, em acepção original, mau comediante, ator histrião, personagem bufo, cômico teatralmente desqualificado. Consoante sugere Antônio Geraldo da Cunha, no seu Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa (2. ed., Rio de Janeiro, 2001), “parece” aludir ao nome de um ator burlesco de categoria inferior (Cabotin), o qual teria atuado no tempo de Luís XIII, em França.
            Figurativamente, entretanto – e esta é a significação preferida e mais conhecida no Brasil – denota a ideia de [...] indivíduo presumido, afetado, que procura chamar a atenção, ostentando qualidades reais ou fictícias (CUNHA, 2001), com registo lexicográfico no século XIX (1807), sendo controversa a origem dos seus sentidos expressos em glossários, segundo gizado no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001), de Mauro Salles Villar e Antônio Houaiss.
            Este escrito é a continuação de viagem feita na boleia de matéria aqui veiculada recentemente, sob o título de Em qual cabeça assenta este chapéu? - onde expressei indignação com os autores autoproclamados mentores da sociedade, os quais se louvam no expediente da apologia aos protagonistas de suas obras, sem desvinculá-los dos nomes reais como escritores, com vistas à obtenção do aplauso, atitude repreensível, mesmo se o louvor restar merecido, e – pior ainda – caso não sobeje o elogio justo.
            A desqualificada significação desta unidade de ideia – cabotinismo - experimenta trajeto bastante comum no decurso na sociedade dos mais diversificados lugares e em tempos totais, conforme, amiudemente, a História relata, submetendo ao risco de sua instalação todos aqueles que não se vacinaram contra a picada da mosca azul - consoante a reflexão de Frei Beto, no livro do mesmo nome -  expondo-se, dadivosos, ao seu voraz apetite.
             A soberba, a importância e a indispensabilidade quase patológicas dos afagos ao ego sugestionado por Sigmund Freud parecem invadir o controle da volição, determinante da vontade de cada qual, neste caso, concernente a orientar as pessoas na trilha certa, conduzindo-as ao comportamento adequado no âmbito moral, na contextura da decência e no contorno das atitudes saudáveis que devem presidir aos nossos procederes. A isto a sociedade inteira almeja, porém, se descuida de armar anteparos e, com frequência, se descortina subordinada a um inimigo oculto, o qual se arrima até na nossa inteligência, como, por exemplo, na capacidade de escrever bons textos, a fim de operar seu desiderato e nos exibir aos pares com defeito de tanta monta, configurado no recurso nefasto do exibicionismo, sinônimo de ostentação, correspondente a encômio barato e presunção despropositada.
            É determinante, por conseguinte, um cuidado redobrado, a fim de as pessoas não se subordinarem às investidas constantes do cabotinismo, mormente quando são alçadas a posições de destaque, por via da Política, Religião, manifestações artísticas e demais haveres dotais impressos pela Providência Divina, como, exempli gratia, a Literatura, a Pintura e as outras quatro artes.
             Estas expressões da indústria humana, por efetivo, consuetudinariamente, concedem visão pública e midiática aos produtores e intérpretes, granjeando para seus palcos de shows e outros ambientes de assistência, em catarse aristotélica – de cariz estético - uma multidão apaixonada, desorganizada e desprovida de pensamento racional, condutora do artista aos apogeus da glória, circunstância fácil de ligeiramente enviesar para o senhorio da cabotinagem, de atuação ligeira junto aos que não se abasteceram de defesas rápidas contra opositor de exercício tão desembaraçado e veloz.
            O complexo inteiro da Humanidade está sujeito aos tentáculos dos comportamentos charlatães, de tal sorte que se deve permanecer em atalaia contínua contra suas arremetidas. Há que se postar avesso, entretanto, aos pruridos exagerados de simplicidade, como, por exemplo, o autor deixar de assinar uma produção, resignar-se perante a omissão de seu nome de uma ficha técnica, calar-se ante a supressão de referência por parte de alguém em evento cuja efetividade dependeu de sua participação etc., fatos que somente atestam a bobice e a sujeição infantil, também doentias, no polo oposto da ideação do teor cabotino.
            Guardo, constantemente, sobrado cuidado com as acometidas desse vilão moral, deontológico e ético, para não ser vergado moralmente pelos seus impulsos poderosos (Flexo, sed non frango = envergo, mas não quebro). Ele circula à solta em meio aos desavisados, mormente na ambiência dos inocentes e pretensos credores do reconhecimento e presumidos donos de uma arte maior, definitiva, quando, em muitos lances, representam apenas jejunos e claudicantes aprendizes, visitantes de assuntos sobre os quais estão ainda bastante apartados do domínio.
            Estas pessoas merecem de seus próximos – parentes, amigos e circunstantes com quem tenham alguma ligação - os corretivos oportunos, as regulagens apropriadas, a fim de que não habitem o patamar dos deserdados morais artistas, os quais, mesmo sendo bons, ainda acham necessário aparecer, conforme expressei na matéria indicada no terceiro parágrafo desta escrita, como os primeiros entre os pares, feitos luminares refalsados do preparo intelectual e notáveis ilusórios da sabedoria.

            Lamentavelmente, não conhecem, ou jamais divisaram, a ideia do cientista de Österreich, naturalizado inglês, Carlos Raimundo Popper (Viena, 28.07.1902 – Kenley, 17.09.1994), para quem todos somos cegos convencidos de que saber e ignorância são vizinhos.

sábado, 16 de julho de 2016

ANIVERSÁRIO DE GISELDA MEDEIROS - 2016




A Presidente de Honra da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - CE, Giselda Medeiros, recebeu bela homenagem pelo transcurso de seu aniversário.

Ajebianas e ajebianos compareceram ao almoço, dia 13 de julho, no Náutico Atlético Cearense para cantar os parabéns.

A Presidente Gizela Nunes da Costa passou a condução dos trabalhos à cerimonialista, escritora Francinete Azevedo, antes, porém, prestando uma homenagem póstuma, com um minuto de silêncio, à Lúcia Helena Pereira, pelos seus feitos à AJEB-RN, como presidente dessa coordenadoria e pelo seu dinâmico trabalho como Presidente Nacional da AJEB.

A cerimonialista exaltou a pessoa e a escritora, Giselda Medeiros, com belas palavras. Em seguida, passou a palavra à secretária, Rejane Costa Barros, responsável pela louvação à aniversariante. Com um discurso poético, Rejane traçou a personalidade da escritora homenageada (transcrito mais abaixo).

Em nome da família de Giselda, seu filho, Jorge Francisco de Medeiros, fez os agradecimentos pela homenagem à sua mãe.

A aniversariante, em rápidas palavras, mostrou sua visível emoção, agradecendo a todos os amigos ali presentes com um poema.

O jornalista Vicente Alencar  fez a leitura das notícias culturais.

Ao final, as fotos, imagens da bela recepção.


Giselda Medeiros e a celebração da vida

          O Ceará, terra bem-aventurada que produz bons frutos, permitiu que Prata se transformasse em ouro. Fortaleza recebeu uma menina, que cresceu, virou mulher, estudou, tornou-se professora, casou, construiu uma bela família, talentosa, que decifrou os mistérios da literatura, tornou-se poetisa de primeira linhagem e também a Princesa dos Poetas do Ceará. Intelectual de provada e admirada sabedoria, descobriu com perfeito discernimento o saber e o sabor da poesia, sua grata companheira, usando-a como fonte vital de sua produção. Destaca-se ainda, no conto, na trova, na crônica, na crítica literária.
          Giselda Medeiros é mulher simples, sensível, bem-intencionada e que ama Fortaleza, pois por ela foi recebida e adotada como filha. Sabe ser moderada na medida em que não é submissa e sabe ser audaz, se fazendo nobre, sem soberba. Tem um jeito franco e cordial de ser, naturalmente, sem precisar fazer tipo, sem nunca fingir ou negar sua personalidade. Sua alma é ampla e aberta como o sol que brilha a cada dia. Seu coração, assim como o nosso mar, é belo de se ver e navegar. Sua vida é assim, sem mistério ou disfarces, desfraldada como uma bandeira, sugerindo esperanças e convidando-nos a acompanhá-la. É feita de pura paixão. De ânsia de trabalho e de vitória. De luz e fé. Como todo o bom povo nordestino.
          Nascida no dia 14 de julho, onde ainda hoje se comemora, na França, a vitória da liberdade, com a Tomada da Bastilha, filha do casal Jorge Francisco de Medeiros e Raimunda de Sousa Fernandes Medeiros, tem muitas histórias a nos contar e muitas lições de vida a nos repassar.
          Um dia o destino tratou de nos aproximar e de nos fazer amigas. Assim, permanecemos. Desfrutamos de uma cumplicidade literária e afetiva, e agradecemos sempre por esse encontro, pleno de respeito, admiração e reciprocidade. Essa mulher de marca esplêndida de dignidade não tem frustrações e sente-se uma pessoa feliz com o mundo em que vive e com sua família; é um ótimo exemplo a ser seguido.
          Giselda honra-me a sua fidelidade e o tratamento afetivo que me dispensa diariamente. Procuro também dedicar a ti o meu desvelo, minha solidariedade, e um amor altaneiro e sincero, de amiga, com a felicidade de nesse recente Dia das Mães de 2016, ter recebido de ti um recadinho muito carinhoso no qual me adotavas como filha em seu sensível coração materno. Obrigada!
          O poeta Alberto de Oliveira, num de seus poemas diz que a boa idade é a da maturidade, porque é o tempo da sabedoria e da serenidade. E realmente, é.
          Amiga, que Deus, que a fez com toda essa capacidade de não envelhecer, a conserve desse mesmo jeito: companheira de todos os momentos, boa e leal em todas as circunstâncias, com essa lucidez poética incrível e esse espírito de menina-mulher plena de jovialidade interior.
          Receba de todos nós, seus amigos, os votos de parabéns, por mais um ano de vida, por seu bom exemplo, sua conduta, sua família, pela missão que vem cumprindo com tanta consciência e dignidade.
 
          Muito obrigada por você existir em nossas vidas!
          Parabéns por seu aniversário!!!!
Rejane Costa Barros

Fortaleza, 13 de julho de 2016

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