sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

APONTAMENTOS SOBRE A TROVA - ZENAIDE BRAGA MARÇAL



Apontamentos sobre a Trova
(Palestra proferida na Academia Cearense de Médicos Escritores)


  Segundo Artur Eduardo Benevides, saudoso Príncipe dos Poetas Cearenses, “na taxonomia poética trova é poesia lírica, com normas preestabelecidas e que não devem ser alteradas; vem de fontes eruditas e medievais. (...) Parece ter havido um consenso tácito sobre a consagração dos quatro versos de sete sílabas, o que deixa a trova mais forte. Ao longo do tempo foi ficando mais popular, mas não é subliteratura. Pede simplicidade, beleza e poesia. Se for muito literária, torna-se artificial”.

A Trova, quanto ao seu tamanho, inspirou muitos trovadores:

  De Ferreira Nobre:                                       
“A trova, segundo a norma                       
 da mais sábia experiência,                                              
é pequenina na forma,                                 
porém gigante na essência.”                       

De Batista Soares
“Num simples verso se prova
este mistério profundo:
na pequenez de uma trova
cabe a grandeza do mundo!...”
  
Agora vejamos algumas normas a serem observadas pelos que compõem trovas.  Estudemos as trovas seguintes:

No sertão, se a noite desce ___1° verso (A)          
e cobre o verdor dos campos,_2° verso ( B)          
a beleza permanece ________ 3° verso (A)          
no piscar dos pirilampos. ___ 4° verso ( B)          

Quando vejo teu sorriso       (A)
iluminando teu rosto            (B)
esqueço qualquer desgosto   (B)
e  antevejo o Paraíso...          (A)

Vejamos:
1 - A trova tem quatro versos (linhas);
2- Tem 7 sílabas poéticas por verso;
3- Tem rima;
4- Tem um tema – assunto principal contido na trova – (palavra)
5- Tem sentido completo.

Observemos:

 2-   A contagem das sílabas poéticas é diferente da das sílabas gramaticais.
Na metrificação poética, quando acontece o encontro de duas ou mais vogais, estas se unem formando uma só sílaba. Também precisamos saber que no verso não se contam as sílabas que vierem depois da última sílaba forte (tônica).

Ex: No/ ser/tão, /se/ a/ noi/te/ des/ce, (contagem gramatical: 9 sílabas)
      No/ ser/tão, /se a/ noi/te/ des/ce,  (contagem poética: 7 sílabas)
      E /co/bre/ o/ ver/dor/dos/cam/pos (9 sílabas)
      E / co/ bre o/ ver/ dor/ dos/ cam/pos (7 sílabas)

3 – Rima é igualdade de sons no final de dois ou mais versos.

Na trova acima,  desce - rima com permanece –1° e 3° versos.
                           Campos - rima com pirilampos - 2° e 4° versos. 

Disposição das rimas: ABAB, ABBA, ABCB, etc. A forma ABAB é a mais usada e aceita pela UBT- União brasileira de Trovadores, principalmente em concursos.

Exemplo de rimas de escrita diferente e sons iguais:

Sorrateiro, sem fumaça,                                 
Arrasador, inclemente,                                   
É aquele fogo que passa                                 
queimando os sonhos da gente!                     
   (Neide Rocha Portugal – PR)                           

Que eu te esqueça não me peças...
Não me obrigues a fingir
e a fazer falsas promessas
que jamais irei cumprir...
  ( Marina Bruna- SP)

4 – O tema neste caso é beleza  (dos campos).

5 – Tem sentido completo, isto é, a permanência da beleza nos campos apesar do escuro da noite.

Exemplo de trova com assunto incompleto e rima desigual:

Eu sinto ser trovadora                            
a cada hora bendita;                                 
a toda flor que descora,                            
choro com ela a desdita.                          
              ( D.N.Castro - SP)                               

Para revelar a beleza, a Trova tem como fator primordial a Poesia; não necessita de palavras rebuscadas, de difícil compreensão. O que importa é que possamos acomodar aquilo que desejamos exprimir nos limites um tanto apertados que a Trova nos oferece. Temos que captar o seu sentido como nesta trova que é uma das primeiras que fiz:

A trova é tão pequenina...
mas venço seu desafio:
dentro dela, na surdina,
sofro, choro, canto e rio!

A Trova transmite o amor, o riso, o pranto, enfim, o nosso jeito de pensar e, segundo o que expressa, tem várias classificações:
Lírica, Filosófica, Educativa, Humorística, Satírica, etc.

Não devemos complicar estudando logo no início todas as normas para a composição de uma trova perfeita. O que aqui foi explicado é suficiente para o trovador iniciante.

Algumas recomendações:

- Não é aconselhável fazer trovas de improviso.

- Antes de tudo, escolha um tema; anote possíveis rimas; tenha em mente a simplicidade; faça várias trovas sob o mesmo tema  e escolha a melhor.

Ex: Diante do tema – Perdão – fiz inicialmente duas trovas:

1-    Quero esquecer as ofensas,     
quero dar-te o meu perdão.            
É mais difícil que pensas               
perdoar de coração.                       

2 – Quem não sabe perdoar
não merece ter perdão;
é bom parar e pensar
em perdoar seu irmão...

Olhei as trovas e refleti que elas poderiam ter um pouco mais de poesia e talvez um melhor vocabulário. Assim, formulei mais duas trovas, tendo escolhido esta que mostro agora:

      O perdão é tão sublime
      que, por mais que a ofensa doa,
      põe uma paz que redime
      o coração que perdoa.

Alguns exemplos de trovas quanto à classificação:

Filosófica                                                                 
Saudade, tear sutil                                                  
que não se vê, mas se sente                                    
tecendo com fios mil                                               
o passado no presente.                                             
            Luiz G. de Arruda   
                                                   
Educativa
Sê como o mar, grandioso,
cujo esplendor estonteia,
mas, humilde e generoso,
vem bordar rendas na areia!
                 Giselda Medeiros

Lírica                                                                               
Daquele amor do passado                                      
Tu não escutas o grito                                            
Mas, o destino é traçado                                       
E eu te espero no Infinito.                                       
             César Coelho                                                         

Humorística
Uma mulata fogosa
mais quente que dez fogueiras
deixa a galera nervosa
ao balançar as cadeiras.
             Moreira Lopes

A Trova e os Trovadores

                              Canto meu canto de Amor,
                              Canto meu canto de Paz,
                              É próprio do Trovador
                              Pôr no verso o que lhe apraz...

Trovador: 

1- Designação dos poetas líricos dos séculos XII e XIII, que se expressavam na chamada língua d’Oc, falada no sul da França, especialmente na Provença. 

2- Designação dos poetas líricos portugueses que nos últimos séculos da Idade Média seguiam o estilo dos poetas provençais.

     Sabemos que na I. M. apenas os clérigos e alguns nobres tinham acesso à cultura, ao estudo das letras, e havia mesmo reis que não sabiam ler ou escrever. Os livros eram escritos à mão e, por isto mesmo, peças raras e de alto custo. A poesia era ligada à música. Os poetas cantavam seus poemas ao som de instrumentos musicais e tinham sempre como tema as Canções de Gesta – que eram poemas épicos, isto é, narrativas de feitos heróicos, das lutas sangrentas muito comuns na realidade daqueles tempos.

     No ano de 1096, Guilherme IX, Duque de Aquitânia e Conde de Poitiers, que era um dos poderosos da época, um homem cortês, sabia fazer versos, porém era reconhecidamente conquistador de mulheres. Procurando achar uma forma de chegar aos seus corações, encontrou, criando um poema onde falava de amor, da sinceridade do sentimento amoroso e da sua intensidade.  Esta forma de poema passou a ser chamada “Le trobar” na língua d’Oc que correspondia em francês ao verbo “trouver”, encontrar.  Daí, os que cantavam o “trobar”  - o Canto de Amor – passaram a ser chamados “troubadours”, isto é, aqueles que acham.

     Assim, Guilherme IX fez o primeiro  “canto cortês”, que falava de amor, na maioria das vezes de amores impossíveis, o que fazia eco nos corações apaixonados, enchendo de animação as noites nos castelos da chamada “idade das trevas”.

    Nasceu, então, a Cantiga Trovadoresca que representou o despertar da cultura leiga, desvinculada da cultura teocêntrica imposta pela Igreja.

     Hoje Guilherme IX é considerado o primeiro Trovador e o mais antigo poeta da língua d’Oc, a língua falada na Aquitânia, região que passou a pertencer à França, na região Sul, a Provença.  Na região norte, onde era falada a língua d’Oil,  os poetas  eram denominados “Trouveres”.  A Língua Romana, que era o latim vulgar falado pelo povo, originou  algumas formas regionais de falar, as quais, com o tempo, deram origem às chamadas línguas neolatinas – Português, Francês, Italiano e Espanhol.

     Não podemos desconhecer a figura de Aliénor de Aquitânia, neta e herdeira de Guilherme IX, que introduziu na Corte do reino da França quando Rainha de Luís VII e, também, na do reino da Inglaterra,quando Rainha de Henrique II Plantageneta, a cultura da língua d’Oc na qual se exprimiam os trovadores.

     Nos seus poemas o trovador cantava para a amada e pela amada, isto é, no seu canto ele fazia declarações de amor às quais ele mesmo respondia em nome dela. Os versos eram inspirados em acontecimentos da corte ou, na maioria das vezes, em romances fictícios.

     Os trovadores iam de castelo em castelo onde eram recebidos com cortesia porque, além dos seus cantos, eles eram fonte de notícias de outras cortes, naquele tempo de tão difícil comunicação. Os versos eram cantados ao som de instrumentos musicais, e aqui vale lembrar os nossos cantadores ou violeiros nordestinos.

    A Cantiga Trovadoresca, cultura dos poetas provençais, era o gênero mais popular naquela época medieval e espalhou-se além-fronteiras. Em Portugal, somente após 100 anos, no final do século XII, foi escrito o texto considerado o mais antigo canto galego-português. O movimento trovador ganhou espaço em Portugal e na Espanha e foi denominado Trovadorismo.

Tempos depois, D. Dinis, sexto rei de Portugal, o Rei poeta, promove a cultura e transforma a Corte num dos mais fecundos centros literários da Península Ibérica. Não somente incentivou os trovadores na sua corte promovendo saraus palacianos, como era, ele mesmo, um grande trovador.  A poesia, sob a forma de cantigas, foi, nessa época, a principal expressão literária de Portugal, embora tenha havido também uma pequena produção em prosa e teatro.  D. Dinis substituiu o latim pela língua vulgar portuguesa nos documentos oficiais. O Português chamado moderno surgiu somente no século XVI.

      As cantigas chegaram até nós por meio dos Cancioneiros, que eram coletâneas de poemas de vários autores.

     A literatura portuguesa exerceu grande influência sobre a literatura brasileira desde o período colonial.  A trova passou a ser cultivada a partir de 1950. O poeta J.G.de Araújo Jorge denominou Trovismo o movimento que deu lugar de destaque à trova nos meios literários brasileiros.  Em 1966, pela liderança de Luiz Otávio, foi fundada a União Brasileira de Trovadores - Nacional. O “Dia do trovador” foi fixado para 18 de julho, e São Francisco de Assis foi escolhido o patrono dos trovadores.

 A UBT de Fortaleza foi criada em 1969, em reunião que aconteceu na Casa de Juvenal Galeno, e por ela passaram trovadores da mais alta expressividade. É atualmente presidida pelo trovador e jornalista Vicente Alencar e tem como Presidente de Honra Gutemberg Liberato de Andrade.  Em suas reuniões mensais, às 10h00 do 1° sábado de cada mês,  conta com a participação de excelentes trovadores que amam verdadeiramente a trova e a fazem com maestria.
                           
                           Doce feitiço de amor
                           tem a trova, bem guardado,
                           porque todo trovador
                          é, por ela, apaixonado!

                                             Zenaide Braga Marçal – UBT-Fortaleza
                                             Fortaleza, 26 de janeiro de 2017 

Fontes de pesquisa:
La Poesie Occitane – René de Nelli
Documentos – Gutemberg Liberato de Andrade
Literature Française Pour les Nuls – Jean Joseph Julau
Panorama da Literatura Portuguesa – Roberto Cereja e Thereza Magalhães


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PENSAMENTO DO DIA



"A Dignidade e a democracia de um país passam pelas críticas e observações de sua Imprensa". 
(Jornalista e Radialista Vicente Alencar, Fortaleza-CE).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

FERREIRA GULLAR: SÓ AQUILO QUE NÃO SE SABE PODE SER POESIA



“Ferreira Gullar morreu e a mídia nacional deu muito destaque a ele. Mas deu um destaque parcial e distorceu os conceitos políticos que esse grande poeta brasileiro amadureceu ao longo de sua vida... Pouco foi dito da mudança radical que ele experimentou, abandonando, mesmo, a ideologia comunista...

 Vejam por que ele abandonou a esquerda e sua experiência vivida nos países comunistas...

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pelo regime militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile.

 Gullar dizia que “bacharelou em subversão” em Moscou durante o seu exílio, mas que devido a uma maior reflexão e experiência de vida se desiludiu com o socialismo.

Em homenagem a esse grande poeta brasileiro, resgatamos a visão de Ferreira Gullar sobre o capitalismo, o socialismo, o governo e o mundo em que vivemos por meio de 10 textos proferidos por ele em entrevistas e artigos.”
.
Sobre a esquerda: “Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é.”

Sobre o capitalismo: “O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento”.

Sobre a “exploração” capitalista: “A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador, e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista”.

Sobre a desigualdade social: “A própria natureza é injusta e desigual. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce inteligente, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção da riqueza que resolve isso”.

Sobre a militância no Partido Comunista durante a ditadura militar: “Eu fui do Partido Comunista, mas era moderado. Nunca defendi a luta armada. A luta armada só ajudou mesmo a justificar a ação da linha dura militar, que queria aniquilar seus oponentes. (As pessoas do partido Comunista) não lutavam por democracia, mas pela ideologia Comunista, e estavam sinceramente equivocadas. Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado”.

Sobre o socialismo: “O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer. O socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade”.

Sobre a ideologia marxista:“Frequentemente me pergunto por que certas pessoas indiscutivelmente inteligentes insistem em manter atitudes políticas indefensáveis, já que, na realidade, não existem mais. Estou evidentemente me referindo aos que adotaram a ideologia marxista, que, de uma maneira ou de outra, militaram em partidos de esquerda, fosse no Partido Comunista, fosse em organizações surgidas por inspiração da Revolução Cubana”.

Sobre Cuba: “Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo”.

Sobre a política de “psiquiatria democrática” adotada pelo governo (Ferreira Gullar teve dois filhos com esquizofrenia): “Existe uma política que o governo adotou, chamada ‘psiquiatria democrática’, que é um absurdo. Impede a internação. Eles acabaram com mais de quatro mil leitos. Por que chama “psiquiatria democrática”? Porque não interna. Mas é uma bobagem, ideológica, cretina, que não tem nada a ver com essa doença real. Eu, que lidei com essa doença, sei muito bem que não tem nada disso. Quando uma médica veio com essa conversa, perguntei: É a sociedade que adoece o doente mental? A doença mental não existe? É a sociedade que faz ficar doente? O fígado adoece e o cérebro não adoece? Por quê? É o único órgão divino?”


Sobre o mundo atual e a poesia: “O mundo aparentemente está explicado, mas não está. Viver em um mundo sem explicação alguma ia deixar todo mundo louco. Mas nenhuma explicação explica tudo, nem poderia. Então de vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia. Só aquilo que não se sabe pode ser poesia”.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

UM POEMA DE MARIA ODILA MENEZES




PASSAPORTE DO TEMPO

Com o passaporte da vida
Permito-me viajar
Envelheço, ponteiro anda
Acusando chegadas e partidas
Portos desconhecidos
Momentos passageiros
Tripulação não para
Sigo com humildade
A memória reverencia
Meu mundo antigo
Absoluto, permanente
Até que no convés
Espero a hora da partida.

(do livro Iluminuras)

sábado, 7 de janeiro de 2017

UM POEMA DE VICENTE ALENCAR



LIBERDADE
Vicente Alencar

A liberdade de criar
pertence ao coração.

Ele chama, conversa,
dita o que quer
e o que deseja.

Todo seu corpo
atende ao chamado.

Ali naquele momento
és apenas um ser
que ama.

Nada impedirá
seus pensamentos,
sua paixão,
o seu conforto de querer.

A liberdade de criar
faz seu coração dizer
tudo o que quer.

E você se encanta
e até se espanta
com tanto amor.


 (in "POESIAS ENTRANDO PELA NOITE")

sábado, 31 de dezembro de 2016

FELIZ ANO NOVO! - POEMA DE GISELDA MEDEIROS


Feliz Ano Novo!
Giselda Medeiros


O ano começa...
Uma nova luz te chegará
pela primeira aurora.
E teus sonhos serão sóis,
que hás de conservar ardendo,
sempre em chamas.
Eles te impulsionarão,
da aurora ao arrebol de cada dia
da tua vida!
A felicidade, então, te sorrirá,
em asas e plumas,
mesmo na languescência
dos poentes...
E A LUZ!
A luz do teu sonho
virá, sempre,
pela madrugada sangrenta,
e desabrochará,
linda e majestosa,
em pétalas!
Faça-se a Luz!
Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

MENSAGEM DE NATAL - PAPA FRANCISCO


  O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.
      Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.
      O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.
      Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.
      Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.
      A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.
     Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.
     A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.
     Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.
      A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.
      O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.
      O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.
      Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.
      A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.
      Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.
      Um Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.
                                                                                                                     Papa Francisco


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

INAUGURAÇÃO DA BIBLIOTECA MARCELO LINHARES, DA ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS

FOTOS DA ASSINATURA DE CONTRATO DE COMODATO ENTRE FARIAS BRITO E ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS.
INAUGURAÇÃO DA BIBLIOTECA MARCELO LINHARES E DO ESPAÇO DA PALAVRA.









domingo, 4 de dezembro de 2016

MORRE, AOS 86 ANOS, O POETA FERREIRA GULLAR



Indicado ao Nobel de Literatura e detentor de dois Jabutis e do Prêmio Camões, escritor maranhense é conhecido por obras como "Muitas Vozes" e "Poema Sujo", considerado sua obra-prima. Ele morreu de pneumonia.

Gullar, cujo nome verdadeiro era José de Ribamar Ferreira, era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014. Ele nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930.
O maranhense descobriu a poesia moderna aos 19 anos de idade, ao ler Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Segundo perfil no site da ABL, de início, o jovem ficou escandalizado, mas logo se tornou um poeta experimental radical.

"Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema", disse ele. Em 1954, o livro A Luta Corporal o lançou no cenário literário. Os últimos poemas do livro provocariam o surgimento na literatura brasileira da "poesia concreta", de que Gullar foi um dos participantes. Mais tarde, ele passou a integrar o grupo neoconcreto, formado por artistas e poetas do Rio de Janeiro.
Gullar levou suas experiências poéticas ao limite da expressão, criando o Livro-Poema, o Poema Espacial e o Poema Enterrado. Este consiste numa sala no subsolo a que se tem acesso por uma escada; após penetrar no poema, deparamo-nos com um cubo vermelho; ao levantarmos este cubo, encontramos outro, verde, e sob este ainda outro, branco, que tem escrito numa das faces a palavra "rejuvenesça".

Luta política
Depois do Poema Enterrado, Gullar partiu para a luta política revolucionária. Ele aderiu ao Partido Comunista e passou a escrever sobre política e participar da luta contra a ditadura militar. Teve, então, de recorrer ao exílio em Moscou, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires.
Durante o exílio na capital argentina, ele escreveu o Poema Sujo, que com quase cem páginas é considerado sua obra-prima, tendo sido traduzido para várias línguas e publicado em vários países.
No campo do teatro, após o golpe militar de 1964, o escritor e um grupo de dramaturgos fundaram o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência à ditadura. Com Oduvaldo Vianna Filho, Gullar escreveu as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída?

Retorno ao Brasil e prêmios
O poeta voltou ao Brasil em 1977, e foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, ele voltou a atuar na imprensa carioca e, depois, como roteirista de televisão. Em 1980, Gullar publicou Na vertigem do dia e Toda Poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então.
Em 1999, ele publicou Muitas Vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Três anos depois, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

Ele foi agraciado com o Prêmio Jabuti duas vezes, em 2007 e 2011, por Resmungos e Em Alguma Parte Alguma, respectivamente. Em 2010, Gullar recebeu o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário dos países de língua portuguesa.

POEMA DE FERREIRA GULLAR


Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


sábado, 3 de dezembro de 2016

UM POEMA DE ANA PAULA MEDEIROS


TEOREMA DA DISTÂNCIA
Ana Paula de Medeiros Ribeiro

Distância, na geometria,
É reta que liga dois pontos. No amor,
É silêncio
É linha sinuosa
Que desvia caminhos
Evita estar próximo
E economiza carinho.
Para saber a distância,
na matemática,
Aplica-se um teorema
Traça-se a reta
Desenha o triângulo
Soma catetos.
No amor,
É equação diferente
Mede-se o desejo
A intensidade do beijo
A soma do quadrado dos minutos
Do querer estar junto
Mesmo quando não dá
Quanto mais perto do zero
Mais longe se está.
Na geometria,
distância é valor numérico
Expresso em cifra fria.
No amor,
Distância é agonia
É sofrimento também
É líquido derramado
Feito lagoa nos olhos
É aguardar um "bom dia"
Que nem sempre vem.
É dor que não tem forma
É abandono que faz chorar
É fome, naufrágio
Um poço de saudade
Mais profundo que o abismo

E bem maior que o próprio mar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

ENSAIO SOBRE "OS DIAS ROUBADOS", POR ROSA VIRGÍNIA



Fortaleza, 13 de novembro de 2013
Caro amigo,
Viajante das almas belas e frágeis,
dos corpos esculturais e dos dilacerados,
Saudações.

De um Ensaio Subjetivo para Os Dias Roubados[1]

Chego até você vendo seus olhos de surpresa num riso tímido e feliz. Almejo à Rose e aos seus filhos as melhores horas de todos os dias na graça de tê-lo.
Somente agora pude viajar pelas páginas de Os Dias Roubados. Título bem apropriado ao enredo: roteiro inédito e criativo na arte da escrita e da imagem.
Seu magnífico olhar é lançado com a humildade dos que sofrem. Das mais sinceras confissões que o coração humano pode suportar. Penso e sinto como foi doloroso para o iluminado escritor compor personagens sem luz dentro de si. Tecer um véu de angústia e solidão intensa. Caminhar pelas sombras de solitárias figuras. Sentir a matéria dominar o espírito. Vivenciar o desamparo social e cósmico. Entrelaçar o passado e o futuro sempre perto de cada um de nós.
Prezado amigo, abro uma porta para mim. Preciso de luz para divagar por suas sombras. Um sobrevoo apenas. Mergulhar nelas eu nunca poderia, são suas, construídas no milagre da inventividade. Até porque o cárcere penitenciário é um tema obscuro para mim. Realidade de milhares de presos. Não posso invalidar o desespero sentido dos que nele morreram, sobreviveram e sobrevivem, suas condições sanitárias e assistência médica. Querer imaginá-la é “roubar” a dimensão de suas próprias angústias, uma dor única de cada um.
Querido amigo que muito me honra conhecer, em breve momento trago-lhe, em outro paradigma, minhas reflexões: já morri muitas vezes... E como Monalisa, eu descobri “todos os segredos do túmulo”. Perambulo entre raios de sol e gotas de chuva, num passo lento mais de dor no espírito do que dos anos que de mim se apoderam. O espírito domina a matéria. Neste patamar meu aprisionamento veste-se de azul.
A alma é livre! É policêntrica! Quando é subtraído do corpo o direito de seus desejos, a alma encontra um novo imput de sensibilidade. Novas colinas para a nostalgia. Pequenos grãos de bons sentimentos dão sabor à vida. Isto, porém não evita a dor, mas traz alívio. O sacrifício só é suportável pelo amor e pela fé.
Retomemos o livro. Diga-me quem de nós mortais não teve, em outras circunstâncias, os dias, as horas roubadas? Como diz Negri: “Quando trabalhamos nossa alma se cansa como um corpo, pois não há liberdade suficiente para a alma, assim como não há salário suficiente para o corpo.” O quanto nós não arriscamos em nome de mais um instante de amor? Em nome deste instante,assim como ocorre com muitos, o narrador-personagem de Os Dias Roubados se compromete para além do que gostaria. Ele sabe que o outro (Águida) que se apresenta, não abarca a dor da perda, ao perdê-lo. Sabe que neste amor não havia profundidade cultivada, nem respeito pelos mistérios que se encontram numa relação. Ele sabe deste abismo, mesmo assim se arrisca. Mas se perde nos labirintos da paixão por Danila, que no futuro próximo o abandona à solidão. Ele conhece o desamor. Infelizmente, nunca ouviu Adele em Someone Like You. Inocente ele paga o preço de 15 anos de cárcere sem manifestar raiva de Águida por ter se matado a ela e ao filho. Em seu íntimo ele acolhe a culpa, assim como alguns de nós. Mas em sua razão se revolta porque não é culpado e se consola na parede de Píramo e Tisbe. O amor do prisioneiro sem identidade era apenas humano e o de Águida, o lado escuro do amor, ambos caindo no reino do destino. Lembro Tosca - Puccini “É lua cheia e o perfume noturno das flores, arrebata-me o coração... é profunda a miséria dos profundos amores.” Mas se salva pela própria natureza de escritor que lhe sorri e, exorcizando no escorrer das palavras o tempo que lhe foi roubado, liberta-se dos grilhões da prisão; apesar de sua própria alma continuar encarcerada. Ou seja: ainda que liberto por Ascânio, que lhe revela a atitude trágica de Águida, ele permanece sem encontrar os tesouros da vida. Não compreende que o desejo de amor, que existe em nós, traz também uma ânsia de solidão.
Ouve apenas o grito que lhe persegue, face ao desatino cometido por Águida. E isso o conduz ao desespero. No suicídio contamos com a misericórdia de Deus. Ele não acolheu o sangue derramado de Águida e do suposto filho, por amor. O grito, cada vez maior, pouco a pouco silencia sua psiquê entorpecida.
Nenhuma proximidade com as pessoas devolve-lhe a alegria no coração. Não olhava mais para fora de si mesmo. Não havia mais espaço dentro dele, que morria nas páginas pelas quais vivia envolto na fragilidade da solidão. Ele estava para além do sentimento e da percepção de que é o outro que nos revela.
Quando Felícia, fonte de amparo e beleza, desaparece, o narrador-personagem, no habitual trânsito do pseudodiálogo, revela sua mente ao ser acometido por um pico esquizofrênico (páginas 87 e 88). Seria falta de Lítio ou fragilidade das Patologias do Amor?
Então compreendo porque ele não absorveu o mito clássico de Daphne e Apolo, que fala do sonho da fuga. A moça que vira árvore e seus ramos se bifurcam para o céu, sugerindo vários cominhos para a alma. Ele era sempre dois. Ambos sem nenhum clarão interior, Sem o equilíbrio da mente: sempre é noite!
Na célebre frase que permeia a narrativa e se torna o seu epitáfio, “A noite não tarda, mesmo para os que veneram o sol”, metaforicamente a noite é a sombra que lhe chega e acompanha; o sol, sua miséria humana. Isso enquanto ele não fecha os olhos para sempre e seu corpo passa a repousar sob a fria lápide materializada com a anunciada inscrição.
Quem era Felícia? Para mim, eram-lhe raios de sol, vindos à sua mente, uma Vênus nascida das espumas do mar, a diva do conto “Sobreviventes”, pags. 75 e 76 do livro Mundo dos Vivos[2]. Entre quatro paredes coube o universo. Ela vestia-se de eternidade com trajes de um momento. Poderia ser a princesa Tisbe − a paixão que deu cor às amoras − mostrando-lhe os obstáculos e os desencontros do amor. Poderia ser Daphne convidando-o a brincar, já que a fuga da intimidade tem algo sedutor para quem foge e para quem persegue.
Quem era Aglaís? Uma lembrança! Uma possibilidade!
Percorrido assim um pouco o caminho ontológico da condição humana, proponho que cada pessoa deve encontrar seus próprios mistérios de amor, de esperança, de verdade e de fé. E deste modo a história continua com nossas mentes povoadas de condicionais e dúvidas, pois, quem de nós não traz no coração os “se” e os “talvez” da vida?

Minhas considerações finais na abordagem do caminho.
O narrador-personagem não tem identidade, não possui nome. Mas isso não o nega como pessoa, indivíduo, na sua realidade mental e moral. Não se trata aqui de negar o mal como oposição ao bem, sombra como oposição da luz, pois sabemos que os contrários andam juntos. Nem se trata de dizer que as sombras são somente negativas, reprimidas e ocultas, pois também trazem impulsos criadores. Ele veio da luz, perdeu-se nas profundezas das próprias angústias do seu ego e permaneceu retido em várias prisões enquanto exercia um papel simbiótico com o ato da escrita. Seus relatos nunca saíram da caverna, uma vez que ele nunca mais veria a luz, nem em si, nem no mundo exterior contemplado pela razão, o que não significou a invalidação de sua vida consciente. Seu corpo (discussão para outro momento), enquanto viveu a luz do mundo real e ele, lúcido, dissertou sobre leituras e mitos, descreveu ruas e a cidade, cafés e episódios do dia a dia.
Ao levar consigo para dentro da caverna (cárcere ou manicômio), as experiências e lembranças vão se misturando e se digladiando até matar o outro que existe em si. Estabelece-se em predominância no seu self o lado obscuro da sua personalidade, arquétipo sombrio da sua psiquê. Ele era um prisioneiro de si mesmo. E assim o seu ser vai se apagando até a morte.
O “Relato de Contraponto” surge como ponte do criador, Carlos Vaz, para que possamos compreender a criatura: o seu livro.
Os Dias Roubados, na perspectiva de seu brilhante autor, nos mostra como cada um de nós pode cair em abismos profundos, sombrios e frágeis de nossa psiquê, de nossa alma (anima) ou de nossos destinos.
Deixo como sugestão aos professores de Filosofia, encampar Os Dias Roubados aos estudos acadêmicos das universidades de seus magistérios. E como tal, uma obra apropriada à discussão da nova realidade contemporânea.
Se um inesquecível amigo, filosofo e poeta, funcionário do Banco Central e professor da UECE, vivo estivesse − falo de Nelson Castelo Branco Eulálio Filho, um homem que amava olhar o céu da noite; magrinho, não era alto, usava botas de couro pretas, antigo hábito que trouxe de Brasília − indicaria a ele Os Dias Roubados, um livro admiravelmente concentrado em 95 páginas, um Tratado dos Negros e Vermelhos abismos da Condição Humana, a ser discutido em suas aulas, à perspectiva da luz filosófica.
E ele, como filósofo existencialista, brindaria primeiro ao sabor do velho Teacher’s no barzinho defronte a faculdade.  Depois, afagando a longa barba grisalha, abriria um sorriso e me diria: “Putz grila! Rosinha!”. Nunca uma cadeira vazia significou tanto por tão longo tempo! Lá no céu azul, entre as estrelas ele cintila. Peço licença para um pouco desta carta ser dedicado a ele. Há mais de vinte anos não o vejo, nem mais o verei. ‘‘E nenhum outro cisne branco nadou mais ao meu lado”.
Sinceros agradecimentos pelo convite ao lançamento de sua obra-prima. Quem sabe, num futuro momento, eu lhe chegue como as simpáticas cartas que o personagem sem identidade recebia de seus leitores ao repartirem uma dor consentida.
Meu caro Carlos Vaz, eu fico por aqui compartilhando a famosa solução do poeta Rainer Maria Rilke para os relacionamentos: cada pessoa proteja a solidão da outra. Vou-me, deixando esta carta nas mãos de Hermes, o mensageiro da alma, e de Mercúrio, que presidiu a escrita.
Um afetuoso abraço de
Sol, flores, chuvas, luas e estrelas. A você e aos seus,
Porque assim as grandes almas são feitas.
Rosa Virgínia Carneiro de Castro.




[1]             VAZCONCELOS, Carlos. Os dias roubados. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2013.
[2]             VAZCONCELOS, Carlos. Mundo dos vivos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2008.