domingo, 2 de novembro de 2014

OS VENTOS - POEMA DE SÉRGIO MACEDO



O vento assobia na fresta da janela noturna

Como todo vento em toda janela

Que só existe à noite

Mas há ventos de notícias

Que assobiam nas frestas da alma

Só uma vez

Ventos fatídicos, sem retorno

Ventos tortos emoldurados em suas togas magistrais

São ventos de caminho

Intolerantes à dúvida, à dádiva

Reiteram a intolerância e desrespeito

À divida consigo mesmo,

Eu, que sou seu objeto de ação

Seu solo seco e pedregoso

Onde a semente não germina,

Talvez o árido e ardido vácuo

Onde não haja razões para existir

Somente o ar frio e irrespirável e confuso relutante em ser frio

Não sei mais de horas

De auroras, outrora vagas

Mas supostamente presentes

Sei de dilúvios e de seca

De prepotência e dos humilhados

Sei dos devaneios e dos sonhos impróprios 

Das melodias desafinadas, meio tom acima, muitos tons abaixo 

Sei apenas de ventos que assobiam,

Avisam e se vão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

MAIS UMA OBRA DE VIANNEY MESQUITA



NUNTIA MORATA
   Dimas Macedo 

                       O gozo do signo é, talvez, o ponto mais alto para o qual aponta a ordem do discurso. Os caminhos da linguagem são intrincados, e por qualquer atalho terminamos sempre em um labirinto. O símbolo não liberta a linguagem do seu absoluto; antes, ele a transforma em prisioneira do mistério.
              Dois planos de compreensão do mundo e do homem existem no campo da crítica literária: o prazer da leitura e a sua reconstrução e utilidade, tendo-se na intuição e na sensibilidade do crítico os seus elementos de maior alcance.
              A crítica é o gênero mais alto de todas as formas de criação. É poética no sentido aristotélico e nos usos que lhe foram dados pela invenção do ensaio e pela dialética com que os códigos literários foram reabertos a partir da Idade Moderna.
              O Poema, a forma literária mais retrabalhada ou reconstruída durante o curso da história, somente chegou até nós, acredito, porque a crítica intuiu a perspectiva da sua morfologia e da sua semântica, deixando para a linguística os seus elementos de ordem sociológica.
              O exercício da crítica literária exige erudição e domínio do conhecimento de quem se aventura pela sua seara, por sua sedução prazerosa e pela sua pluralidade de sentidos. Não podemos comparar a crítica com os comentários apressados e com as resenhas corriqueiras de jornais e revistas.
              A produção da crítica exige do seu autor o seu fervor analítico, a sua perspectiva sócio-literária, a sua visão de conjuntura e a sua formação no campo da cultura artística, associada ao rigor do método.
             Vianey Mesquita, o autor de Nuntia Morata – Ensaios e Recensões (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2014), é um dos melhores críticos literários que conheço. Arquiteto a Posteriori da criação literária e mestre nos domínios da correção da língua e da gramática, no Ceará poucos a ele se igualam em erudição e humildade diante das estruturas do texto.
              Hermeneuta da Literatura por imperativo da sua formação, é um decifrador humorado do texto literário ou do texto científico que desvela, pois não lhe faltam argúcia e preparo para enfrentar os diversos códigos da linguagem.
              Enquanto escritor, Vianey Mesquita prima pela correção gramatical, mas é sagaz com os recursos do seu golpe de vista, restaurando a precisão do método e a analogia filosófica e científica da escritura acadêmica por ele examinada.
              A sobreleitura do texto literário, sociológico, filosófico ou científico por ele empreendida, encontra-se permeada de um fino lavor artesanal, revestida da melhor recepção e rematada pela estética da síntese e da claridade, e tanto mais escandida pelo gozo do signo e da pontuação.

                  E de forma que Nuntia Morata, a sua nova coroa de ensaios, é a escansão melódica do seu estro, porque de música e de estilo primoroso são costuradas as suas intenções e remarcadas as suas entrelinhas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

HOMENAGEM AOS 37 ANOS DE FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA - EM 28 DE OUTUBRO DE 2014


ODE À LÍNGUA PORTUGUESA *
JOSÉ ALBANO**



Língua minha, se agora a minha voz levanto
Pedindo à Musa que me inspire e ajude
Somente soe em teu louvor o canto,
Inda que a lira seja fraca e rude:
E tudo quanto sinto na alma, e digo,
Já que na alma não cabe,
Contigo viva e acabe – só contigo.

Língua minha dulcíssona e canora,
Em que mel com aroma se mistura,
Agora leda, lastimosa agora,
Mas não isenta nunca de brandura;
Língua do gram Camões, a que ele ensina
A sinfonia rara,
Que em tudo se compara – co´a latina.

Língua, na qual eu suspirei primeiro,
Confessando que amava, às auras mansas
E agora choro, à sombra do salgueiro,
Os meus passados sonhos e esperanças;
Na qual me fez outrora venturoso
Aquela doce fala,
Que somente escutá-la – me era um gozo.

Língua em que o meu Amor falou de Amores
Em que d'Amores sempre andei cantando,
Em que modulo os mais encantadores
E deleitosos sons de quando em quando,
E espalho acentos inda nunca ouvidos,
De mágoas e de gozos,
Murmúrios amorosos – e gemidos.

Sempre e sempre te eu veja meiga e pura,
Naquela singeleza primitiva,
Naquela verdadeira formosura,
Que farei que no verso meu reviva;
E se apenas ao mundo se revela
Um pouco desse encanto,
Há-de mostrar-lhe quanto – és rica e bela.

Outros andam o teu sublime aspeito
De ornamentos estranhos encobrindo,
Ocultando o que tens de mais perfeito
E de mais precioso e de mais lindo:
Como direi que és tu? Triste, o duvido,
E não te reconheço,
Se o teu valor e preço – jaz perdido.

Quanta e quamanha dor me surge e nasce
De nunca ouvir aquele antigo estilo;
Mas eu fiz que ele aqui se renovasse
Para que o mundo agora possa ouvi-lo.
E com todo o poder de engenho e arte
Foi sempre o meu desejo
Ver-te qual te ora vejo – e celebrar-te.

Ah! como assim me agradas e me encantas,
Suavissimamente  assim gemendo;
E se te outros ofendem vezes tantas,
Embora solitário, eu te defendo:
Eu te defenderei sem ter descanso
E em luta não inglória,
Tu verás que a vitória – e a palma alcanço.

E em paga disto, peço-te que exprimas
Quanto neste meu peito vive e mora:
Dá-me versos dulcíssimos e rimas
Cheias de branda música sonora,
Dá-me uma voz melodiosa e amena,
Para que eu noute e dia
Cante minha alegria – ou minha pena.

E não quero um som alto e retumbante
Para cantar de Amor ao mundo atento,
Pois não há língua que de Amor não cante,
Mas nenhuma traduz o meu tormento;
Nenhuma se conhece em que traslade,
Senão em ti somente,
Do coração doente – a Saudade.


* Antologia Poética de José Albano : 30/04/2010

Sobre o autor
** José Albano, (Fortaleza, 1882 — Montauban, França, 1923) foi um poeta brasileiro. Estudou em várias escolas da Europa, mas é no Brasil que inicia o curso de Direito que não conclui, dedicando-se, posteriormente, ao ensino no Latim. Teve ainda uma breve carreira no Ministério das Relações Exteriores, que viria também a abandonar para viajar pelo mundo. Da sua obra poética podemos contar com Rimas de José Albano – Cançam e Camoens (1912), Antologia Poética de José Albano (1918).



sábado, 4 de outubro de 2014

UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES - UBT- FORTALEZA



                 
TROVAS DE NOSSOS MEMBROS
TITULARES E COLABORADORES

1 
Teus olhos, ardentes círios,
meus dias tornam risonhos,
e tuas mãos, brancos lírios,
vão modelando meus sonhos.
GISELDA MEDEIROS.

2.
Se a revolta me alucina
e a solidão me consome,
a saudade sempre assina
meu nome sobre o teu nome.
LEDA COSTA LIMA.

3.
Minha pena corre forte
ao sabor deste papel
até parece que a sorte
vai levar-me para o céu.
NEIDE AZEVEDO LOPES.

4.
Juventude, na verdade, 
existe dentro de mim,
no acalentar da saudade,
dos sonhos idos, sem fim.
FRANCINETE AZEVEDO.

5.
Tenho gritado por tudo
pela mamãe e o papai
o que me arrasa contudo
é meu grito que não sai.
WALDIR RODRIGUES.

6.
No brilho do teu olhar
numa expressão tão discreta
descubro quase a sonhar
este amor que me completa.
VICENTE ALENCAR.

7.
Eu sempre agi com prudência, 
às vezes me fiz de mouco,
por capricho e até decência,
ouvi muito e falei pouco.
GUTEMBERG ANDRADE.

8.
Minha mãe fazendo renda,
meu pai de chapéu de massa,
tudo passa nesta vida,
só a saudade não passa.
CÉSAR COELHO.

9.
Eu sou poeta da vida,
do bem, do amor, da saudade,
da fé sentida e vivida,
da santa e eterna verdade!
ALOÍSIO BEZERRA.

10.
Tenho uma grande ambição
é poder ser mais amado,
sinto no peito emoção,
e estar bem, sempre ao teu lado.
VITAL ARRUDA.

11. 
Teu doce olhar enternece, 
qual um mar calmo - mareja:
é a paz ungida de prece
no silêncio de uma igreja!
FERNANDO CÂNCIO DE ARAÚJO.

12.
Que você, saudade, fale
dela - barco do meu porto,
rio manso do meu vale,
berço do meu sonho morto!
BATISTA SOARES.

(Fundada em 11 de novembro de 1969)



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

UM POEMA DE REGINA BARROS LEAL



DELÍRIO
Regina Barros Leal

Tão diferente do ontem!
O hoje se transformando no amanhã.
Artimanhas do tempo!
 E eu o espreito.
Busco desvendar o insondável mistério do infinito
Mas não cabe no finito de minha compreensão
Sonho e em cada sonho
Eu me vejo surpreendida pelo inexplicável
Ao adentrar o imaginário, encontro minhas loucas fantasias!
Brinco com as estrelas e escorrego nas lâminas do raio fulgurante
A luminosidade espalha-se na imensidão do mundo!
 Choro de alegria e exultante canto a natureza
Envolta no véu, rasgo as vestes frágeis do ceticismo que me obstrui a visão.
Limpo a areia dos meus olhos lacrimejantes e vejo as cores do universo
Não consigo segurar as rédeas de minha ilusão!
Um dia eu tocarei os ventos!

Quem sabe?

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A TI, Ó PRÍNCIPE ARTUR EDUARDO BENEVIDES - ZENAIDE MARÇAL



Plenos de Poesia 
Zenaide Marçal
Para Artur Eduardo Benevides, após a leitura
de "Cantares do Outono"

Emana do teu livro uma energia
que é, bem sei, o halo da poesia
e sinto nele real transcendência
a impelir minh'alma à reverência.
Não sei bem explicar, mas, que importa?
Sei que a beleza vem bater-me à porta;
cada palavra me alimenta e cria
tal como fosse o pão de cada dia...
Sei que a Poesia resolveu ficar
e no teu peito decidiu morar...

Não te preocupes em chamar as Musas
porque aqui, ou mesmo em praias andaluzas,
canta tua alma pelo mundo afora,
seja nas ágoras ou no “aqui e agora”.
O teu poema é luz transcendental.
Não vês, Poeta? - és Universal!

A Pátria – a Terra! E nela cantarás
como Príncipe ou Rei, por onde quer que vás,
teus poemas de amor e de esperança.
Talvez na Serra que guardas na lembrança
ou no Saara, pensando que estás perto
do fim da caminhada - mas esse rumo é incerto!
Ou recitando em contrição tuas Cantigas
a visitar as catedrais antigas.

E nós os visitantes da tua poesia
(um barco cujas velas não temem calmaria)
chegamos a paragens ancestrais
sorvendo do teu verbo os cantos magistrais.
Encantados ficamos,
pois essa travessia tanto amamos
que, quando vislumbramos o fim dessa jornada,
ainda procuramos um pouco mais da estrada
do Amor e do Lirismo ao qual tu nos conduzes
num calmo andarilhar olhando as urzes
embevecidos. E vemos, comovidos,
que regressamos dessa romaria

PLENOS DE POESIA!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O ADEUS A ARTUR EDUARDO BENEVIDES




DIANTE DO PRÍNCIPE ADORMECIDO
Giselda Medeiros

A sala inteira condoía-se.
Ao seu centro, ele, silenciada a voz, olhos cerrados ao mundo. O peito cheio de quimeras (que, ainda, não haviam sido vividas) já não pulsava à presença da Amada, ali, olhando-o em seu último sono (Um grande amor chegou. Por que morrer?).
Dorme o poeta, enquanto as musas, ao seu redor, ninavam-lhe o sono e coroavam-lhe a fronte de louros. Querubins celestiais, perfilados, esperavam a voz de comando para o conduzirem ao trono majestático da Poesia Imortal, lá, nos siderais espaços inatingíveis aos humanos mortais.
E o Príncipe, sereno, na embriaguez dionisíaca do imponderável, pairava sobre tudo e sobre todos, iluminado por mansas candeias, metáforas dos versos incandescentes.
O que diria o Poeta acerca de tudo isso que se passava ao seu redor? Que poema comporia? Quais mensagens impregnaria em nós, ali, pesarosos, aflitos por sua eterna ausência física? Talvez dissesse: Não posso ser eterno. Sou tão pouco!
A sala, condoída, captava o som choroso e sublime do violino que chorava por ele nos acordes de suas canções preferidas. E ele parecia ouvi-las, em sua ausência, pois sentia-se-lhe o ar circunspecto de quem se extasiava (como sempre acontecera) diante do Belo.
Não se ouvia, porém, o lamento do seu coração inanimado, mas que ainda parecia sussurrar: Poeta e amante sendo, em mim o sentimento / Deixou de ser maré ou ímpeto de rio.
Na sala, vozes se alteavam em cantos litúrgicos, mãos se juntavam em preces silenciosas. Olhos deixavam verter, como um veio d’água, lágrimas azuis, metaforizadas em saudade.
Ah, Poeta, nem viste a dor que nos atormentava o peito, que nos deixava atônitos! Como viver sem ti, ó Príncipe, que nos comandava, que nos incentivava, que nos acolhia?
E a sala viu (ah, como doeu!), quando confinaram, para sempre, o teu modo solene, o jeito vago, naquele estrito espaço, que não era o teu espaço, tua visão de mundo, teu trono majestático. Por que sentir as cousas terminadas? Quem de nós poderia responder, Poeta?
A sala condoía-se...
E uma interrogação pairava no ar: Por que partias, ó Príncipe, se a Primavera chegava com suas perfumadas cores?

ARTUR EDUARDO BENEVIDES - O PRÍNCIPE DOS POETAS CEARENSES

ARTUR EDUARDO BENEVIDES - Nasceu em Pacatuba, 25 de julho de 1923, filho de Artur Feijó Benevides e Maria do Carmo Eduardo Benevides. Fez os preparatórios no Colégio São Luís e no Liceu, bacharelando-se em 1947 pela Faculdade de Direito do Ceará. Bacharel em Letras (1970). Presidiu o Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua e a Sociedade Acadêmica de Cultura Iniciou-seno jornalismo (“Correio do Ceará”, “Unitário”, “O Povo”, “O Nordeste”). Um dos fundadores do Grupo Clã, de cuja revista foi assíduo colaborador. Também escreveu em “Valor”. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia do Ceará. Diretor da Faculdade Católica de Filosofia. Professor titular da Universidade Federal do Ceará. Dirigiu o Departamento Regional do SENAC (Serviço de Aprendizagem Comercial) e o Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Rosário (Argentina). Príncipe dos poetas cearenses, a partir de 1985. Foi Diretor da José de Alencar. Ocupou o cargo de Chefe da Procuradoria da extinta LBA (Legião Brasileira de Assistência) no Ceará. Visitou grandes universidades européias (Oxford, Colônia, Bonn, Sorbonne, Lisboa), em todas colhendo observações práticas sobre currículos e orientação pedagógica. Participou do 1 Congresso Internacional de Escritores, do II Congresso Brasileiro de Escritores, dos Congressos Cearenses de Escritores e de Poesia.
Titular da cadeira n° 40 (patrono: Visconde de Sabóia), coube-lhe a honra de presidir a instituição no seu centenário, fazendo realizar programação comemorativa de alto nível. Portador de numerosas condecorações e medalhas, entre elas a do Mérito Cultural da Universidade Federal do Ceará, a Justiniano de Serpa (por serviços prestados à educação), a José de Alencar (pelos serviços prestados às letras e artes cearenses), a de Honra ao Mérito do SENAC (por sua colaboração à melhoria do ensino técnico-profissional no Brasil) e a Cidade de Fortaleza (concedida pela Câmara Municipal da capital cearense). Da Academia Cearense de Língua Portuguesa, da Academia Cearense de Retórica.
Membro correspondente da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro. Sua bibliografia é valiosa, reunindo importantes premiações; estreou em 1944 com os poemas de Navio da Noite; vieram depois Os Hóspedes (1946, em parceria com Aluísio Medeiros, Antônio Girão Barroso e Otacílio Colares). Outros livros de poesia: A Valsa e a Fonte (1950); Cancioneiro da Cidade de Fortaleza (1953); O Habitante da Tarde (1958); O Tempo; O Caçador e as Cousas Longamente Procuradas (1966); Canção da Rosa dos Ventos (1966);-O Viajante da Solidão (1969); Vida de Andarilho (1974); Elegias de Outono e Canção de Muito Amar e de Adeus (1974); Arquitetura da Névoa (1979); A Rosa do tempo ou o Intérmino Partir (1981); Sonetos à Beira-Mar e Elegias do Espaço Imaginário (1981), e Inventário da Tarde (1983), afora outros. Como ensaísta, publicou: A Lâmpada e os Apóstolos (1982); Universidade e Humanismo (1971); Uma Vida a Serviço da Cultura (1973); Idéias e Caminhos (1974); Evolução da Poesia e do Romance Cearense (1976); O Tema da Saudade na Poesia Luso-Brasileira (1979); Literatura do Povo: Alguns Caminhos (1980), e Camões - Um Tema Brasileiro (1983). Também se incluem na sua produção os contos de Caminho sem Horizonte (1958), a Antologia de Poetas Bissextos do Ceará (1970) e obras sobre educação. Detentor dos prêmios “Cassiano Ricardo”, de São Paulo; “Filgueiras Lima, do Ceará; “Farias Brito”, da Prefeitura Municipal de Fortaleza; “José Albano”, da Universidade Federal do Ceará, e “José Veríssimo”, da Academia Brasileira de Letras.
Fonte:1001 Cearenses Notáveis- F. Silva Nobre.
Data de Nascimento: 25/7/1923

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ÂNFORA DE SOL - GISELDA MEDEIROS


ÂNFORA DE SOL

                           



                            Na sala

                            a Ânfora cheia de sol...
                            Imponente, ao olhar de anjos,
                            esparge no ar
                            cheiros dourados
                            embebidos de lúcida liberdade.
                            E o meu olfato cego
                            enche-se do sal cheiroso
                            de suas entranhas.
                            Meus chinelos rotos, à porta,
                            denunciam reverência
                            à Ânfora imóvel, resplendendo em sol.
                           
                            Ao contemplá-la,
                            em sua altivez etérea,
                            meus olhos vestidos do cansaço humano
                            transfiguram-se em centelhas,
                            cativos de seu encantamento,
                            ametistas em noite de núpcias.
                           
                            E ela ali, imóvel, cheia de Sol,
                            Poesia no ar, em asas,
                            planando sobre minha inutilidade...
                           
                            Aí, então, desferi meu grito
                            angustiado
                            qual um punhal,
                            e renasci, na aflição de minhas cinzas,
                            qual fora fria gota cristalina
                            de orvalho
                            a deslizar sobre a pétala da saudade.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS COMEMORA SEUS 120 ANOS DE EXISTÊNCIA


A comemoração dos 120 anos de existência da Academia Cearense de Letras teve início com uma missa, celebrada na Igreja do Rosário, pelo Monsenhor Francisco Manfredo Ramos, imortal da instituição, também escritor e estudioso da obra de Santo Agostinho.
Em seguida, no auditório da instituição, houve a sessão solene, com a presença de Dona Yolanda Queiroz, presidente do Grupo Edson Queiroz; de Edson Queiroz Neto, superintendente da empresa Nacional Gás, e de Ricardo Pereira Sales, Secretário do Regional Centro, representando o Prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.
Durante a solenidade, a escritora e acadêmica Ângela Gutiérrez rememorou toda a história da Academia, fundada em 15 de agosto de 1894, sendo a primeira de seu gênero no Brasil. Ao final da solenidade, o presidente José Augusto Bezerra decretou abertas as inscrições do Prêmio Osmundo Pontes de Literatura - 2014, para publicação de obras inéditas de autores cearenses.
Na ocasião, foram homenageadas várias personalidades. Com a Medalha de Benemérito, a ACL condecorou o Governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes; o presidente do Banco do Nordeste, Nelson Antônio de Souza; Ivens Dias Branco; o chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor), Airton Queiroz; e Beto Studart.
Também foram agraciados com a Medalha Thomaz Pompeu os acadêmicos Murilo Martins, Pedro Henrique Saraiva Leão e Mauro Benevides.
Sobre a homenagem que recebeu, o Governador do Ceará, Cid Gomes, ressaltou a importância da ACL para a cultura cearense: “Fiquei lisonjeado com a honraria, pois a Academia Cearense de Letras é uma instituição mais que centenária. É um dever de quem pode, através de suas empresas, como vimos hoje que muita gente já o faz, apoiar essa instituição. Quem tem a responsabilidade pública também tem esse dever. Já de alguns anos, o Governo enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei para custeio da manutenção da Academia. É uma instituição pública, filantrópica, então nada mais justo que o poder público colaborar com o seu dia a dia”, ponderou.

Foi uma noite inesquecível, em que o brilho das Letras se fez mais esplêndido.

HISTÓRIA ICONOGRÁFICA


GOVERNADOR CID GOMES E ACADÊMICA GISELDA MEDEIROS


OS AGRACIADOS


ANGELA GUTIÉRREZ EM SUA FALA ACADÊMICA


A MESA, PRESIDIDA PELO ACADÊMICO JOSÉ AUGUSTO BEZERRA


JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA FAZ A COBERTURA DO EVENTO


CONVIDADOS EM TORNO DO DR. MURILO MARTINS


NÁDYA GURGEL COM  A ACADÊMICA GISELDA MEDEIROS


NÁDYA GURGEL E ACADÊMICO CID CARVALHO


CONCEIÇÃO SEABRA, WANIA DUMMAR E REJANE NORONHA


NÁDYA GURGEL, GISELDA MEDEIROS E ANA PAULA MEDEIROS


FERNANDA QUINDERÉ, CONCEIÇÃO SEABRA, ACADÊMICO JOSÉ TELLES E REJANE NORONHA


NÁDYA GURGEL, ANA PAULA MEDEIROS E VICENTE ALENCAR


MARIA LUÍSA BOMFIM, ACADÊMICA GISELDA MEDEIROS E JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA 


ACADÊMICO LINHARES FILHO, SUA ESPOSA MARIAZINHA E NÁDYA GURGEL


GOVERNADOR CID GOMES E CONCEIÇÃO SEABRA


NÁDYA GURGEL, EVENDINA E ACADÊMICO HORÁCIO DÍDIMO



ACADÊMICA GISELDA MEDEIROS E REJANE NORONHA


JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA ENTREVISTA ACADÊMICA GISELDA MEDEIROS 


A PLATEIA

Fortaleza, 28/8/2014
Academia Cearense de Letras
Evento comemorativo de seu 120º aniversário 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MAIS UM POEMA DE LILA XAVIER


O que dizem as almas livres

Os discursos aglutinados e as
Análises dos discursos
Colocam-me frente a frente
No mesmo campo semiótico
Daqueles que se encobrem sem
Quererem dizer
O que de fato querem dizer.

Nesse caso,
Quase sempre a palavra
Representa o que não lhe sai
Da consciência.

Então,
Como separar o “joio do trigo”?
O sentido do significado?
E sua superficialidade?
Ou sua contumaz limitação?

Como a palavra reveste o
Que fala o pensamento?

Saibam que a palavra fala o que
Sai das entranhas dos seres,
Em embustes indecifráveis.

Aqueles a quem o caráter se apresenta deformado
Coíbem o outro de saber
O que dizem suas almas livres
Cheias de um querer livre,
Do desejo primário
Do ensejo de desvelar-se e mostrar-se
Por meio das palavras
E de seus sentidos
Multiformes e
Furtacores,
Que repercutem boca a fora.

Externalizando falsas palavras,
Mesmo aquelas macias
Que se lançam fagueiras
Ao encontro de quem as ouvem,
São falsos os pensamentos
Que se permitem vestir
Com as palavras
Pois elas se embustem e não
Sinalizam que são embusteiras.

Então, pretendo
Com minhas mãos
Libertá-las de dentro de tais criaturas
Para que pensamento
E palavra, possam
Ser desvendados.

Sendo assim,
Cada pessoa se revelará
Sem máscaras
Simplesmente, como
Verdadeiramente é.

Lila Xavier

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

SIMPLESMENTE UM POEMA



ESTA NOITE
Sérgio Macedo

Esta noite,
Estarei, de fato, no desterro.
A bela música, que serviu de amparo,
Esvaiu-se com o tempo,
Perdeu seu significado mais nobre.

Esta noite,
a música bela deu lugar ao silêncio
Aos olhares perdidos entre si,
Sem nenhuma significação.

Esta noite,
O silêncio deu lugar à incontrolável nostalgia
A volta ao lugar de lugar nenhum
A volta ao tempo de tempo nenhum.

Esta noite,
A incontrolável nostalgia vai dar espaço
Ao mais absurdo tempo de não existir
À mais louca e longa espera
Por um nascer de sol que não virá

Esta noite que ora finda
Que não finda,
Vai espreitar uma caminhada serena
Ou apática? Ou perdida?
Ou sem rumo? Sem retas e sem curvas?
O que me diz essa espera,
e esse caminho, o que me fala?

Esta noite,
É a noite das brumas e dos espantos,
E dos pássaros dormindo

Nos braços do espantalho.