terça-feira, 21 de julho de 2015

AJEB-CE PROMOVE ALMOÇO PELO ANIVERSÁRIO DE GISELDA MEDEIROS


A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - promoveu dia 16 de julho de 2015, no Náutico Atlético Cearense, almoço de adesão, para homenagear sua Presidente de Honra e Ex-Presidente Nacional, Giselda Medeiros.

Ajebianas e ajebianos, amigos e a Família compareceram para levar seu abraço à Escritora Giselda Medeiros, Princesa dos Poetas do Ceará.

Nirvanda Medeiros, Presidente da Coordenadoria do Ceará, exaltou as qualidades da aniversariante, deixando, ao final de sua fala, que cada um dos presentes traduzisse, em uma palavra, sua visão sobre a aniversariante.

A ajebiana Rejane Costa Barros leu um poema dedicado à Giselda Medeiros, enquanto o Sócio Benemérito da AJEB-CE, Vital Arruda, declamou uma trova que fizera em homenagem à escritora aniversariante.

Giselda Medeiros, emocionada, saudou a todos os amigos e Família, agradecendo-lhes a presença com um poema de sua autoria.

Em seguida, foi servido o almoço, requintado, como o são todos os do Náutico Atlético Cearense.


COBERTURA FOTOGRÁFICA


A aniversariante com a Presidente Nirvanda Medeiros


  A saudação da Presidente


Rejane Costa Barros saúda a aniversariante


Vital Arruda, também aniversariante, 
declamando sua trova, homenageando Giselda Medeiros


O agradecimento da aniversariante


Os "Parabéns pra você"


O almoço


O almoço


Homenagem, com flores, de Vládia Mourão.


Gizela Costa, Rejane Costa Barros e Socorro Cavalcanti


Ana Paula e Giselda Medeiros


Giselda Medeiros


Com os amigos da Academia Cearense de Letras: Ernando Uchoa e Batista de Lima


Ladeada pelos amigos: Aldo Melo, Pereira de Albuquerque, 
Vital Arruda, Juliana Melo, Clara Leda e Zenaide Marçal



Com a Família: Rosinha, Rafaela e Ana Paula Medeiros


Com a amiga ajebiana, Gizela Costa


Com Alexandra, Rosinha, Rafaela e Ana Paula



Com os amigos: Zinah Alexandrino, Batista de Lima, 
Fátima Lemos e Ernando Uchoa Lima


Clara Leda, Nirvanda Medeiros, Ernando Uchoa Lima, Heliane Pimentel, 
Vládia Mourão, Batista de Lima, Maria do Carmo Fontenelle, Maria Luísa Bomfim e sua Neta.


Com o amigo Cláudio Queiroz


A aniversariante  agradecida pela presença dos amigos, 
da Família e pelo perfume das flores


quinta-feira, 9 de julho de 2015

GENUÍNO SALES NÃO É SÓ GRANDE PROFESSOR DE PORTUGUÊS. É TAMBÉM GRANDE POETA.



PRESENÇA
Genuíno Sales
(Da Academia Cearense da Língua Portuguesa)

Eu gosto de não te ver
para não sentir em vão
com tua presença esquiva
o pecado inevitável
do desejo impossível
eu gosto de não te encontrar
para não sofrer a tentação
do irrealizável.
Mas mesmo sem querer de vejo
e mesmo sem querer te encontro
e se te vejo peco
e se te encontro sofro
sofro e peco
porque tua presença onírica
é a volúpia de minha solidão
na certeza do impossível

em que pulveriza meu sonho.

domingo, 21 de junho de 2015

MAR ABSOLUTO - CECÍLIA MEIRELES




Mar Absoluto

Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.

E fico tonta.
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
"Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da lição da areia!
Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!"
Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-nos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anêmona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,
cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Não me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida.
como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que não foram ouvidas;
que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

PARA OS NAMORADOS NO SEU DIA ESPECIAL






MOTIVOS

1.       Beijarei o moreno
              de tua face
              se me deixares afagar
              as pétalas do teu sorriso,
              flor de Poesia.

2.      Quero estar sempre
em ti
como o grão na espiga
aos ventos estivais.
Como o azul dos horizontes
no longo abraço
do mar.


3.      Quis aprender
o sentido da vida,
os mistérios que dormem na dor,
a luz que fulgura
nas sombras...
E aprendi
simplesmente
teu nome.


4.      Olho-te
(que já é noite)
imóvel lírio ao luar
e te guardo
intacto
em meu perfume
(que amanhã preciso de ti)
para o voo deste sorriso
implume.


Giselda Medeiros

sábado, 6 de junho de 2015

UM POEMA DE SÉRGIO MACEDO



DESERTO


Pode ser que haja alguma mudança

O deserto está quieto,

Algumas moitas de ferozes arbustos

Negando a morte continuamente,

Sobrevivência consumindo restos de esperanças,

Reduto de heróis esquecidos nas batalhas,

O deserto sobrevive,

No que sobra das carcaças

De jipes e tanques de guerra abandonados, 

Carcomidos pelo tempo

O herói não sabe do fim da guerra 

Continua guerreiro,

Continua na espreita.



Pode ser que haja notícias

Pode ser que haja mudanças

Não ouviu mais tiros

Gritos, melodia desaparecida há tempos

E a bela não lhe sai do alvo

A beleza imortal da musa

Da mulher tão sensual, quanto ausente,

Tão bela quanto enigmática,

Tão desejada quanto desejo.

O tempo se foi como medida de existência 

Nem pode fugir: não se foge do deserto

Deserto é a apoteose das prisões

Seu muro se chama distância

Seu muro se chama nada

Chama-se desesperança, medo

A liberdade está em pensar

Em olhar estrelas, noite após noite 

A liberdade está em esquecer.

From Heaven

domingo, 31 de maio de 2015

POEMA "BUSCA"




busca
Giselda Medeiros


Hoje quero tocar-te,
alcançar as dunas que circundam
a alvura de tuas praias.
Hoje queria ter
dedos insubmissos,
sentinelas destas mãos
que comandam a feroz audácia
de gestos indormidos.
Queria alongar-te pelo dorso manso
a inquietude de desejos secretos
até sentires a quentura gritante
da minha insaciável busca.

Sinto o tempo de amar,
o tempo de entrega.
Entanto, os meus olhos já se enublam
como um sol poente
nas águas sofridas de um rio.
E minha alma, cisne arisco,
já se inclina ante a miragem
do fogo de teus olhos.

Hoje queria tocar-te a superfície,
cadeia enervada de emoções.
Mas, que adianta!
Hoje é apenas um momento...
E o momento é breve como o canto
que te canto.
Depois... Somente a praia submersa
que se inclina
e o sol, pedaços de ânsias afogadas
na mansitude azul das águas...
 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

ARTIGO DO PROFESSOR VIANNEY MESQUITA


PERCALÇOS NA FEITURA DE UM LIVRO
Vianney Mesquita*
Grande livro seria aquele em que a metade do gênero humano lesse o que pode e deve oferecer aos demais cinquenta por cento! (SEVERO CATALINA DEL AMO. * Cuenca, 1832; Madrid, 1871 – 39 anos).

Dias atrás, na décima oitava oportunidade na vida, passei pela emoção de ensaiar experiência ditosa: a de recolher o recheio da étagére, abrangendo textos do meu varejo escritural, com data inaugurativa em setembro de 2014 (e previsão de lançamento em julho-2015), quando já houvera pinçado o sortimento textual que encorpou o livro Nuntia Morata – Ensaios e Recensões, publicado em 02 de  outubro do ano imediatamente transato.
Este sucesso dista do primeiro evento exatos 31 anos, quando, em Sobre Livros – Aspectos da Editoração Acadêmica (Brasília:Proed/Fortaleza: Edições UFC – 1984), trouxe ao lume, em avant première autoral, as compreensões acerca da edição de trabalhos no âmbito das casas publicadoras das universidades federais brasileiras, no ensejo em que desenvolvi as atividades de secretário-executivo da citada Editora da Universidade Federal do Ceará, vitoriosa – e ainda persistente – iniciativa do preclaro reitor Prof. Paulo Elpídio de Meneses Neto, hoje sob as mãos diligentes do Professor Antônio Cláudio Lima Guimarães, pessoa desprovida de qualquer defeito.
Os originais transitam sob a desvelada atenção do professor, imortal da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, Geraldo Jesuino da Costa, o mago da editoração cearense, que procede, com arte, graça e profissionalismo, aos provimentos estéticos das modernas artes gráficas, com vistas a conferir aos Guardados da Minha Étagére - Aproximações Literocientíficas - a configuração continental do volume, consentânea em relação às exigências da Modernidade no concernente à manifestação graficovisual do livro de papel. Afortunadamente, pois, não se podendo contar com a qualidade e o alcance do CONTEÚDO das minhas nem sempre assentes concepções, por seguro, pelo menos, remanescerá garantida a essência do CONTINENTE, a ser explícita por tão alteado intelectual e artista coestaduano, como fez com sua pintura excepcional nas capas do mencionado Sobre Livros, bem assim, mais recentemente, do Arquiteto a Posteriori (2013) e de Nuntia Morata (2014).
Já no Posfácio de Impressões – Estudos de Literatura e Comunicação (Fortaleza: Agora, 1989), eu já exprimia a noção de que edificar uma obra, por simples que saiam seus teores, não encerra mera operação gráfica, como pensam, decerto, aqueles ainda à espera de publicar um livro, conquanto já hajam trespassado os outros dois pressupostos ditos para o ente humano estacionar-se feliz: gerar um filho e plantar uma árvore.
Operado por dezenas de mentes, triplicado número de mãos e muitas naturezas em pensamento – inclusos os “arquitetos ao depois” - o livro, malgrado o desembaraço da editoração moderna em computação gráfica, sempre ensejará algo a se pretender, em virtude daquela heterogeneidade operacional, a torná-lo rebento de uma coletividade fundada pelas pessoas que, afetuosamente ou não, o constituíram.
Neste caminho, onde não apenas medram inteligências, mas também prosperam espinhos e calhaus ponteagudos, não sei mais asseverar se quem escreveu ou - mais bem terminante - aquele tangido pela conceição intelectiva, é, na realidade, o componente mais valioso desta complicada, dispendiosa e dulcíssima empresa.
A fim de se alevantar um produto escrito, há vera convergência de forças, para, uma vez juntadas todas as pedras desse quebra-cabeça lúdico-intelectivo, se aportar à consecução da sua finalidade.
 Por conseguinte, no emaranhado de ideações, em teia enredada de intenções, é que podem aparecer os equívocos, máxime para os leitores mais aprestados, como (folgo com isso dizer) ocorrem ser os meus, componentes do “alto clero” do “Vaticano” acadêmico do Ceará.
Sucedem, quase sempre, os vieses do autor, pretensa primeira figura do empreendimento librário. Aparecem suas proposições desacertadas e confusas, assentadas em fontes também falazes, indutoras compulsórias aos enganos. Surde a multiplicidade de procedimentos, uns editoriais, outros plásticos e demais condutas gráficas, muitas vezes carentes de concertos e consertos, sem contar com as reiteradamente descabidas incursões do escritor aos originais, para modificar, mexer, introduzir adendas, transmudar a versão anterior e, mui especialmente, a fim de desequilibrar a paciência dos operadores, os quais, no fim, jamais são reconhecidos, no entanto, restam inculpados pelos desacertos eternamente conduzidos pela publicação, a induzirem à falácia milhares, talvez milhões, de desavisados consultantes.
Acontece de ser, pois, nesta baralhada toda que o modelo enseja o registo de erros não reparáveis - raríssimamente nenhum, nas mais das vezes muitos e reiteradamente alguns.
Descansa no anedotário e no folclore das antigas tipografias, reverberando até hoje na ambiência das gráficas modernas, a mofa segundo a qual editores e operadores tipográficos asseveram – seja isto registado, e com sobrada razão – o fato de ser o autor o que mais atrapalha a obra. Para alguns, melhor seria que as produções a editar não tivessem escritores. Não fosse assim, contudo, não haveria quefazer para os críticos – os mencionados arquitetos ao depois, que desmancham as obras e, ao remontá-las, sobram esses parafusos da capa do Arquiteto a Posteriori (foto), que a diligência e o desvelo profissional do acadêmico Geraldo Jesuino da Costa retrataram na cobertura deste (quiçá) arremedo editorial da minha colheita, lançado em 2013.
Conquanto seja fato latente na execução de qualquer trabalho editorial, ordena-me a consciência evidenciar a coautoria de editor, capista, revisores, prefaciadores, autores de guarnições, bibliotecários, digitadores, amigos e conselheiros - bons muitos, mas insuportáveis outros – para se poder perlustrar ínvios quanto livres caminhos, a fim de cumprir um desiderato: o de a pessoa humana deixar marca por onde transita, como no verso de Ovídio - Non omnia moriar. (1).
De todo modo, também como sucedeu com os demais, ocorre com este nascituro projeto de livro – Guardados da Minha Étagere - Aproximações Literocientíficas – com o qual me afanei, prazerosamente, em dias às centenas e no curso de milhares de horas, subtraídas ao sossego corporal para labor do espírito.
Malgrado possa ele ser objeto dos retrocitados transtornos editoriais, assevero haver sido fomentado com estreme atenção, conquanto, me insertando na posição de mortal, explique, sem a pretensão de justificar, alguns lapsos que poderão nele vir explícitos. Terêncio defende-me: Homo sum. Humani nihil a me alienum cogito (2). E caso, todavia, não tenha logrado que o nascente volume se compadeça à expectação do meu leitorado, sobejou a intenção, decerto, nobilitante de o ter pretendido fazer.
Quid deceat, quid non. (3).


(1) Não morrerei completamente – frase da autoria de Públio OVÍDIO Nasão, poeta romano, retratando o fato de que o homem deixa obras edificadas. Daí, a morte incompleta: vão-se os homens,  permanecendo, porém,  suas obras.
(2) Sou homem e nada reputo a mim alheio do que é humano - sentença célebre da lavra de Públio Terêncio Afro, poeta cômico tunisino (Cartago), tirando a responsabilidade do ser humano naquilo que não pode fazer.
(3) O que convém, o que não convém. Preceito de Quinto Horácio Flaco, poeta latino nascido na Apúlia, expresso na Arte Poética, 308. Corrija-se o que é mau, conserve-se o que é bom; veja-se quid deceat, quid non.
   

sábado, 9 de maio de 2015

UM DOS MAIS BELOS POEMAS ALUSIVOS AO DIA DAS MÃES



DIA DAS MÃES

GIUSEPPE GHIARONI 





Mãe! eu volto a te ver na antiga sala
onde uma noite te deixei sem fala
dizendo adeus como quem vai morrer.
E me viste sumir pela neblina,
porque a sina das mães é esta sina:
amar, cuidar, criar, depois... perder.
Perder o filho é como achar a morte.
Perder o filho quando, grande e forte,
já podia ampará-la e compensá-la.
Mas nesse instante uma mulher bonita,
sorrindo, o rouba, e a velha mãe aflita
ainda se volta para abençoá-la 
Assim parti, e nos abençoaste.
Fui esquecer o bem que me ensinaste,
fui para o mundo me deseducar.
E tu ficaste num silêncio frio,
olhando o leito que eu deixei vazio, 
cantando uma cantiga de ninar.
Hoje volto coberto de poeira
e te encontro quietinha na cadeira,
a cabeça pendida sobre o peito.
Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo.
Quero acordar-te, mas não sei se devo,
não sinto que me caiba este direito.
O direito de dar-te este desgosto,
de te mostrar nas rugas do meu rosto
toda a miséria que me aconteceu.
E quando vires a expressão horrível
da minha máscara irreconhecível,
minha voz rouca murmurar:''Sou eu!"
Eu bebi na taberna dos cretinos,
eu brandi o punhal dos assassinos,
eu andei pelo braço dos canalhas.
Eu fui jogral em todas as comédias,
eu fui vilão em todas as tragédias,
eu fui covarde em todas as batalhas.
Eu te esqueci: as mães são esquecidas.
Vivi a vida, vivi muitas vidas,
e só agora, quando chego ao fim,
traído pela última esperança,
e só agora quando a dor me alcança
lembro quem nunca se esqueceu de mim.
Não! Eu devo voltar, ser esquecido.
Mas que foi? De repente ouço um ruído;
a cadeira rangeu; é tarde agora!
Minha mãe se levanta abrindo os braços
e, me envolvendo num milhão de abraços,
rendendo graças, diz:"Meu filho!", e chora.
E chora e treme como fala e ri,
e parece que Deus entrou aqui,
em vez de o último dos condenados.
E o seu pranto rolando em minha face
quase é como se o Céu me perdoasse,
me limpasse de todos os pecados.
Mãe! Nos teus braços eu me transfiguro.
Lembro que fui criança, que fui puro.
Sim, tenho mãe! E esta ventura é tanta
que eu compreendo o que significa:
o filho é pobre, mas a mãe é rica!
O filho é homem, mas a mãe é santa!
Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
mas que me beija como agradecendo
toda a dor que por mim lhe foi causada.
Dos mundos onde andei nada te trouxe,
mas tu me olhas num olhar tão doce
que, nada tendo, não te falta nada.
Dia das Mães! É o dia da bondade
maior que todo o mal da humanidade
purificada num amor fecundo.
Por mais que o homem seja um mesquinho,
enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
cantará a esperança para o mundo!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

UM POEMA DE LILA XAVIER



As palavras são cinzas de papel
As palavras, dizem o que querem
Tu as proferes com a força que te constitui
Com o teu vazio
Com a tua vitrine podre
Com a tua máscara de ilusão.

Quanto a mim, ouvi
Filtrei
Deleitei-me com a melodia que delas ressoava
Joguei-as ao vento
E elas, as palavras doces
Dissiparam-se como cinza de papel queimado.
No incêndio
A poesia era apenas pano de fundo
Chegou o fim.
Lila Xavier

quarta-feira, 6 de maio de 2015

LANÇAMENTO DE POLICROMIAS _ 8º VOLUME


Como parte das comemorações dos 45 anos de fundação da AJEB, aconteceu, no dia 14 de abril de 2015, o lançamento do oitavo volume de Policromias, Antologia da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB/CE.

O evento teve lugar nas dependências da Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará, ADUFC, a nós, gentilmente, cedido.

O livro e seus autores foram apresentados pela Escritora, Professora e Mestre Ana Vládia Mourão (ao centro), que disse palavras enaltecedoras a respeito da nossa AJEB e dos autores do livro.

Ocorreu, também, a premiação do VI Concurso Literário Professora Edith Braga.

Foi um momento de regozijo para nós, que fazemos a Coordenadoria da AJEB-Ceará, com o total apoio de nossa Presidente Nacional, Daisy Buazar (SP).

O Cerimonial esteve sob a direção do Jornalista Vicente Alencar e a parte artística sob o comando do músico Robston Medeiros.


As palavras de agradecimento foram proferidas pela ajebiana Ana Paula de Medeiros Ribeiro, Professora, Mestre e Doutora da Universidade Federal do Ceará.

               
Alguém já afirmou que não há exagero mais belo do que o exagero da gratidão. Arrimados nesta assertiva, não temos, então, o menor receio em exagerar na nossa gratidão, nesta noite soberbamente plena do aconchego humano.
               A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB – chega hoje aos seus quarenta e cinco anos de fundação. Não nos alongaremos sobre a sua história, uma vez que já foi explanada pelo nosso cerimonialista. Mas, como a noite é dedicada ao saber agradecer bem, não poderíamos deixar de louvar a atitude da jornalista e escritora Hellê Vellozo Fernandes que, lá nas terras paranaenses, há justos 45 anos, implantou a nossa querida entidade, que, aqui, no Ceará, encontrando o apoio e a determinação de Nenzinha Galeno, passou à história como a primeira coordenadoria estadual a ser fundada no Brasil, após a do Paraná. A elas, pois, a nossa gratidão.
               Policromias, em seu oitavo volume, chega-nos então como uma multiplicidade de cores humanas, ao todo, trinta e dois participantes, com seus mais múltiplos matizes, concentrados nessa aquarela sob as tonalidades de variados estudos sobre escritores daqui e de outras terras.
               E é, misturados a essa multiplicidade de cores, que continuamos a demonstrar a nossa gratidão. E o fazemos, penhorados, à Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará (ADUFC), Casa que nos acolhe, hoje, com simpatia. Em segundo lugar, a nossa gratidão à professora, mestre e escritora Ana Vládia Mourão que, em meio aos seus múltiplos afazeres, generosamente, acolheu nosso pedido e, com sua inteligência de mestre e sensibilidade de poeta, aceitou apresentar esta nossa Antologia, o que o fez, como bem o sabe: com propriedade, beleza, conhecimento e experiência no fazer literário. Gratos somos, do mesmo modo, à família de nossa inesquecível Sócia Honorária, Ebe Braga Frota, por nos ter proporcionado, com a agradável tessitura de sua generosidade, a realização do VI Concurso Literário Professora Edith Braga, cujos vencedores, aqui, louvamos e aplaudimos.
               E mais, nossos agradecimentos a esse gênio das artes gráficas, Carlos Alberto Dantas, pela beleza de sua policromizada tela, que constitui a capa da nossa Antologia. Agradecimentos ao Dorian Filho e a toda a equipe da RDS Editora, pelo esmero do projeto gráfico e pelo carinho com que sempre fomos tratados. Nosso agradecimento vai também para os participantes deste Policromias, hoje em seu oitavo volume, com suas belas peças literárias.  E agradecemos a presença dos insignes presidentes de entidades literoculturais, bem como aos queridos familiares e convidados, que aqui vieram adicionar mais colorido à nossa festa policrômica. Agradecimentos a todo o quadro social da AJEB: as efetivas, os colaboradores, os beneméritos e os honorários, e, de modo especial à nossa presidente, Nirvanda Medeiros, pela substancial colaboração dada a este evento. Agradecemos, outrossim, ao jornalista Vicente Alencar, pela segura condução do cerimonial. E o nosso muito obrigada a esse artista ímpar, Robston Medeiros, que nos encanta com sua preciosa arte.
               E, ao final, a homenagem maior à nossa amada AJEB, pelo transcurso do seu quadragésimo quinto aniversário de fundação.

                                                                Muito Obrigada.

CONFIRA AS FOTOS












quarta-feira, 29 de abril de 2015

Jose Telles e sua Poesia Vigorosa - por Giselda Medeiros


                   Não é à toa que se diz estar a arte sempre a apontar para possibilidades cada vez mais renovadas de vida, ao propiciar a criação de pontos de vista sobre o mundo e sobre o homem que, num impulso lúdico de sua criatividade torna-se senhor de sua imaginação assumindo sua intrínseca dimensão humana.
              Este posicionamento nos acerca a propósito da leitura do mais recente livro de poemas assinado pelo escritor-médico José Telles. Inegavelmente, O Lacre do Silêncio (Fortaleza: Edições Sobrames, 2004), em belo projeto gráfico de Geraldo Jesuíno, chega até nós extasiando-nos os sentidos.
              A partir do título, já se descortina a vocação plural de que é possuidor José Telles para a construção do seu universo poético, no qual o homem com suas dúvidas, angústias, medos, perdas e outras dores ontológicas parece sucumbir ante o inevitável. No entanto, carregando o sonho como sua tocha olímpica, ele segue, qual Quixote, a duelar com seus fantasmas para a vitória do amor e do sonho, que são o canto inaugural do universo poético de José Telles. Comprovemo-lo: Tentarei meu último sonho / sem o vexame das horas / (...) / Serei pérola na porcelana do teu corpo / e madrugada na lâmina da tua aurora. (“Tempo e Espera”)
              O tempo, esse construtor/demolidor de tudo, também é motivo das divagações metafísicas do Autor. Destaque-se, porém, que José Telles não se apavora ante a voracidade  de sua famélica boca, antes vive o momento em toda a sua potencialidade de relação com o mundo e com a natureza. Todo ele é dinâmica de procura, templo de encontro, liberdade transcendente. Vejamos: lágrimas impressionam meu disfarce / na varanda do tempo uma chuva faz memória. (“Disfarce”); De semita tenho o norte e as areias do mundo / mas procuro terras pra viver. (“Viajor da Lama dos Infernos”); No bonde dos sonhos / pedaços de dor ainda viajam comigo / e lágrimas acumuladas / são lâminas que se afiam cortando tempo e vingança. (“Vingança”); O tempo me marca com o rigor do mistério, / a vida se espalha e congela meu delírio. (“Delírio”); O tempo em minha pele / é um tempo flácido e vencido. (“Ária de Amor ao Tempo”); Existo? Ou assisto minha ausência sendo eu? (“O Ser e o Nada”).
              Amante e amador, por natureza, e tendo aprendido de Cecília Meireles que O destino de quem ama / é vário, / como o trajeto do fumo /, José Telles vivencia o amor em toda a sua plenitude, antes que o silêncio ponha o lacre definitivo em sua vida. E ele sabe que o grande dia é o hoje, o agora. Em razão disso, o amor o leva a preferir a lua a qualquer outro estrelato, e se faz gâmico e poligâmico, mas cultua a escolhida, porque entende estar em trânsito por trás do seu espelho. E arremata em “Cicatrizes”: duro é esse gosto de nada / e o ritmo morto das coisas.
              A amada é o cálice em que o poeta extravasa o vinho de seu erotismo para o brinde a dois. E, assim, derramado numa “Saudade Líquida”, o poeta desperta-nos a sensibilidade, ao cantar: Em parceria sou uno / a dois sou espelho / devasso lábios e mucosas / em beijos de lama e sexo / tua boca bóia em minha boca / e de tocaia / beijo tua alma / teu corpo desafio / espelho / espalho-me / saudade líquida. Atente-se para a carga plurissignificativa do belíssimo “achado” poético saudade líquida.
              Desse modo, sai o poeta (des)afiando dores: a dor medeia a flor e cresce salgando a terra; silêncios: Sou o silêncio / que incomoda vizinhos; angústias: Quero sair por aí... / exibindo minha angústia / na tatuagem que pula o muro do vizinho; medos: O medo / espiava da janela querendo paisagem; solidão: Nas celas / o sol penetra em retângulos / e encontra o ângulo da dor; saudade: Mas sem aquele flanco de saudade, que dor me restaria?; fome: No meu relógio de pedra / a fome é um silêncio que cai na boca dos mortos; rugas: Minhas rugas / são fantasias da minha alma, /.../ elas não são cicatrizes, / são árias de amor e paisagem / no armorial do corpo; e a morte, tratada sob o viés do seu característico bom-humor: Às vezes / a morte me chama / eu faço que não escuto / mas quando / chamo por ela / vai atrás doutro defunto..

              Enfim, resta-nos aplaudir a poesia vigorosa de José Telles, com a alma agradecida, leve e feliz, por nos ter propiciado esse momento infinito de estesia, esse penetrar em seu universo onírico, no qual a palavra, trabalhada sob metáforas bem construídas, oferece-nos imagens e paisagens ligadas por relações, via de regra, distintas da lógica e da casualidade, o que sói acontecer com os verdadeiros artesãos da arte.  

Giselda Medeiros

(in: "Crítica Reunida")            

terça-feira, 28 de abril de 2015

UM POEMA DE VICENTE ALENCAR



TUA AUSÊNCIA
Vicente Alencar

Silêncio,
palavra que tudo traduz
quando o coração está triste.
Há muito,
há um intenso silêncio em mim.
Só há uma explicação
para isso:
A tua ausência.
Sentida há tanto tempo

martirizando-me sempre.