segunda-feira, 12 de outubro de 2015

POÉTICA - VIANNEY MESQUITA



SONETO-OXIMORO

Vianney Mesquita*
        
Sendo mentirosos profissionais, devem os poetas ter excelente memória (Jonathan Swift - *Dublin, 30.11.1667 +19.10.1745).

Gratíssima recordação tangeu-me a alma à segunda metade dos anos 1960, quando estudava na então Escola Técnica Federal do Ceará, hoje Instituto Federal (Campus de Fortaleza – Av. 13 de Maio, 2081 – Benfica). Neste tempo, na E.T.F.C. havia excelentes professores de Língua Portuguesa – conforme, certamente, ainda há - como o foi meu guru Hélio de Sousa Melo, fundador da Academia Cearense da Língua Portuguesa, seu primeiro presidente.
Tal sucesso, apontado ao abrir estas notas, decorreu de leitura do magistral texto, cujo autor é o Dr. Humberto Ellery, publicado no blog da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, no dia 11.10.2015, sob o título Golpe Democrático, em que se reporta, em estilo e correção irreprocháveis, à deplorada imagem do oximoro (mó), perpetrado pela Excelentíssima Senhora Presidente da República, convenientemente comentado pelo Autor, não me concertando fazer adendos nem reparos.
Com efeito, passei o dia de hoje todo (11.10.2015) procurando o manuscrito de um decassilábico português de minha lavra, pois, naquele tempo, ainda tinha bom curso a craveira do soneto entre os poetas, e havia um grupo de alunos que, sob a orientação do Dr. Hélio Melo, primava pela composição artística nesse gradil. O texto que procurei, como quem demanda um excelente deputado, não foi encontrado e o jeito que tive foi preencher os claros da memória para complementar as pouquíssimas passagens das quais não guardei decorado e de salto o conteúdo completo. Esse expediente métrico foi produzido a instâncias do dito decassílabo camoniano, acerca do qual se reportou o Articulista (“Amor é fogo que arde sem se ver”...), exatamente na exploração do símile oximóron.
Não me contive e reproduzo a composição de dez ictos, disparatada, de estudo, exatamente para configurar o oximoro.

SONETO-OXIMORO

Na expungida visão de quem jaz vivo,
Cego visório o meu exício ensaio,
Sombrio e alegre, derrotado e gaio,
Prossigo morto e retrocedo ativo.

A igual tempo me alevanto e caio,
Em inextrincável vividez de extinto,
Então, me apresto da verdade e minto,
Olhando, bem de frente, de soslaio.

Cadáver esperto, cego feito lince,
Conquanto ao mesmo instante assente e pince,
É minha insânia lúcida que exorta:


Deixa-me, então, que eu rime em verso branco,
Em semelhante destro e esquerdo flanco,
Doutas bobagens que o papel suporta!


sábado, 12 de setembro de 2015

GISELDA MEDEIROS PROFERE PALESTRA NA FLI7 - COMEMORAÇÃO DOS 80 ANOS DO COLÉGIO 7 DE SETEMBRO



Em 10 de setembro de 2015, o Colégio 7 de Setembro, dentro de sua programação de festividades comemorativas dos 80 anos de sua fundação, realizou uma sessão de homenagem à Academia Cearense de Letras, a mais antiga do Brasil. Na ocasião, a Acadêmica, Professora, Escritora e ex-aluna do Colégio 7 de Setembro, Giselda Medeiros, atendendo ao convite feito pelo Dr. Ednilo Soárez, apresentou para o público presente (acadêmicos da ACL, acadêmicos da ACADE7, convidados e familiares), uma palestra, sob o título "UM INSTANTE, POETA!", uma visita breve à poesia e vida de Cecília Meireles, tomando como ilustração o seu poema MOTIVO. 

O presidente da Academia Cearense de Letras, José Augusto Bezerra, recebeu das mãos da aluna presidente da Academia de Letras dos Estudantes do Colégio 7 de Setembro uma placa de homenagem à mais antiga Academia de Letras do Brasil. 
Este agradeceu, emocionado, e, após, traçou rápidas pinceladas sobre os acadêmicos presentes.

Em seguida, foi dada a palavra à professora e poetisa, Giselda Medeiros, para sua fala. 

Ao final da reunião, houve um sorteio de livros da palestrante.

Nada melhor para dizer dessa homenagem do que as fotografias que estão exibidas abaixo.



















Coquetel de Encerramento

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Desenho (Cecília Meireles)



Desenho
Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,
e comia mamão, e mirava a flor da goiaba.
E as lagartixas me espiavam, entre tijolos e as trepadeiras,
e as teias de aranha nas minhas árvores me entrelaçavam.

Isso era num lugar de sol e nuvens brancas,
onde as rolas, à tarde, soluçavam mui saudosas...
O eco, burlão, de pedra em pedra ia saltando,
entre vastas mangueiras que choviam ruivas horas.

Os pavões caminhavam tão naturais por meu caminho,
e os pombos tão felizes se alimentavam pelas escadas,
que era desnecessário crescer, pensar, escrever poemas,
pois a vida completa e bela e terna ali já estava.

Como a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro; e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.

Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurrantes e eternos.

E minha avó cantava e cosia. Cantava
canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.

Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só de luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes!  aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.

(Meireles, C. 2001, p.523, 524)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

HORA DO VERNÁCULO


Prof. Myrson Lima

I. Abortado

Significados:
1. Que abortou. Produzido antes do tempo. Parido antes da gestação. 

2.  Malogrado, frustrado, gorado.
Exemplos:

O negócio foi abortado. O golpe militar foi abortado pelo governo.
Na linguagem nordestina, não é nada disso.

Abortado se chama o indivíduo de sorte, feliz.
Esse cara é um abortado, nasceu com a bunda para a lua.

Estrofe de Anilda Figueredo, da Academia dos Cordelistas do Crato:
Há sujeito que tem sorte

Mesmo um desmantelado
Escapa de endemia

De polícia e delegado
De acidente e perigo

Pois é aí que eu digo:

Só tendo sido abortado!

II. Afobado
Significados:

Pessoa impaciente, agoniada, inquieta, nervosa, apressada. Com raiva. Tipo atrapalhado, avexado, em função de pressa excessiva ou de
impaciência; precipitado.
Exemplos:

O jogador afobado chutou a bola para fora. Quem é afobado come cru ou queima a boca.
Estrofe de Ulisses Germano, cordelista do Crato

Uma pessoa afobada
É nervosa e inquieta

Anda sempre agoniada

E tudo em volta lhe afeta
É no gesto aligeirado

Que o trejeito do afobado
Perde prumo, perde a reta.

III. Baitinga
Vem de baitola. Há uma etimologia talvez fantasiosa que diz que o termo nasceu na construção da primeira estrada de ferro no Ceará. O capataz encarregado do assentamento dos trilhos era de origem inglesa e possuía modos efeminados. Tinha ele a preocupação com o espaçamento padrão entre os trilhos chamado de bitola. Por influência da língua materna em que o i tem o som de ai, gritava com frequência o termo baitola em vez de bitola. Os peões por causa disso começaram a chamar o capataz de baitola.

Significado: baitola, balde, veado, gay, fresco, homossexual, bicha.
Empregado também para xingar alguém.

É termo menos ofensivo que os anteriores. Usa-se muito nas brincadeiras entre amigos. Geralmente, não tem conotação ofensiva. Tudo vai depender da entonação de quem emprega o termo.
Exemplos:

E aí seu baitinga, não vai me emprestar o cavalo não?
Estrofe de Bastinha Job (da Academia de Cordelista do Crato)

Digo com convicção
Nem preciso de mandinga

Pois falo com precisão

O sinônimo de baitinga

é o cara afrescalhado

É o popular veado

Tem na rua e na caatinga.

IV. Birita
Significados:

a) Cachaça, pinga, aguardente, por extensão qualquer bebida alcoólica.
b) Apelido que se acrescenta a um nome de um cachaceiro: Chico Birita. Manel Birita.

Estrofe de Aldemá de Morais, da Academia dos Cordelistas do Crato
“Birita” é o nome dado

A um tipo de cachaça.
O caboclo no engenho

Bebe em cuia de cabaça
É vendida em botequim

Seus clientes: “Papudim”,

“Pé inchado” e “Arruaça”.

V. Escambau
Origem provável: No Brasil Império, era comum os portugueses que aqui viviam fazer o "escambo", que consistia na troca direta de mercadorias sem o uso de moeda corrente, na maioria das vezes, gêneros de última necessidade, em uma grande feira chamada escambau.

Significados
Significa etc e tal. Comprou farinha, rapadura, carne seca e o escambau.

Escambau também se usa para denominar as pessoas de baixa condição social.
Trova

Bater fofo é não cumprir
Etecetera é escambau

Sujar muito é encardir
Quem acusa, cai de pau

Confusão é funaré
Carta curinga é melé

Atacar é só de mau.

VI. Distrenado
Sentido no cearensês: sem graça, encabulado.

Exemplo: Depois que fez esta besteira, ficou todo distrenado.
Trova de Josenir Lacerda, cordelista do Crato.

Se o sujeito tá confuso
Tristonho e encabulado

Com vergonha, constrangido

Feito um cão escorraçado
Tem gente que olha e diz:

- Aquele pobre infeliz
Tá sem graça, "distrenado".

A.C.L.P.  -  28.8.2015.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Português do dia a dia de A a Z - Prof. Valdemir Mourão


Português do dia a dia de A a Z

Acento diferencial.

A) O acento diferencial pelo acento gráfico (de intensidade) deixa de existir (agudo ou circunflexo) nas palavras homógrafas paroxítonas. Exemplos:
1) coa, coas (verbo coar e subst.: coação, ato de coar) 2) para (verbo parar)  ≠ para ( preposição);
3) pela, pelas (v. pelar e substantivo: jogo, bola de   borracha, ato de pelar) ≠ pela(s){ comb. per + la(s) };
4) pelo (v. pelar), ≠ pelo ( comb. de per + lo); 4) pelo, pelos (subst.: cabelo, fio delgado) ≠ pelo {comb. de per + lo(s)};
5) pera ( subst.: fruta, interruptor elétrico ); pera (subst.: usada no composto pêra-fita: grande pedra fincada no chão; monumento de pedra) ≠ pera ( prep. arcaica, ainda de uso oral popular );
6) pero (subst.:fruta; variedade de maçã; nome dado aos portugueses pelos índios) ≠ pero (conjunção antiga);
7) pola, polas (subst.: sova, pancadaria) ≠ pola, polas {forma antiga de por + la(s) };
8) pola, polas (subst.: broto, galho pequeno) ≠ pola, polas { formas antigas de por + la(s) };
9) polo, polos ( subst.: extremidade, jogo) ≠ polo, polos1 {formas antigas de por + lo(s) };
10) polo, polos (subst.: gavião pequeno) ≠ polo, polos {forma antiga de por + lo(s) }.

EXCEÇÕES: 1) pôde (v. poder, pret. perf..) ≠ pode (v. pres. ind.); 2) pôr (v.) ≠ por (preposição).

CUIDADO!
A) Os monossílabos ás (tônico, carta de baralho) ≠ as (artigo plural, átono) e más (adjetivo, singular de má) ≠ mas (conjunção) se incluem ao grupo dos monossílabos tônicos, portanto não entram na regra das paroxítonas.
B) O acento diferencial morfológico é o que distingue a terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir (e seus derivados) da terceira pessoa do singular. Exemplos:
1) ele tem ≠ eles têm;
2) ele vem ≠ eles vêm;
3) ele detém ≠ eles detêm; 4) ele provém ≠ eles provêm.

ATENÇÃO! Nas formas verbais em que acrescenta um pronome oblíquo (ver colocação de pronomes), deve-se ignorar o pronome e enquadrá-las normalmente às regras de acentuação. Exemplo:
1) Fi-lo (não acentuado); escrevê-lo; fá-lo-íamos (com dois acentos); pô-lo-ia; esperá-lo-íamos; amá-la-íeis; fá-lo-ás; pô-lo.


C) O acento diferencial de timbre foi abolido na Reforma Ortográfica desde 1971, com exceção da forma verbal pôde, já explicado e exemplificado no acento diferencial de intensidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Conselho de um Geriatra...



Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta? É assim mesmo! Isso é um processo natural. É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que: “A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta”. Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído. Tudo foi feito para acabar.

Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam. Sendo assim, relaxe e aproveite. Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”. Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha, daqui a 10 anos ele estará todo carcomido. O mesmo acontece a nós. O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez. Como disse um dos meus amigos a sua esposa: “me use, estou acabando!”. Hilário, porém realista.

Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. Já viveu essa fase, reconcilie-se com a sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade. “O passado é lenha calcinada. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto”, como já dizia Cícero.

Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, para não se tornar caricatura de si mesmo. Fazendo isso ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! Guarda os bisturis e toca a vida

Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os bonitos. Você nunca me verá por lá. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia, para o feio ela é até bem vinda, quem sabe pode melhorar, ele ainda alimenta uma esperança. Os feios são mais felizes, mais despreocupados com a beleza, na verdade ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos. Inclusive tem uns que melhoram na medida em que envelhecem. Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las! Suas memórias estão salvas nelas. Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais. O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.

Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos. Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres. Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena à ruína sua própria alma. Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase. Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida, o melhor a fazer é esquecer.

A causa do sofrimento está no apego, está em querer que dure o que não foi feito para durar. É viver uma fase que não é mais sua. Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios. Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido. Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento. Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura. A vida é o que importa. Concentre-se nisso. A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.

Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível. Quer um conselho? Esqueça. Para o seu bem, esqueça o que passou. Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais. Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute. Aceitando ou não, o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence.

Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de Belo Horizonte. Não posso dizer que, pelo fato de conhecer grande parte do Brasil, sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário. Ele parecia exatamente o oposto. O que importa é o que está dentro de nós, a velha máxima continua atual como nunca: “quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.

Este é o segredo de uma boa vida.

(Geriatra: Dr. Joston Miguel)


terça-feira, 21 de julho de 2015

AJEB-CE PROMOVE ALMOÇO PELO ANIVERSÁRIO DE GISELDA MEDEIROS


A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - promoveu dia 16 de julho de 2015, no Náutico Atlético Cearense, almoço de adesão, para homenagear sua Presidente de Honra e Ex-Presidente Nacional, Giselda Medeiros.

Ajebianas e ajebianos, amigos e a Família compareceram para levar seu abraço à Escritora Giselda Medeiros, Princesa dos Poetas do Ceará.

Nirvanda Medeiros, Presidente da Coordenadoria do Ceará, exaltou as qualidades da aniversariante, deixando, ao final de sua fala, que cada um dos presentes traduzisse, em uma palavra, sua visão sobre a aniversariante.

A ajebiana Rejane Costa Barros leu um poema dedicado à Giselda Medeiros, enquanto o Sócio Benemérito da AJEB-CE, Vital Arruda, declamou uma trova que fizera em homenagem à escritora aniversariante.

Giselda Medeiros, emocionada, saudou a todos os amigos e Família, agradecendo-lhes a presença com um poema de sua autoria.

Em seguida, foi servido o almoço, requintado, como o são todos os do Náutico Atlético Cearense.


COBERTURA FOTOGRÁFICA


A aniversariante com a Presidente Nirvanda Medeiros


  A saudação da Presidente


Rejane Costa Barros saúda a aniversariante


Vital Arruda, também aniversariante, 
declamando sua trova, homenageando Giselda Medeiros


O agradecimento da aniversariante


Os "Parabéns pra você"


O almoço


O almoço


Homenagem, com flores, de Vládia Mourão.


Gizela Costa, Rejane Costa Barros e Socorro Cavalcanti


Ana Paula e Giselda Medeiros


Giselda Medeiros


Com os amigos da Academia Cearense de Letras: Ernando Uchoa e Batista de Lima


Ladeada pelos amigos: Aldo Melo, Pereira de Albuquerque, 
Vital Arruda, Juliana Melo, Clara Leda e Zenaide Marçal



Com a Família: Rosinha, Rafaela e Ana Paula Medeiros


Com a amiga ajebiana, Gizela Costa


Com Alexandra, Rosinha, Rafaela e Ana Paula



Com os amigos: Zinah Alexandrino, Batista de Lima, 
Fátima Lemos e Ernando Uchoa Lima


Clara Leda, Nirvanda Medeiros, Ernando Uchoa Lima, Heliane Pimentel, 
Vládia Mourão, Batista de Lima, Maria do Carmo Fontenelle, Maria Luísa Bomfim e sua Neta.


Com o amigo Cláudio Queiroz


A aniversariante  agradecida pela presença dos amigos, 
da Família e pelo perfume das flores


quinta-feira, 9 de julho de 2015

GENUÍNO SALES NÃO É SÓ GRANDE PROFESSOR DE PORTUGUÊS. É TAMBÉM GRANDE POETA.



PRESENÇA
Genuíno Sales
(Da Academia Cearense da Língua Portuguesa)

Eu gosto de não te ver
para não sentir em vão
com tua presença esquiva
o pecado inevitável
do desejo impossível
eu gosto de não te encontrar
para não sofrer a tentação
do irrealizável.
Mas mesmo sem querer de vejo
e mesmo sem querer te encontro
e se te vejo peco
e se te encontro sofro
sofro e peco
porque tua presença onírica
é a volúpia de minha solidão
na certeza do impossível

em que pulveriza meu sonho.

domingo, 21 de junho de 2015

MAR ABSOLUTO - CECÍLIA MEIRELES




Mar Absoluto

Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.

E fico tonta.
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
"Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da lição da areia!
Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!"
Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-nos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anêmona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,
cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Não me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida.
como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que não foram ouvidas;
que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.