quarta-feira, 6 de maio de 2015

LANÇAMENTO DE POLICROMIAS _ 8º VOLUME


Como parte das comemorações dos 45 anos de fundação da AJEB, aconteceu, no dia 14 de abril de 2015, o lançamento do oitavo volume de Policromias, Antologia da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB/CE.

O evento teve lugar nas dependências da Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará, ADUFC, a nós, gentilmente, cedido.

O livro e seus autores foram apresentados pela Escritora, Professora e Mestre Ana Vládia Mourão (ao centro), que disse palavras enaltecedoras a respeito da nossa AJEB e dos autores do livro.

Ocorreu, também, a premiação do VI Concurso Literário Professora Edith Braga.

Foi um momento de regozijo para nós, que fazemos a Coordenadoria da AJEB-Ceará, com o total apoio de nossa Presidente Nacional, Daisy Buazar (SP).

O Cerimonial esteve sob a direção do Jornalista Vicente Alencar e a parte artística sob o comando do músico Robston Medeiros.


As palavras de agradecimento foram proferidas pela ajebiana Ana Paula de Medeiros Ribeiro, Professora, Mestre e Doutora da Universidade Federal do Ceará.

               
Alguém já afirmou que não há exagero mais belo do que o exagero da gratidão. Arrimados nesta assertiva, não temos, então, o menor receio em exagerar na nossa gratidão, nesta noite soberbamente plena do aconchego humano.
               A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB – chega hoje aos seus quarenta e cinco anos de fundação. Não nos alongaremos sobre a sua história, uma vez que já foi explanada pelo nosso cerimonialista. Mas, como a noite é dedicada ao saber agradecer bem, não poderíamos deixar de louvar a atitude da jornalista e escritora Hellê Vellozo Fernandes que, lá nas terras paranaenses, há justos 45 anos, implantou a nossa querida entidade, que, aqui, no Ceará, encontrando o apoio e a determinação de Nenzinha Galeno, passou à história como a primeira coordenadoria estadual a ser fundada no Brasil, após a do Paraná. A elas, pois, a nossa gratidão.
               Policromias, em seu oitavo volume, chega-nos então como uma multiplicidade de cores humanas, ao todo, trinta e dois participantes, com seus mais múltiplos matizes, concentrados nessa aquarela sob as tonalidades de variados estudos sobre escritores daqui e de outras terras.
               E é, misturados a essa multiplicidade de cores, que continuamos a demonstrar a nossa gratidão. E o fazemos, penhorados, à Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará (ADUFC), Casa que nos acolhe, hoje, com simpatia. Em segundo lugar, a nossa gratidão à professora, mestre e escritora Ana Vládia Mourão que, em meio aos seus múltiplos afazeres, generosamente, acolheu nosso pedido e, com sua inteligência de mestre e sensibilidade de poeta, aceitou apresentar esta nossa Antologia, o que o fez, como bem o sabe: com propriedade, beleza, conhecimento e experiência no fazer literário. Gratos somos, do mesmo modo, à família de nossa inesquecível Sócia Honorária, Ebe Braga Frota, por nos ter proporcionado, com a agradável tessitura de sua generosidade, a realização do VI Concurso Literário Professora Edith Braga, cujos vencedores, aqui, louvamos e aplaudimos.
               E mais, nossos agradecimentos a esse gênio das artes gráficas, Carlos Alberto Dantas, pela beleza de sua policromizada tela, que constitui a capa da nossa Antologia. Agradecimentos ao Dorian Filho e a toda a equipe da RDS Editora, pelo esmero do projeto gráfico e pelo carinho com que sempre fomos tratados. Nosso agradecimento vai também para os participantes deste Policromias, hoje em seu oitavo volume, com suas belas peças literárias.  E agradecemos a presença dos insignes presidentes de entidades literoculturais, bem como aos queridos familiares e convidados, que aqui vieram adicionar mais colorido à nossa festa policrômica. Agradecimentos a todo o quadro social da AJEB: as efetivas, os colaboradores, os beneméritos e os honorários, e, de modo especial à nossa presidente, Nirvanda Medeiros, pela substancial colaboração dada a este evento. Agradecemos, outrossim, ao jornalista Vicente Alencar, pela segura condução do cerimonial. E o nosso muito obrigada a esse artista ímpar, Robston Medeiros, que nos encanta com sua preciosa arte.
               E, ao final, a homenagem maior à nossa amada AJEB, pelo transcurso do seu quadragésimo quinto aniversário de fundação.

                                                                Muito Obrigada.

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Jose Telles e sua Poesia Vigorosa - por Giselda Medeiros


                   Não é à toa que se diz estar a arte sempre a apontar para possibilidades cada vez mais renovadas de vida, ao propiciar a criação de pontos de vista sobre o mundo e sobre o homem que, num impulso lúdico de sua criatividade torna-se senhor de sua imaginação assumindo sua intrínseca dimensão humana.
              Este posicionamento nos acerca a propósito da leitura do mais recente livro de poemas assinado pelo escritor-médico José Telles. Inegavelmente, O Lacre do Silêncio (Fortaleza: Edições Sobrames, 2004), em belo projeto gráfico de Geraldo Jesuíno, chega até nós extasiando-nos os sentidos.
              A partir do título, já se descortina a vocação plural de que é possuidor José Telles para a construção do seu universo poético, no qual o homem com suas dúvidas, angústias, medos, perdas e outras dores ontológicas parece sucumbir ante o inevitável. No entanto, carregando o sonho como sua tocha olímpica, ele segue, qual Quixote, a duelar com seus fantasmas para a vitória do amor e do sonho, que são o canto inaugural do universo poético de José Telles. Comprovemo-lo: Tentarei meu último sonho / sem o vexame das horas / (...) / Serei pérola na porcelana do teu corpo / e madrugada na lâmina da tua aurora. (“Tempo e Espera”)
              O tempo, esse construtor/demolidor de tudo, também é motivo das divagações metafísicas do Autor. Destaque-se, porém, que José Telles não se apavora ante a voracidade  de sua famélica boca, antes vive o momento em toda a sua potencialidade de relação com o mundo e com a natureza. Todo ele é dinâmica de procura, templo de encontro, liberdade transcendente. Vejamos: lágrimas impressionam meu disfarce / na varanda do tempo uma chuva faz memória. (“Disfarce”); De semita tenho o norte e as areias do mundo / mas procuro terras pra viver. (“Viajor da Lama dos Infernos”); No bonde dos sonhos / pedaços de dor ainda viajam comigo / e lágrimas acumuladas / são lâminas que se afiam cortando tempo e vingança. (“Vingança”); O tempo me marca com o rigor do mistério, / a vida se espalha e congela meu delírio. (“Delírio”); O tempo em minha pele / é um tempo flácido e vencido. (“Ária de Amor ao Tempo”); Existo? Ou assisto minha ausência sendo eu? (“O Ser e o Nada”).
              Amante e amador, por natureza, e tendo aprendido de Cecília Meireles que O destino de quem ama / é vário, / como o trajeto do fumo /, José Telles vivencia o amor em toda a sua plenitude, antes que o silêncio ponha o lacre definitivo em sua vida. E ele sabe que o grande dia é o hoje, o agora. Em razão disso, o amor o leva a preferir a lua a qualquer outro estrelato, e se faz gâmico e poligâmico, mas cultua a escolhida, porque entende estar em trânsito por trás do seu espelho. E arremata em “Cicatrizes”: duro é esse gosto de nada / e o ritmo morto das coisas.
              A amada é o cálice em que o poeta extravasa o vinho de seu erotismo para o brinde a dois. E, assim, derramado numa “Saudade Líquida”, o poeta desperta-nos a sensibilidade, ao cantar: Em parceria sou uno / a dois sou espelho / devasso lábios e mucosas / em beijos de lama e sexo / tua boca bóia em minha boca / e de tocaia / beijo tua alma / teu corpo desafio / espelho / espalho-me / saudade líquida. Atente-se para a carga plurissignificativa do belíssimo “achado” poético saudade líquida.
              Desse modo, sai o poeta (des)afiando dores: a dor medeia a flor e cresce salgando a terra; silêncios: Sou o silêncio / que incomoda vizinhos; angústias: Quero sair por aí... / exibindo minha angústia / na tatuagem que pula o muro do vizinho; medos: O medo / espiava da janela querendo paisagem; solidão: Nas celas / o sol penetra em retângulos / e encontra o ângulo da dor; saudade: Mas sem aquele flanco de saudade, que dor me restaria?; fome: No meu relógio de pedra / a fome é um silêncio que cai na boca dos mortos; rugas: Minhas rugas / são fantasias da minha alma, /.../ elas não são cicatrizes, / são árias de amor e paisagem / no armorial do corpo; e a morte, tratada sob o viés do seu característico bom-humor: Às vezes / a morte me chama / eu faço que não escuto / mas quando / chamo por ela / vai atrás doutro defunto..

              Enfim, resta-nos aplaudir a poesia vigorosa de José Telles, com a alma agradecida, leve e feliz, por nos ter propiciado esse momento infinito de estesia, esse penetrar em seu universo onírico, no qual a palavra, trabalhada sob metáforas bem construídas, oferece-nos imagens e paisagens ligadas por relações, via de regra, distintas da lógica e da casualidade, o que sói acontecer com os verdadeiros artesãos da arte.  

Giselda Medeiros

(in: "Crítica Reunida")            

terça-feira, 28 de abril de 2015

UM POEMA DE VICENTE ALENCAR



TUA AUSÊNCIA
Vicente Alencar

Silêncio,
palavra que tudo traduz
quando o coração está triste.
Há muito,
há um intenso silêncio em mim.
Só há uma explicação
para isso:
A tua ausência.
Sentida há tanto tempo

martirizando-me sempre.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

AJEB É HOMENAGEADA PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ


Giselda Medeiros recebe placa comemorativa dos 45 anos de fundação da AJEB, durante a homenagem da Assembleia Legislativa do Estado Ceará à Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, ocorrida em 23 de abril de 2015, pela sua gestão como Ex-Presidente da AJEB Coordenadoria do Ceará e Como Ex-Presidente Nacional da AJEB.



O Deputado Sérgio Aguiar, autor do requerimento da homenagem, recebe troféu de "Amigo da AJEB".

quarta-feira, 1 de abril de 2015

APRECIAÇÃO LITEROCIENTÍFICA - pelo Professor Vianney Mesquita



VIOLÊNCIA NAS RELAÇÕES DE GÊNERO E CIDADANIA*
                  Vianney Mesquita*

Mostrai-me um homem violento que tenha  chegado a bom fim e eu o considerarei meu Mestre. (LAO-TSÉ. *Tchu, Prov. Henan – China, + ou – 600 a.a.C).

A unidade de ideias violência, gênero e cidadania, em particular na atualidade, envolve conceitos a absorver cuidados do lado de estudiosos, porquanto estes se preocupam frequentemente em explicar seus entendimentos, ao lume dos diversificados esgalhos do saber ordenado, na demanda de elucidar suas manifestações, em especial, no trato, nem todas as vezes pacífico, da vinculação social.
Investigadores de variados estratos, mormente os partícipes da reflexão sociocomportamental – Sociologia, Antropologia Social, Psicologia e saberes conexos – compuseram já, em toda a generalidade da diligência reflexiva, farta literatura concernente às mencionadas áreas do conhecimento controlado, com focagens distintas, ao ponto de não ser possível estabelecer domínio absoluto acerca de volume e extensão racional de tão avultados entendimentos.
Sucede desta maneira, é evidente, pelo fato de não se cuidar de mera temática, todavia de assuntos para cujo deslinde são requeridos do investigador máxima acuidade sindicante e depurado preparo intelectivo na senda de abrangência na qual se inscrevem os léxicons objeto destas notas, principalmente no que margeia às noções de violência, atada às ideações de gênero e caráter cidadão feminino.
Eis que a professora doutora Maria do Socorro Ferreira Osterne não sorveu a taça dessas travosas dificuldades, normalmente arrostadas pelos pesquisadores catecúmenos.
Já faz algum tempo – na contingência de revedor de suas composições valiosas para o recheio da ciência e fiel admirante dos escritos que publica – acolita-se em procissão leitora o apreciável trajeto universitário e docente da autora de Violência nas Relações de Gênero e Cidadania Femininos, razão por que é lícito certificar-se, prazerosamente, sua feição de investigadora das melhores cepas, titulada com refinamento e acurácia em distintos ambientes acadêmicos stricto sensu do Brasil.
As produções editadas carreiam sinetes pessoais, contributo de estimação à causa do saber, sem servilismos a escolas da moda, tampouco subserviência a autores de gosto e nomeada atual, pois granjeou, de motu próprio, e com demarcada responsabilidade professoral, a circunstância de investigadora com clarão interior, não adventício, sem gravitar à órbita de qualquer mentor, modus procedendi com o qual ela não simpatiza.
Ao revés, a despeito de se louvar em opiniões de valor incontestável – por cujo íntimo se movimenta sem importunação, pois se aprontou para tal – arroga-se o direito e o dever do bom pesquisador de operar saber de colheita particular, o qual incorpora descobertas, consagrando aos seus ensaios o status da excelência.
O volume que se tem o lance de anotar constitui, induvidosamente, fato auspicioso, pois aí exprime magistralmente seus contornos de escritora laureada, onde também manifesta, com nitidez meridiana, todo o alcance da sua formação acadêmica, fazendo-se, com efeito, legítima componente do alcunhado Alto Clero, com assento cativo na exigente Cúria da Academia, o que, de fato, representa mais uma glória para a inteligência de sua Pátria.


*Obs. Texto modificado das guarnições de Violência da Relação Gênero e Cidadania Femininos. Fortaleza: Edições UECE, 2008. 297p.

domingo, 29 de março de 2015

UM POEMA DE "TEMPO DAS ESPERAS"



CANÇÃO DA ESPERA
Giselda Medeiros


                            Passas.
                            Teu vulto é um oásis
                            onde quero aprender
                            o ofício das areias
                            nas longas noites
                            em que as estrelas
                            fiam fios finos
                            de fluida luz.

                            Teus passos na tarde
                            ecoam ainda
                            em minhas manhãs,
                            alvacentas e lânguidas,
                            como o marulho das vagas
                            que ficaram para trás.

                            Mas passas,
                            indiferente e lento,
                            sobre meus anseios
                            com mãos enfeitadas de adeuses
                            a romper em flores
                            de esquecimento.

                            E passas tão perto de mim
                            e tão distante!
                            Não conheces o mapa
                            de meus arquipélagos
                            nem sabes da beleza
                            de meus profundos mares
                            onde há conchas e corais
                            Talvez um dia
                            - um dia desses -
                            quando pisares as névoas
                            do meu tempo
                            e sentires pesar o teu tempo,
                            talvez, tu resolvas ficar

                            no tempo dos meus domínios...

                          (in: Tempo das Esperas)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Para quem tem mais de 60 anos ou vai chegar lá daqui a pouco - Ivone Boechat *



Muito interessante a explanação dessa pedagoga, mestre em educação, também, escritora e conferencista  no que tange à forma de se viver a vida após os 60 anos, tanto para o homem como para a mulher.





1 - Tome posse da maturidade. A longevidade é uma bênção! Comemore! Ser maduro é um privilégio; é a última etapa da sua vida e se você acha que não soube viver as outras, não perca tempo, viva muito bem esta. Não fique falando toda hora: "estou velho". Velho é coisa enguiçada. "Idade não é pretexto para ninguém ficar velho".

2 - Perdoe a você antes de perdoar os outros. Se você falhou, pediu perdão? todos já o perdoaram e não se lembram mais. Não fique remoendo o passado... Não se importe com o julgamento dos outros.

3 - Viva com inteligência todo o seu tempo. Viva a sua vida, não a do seu marido, da sua esposa, dos filhos, dos netos, dos parentes, dos vizinhos, dos amigos... Nem viva só pra eles, viva pra você também. Isto se chama amor próprio, aquilo que você sacrificou sempre! Nunca viva em função dos outros. Faça o seu projeto de vida!

4 Coma e beba com moderação; durma o suficiente. Tenha disciplina. Fale com muita sabedoria. Discipline sua voz: nem metálica; nem baixinha; seja agradável!

5 - Poupe seus familiares e amigos das memórias do passado. Valorize só o que foi bom. Experiências caóticas, traumas, fobias, neuroses, devem ser tratadas com o psicoterapeuta.

6 - Não aborreça ninguém com o relatório das suas viagens. Elas são interessantes só pra quem viaja. Ninguém aguenta ouvir os relatórios e ver fotografias horas e horas. Comente apenas o destino e a duração da viagem, se alguém perguntar.

7 - Escolha bons médicos. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que um idoso metido a receitar remédio pra tudo o que o outro sente.
Faça uma faxina na sua farmácia doméstica.

8 - Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. Elas têm prazo curto de duração. A chance de você ficar mais feio é altíssima e a de ficar mais jovem é fugaz. Faça exercícios faciais. Socorra os músculos da sua face. Tome no mínimo 8 copos de água por dia e 15min de banho de sol é indispensável.

9 - Use seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar tanto com você. Tudo o que se economizar com você será para quem? No dia em que você morrer, vai ser uma feira de Caruaru na sua casa. Vão carregar tudo. Não darão valor a nada daquilo que você valorizou tanto: enfeites, penduricalhos, livros antigos, roupas usadas, bijuterias cafonas, ouro velho... prataria preta, troféus encardidos, placas de homenagens. Por que não doar as roupas, abrir um brechó ou dar todas as suas bugigangas?

10 - A maturidade não lhe dá o direito de ser mal educado. Nada de encher o prato na casa dos outros ou no self-service ou numa festa de casamento, falar de boca cheia é insuportável.

11 - Só masque chiclete sem testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinha.

12 - Aposentadoria não significa ociosidade. Você deve arranjar alguma ocupação interessante e que lhe dê prazer, serve qualquer coisa ganhando ou gastando (se tiver), dinheiro.

13 - Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Pessoas amargas e tristes são chatíssimas, as alegres demais, também. Elogie os amigos, não fique exigindo explicações de tudo. Amigo é amigo.

14 - Leia. Ainda há tempo para gostar de aprender. A maturidade pode lhe trazer sabedoria. Coloque-se no grupo sempre pronto para aprender. Não se apresente em lugar nenhum dizendo: sou muito experiente!

15 - Não acredite nas pessoas que dizem que não tem nada demais o idoso usar roupas de jovens, cuidado. Vista-se bem, mas com discrição.

16 - Seja avó do seus netos, não a mãe nem a babá. Por isso nem pense em educá-los ou comprometer todo o seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, levar a festinhas, natação, inglês, vôlei... Só nas emergências. Cuidado com aquela disponibilidade que torna os outros irresponsáveis.

17 - Se alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre a beleza rara e a inteligência excepcional deles. Cuidado com a idolatria de neto e o abandono dos filhos casados...

18 - Não seja uma sogra ou sogro chato. Nunca peça relatório de nada. Seu filho tem a família dele. Você agora é parente!Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidado. Se o filho ligar pra você, não diga: ah! lembrou finalmente da sua mãe? É melhor dizer: Deus o abençoe, meu filho.

19 -Cuidado em atender ao telefone: se a pessoa perguntar como você vai e você responder "estou levando a vida como a natureza quer"; "a vida é dura"; "estou vencendo a dureza"; você vai ver que as ligações dos amigos e dos parentes vão rarear, cada vez mais.

20 - A maturidade é o auge da vida, porque você tem idade, juízo, experiência, tempo e capacidade para se relacionar melhor com as pessoas. Então delete do seu computador mental o vírus da inveja, do orgulho, da vaidade, cobranças, coisas pequenas e frustrantes para tomar posse de tudo o que você sempre sonhou: a felicidade.


Ivone Boechat é mestre em educação, pedagoga, conferencista e escritora. Autora do livro "Estratégias para encantar educadores na Arte de Aprender".

domingo, 8 de março de 2015

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES




MULHER
                                                         Olavo Bilac
      
                   Na mulher, todas as perfeições da vida universal se contêm.
                  Quando menina, ainda pequenina, já a mulher tem a graça divina, dilúculo de beleza, que deixa adivinhar na claridade indecisa da madrugada o esplendor do dia que não tarda. Depois, na idade da révora, há no seu corpo a harmonia de um hino  triunfal, cântico de seiva em relâmpagos de vida. Depois, é o estio, estação fulgente, em que o feitiço ofusca e cega, sol alto, calor fecundo, apoteose da luz e da força. Depois, é o outono, sazão bendita, em que a mulher de quarenta anos tem a formosura  suave e melancólica dessas tardes longas, em que a luz ansiosa, querendo fugir e querendo ficar, demora-se no céu e na terra, e agarra-se às árvores, às nuvens, com pena de morrer... Depois é o inverno... É a sacrossanta beleza da mulher bela na velhice, uma beleza que parece imaterializar-se, espiritualizar-se sob a névoa dos cabelos brancos...
                   Divino feitiço, abençoado sejas em todas as idades, porque em todas as idades és o maior encanto e o maior consolo dos nossos olhos e das nossas almas.
                                                       
   TROVA

                                           Ser mulher é, com certeza,
                                            trazer consigo os poderes
                                            de, na aparente fraqueza,
                                           ser o mais forte dos seres  

                                                 Giselda Medeiros

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Homenagem a Ariano Suassuna

Entrevistas de arquivo e programas especiais são resgatados no portal da Rádio Cultura Brasil e celebram o escritor

Cirley Ribeiro e Felipe Tringoni
Paraibano de língua afiada e alma solidária, tesouro nacional, ícone da cultura brasileira. Entre as tantas definições, talvez a que mais tenha agradado Ariano Suassuna em vida foi ter sido chamado de "guerrilheiro cultural". O slogan, atribuído pelo jornalista José Rezende Júnior, referia-se ao trabalho do escritor ao assumir a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco, em 1994. À frente da pasta, Suassuna levava a cultura brasileira para o centro do palco, nas famosas aulas-espetáculo, em que improvisava e explorava os recursos da commedia dell'arte. Gostava de provocar a reflexão entre os jovens universitários, a plateia preferida durante todo o período em que lecionou, dos 17 aos 65 anos.

Escritor, dramaturgo, professor e político, Ariano Suassuna se encontrava na arte: na literatura, no teatro nas artes plásticas e na música. Em 1970, fundou o Movimento Armorial, que pretendia construir uma arte erudita autenticamente brasileira, colocando em primeiro plano o universo lúdico e cultural do sertão nordestino. Na definição do próprio Suassuna, a "Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico da literatura de cordel, a música de viola, rabeca ou pífano e as ilustrações da xilogravura". Com o Quinteto Armorial, liderado pelo compositor Antônio José Madureira, fez shows, gravou discos e levou a proposta para o exterior. Em 1996, ele retomou o projeto, rebatizado de Romançal, incorporou instrumentos tradicionais, como violão, violino, flauta e violoncelo.

Sempre valorizando a cultura nordestina, Ariano transformou o "matuto" do interior em estrela de cinema, com o sucesso da adaptação do Auto da Compadecida, com direção de Guel Arraes. Para o autor, toda grande arte é local. Nasce em determinada região e se universaliza pela boa qualidade e pela divulgação. Costumava citar frase de Tolstói para ilustrar o pensamento: "pinte bem a sua aldeia, que você será universal, mas pinte bem", em referência à qualidade necessária a todo trabalho artístico.

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1989, assumiu a cadeira de número 32 sucedendo Genolino Amado. Ele também se tornou membro da Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000. No mesmo ano, ainda se tornou doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Foi tema de enredo no carnaval carioca, na escola de samba Império Serrano, no Rio de Janeiro, e na Mancha Verde, no carnaval paulista.

Em 2006 ganhou o título de doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, mas que veio a ser entregue apenas em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos. Recentemente, Ariano passou por algumas capitais do País com suas aulas espetáculo e o projeto multimídia Ariano Suassuna - Arte Como Missão, realizado em homenagem ao escritor.

Dos arquivos da Cultura Brasil, você pode ouvir três ricas entrevistas de Suassuna concedidas ao programa Estúdio 1200.

Na primeira delas, ele recebe a reportagem da Rádio Cultura em sua casa no Recife. Retraído, Ariano não gostava de dar entrevistas. Como diz Inimá Simões, era "um aristocrata sertanejo". Um tanto desconfortável no início da conversa, o escritor foi se soltando e revelando seu claro raciocínio sobre questões culturais, o ofício da escrita e a mídia.

Dois anos mais tarde, na cidade de São Paulo, o então Secretário de Cultura de Pernambuco lançava seu projeto Pernambuco - Brasil com uma aula-espetáculo. "Sujeito afirmativo", como ele mesmo dizia, Suassuna expõe suas opiniões sobre políticas de cultura e manifestações artísticas brasileiras e estrangeiras sem meias palavras.

Por fim, em 1996, vinte anos depois de lançar o Movimento Armorial, Ariano Suassuna encampou o Romançal, experiência de orquestra erudita a partir do universo popular do nordeste brasileiro. Em depoimento à repórter Cirley Ribeiro também na capital paulista, o escritor detalha a proposta, fala da universalização da arte e explica porque gostava de ser identificado como "guerrilheiro cultural".Confira aqui.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROSAS DA MANHÃ - GISELDA MEDEIROS




    Quando vieres
     vem de leve
     assim como a primeira estrela
     que paciente desponta
      jogando sua luz
      por entre as brumas
      consciente da importância
      de sua chegada.

      Vem com dedos de carícias
      silenciosas
      com mãos de artista
      leves
       para que não me doa
      o poema que fizeres.
                            Ou melhor
                            vem como quiseres.
                            Estarei aqui
                            em mim
                            dentre outras mulheres,
                            mas a única que te sabe
                            florir em versos.
                           
                            Mas vem como a primavera,
                            sem pressa para voltar,
                            consciente da beleza das cores
                            que em mim deixarás
                            em aveludados olores.

                            Vem como a tarde
                            que espera a noite para adormecer.
                            Quero ver-nos florir
                            em rosas de alvorada
                            quando despertarmos manhã.

                         (do livro "Tempo das Esperas)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

QUARTA-FEIRA DE CINZAS - REFLEXÃO POR VIANNEY MESQUITA

REFLEXÃO NO
INÍCIO DO
TEMPO QUARESMAL

MEMENTO, HOMO...

Vianney Mesquita*

Estou perto do dia da minha derradeira viagem, um grande salto da terra (THOMAS HOBBES.YWestport, 05.04.1588 –Derbyshire, 04.12.1679).

Quarta-feira de cinzas é dia de igreja católica lotada, muitas vezes até por pessoas que a frequentam somente nesta data, quer em virtude de superstição, arrependimento pelos seus excessos e transportes durante o carnaval, ou mesmo as duas razões combinadas. Infelizmente, entretanto, tem ressalto o primeiro pretexto manifesto na crendice, retratado na supersticiosidade e no senso de fanatismo religioso.

Propício, todavia, radica o fato de todos evocarem a leitura na Bíblia em Língua Portuguesa, onde está expressa em Gênesis, 3:19, a divisaLembra-te, homem, que és pó e em poeira te tornarás, quando o Criador, perpetrada a falta original,expulsou Adão do Paraíso, prescrevendo-lhe intensos trabalhos, rematados com a morte, ocasião em que o corpo  a carne – de nada mais aproveitará.

De modo diverso do ocorrente na Banda oriental, a cultura do Ocidente nos infundiu a ideia de que o fim pela morte é algo terrível, embaraçoso, porquanto está disposta nos limites do impossível a admissão da nossa finitude, do exício definitivo da vida, de modo a persistirmos no raciocínio irreal e ilusório de que não se efetivará o trespasse da alma para a Outra Dimensão, pois a existência terrena seria sem termo.

Eis, todavia, que balança esta “convicção”, absolutamente equivocada, ao menos uma vez por ano e no primeiro dia da Quaresma, coincidente com a Quarta-Feira de Cinzas. É quando, pois, o padre da Igreja de Roma – cruzando na testa de cada um as cinzas remanescentes das palhas do Domingo de Ramos imediatamente anterior  representa Deus a nos alertar para o fato de que a Humanidade é pó e à poeira retornará em definitivo como matéria.

Então, ao modo como a Igreja procedia antes do Concílio Vaticano II, é substituída a frase latina Memento, homo, quia pulvis, es et in pulverem reverteris, igual a “Lembra-te, homem, que és pó em pó te tornarás”, podendo o sacerdote dizer, alternativamente: “Arrependei-vos e crede no Evangelho”.

Esta verdade é terminante e vale para a Humanidade inteira, seja na velhice, na senescência, esteja o cidadão na circunstância de “preferencial” – como é da moda  vigor, na saúde e bem-estar socioeconômico, na doença e indigência, em particular, na juventude ou nova adultidade, em qualquer estado, se impõe que todos se deem conta de que o reino do céu está perto, sendo crucial que preparemos o caminho do Senhor, endireitando nossas veredas, à maneira como expresso por João Batista, a voz que clamou no deserto.

Então, no dia inaugural da Quaresma, examinemos a consciência e tomemos tento em remover os habituais excessos, apagar as rixas com os circunstantes, viver mais a Palavra, ao procurar a indicação divina, a fim de que delineie a correção dos rumos de cada um, sem simuladas carolices nem devoções aparentes, vedadas as manifestações atitudinais, limitadas ao âmbito do edifício da igreja, porém com eficácia em todo lugar e a qualquer tempo.

De tal maneira, experimentamos a oportunidade de atualizar nossa Contabilidade para demonstrá-la em balanço perfeito aos  “órgãos de controle” do Alto, com vistas a deixar nossos registros sempre limpos e nossa ficha sem rasuras nem lacunas que possam se fazer óbices impedientes da nossa intenção salvífica.
Então, completando a reticência do título, está em Gênesis, 3:19, a importantíssima divisa latinaMemento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, convidando-nos a evocar a noção de que, na qualidade de corpo, somos cinzas, aquelas cruzadas hoje nas cabeças de cada qual. 


*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista 


(in:  academiacearensede jornalismo.blogspot.com.br