segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SARAU DE POESIA: ARTUR EDUARDO BENEVIDES - O POETA DOS VERDES MARES (FACED - UFC)


A Faculdade de Educação (Universidade Federal do Ceará), sob a supervisão das professoras Mestras Doutoras, Ana Paula Medeiros e Adriana Limaverde, promoveram uma tarde cultural, no encerramento dos "Multiencontros da FACED", com um Sarau de Poesia, intitulado "Artur Eduardo Benevides - o Poeta dos Verdes Mares". Com isso quis o Departamento "Teoria e Ensino da Língua Portuguesa" homenagear o imortal Príncipe dos Poetas do Ceará.
Muitos de seus poemas foram lidos pelos alunos.





Houve, também, um Jogral que apresentou os versos do seu poema "Dos Caminhos e Descaminhos da Solidão".



O jornalista Vicente Alencar, o cerimonialista,  falou sobre o homenageado.


 A escritora Giselda Medeiros apresentou a crônica-poema "Diante do Príncipe Adormecido". 


Depois houve a exposição de trabalhos dos alunos, apresentando textos diversificados, que mostram o grau de aprendizagem dos discentes e seu amor pela literatura.
Foi realmente uma maneira de mostrar que a literatura continua e continuará viva, se os docentes imprimirem em seus alunos esse gosto pelas letras e por nossos escritores.
Parabéns, professoras! Parabéns, alunos! Parabéns, UFC!





                               
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Já à noite, a professora da mesma disciplina "Ensino da Língua Portuguesa", Ana Paula Medeiros, promoveu com seus alunos o SARAU DA AMIZADE". Houve homenagens


Música ao vivo, com o cantor Márcio Pinho


Os alunos apresentaram seus trabalhos e homenagens à professora





Depois seguiu-se uma sessão de autógrafos, com a escritora Giselda Medeiros que, cortesmente, assinou obras suas para os alunos.









E a delícia dos docinhos gostosos

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Depois só alegria!!!!










Parabéns à professora, aos seus bolsistas Hermógenes e Olívia e aos alunos!


26/11/2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REABERTA A BIBLIOTECA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS


BIBLIOTECA DA ACL SERÁ REABERTA HOJE
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Por Eduarda Talicy

A Biblioteca Justiniano de Serpa reabre hoje. Cerimônia de entrega do espaço, que passou por reforma, terá homenagens e mesas redondas
Após três meses de reforma, a Academia Cearense de Letras (ACL), com sede no Palácio da Luz, no Centro, abre novamente as portas da Biblioteca Justiniano de Serpa. Localizado no pavimento principal do edifício, o equipamento dispõe de 25 mil livros. A partir das 16 horas de hoje, uma cerimônia comemora a reabertura da biblioteca com a entrega de medalhas, lançamento da revista anual da associação e mesa-redonda para discutir o centenário dos escritores Moreira Campos e Antônio Girão Barroso. Participam dos debates a autora Ângela Gutierrez, diretora cultural do espaço; o acadêmico da ACL Linhares Filho; a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Neuma Cavalcante; o teatrólogo Oswald Barroso; e Carolina Campos, neta de Moreira Campos.
Com o fim das obras, a biblioteca, uma das principais do Estado, ganha climatização, sala para leitura, nova acomodação para acervo e um mezanino para acondicionar as publicações raras. Os trabalhos, orçados em R$ 240 mil, também incluíram revitalização da estrutura, com restauro do piso e conserto de infiltrações e rachaduras nas paredes.
 “É uma promessa que nós estamos cumprindo, resgatando esse local de consultas, de informações, de aprimoramento da nossa sociedade através da leitura”, afirma José Augusto Bezerra, presidente da ACL. Fundada em 1894, a instituição comemorou 120 anos de atividades. A entidade literária é a mais antiga do gênero no Brasil, antecedendo até mesmo a Academia Brasileira de Letras (ABL), criada somente três anos depois.
De acordo com Olímpio Rocha, engenheiro e coordenador do projeto de reforma, os trabalhos buscaram respeitar as características originais da edificação.

Encontros

Erguido com o auxílio de mão de obra indígena no século XIX, o Palácio da Luz comemora 200 anos de construção neste ano. É lá onde se reúnem 40 literatos cearenses em encontros que ocorrem sempre às 16 horas dos dias 10 de cada mês. Atualmente, o local abriga também reuniões de outras 14 entidades e agremiações. Entre elas, a Academia Cearense da Língua Portuguesa e a Sociedade Amigas do Livro.
Olímpio explica que todas as intervenções tiveram, por causa do tombamento do prédio, acompanhamento de técnicos da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). “A reforma é importante e dá mais qualidade para quem trabalha e estuda no local”, projeta.
O engenheiro ressalta ainda que, após a requalificação física da Justiniano de Serpa, é importante começar o processo de catalogação, digitalização e informatização do acervo.
Diretora-executiva da ACL há mais de 20 anos, Regina Fiúza também acredita que a reforma é um sonho que se realiza. “Nós sempre havíamos tentado, mas só agora a coisa se concretizou. Desta vez, entregaremos um equipamento de pesquisa e de leitura importantíssimo para a comunidade que é tão carente desse tipo de espaço”, festeja.
O projeto de restauração e requalificação da biblioteca da Academia Cearense de Letras contou com apoio cultural do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi; da Fundação Beto Studart; e da Secult.

SERVIÇO

Academia Cearense de Letras
Onde: Rua do Rosário, 1, Centro (próximo à Praça dos Leões).
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas.
Telefone: 3253 4275.

SAIBA MAIS

O Palácio da Luz, que sedia a Academia Cearense de Letras, também receberá obras de restauração.
No último dia 4, o presidente da instituição, José Augusto Bezerra, firmou convênio com o Banco do Nordeste (BNB) que garante financiamento no valor de R$ 500 mil.
A empresa responsável pelo restauro será escolhida por meio de licitação. Os trabalhos podem seguir até junho de 2015, quando se encerra o cronograma do financiamento.
Em matéria publicada pelo O POVO, no dia 5 deste mês, José Augusto Bezerra afirmou que, com a reforma, a ACL deverá promover atividades culturais permanentes no espaço.


Fonte: O Povo, de 12/11/2014. Caderno Vida & Arte, p.4.

SAUDADES MANOEL DE BARROS! VAI COM DEUS.

ENTREVISTA COM O POETA MANOEL DE BARROS
REVISTA DA CULTURA

Manoel de Barros não gosta de fotos: nem de posar para um retrato nem de cliques espontâneos, feitos quase sorrateiramente, embora a antipatia nesse último caso seja menor. Também não gosta de compromissos formais ou qualquer tipo de obrigação. Exatamente por isso, embora muito premiado desde a década de 1960, tenha ficado à margem das panelinhas – as quais ele faz ainda questão de não bajular – e, consequentemente, de grande parte dos leitores durante longo tempo. Dia 19 deste mês, o poeta mato-grossense completa 96 anos.

Alguns críticos o apontam como o maior poeta vivo da língua portuguesa, dezenas de importantes escritores o veneram, mas ele não liga para tais opiniões ou rótulos. Prefere continuar sua tranquila rotina em sua casa em um bairro central de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, estado que adotou há décadas. Acorda muito cedo, toma um banho, um copo com guaraná em pó, depois se senta à mesa para o café da manhã, e, quase religiosamente, se fecha no escritório das 8h às 11h30 para escrever. Produz pouco, muito devagar e com a mesma letra miúda a lápis com a qual respondeu às perguntas desta entrevista, repassadas ao poeta pela sua secretária, Elaine Sandra Paixão. “Confesso que só escrevo de lápis. Não sei de máquina. E ignoro computador. Cheguei antes”, deixa claro. Às 11h30, bebe uma dose de whisky com água de coco sentado na varanda, onde fica até o horário do almoço. “Ele come pouco. Gosta de ovo, arroz, carne, feijão e sempre com uma fruta. Mas não tem apetite e nunca quer se alimentar”, diz sua filha, a artista plástica Martha Barros, que revela mais um gosto do pai. “Ele adora sorvete de creme com Coca-Cola de sobremesa. É do tempo dele a tal da ‘vaca preta’.” 





Do cotidiano de Manoel Wenceslau Leite de Barros, seu nome completo, ainda faz parte ler jornal, correspondência, assistir novela e, diariamente, receber a visita do irmão Abílio, de 85 anos. O poeta não quer sair de casa para nada e também não abre as portas da residência para mais ninguém, pois se emociona demais. “Ele é delicado por natureza. E se emociona muito fácil quando admiradores querem conhecê-lo. Ele abria as portas para qualquer fã apaixonado. Mas já não consegue, porque fica impressionado, se emociona com o tamanho que ficou a obra dele, e daí não consegue dormir”, conta a filha. 
Manoel só está disponível para a família. São três filhos (Pedro, que vive com ele, Martha e João, esse já falecido), sete netos e cinco bisnetos. E tem, claro, como companheira e amparo, a esposa Stella Leite de Barros, 91, com quem está casado há 64 anos. “Eles sempre foram muito afinados. Ela é o oposto dele: prática, pé no chão. Ele brinca que ela é uma moça normal. E ele é desligado, mas porque fica tão concentrado nas coisas dele que desencana do resto. Eles não existem um sem o outro”, diz Martha.

A morte é um assunto que passa longe das conversas do poeta, autor de mais de 30 livros, como O guardador de águas, Escrito em verbal de ave, Memórias inventadas, Para encontrar o azul eu uso pássaros, Menino do mato e Poemas rupestres. “Ele não fala de doenças, morte e nunca o vi reclamar de dor de cabeça. Esses assuntos não existem”, conta Martha, que completa: “Quando morre alguém, ele não questiona, não analisa. Diz que a morte é como o nascimento, é natural, não tem mistério”. Talvez uma percepção aprendida durante a infância totalmente livre, vivida na fazenda no Pantanal antes de ir para um colégio interno em Campo Grande e depois para o Rio de Janeiro. Advogado formado, foi durante muito tempo fazendeiro, mas nunca deixou em segundo plano o ofício de poeta. “E ele não lê nada do que escreveu, mas é vaidoso”, destaca a filha.

O que interessa ao escritor é a sensibilidade e a beleza do mundo que o cerca. Nunca foi o pai prático de levar os filhos ao dentista ou ao colégio. Preferiu ser apenas o amigo, o homem carinhoso, feito que repetiu com os netos. “Ele é um avozão, brincava comigo. E tanto ele quanto a minha avó me davam livros de presente no aniversário. Lembro que, com 14 ou 15 anos, ganhei dele vários do Hermann Hesse”, destaca Lucas Barros, diretor de fotografia, sócio da produtora Novelo Filmes, que, a nosso convite – e com a autorização dos avós –, saiu de sua casa em Florianópolis para visitar o avô e fazer os retratos atuais que ilustram esta matéria.

Como conta Martha, repetindo uma brincadeira que sua mãe faz, a delicadeza do pai é fruto de ele ter nascido sem arrebentar a bolsa da água. “Mamãe brinca que ele nasceu protegido, é um homem de muita sorte.” Também não julga e, até que se prove o contrário, acredita que todas as pessoas são boas. Tem um aparelho para melhorar a audição, mas prefere não usar. “Ele escutou muita coisa e não gostou”, diz a filha.
Manoel de Barros não tem muitas rugas, se tornou um homem mais calado desde que o filho João Wenceslau morreu, em 2007, mas continua engraçado. Fala bobagens, sabe do ícone que se tornou, recusa a maioria dos pedidos de entrevista e prefere mesmo é dar atenção às coisas simples da terra.

Com os 96 anos que se completam este mês, o viver muito e lúcido é uma dádiva ou em alguma circunstância chega a ser um tormento?
Não tenho explicações para os 96. Se a gente faz só o que gosta, ajuda. Mas isso é “um privilégio”. Só faço inutilezas.

Então, sua opinião de outrora, de que havia certa inutilidade na poesia, continua a ser a mesma? 
Continua. A ave é uma inocência inútil.

Mas ela te ajuda a entender melhor o tempo, não? 
A poesia não ajuda em nada. Ela é de graça.

Nem te ensinou a viver? 

Não me ensinou nada – só me envolveu.

E é possível, afinal de contas, definir o que é poesia? É o mel da palavra. Pelo menos aprendemos a entendê-la ou continua sendo uma vertente literária misteriosa? 
Há de ser misteriosa. Eu também não a entendo. Mistério é mistério.

Seu nome é associado cronologicamente à Geração de 45 e também, devido ao conteúdo, ao Modernismo brasileiro. Como você observa a herança deixada por estes movimentos na literatura atual? 
Peço perdão, mas não acho nada. Eu já escrevi: Se o nada desaparecer, a poesia acaba.

No entanto, você mesmo chamou sua arte de “vanguarda primitiva”. Pode falar sobre a ideia? 
Sei pouco de vanguarda e muito sei de primitivo. De vanguarda, sei que festejar é mais limpo do que significar. O primitivo é das cavernas, bem antes das vanguardas.

A internet parece deixar os novos escritores em processos mais isolados em vez de pertencerem a determinados grupos. Isso é bom ou não em sua opinião?
  Toda vez que entra internet – eu acato. 

Nesse sentido, a produção literária está cada vez mais individualista ou sempre foi desse jeito?
Sempre. Às vezes, o poeta ouve a harmonia das palavras – outras vezes, só ouve o “batecum gererê”.


Você já declarou algumas vezes sobre o prazer de ter sido criado de forma tranquila no Pantanal. De que maneira essa criação definiu sua produção poética?Fui criado num lugar onde só tinha água, árvore e bicho. Minhas palavras são raiz. Meu avô abastecia a solidão do lugar.


Mas acredita que infância é uma faixa de idade ou um sentimento de espírito?Eu moro na raiz das palavras. E acho que infância é a raiz das palavras. Minhas palavras hão de aparecer misturadas ao tronco, às folhas e às flores. A infância, então seria minhas raízes.


Aliás, o quanto que o habitat influencia um escritor e o quanto em nada importa o local onde ele vive? Acho que tudo importa: ave, água, árvore, brisas.


Outra substância que não a feliz pode preencher a poesia? Seria assim: depois que os passarinhos recebem as carícias da manhã, eles desvoam livres sobre a tarde.


Você continua escrevendo a lápis. Como encara a modernidade?Através da linguagem do poeta, reconheço a idade.

Você pensa na posteridade? Gostaria que daqui cem anos continuasse sendo um dos nomes mais reconhecidos da literatura brasileira?Sinceramente penso. Mas tenho todas as dúvidas.


A sua fama de ser recluso é, de alguma maneira, aversão ao “estrelato”?Sou tímido. Só isso. Um gole de vinho me tira a timidez.


Existe a sua frase famosa: “Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira”. A proporção ainda é a mesma?Acho que sou uma só mentira. Falo do poeta. Sou linguagem.


Dos poetas e romancistas com os quais você conviveu, qual te traz mais lembranças?Rimbaud é meu mestre. Aqui no Brasil, Guimarães Rosa, Padre Vieira.


O paralelo entre sua poesia e a prosa de Guimarães Rosa está além do neologismo?Acho que a linguagem do Rosa modifica o mundo. A minha linguagem apenas quer transver a natureza.


E como você analisa a safra atual de escritores nacionais?Há dez anos eu só releio.


É possível apontar quais são os seus livros publicados que mais lhe agradam?Eu não releio meus livros, porque tenho tédio. Mas acho que todos são o que alcancei fazer. Quando terminava um, eu ficava feliz. Mas, agora, relê-los me dá tédio!


Mas você está trabalhando em algum novo livro de poesia, não?
 Estou tentando, com pouca força, outro livro de prosa poética.

Existe algum ritual especial para você escrever? Ou a poesia flui sem barreiras?
Poesia é trabalho com palavras.


Aliás, você acredita que o mistério nos completa? Quem é Deus, pelo menos para poesia?Deus é o verbo. O que faz. O que abastece o meu mistério.


E o que é ser poeta?Fôssemos talvez merecidos de água, de rãs, de árvores, de pedras, de brisa, de garças. A gente dementava as palavras – porque sempre tínhamos visões. Hoje eu vi um lagarto lamber as pernas da manhã. Tínhamos desapetite para copiar. Gostávamos de transver a natureza. A gente não gostava de informar, mas só cantar. As palavras não tinham comportamento. Nossa palavra era a raiz – vinha de nossas raízes. E moravam na infância sem comportamento. Quem nasce poeta tem que se conformar que é meio parvo, meio tonto e meio cego. Sempre usávamos visões como esta. Eu vi um prego primaveril! Temos de estudar ignorãnças para saber o formato do silêncio e a cor dos arrebóis. A infância sendo a raiz de nossas palavras, tem que trazer a inocência com ela. E a palavra inocente há de vir enrolada em seus caracóis. Então, o poeta poderá cometer todos os erros de linguagem, porque está amparado na liberdade de ser ainda raiz. Temos que desver a natureza para inventar outra. Assim: hoje eu vi uma garça com olhar de oceano. Por tudo isso e por isso que o poeta tem que se conformar que é um tonto ou um parvo! Por fim: o que forma a imagem poética não é O ver, mas otransver.

POR: GUSTAVO RANIERI (TEXTO) E CLÁUDIO PORTELLA (ENTREVISTA)  /  06/12/2012

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

FESTA NA ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA


Muito elegante e literária a festa realizada dia 28 de outubro de 2014, na Academia Cearense de Letras, em que o Presidente Valdemir Mourão comemorou os 37 anos da Academia Cearense da Língua Portuguesa. 




Houve homenagem aos Sócios Fundadores, aos Ex-presidentes da entidade e à Academia Cearense de Letras, representada pela acadêmica Giselda Medeiros. 




Ex-presidentes da ACLP


Lançamento e relançamento de obras dos acadêmicos, da Revista e da Agenda 2015. Cid Carvalho fez a saudação aos agraciados e à Academia, relembrando toda a história da fundação da ACLP. Falaram ainda Ítalo Gurgel e Vianney Mesquita.




Cid Carvalho 


Ítalo Gurgel 


Vianney Mesquita


 


Bela também a apresentação do Coral Harmonia. 

Parabéns ao Presidente Valdemir Mourão, aos agraciados, aos oradores e a todos os acadêmicos.





Acadêmicas Giselda Medeiros, Maria Luisa Bomfim e Regine Limaverde



Acadêmicos Ana Paula Medeiros e Cid Carvalho



Acadêmicos Batista de Lima, Giselda Medeiros e Vianney Mesquita



Acadêmicos Ana Paula Medeiros e Vicente Alencar


Acadêmicos Roberto Ribeiro, Giselda Medeiros e esposa de Cid Carvalho.



Acadêmicas Giselda Medeiros e Regine Limaverde


Acadêmicas Regine Limaverde e Ana Paula Medeiros


O autógrafo do Presidente Valdemir Mourão ("Histórias Contadas no Alpendre")
para Ana Paula Medeiros



Valdemir Mourão autografando seu livro de contos para Giselda Medeiros


Ao final da cerimônia, foi servido um finíssimo coquetel.

domingo, 2 de novembro de 2014

OS VENTOS - POEMA DE SÉRGIO MACEDO



O vento assobia na fresta da janela noturna

Como todo vento em toda janela

Que só existe à noite

Mas há ventos de notícias

Que assobiam nas frestas da alma

Só uma vez

Ventos fatídicos, sem retorno

Ventos tortos emoldurados em suas togas magistrais

São ventos de caminho

Intolerantes à dúvida, à dádiva

Reiteram a intolerância e desrespeito

À divida consigo mesmo,

Eu, que sou seu objeto de ação

Seu solo seco e pedregoso

Onde a semente não germina,

Talvez o árido e ardido vácuo

Onde não haja razões para existir

Somente o ar frio e irrespirável e confuso relutante em ser frio

Não sei mais de horas

De auroras, outrora vagas

Mas supostamente presentes

Sei de dilúvios e de seca

De prepotência e dos humilhados

Sei dos devaneios e dos sonhos impróprios 

Das melodias desafinadas, meio tom acima, muitos tons abaixo 

Sei apenas de ventos que assobiam,

Avisam e se vão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

MAIS UMA OBRA DE VIANNEY MESQUITA



NUNTIA MORATA
   Dimas Macedo 

                       O gozo do signo é, talvez, o ponto mais alto para o qual aponta a ordem do discurso. Os caminhos da linguagem são intrincados, e por qualquer atalho terminamos sempre em um labirinto. O símbolo não liberta a linguagem do seu absoluto; antes, ele a transforma em prisioneira do mistério.
              Dois planos de compreensão do mundo e do homem existem no campo da crítica literária: o prazer da leitura e a sua reconstrução e utilidade, tendo-se na intuição e na sensibilidade do crítico os seus elementos de maior alcance.
              A crítica é o gênero mais alto de todas as formas de criação. É poética no sentido aristotélico e nos usos que lhe foram dados pela invenção do ensaio e pela dialética com que os códigos literários foram reabertos a partir da Idade Moderna.
              O Poema, a forma literária mais retrabalhada ou reconstruída durante o curso da história, somente chegou até nós, acredito, porque a crítica intuiu a perspectiva da sua morfologia e da sua semântica, deixando para a linguística os seus elementos de ordem sociológica.
              O exercício da crítica literária exige erudição e domínio do conhecimento de quem se aventura pela sua seara, por sua sedução prazerosa e pela sua pluralidade de sentidos. Não podemos comparar a crítica com os comentários apressados e com as resenhas corriqueiras de jornais e revistas.
              A produção da crítica exige do seu autor o seu fervor analítico, a sua perspectiva sócio-literária, a sua visão de conjuntura e a sua formação no campo da cultura artística, associada ao rigor do método.
             Vianey Mesquita, o autor de Nuntia Morata – Ensaios e Recensões (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2014), é um dos melhores críticos literários que conheço. Arquiteto a Posteriori da criação literária e mestre nos domínios da correção da língua e da gramática, no Ceará poucos a ele se igualam em erudição e humildade diante das estruturas do texto.
              Hermeneuta da Literatura por imperativo da sua formação, é um decifrador humorado do texto literário ou do texto científico que desvela, pois não lhe faltam argúcia e preparo para enfrentar os diversos códigos da linguagem.
              Enquanto escritor, Vianey Mesquita prima pela correção gramatical, mas é sagaz com os recursos do seu golpe de vista, restaurando a precisão do método e a analogia filosófica e científica da escritura acadêmica por ele examinada.
              A sobreleitura do texto literário, sociológico, filosófico ou científico por ele empreendida, encontra-se permeada de um fino lavor artesanal, revestida da melhor recepção e rematada pela estética da síntese e da claridade, e tanto mais escandida pelo gozo do signo e da pontuação.

                  E de forma que Nuntia Morata, a sua nova coroa de ensaios, é a escansão melódica do seu estro, porque de música e de estilo primoroso são costuradas as suas intenções e remarcadas as suas entrelinhas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

HOMENAGEM AOS 37 ANOS DE FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA - EM 28 DE OUTUBRO DE 2014


ODE À LÍNGUA PORTUGUESA *
JOSÉ ALBANO**



Língua minha, se agora a minha voz levanto
Pedindo à Musa que me inspire e ajude
Somente soe em teu louvor o canto,
Inda que a lira seja fraca e rude:
E tudo quanto sinto na alma, e digo,
Já que na alma não cabe,
Contigo viva e acabe – só contigo.

Língua minha dulcíssona e canora,
Em que mel com aroma se mistura,
Agora leda, lastimosa agora,
Mas não isenta nunca de brandura;
Língua do gram Camões, a que ele ensina
A sinfonia rara,
Que em tudo se compara – co´a latina.

Língua, na qual eu suspirei primeiro,
Confessando que amava, às auras mansas
E agora choro, à sombra do salgueiro,
Os meus passados sonhos e esperanças;
Na qual me fez outrora venturoso
Aquela doce fala,
Que somente escutá-la – me era um gozo.

Língua em que o meu Amor falou de Amores
Em que d'Amores sempre andei cantando,
Em que modulo os mais encantadores
E deleitosos sons de quando em quando,
E espalho acentos inda nunca ouvidos,
De mágoas e de gozos,
Murmúrios amorosos – e gemidos.

Sempre e sempre te eu veja meiga e pura,
Naquela singeleza primitiva,
Naquela verdadeira formosura,
Que farei que no verso meu reviva;
E se apenas ao mundo se revela
Um pouco desse encanto,
Há-de mostrar-lhe quanto – és rica e bela.

Outros andam o teu sublime aspeito
De ornamentos estranhos encobrindo,
Ocultando o que tens de mais perfeito
E de mais precioso e de mais lindo:
Como direi que és tu? Triste, o duvido,
E não te reconheço,
Se o teu valor e preço – jaz perdido.

Quanta e quamanha dor me surge e nasce
De nunca ouvir aquele antigo estilo;
Mas eu fiz que ele aqui se renovasse
Para que o mundo agora possa ouvi-lo.
E com todo o poder de engenho e arte
Foi sempre o meu desejo
Ver-te qual te ora vejo – e celebrar-te.

Ah! como assim me agradas e me encantas,
Suavissimamente  assim gemendo;
E se te outros ofendem vezes tantas,
Embora solitário, eu te defendo:
Eu te defenderei sem ter descanso
E em luta não inglória,
Tu verás que a vitória – e a palma alcanço.

E em paga disto, peço-te que exprimas
Quanto neste meu peito vive e mora:
Dá-me versos dulcíssimos e rimas
Cheias de branda música sonora,
Dá-me uma voz melodiosa e amena,
Para que eu noute e dia
Cante minha alegria – ou minha pena.

E não quero um som alto e retumbante
Para cantar de Amor ao mundo atento,
Pois não há língua que de Amor não cante,
Mas nenhuma traduz o meu tormento;
Nenhuma se conhece em que traslade,
Senão em ti somente,
Do coração doente – a Saudade.


* Antologia Poética de José Albano : 30/04/2010

Sobre o autor
** José Albano, (Fortaleza, 1882 — Montauban, França, 1923) foi um poeta brasileiro. Estudou em várias escolas da Europa, mas é no Brasil que inicia o curso de Direito que não conclui, dedicando-se, posteriormente, ao ensino no Latim. Teve ainda uma breve carreira no Ministério das Relações Exteriores, que viria também a abandonar para viajar pelo mundo. Da sua obra poética podemos contar com Rimas de José Albano – Cançam e Camoens (1912), Antologia Poética de José Albano (1918).



sábado, 4 de outubro de 2014

UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES - UBT- FORTALEZA



                 
TROVAS DE NOSSOS MEMBROS
TITULARES E COLABORADORES

1 
Teus olhos, ardentes círios,
meus dias tornam risonhos,
e tuas mãos, brancos lírios,
vão modelando meus sonhos.
GISELDA MEDEIROS.

2.
Se a revolta me alucina
e a solidão me consome,
a saudade sempre assina
meu nome sobre o teu nome.
LEDA COSTA LIMA.

3.
Minha pena corre forte
ao sabor deste papel
até parece que a sorte
vai levar-me para o céu.
NEIDE AZEVEDO LOPES.

4.
Juventude, na verdade, 
existe dentro de mim,
no acalentar da saudade,
dos sonhos idos, sem fim.
FRANCINETE AZEVEDO.

5.
Tenho gritado por tudo
pela mamãe e o papai
o que me arrasa contudo
é meu grito que não sai.
WALDIR RODRIGUES.

6.
No brilho do teu olhar
numa expressão tão discreta
descubro quase a sonhar
este amor que me completa.
VICENTE ALENCAR.

7.
Eu sempre agi com prudência, 
às vezes me fiz de mouco,
por capricho e até decência,
ouvi muito e falei pouco.
GUTEMBERG ANDRADE.

8.
Minha mãe fazendo renda,
meu pai de chapéu de massa,
tudo passa nesta vida,
só a saudade não passa.
CÉSAR COELHO.

9.
Eu sou poeta da vida,
do bem, do amor, da saudade,
da fé sentida e vivida,
da santa e eterna verdade!
ALOÍSIO BEZERRA.

10.
Tenho uma grande ambição
é poder ser mais amado,
sinto no peito emoção,
e estar bem, sempre ao teu lado.
VITAL ARRUDA.

11. 
Teu doce olhar enternece, 
qual um mar calmo - mareja:
é a paz ungida de prece
no silêncio de uma igreja!
FERNANDO CÂNCIO DE ARAÚJO.

12.
Que você, saudade, fale
dela - barco do meu porto,
rio manso do meu vale,
berço do meu sonho morto!
BATISTA SOARES.

(Fundada em 11 de novembro de 1969)



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

UM POEMA DE REGINA BARROS LEAL



DELÍRIO
Regina Barros Leal

Tão diferente do ontem!
O hoje se transformando no amanhã.
Artimanhas do tempo!
 E eu o espreito.
Busco desvendar o insondável mistério do infinito
Mas não cabe no finito de minha compreensão
Sonho e em cada sonho
Eu me vejo surpreendida pelo inexplicável
Ao adentrar o imaginário, encontro minhas loucas fantasias!
Brinco com as estrelas e escorrego nas lâminas do raio fulgurante
A luminosidade espalha-se na imensidão do mundo!
 Choro de alegria e exultante canto a natureza
Envolta no véu, rasgo as vestes frágeis do ceticismo que me obstrui a visão.
Limpo a areia dos meus olhos lacrimejantes e vejo as cores do universo
Não consigo segurar as rédeas de minha ilusão!
Um dia eu tocarei os ventos!

Quem sabe?