terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

“Conhecimento do rebanho e das ovelhas”: o sacerdote, de acordo com João Paulo II Anotações pessoais do papa polonês são publicadas pelo cardeal Dziwisz


 Fez alarde na mídia, entre ontem e hoje, a notícia de que São João Paulo II manteve uma “relação de grande proximidade“, ao longo de mais de 30 anos, com a filósofa polonesa naturalizada norte-americana Anna-Teresa Tymieniecka.
A correspondência intercambiada entre o papa e a filósofa, segundo a mídia, teria sido “mantida em segredo” pela Biblioteca Nacional da Polônia durante anos.
A história
Eles se conheceram em 1973. Karol Wojtyla era arcebispo de Cracóvia. Anna-Teresa viajou dos Estados Unidos até a Polônia para conversar com o então cardeal sobre um livro de filosofia que ele tinha escrito.
Pouco tempo depois, começou a correspondência entre o cardeal e a filósofa, que decidiram trabalhar em uma versão ampliada do livro. Os dois se encontraram a partir de então muitas vezes e intensificaram a correspondência, que, naturalmente, com o tempo, se tornava menos formal.
Em 1976, o cardeal Wojtyla participou de um encontro católico nos EUA e foi convidado por Anna-Teresa para ficar na casa de campo da família, em Vermont. Grande apaixonado pela natureza, Wojtyla aparece em fotos daquele verão bastante alegre e descontraído junto à família de Anna-Teresa.
Em setembro do mesmo ano, ele escreve para ela:
“Minha querida Teresa, recebi as três cartas. Você escreve que está arrasada, mas não consegui encontrar resposta para essas palavras (…) No ano passado, já estava buscando uma resposta para essas palavras: ‘Eu pertenço a você’. E, finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma forma: um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante”.
O teor dessas cartas pode dar a entender que Anna-Teresa tinha se apaixonado pelo cardeal. Esta é a opinião, por exemplo, de Marsha Malinowski, a comerciante de manuscritos que negociou a venda das cartas para a Biblioteca Nacional da Polônia. “Acho que isto se reflete completamente na correspondência”, conclui ela, em entrevista à rede BBC.
Anna-Teresa não foi a única mulher com quem o futuro papa João Paulo II manteve correspondência e amizade. Desde a juventude, Karol Wojtyla cultivou uma saudável relação de proximidade com várias amigas, entre elas Wanda Poltawska, psiquiatra com quem trocou cartas ao longo de décadas.
O que causou barulho na mídia no caso de Anna-Teresa foi a “intensidade pessoal” das cartas e o fato de que a filósofa era casada. De fato, após o horror nazista e a Segunda Guerra Mundial, ela tinha se mudado para estudar nos Estados Unidos, onde se casou e teve três filhos.
Uma amizade intensa e familiar
O marido de Anna-Teresa, Hendrik Houthakker, também era amigo de João Paulo II. Hendrik era um renomado economista de Harvard e, após a queda do comunismo, aconselhou o papa sobre a economia dos países do Leste Europeu. O papa o homenageou pelos serviços prestados.
Quando João Paulo II foi diagnosticado com o mal de Parkinson, Anna-Teresa passou a visitá-lo com frequência, além de lhe mandar flores e fotos da casa de campo de Vermont, que tanto encantara o cardeal Wojtyla no verão de 1976.
Depois da última visita do papa à Polônia, ele escreveu para Anna-Teresa sobre sua pátria: “Nosso lar comum; tantos lugares onde nos encontramos, onde tivemos conversas tão importantes para nós, onde vivenciamos a beleza da presença de Deus“.
A mídia, os internautas e suas previsíveis interpretações
Uma amizade cultivada tanto em família quanto em particular, na qual se vivencia e destaca “a beleza da presença de Deus”… Hmmm, não parece uma realidade palpável para boa parte da imprensa laica e dos seus leitores.
O barulho da mídia (e dos internautas que distribuem suas doses de infantilidade em forma de comentários) foi impulsionado, para variar, pelos “furores venéreos” típicos da nossa “cultura” sexualmente frustrada e doente: o que pipocou em torno à revelação da correspondência entre São João Paulo II e Anna-Teresa Tymieniecka não foi a beleza da amizade, a vivência pessoal e intensa da espiritualidade, um diálogo aberto sobre sentimentos e sua sublimação, a transparência afetiva, os conteúdos filosóficos debatidos, a natureza, a família, a pátria, Deus. Não, nada disso. O que pipocou, previsível e mediocremente, foram as pobres e vulgares insinuações de algum possível escândalo sexual.
É verdade que boa parte dos artigos fez a ressalva de que “não há sugestão alguma de quebra do celibato por parte do papa“, mas também há insinuantes martelamentos em aspectos como “a mulher era casada“. E se fosse solteira? Não haveria, será, o mesmíssimo insinuante martelamento no fato de que “a mulher era solteira“? E se fosse viúva? Zzzzz.
Nossa sociedade tem dificuldades graves para construir e nutrir amizades sólidas. Amizades profundas são uma raridade. Entre homem e mulher, então, quase uma aberração. Entre homem e mulher e sem sexo? Hahaha. Amizades capazes de transparência afetiva e abertura filosófica e espiritual soam quase tão alienígenas quanto a beleza da castidade e do celibato por parte de um homem forte, jovem e saudável. E amizades em que há intercâmbio de correspondência, para pessoas que mal sabem produzir uma linha sem erros de ortografia, parecem ser, irremediavelmente, incompreensíveis.

Pobre mundo. Ora pro nobis, São João Paulo II.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

NOBEL DE LITERATURA: LYGIA FAGUNDES TELLES É INDICADA

O Nobel distante do Brasil 


 Lygia Fagundes Telles foi a escritora indicada este ano pela União Brasileira de Escritores para o Prêmio
A escritora  Lygia Fagundes Telles tem obras traduzidas para oito idiomas, como polonês e tcheco

 
A indicação da escritora Lygia Fagundes Telles, de 92 anos, provocou burburinho nas redes sociais e acendeu, mais uma vez, a esperança de um autor brasileiro conquistar o Prêmio Nobel de Literatura. O nome da ficcionista foi o escolhido pela União Brasileira de Escritores - instituição, regularmente, convidada pela Real Academia Sueca para sugerir concorrentes.
De certa maneira, a ânsia de um dos nossos escritores ser agraciado com o Nobel lembra a eterna torcida para levarmos um Oscar, na categoria de Filme Estrangeiro (as demais, nos parecem demasiado distantes, senão inacessíveis). Acontece que, se há filmes nacionais que justificam a empolgação dos cinéfilos, o mundo literário costuma vacilar diante da escolha de seu concorrente aquele que é o mais famoso prêmio literário do mundo.

Não falta quem torne pública a sua indignação diante de uma "injustiça história". São aqueles que evocam nomes que mereciam ter recebido, caso dos gigantes Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Insistir nesse ponto, do que deveria ter acontecido, é esquecer que outros grandes nomes da literatura também ficaram de fora da lista da honraria. O francês Marcel Proust não levou, talvez por tocar em pontos polêmicos à época, com seu "Em busca do tempo perdido". O irlandês James Joyce sequer foi indicado. E, ainda hoje, os argentinos se ressentem por Jorge Luis Borges não ter levado o prêmio.

O problema dos escritores brasileiros contemporâneos não é a falta de talentos literários. Difícil mesmo é chegar a um consenso quanto ao candidato brasileiro. Os EUA têm uma lista de favoritos, com Philip Roth à frente; os japoneses, Haruki Murakami. Aqui, alguns nomes são recorrentes, como o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar e a romancista Nélida Piñon, já indicados pela UBE. A entidade, contudo, já fez indicações difíceis de entender. Em 2014 e 2015, o nome encampado pela UBE foi o do baiano Moniz Bandeira - diplomata, historiador e cientista político, com incursões pela poesia, e pouca expressão no meio literário brasileiro. A opção por Lygia Fagundes Telles aponta em outra direção

Reconhecimento

A escolha de Lygia, autora de Ciranda de Pedra e As Meninas, entre tantos outros sucessos de crítica e de público, foi unânime. "Lygia é a maior escritora brasileira viva e a qualidade de sua produção literária é inquestionável", disse o advogado e escritor Durval de Noronha Goyos, presidente da UBE, em comunicado.

No fim do ano, ela venceu o Prêmio Fundação Conrado Wessel 2015 na categoria Cultura, e ganhou R$ 300 mil. A cerimônia de entrega deve ocorrer ainda neste semestre. Em novembro, ela foi homenageada durante o Encontro Mundial de Invenção Literária, em sessão da Academia Paulista de Letras (ela é imortal, também, da Academia Brasileira de Letras), e causou comoção ao dizer que sua luta foi "heroica e desesperada". Lygia Fagundes Telles fez história ao se tornar uma das primeiras mulheres a estudar Direito no Largo São Francisco.

A autora tem obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco e tcheco. Alguns de seus títulos foram adaptados para o cinema, teatro e televisão. A presença de Lygia no mercado estrangeiro é um ponto positivo para sua candidatura. 

Ainda que o Nobel não recorra exclusivamente a este critério (vide a premiação do francês Patrick Modiano, em 2014, que à época só tinha um único título disponível em inglês e, no Brasil, estava com seus poucos livros traduzidos fora de catálogo), analistas apontam a diminuta expressão do português no mundo editorial e literário, em escala mundial, como um dos obstáculos enfrentados pelos escritores brasileiros. 

Desde a primeira edição do prêmio, em 1901, apenas um autor de língua portuguesa recebeu o Nobel de Literatura, o português José Saramago, em 1998.

Os mais recentes premiados com o Nobel de Literatura foram a bielorrussa Svetlana Alexievich (2015), o francês Patrick Modiano (2014), a canadense Alice Munro (2013), o chinês Mo Yan (2012), o sueco Tomas Tranströmer (2011) e o peruano Mario Vargas Llosa (2010).

(Com informações da Agência Estado)

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/o-nobel-distante-do-brasil-1.1486634 http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/o-nobel-distante-do-brasil-1.1486634

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

TRÊS POEMAS DE SÉRGIO MACEDO



ILUSÃO

Os mares invadem os litorais de tua vida
Talvez valha invadir os mares
Adentrar até os horizontes
Derramado sobre as serras
Delas extrair todos os desertos possíveis
Criar a solidão que transcende quaisquer isolamentos
Debruçar-se sobre as chuvas insofismáveis
E criar os mares a partir dessas ilusões.




CANDEIA

 Mesmo após se por,
Horizonte turbulento e lúgubre,
Permaneceu pairando entre nós,
Anjo branco.

Mesmo em luzes apagadas
Encontrou e mostrou caminhos,
Desvendou segredos,
Abusou de ser presente
Na ausência.

Legendário mestre e criador
De magnas virtudes
Jamais aceitou as ladeiras do tempo:
Enfrentou-o de igual para igual,
Olhou-lhe os olhos e o fez
Olhar o chão.
Nunca morreu, morrendo,
Pois, só parte de vez o que não cria,
Quem não deixa legado. 
Só vai completo
O que nada inova nem estimula.
Morrer, portanto, uma mentira,
Uma invenção
Para selar o tempo
Dos que não deixam saudades.




 ALMA/ tempo em atraso

Ela não disse nada,
silêncio de sepulcros,
alma aprisionada ao universo.
Eu só queria que voltasse um pouco,
sentada em um cadeira de balanços,
nesse vento gostoso da manhã, conversasse comigo.
não suportou e foi-se
deixando-me órfão de emoções.
Sua cadeira  de balanço, nunca usada, vazia, tem nome de tédio.
O vento de todo o dia,

Vazio, balança a cadeira,
Como se me alentasse
Em sua ausência.
Em seu lugar, também
Seria refém do universo,
Tirana prisão,
Largaria de mão quem não percebe
A luta ou não a quer,
Deixaria de lado o centurião fugidio,
Mataria todos os deuses do depois,
Do depois sem solução,

Do depois inevitável dos soluços.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Texto muito bom do Professor Vianney Mesquita: leia-o



Apreciação Literocientífica

ESTUDANTE ABJETO: ESTADO SEM COMPROMISSO?

Vianney Mesquita*

A escola elementar deve ser tão franca e tão obrigativa a todos como a pia batismal.(A. F. DE CASTILHO).
Quando o Estado tem ordem, é vergonha ser pobre e vulgar. Quando o Estado se encontra no caos, vergonha é ser rico e mandar. (CONFÚCIO).


Concluí, há pouco, revista da relação de doutoramento de autoria da filósofa e pedagoga, docente da Secretaria de Educação do Município de Fortaleza, Magister Scientiae e investigadora de temas sociais - Valéria Cassandra Oliveira de Lima - sob a orientação acadêmica da Professora Doutora Ercília Maria Braga de Olinda – FACED – Universidade Federal do Ceará, com o título Alunos Abjetos: Etnografia da Inclusão numa Escola Municipal de Fortaleza.  
Muito me contenta exprimir a verdade segundo a qual, nos mais de trinta anos na atividade de copydesk de textos diversos, notadamente de teor acadêmico, esta tese se inserta nos cinco melhores dos quais procedi à revisão, nesse âmbito temático.
Quem o deparar vai perceber que o trabalho foi efetivado com soberana fidelidade aos pressupostos da ordem científica, obediente às determinações da metodologia, tanto na parte adjetiva da escrita quanto no lado substantivo da recolha dos elementos anímicos do relatório, no trabalho rural magnificamente operado, sem qualquer paixão refalsada, em circunstância de enorme risco físico pessoal e velada ameaça psicológica, quando realizadas as denominadas “tarefas de campo”.
 Sob esse aspecto, ainda, o conjunto textual restou absolutamente conformado às condições morais e intelectuais exigidas de um produtor de entendimentos, ao executar um procedimento oriundo do saber ordenado, em especial pelo fato de a autora haver defendido, com alegações pessoais corretíssimas, posições terminantes contra a existência das pessoas havidas como abjetas, nódoa pespegada, também e principalmente, a alunos especiais de uma escola pública localizada na “Grande Messejana”, aqui em Fortaleza, seu campo de prova por dois anos e cuja tese vai sustentar, proximamente, na Faculdade de Educação da U.F.C., com vistas à obtenção do título de doutor.
No resguardo de seus pontos de vista, no entanto, não externou, por inexistente, ânimo enviesado ou determinação viciosa, principalmente pelo fato de se haver reportado aos melhores autores das Ciências da Educação e afins, nacionais e do Exterior, como, exempli gratia e entre muitos, a filósofa estadunidense Judith Butler, o sociofilósofo francêsMichel Foucault e a intelectual brasileira Eveline Bertino Algebaile, produtora de textos sobre escola pública, docente da Universidade Estadual do Rio Janeiro.
A nenhum dos escritores a quem recorreu, ressai exprimir, ela se curvou, tampouco se mostrou submissa, haja vista o seu preparo, manifesto com segurança, detidamente operado num escrito de quase trezentas páginas de arrazoados lógicos, sem raiva nem preconceito (sine ira et studio) – no dizer de Caio Tácito - muito bem meditados e em comunicação facilmente legível por parte de pares seus na Academia e pessoas de boa capacidade de decodificação, incluindo, em especial, as autoridades educacionais da Prefeitura de Fortaleza.
 Pelo fato de o esmerado escrito da Professora Doutora Valéria Cassandra aportar literatura de absoluta necessidade ao temário educacional brasileiro, mormente no campo da inclusão educacional, na senda dos ensaios sobre indisciplina no chão da escola e terrenos afins, guardo a esperança de que seja editado em livro (sugiro Aluno abjeto: Estado Irresponsável?) para circulação por todo o ecúmeno educativo nacional e das nações lusófonas, destino por ele merecido e fonte obsequiosa a novos experimentos no mencionado rol temático, no âmbito dos mencionados países.

Congratulo-me com a Autora e enuncio minha satisfação pelo feito, ao modo como procedo a cada ensejo em que aflora da Academia um exemplar com perfil semelhante ou aproximado ao teor da relação de pesquisa sob comento, motivo de júbilo para a Escritora e razão de contentamento renovado para uma academia de alcance e respeito nacional (U.F.C.), que inumeráveis peças de sublime qualidade já ofereceu de presente à sociedade culta do Brasil, com transposição às balizas patriais. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

POEMA DE GISELDA MEDEIROS



NOSSOS MOTIVOS

Queria ser o motivo do teu riso,
da tua lágrima.
Queria ser tua voz,
o chão alcatifado de folhas
no teu outono...
Eu e tu metamorfoseando cores,
caminhos, a espiar a lonjura das nossas almas.
A flor entreabrindo sua corola...
Ah, essa cor... Esse encolher-se tão lânguido,
tendo o vento a nos açoitar as áureas asas...
Aberta a corola para o nosso encontro!

Eis-me aqui à tua espera
Para ti, para o teu amor...
Sou múltipla e una – EU e TU –
Terra e mar, onda e areia,
Veludo e voz,
veio d’água escorrendo das violáceas pétalas...
Luz penetrando as virgens águas dormidas...
Sou o vale por onde escorrem tuas águas,
a ilha onde descansas tua fome de andarilho.
Enfurecidas ondas... Sou eu a te moldar o ritmo.
Somos pingentes na orelha do vento
que assobia uma canção de amor...

Toma-me. Eis aqui tua noiva.

O véu que te espera para ser descerrado...

(in: Revista da Academia Cearense de Letras - ano 2014)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PARA SE LER COM O CORAÇÃO


Há de se cuidar da amizade e do amor
26/10/2013

A amizade e o amor constituem as relações maiores e mais realizadores que o ser humano, homem e mulher, pode  experimentar e desfrutar. Mesmo o místico mais ardente só consegue uma fusão com a divindade através do caminho do amor. No dizer de São João da Cruz, trata-se da experiência da “a amada(a alma) no Amado transformada”.

Há vasta literatura sobre estas duas experiências de base. Aqui restringimo-nos ao mínimo. A amizade é aquela relação que nasce de uma ignota afinidade, de uma simpatia de todo inexplicável, de uma proximidade afetuosa para com a outra pessoa. Entre os amigos e amigas se cria uma como que comunidade de destino. A amizade vive do desinteresse, da confiança e da lealdade. A amizade possui raízes tão profundas que, mesmo passados muitos anos, ao reencontrarem-se os amigos e amigas, os tempos se anulam e se reatam os laços e até  se recordam da última conversa havida há muito tempo.

Cuidar da amizade é preocupar-se com a vida, as penas e as alegrias do amigo e da amiga. É oferecer-lhe um ombro quando a vulnerabilidade o visita e o desconsolo lhe oculta as estrelas-guias. É no sofrimento e no fracasso existencial, profissional ou amoroso que se comprovam os verdadeiros amigos e amigas. Eles são como uma torre fortíssima que defende  o frágil castelo de nossas vidas peregrinas.

A relação mais profunda é a experiência do amor. Ela  traz as mais felizes realizações ou as mais dolorosas frustrações. Nada é mais misterioso do que o amor. Ele vive do encontro entre duas pessoas que um dia cruzarem seus caminhos, se descobriram no olhar e na presença e viram nascer um sentimento de enamoramento, de atração, de vontade de estar junto até resolverem fundir as vidas, unir os destinos, compartir as fragilidades e as benquerenças da vida. Nada é comparável à felicidade de amar e de ser amado.  E nada  há de mais desolador, nas palavras do poeta Ferreira Gullar, do que não poder dar amor a quem se ama.

Todos esses  valores, por serem os mais preciosos, são também os mais frágeis  porque  mais expostos às contradições da humana existência.

Cada qual é portador de luz e de sombras, de histórias familiares e pessoais diferentes, cujas raízes alcançam arquétipos ancestrais, marcados por experiências bem sucedidas ou trágicas que deixaram marcas na memória genética de cada um.

O amor é uma arte combinatória de todos estes fatores, feita com sutileza que demanda capacidade de compreensão, de renúncia, de paciência e de perdão e, ao mesmo tempo, comporta o desfrute  comum do encontro amoroso, da intimidade sexual, da entrega confiante de um ao outro. A experiência do amor serviu de base para entendermos a natureza de Deus: Ele é amor essencial e incondicional.
Mas o amor sozinho não  basta. Por isso São Paulo em seu famoso hino ao amor, elenca os acólitos do amor sem os quais ele não consegue subsistir e irradiar. O amor tem que ser paciente, benigno, não ser ciumento, nem gabar-se, nem ensoberbecer-se, não procurar seus interesses, não se ressentir do mal…o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta…o amor nunca se acaba (1Cor 13, 4-7). Cuidar destes acompanhantes do amor é fornecer o húmus necessário para que o amor seja sempre vivo e não morra pela indiferença. O que se opõe ao amor não é o ódio mas a indiferença.

Quanto mais alguém é capaz de uma entrega total, maior e mais forte é o amor. Tal entrega supõe extrema coragem, uma experiência de morte pois não retém nada para si e mergulha totalmente no outro. O homem possui especial dificuldade para esta atitude extrema, talvez pela herança de machismo, patriarcalismo e racionalismo de séculos que carrega dentro de si e que lhe  limita a capacidade desta  confiança extrema.

A mulher é mais radical: vai até o extremo da entrega no amor, sem resto e sem retenção. Por isso seu amor é mais pleno e realizador e, quando se frustra, a vida revela contornos de tragédia e de um vazio abissal.
O segredo maior para cuidar do amor reside no singelo cuidado da ternura.  A ternura vive de gentileza, de pequenos gestos que revelam o carinho, de sacramentos tangíveis, como recolher uma concha na praia e levá-la à pessoa amada e dizer-lhe que, naquele momento, pensou carinhosamente nela.

Tais “banalidades” tem um peso maior que a mais preciosa joia. Assim como uma estrela não brilha sem uma atmosfera ao seu redor, da mesma forma, o amor não vive  sem um aura de enternecimento, de afeto e de cuidado.
Amor e cuidado formam um casal inseparável. Se houver um divórcio entre eles, ou um ou outro morre de solidão. O amor e o  cuidado constituem uma arte. Tudo o que cuidamos também amamos. E tudo o que amamos também cuidamos.

Tudo o que vive tem que ser alimentado e sustentado. O mesmo  vale para o amor e para o cuidado. O amor e  o cuidado se alimentam da afetuosa preocupação de um para com o outro. A dor e a alegria de um é a alegria e a dor do outro.

Para fortalecer a fragilidade natural do amor precisamos de Alguém maior, suave e amoroso, a quem sempre podemos invocar. Daí a importância dos que se amam, de reservarem algum tempo de abertura e de comunhão com esse Maior, cuja natureza é de amor, aquele amor, que segundo Dante Alighieri da Divina Comédia “move o céu e as outras estrelas”  e nós acrescentamos: que comove os nossos corações.

Leonardo Boff é autor de  O Cuidado necessário, Vozes 2012.

(Colaboração de Eugênio Eduardo Pimentel) 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PASSAGEM DO ANO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,

Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.

Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.

A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CRISTO NASCEU!

GISELDA MEDEIROS
    Há mais de dois mil anos, nascia Jesus. Aquele que viera ensinar o exercício da Fé, da União, do Perdão, da Caridade, sobretudo, do Amor, este sentimento maior ...que deve prevalecer no coração da humanidade, como o bálsamo para extinguir todos os males, conforme está escrito na Primeira Epístola de Paulo Apóstolo aos Coríntios, capítulo 13: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”.
    Queridos amigos, que possamos fazer, neste instante, em que nos reunimos para celebrar o Natal, uma profunda reflexão sobre estas sagradas palavras, de modo que este AMOR maior esteja sempre em nós, unindo-nos e nos fortalecendo.

    FELIZ NATAL para todos vocês, meus queridos amigos!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

COMENTÁRIOS À FRASE DO DIA: Até quando, Catilina, abusarás da nossa Paciência?



Vianney Mesquita

A paciência, repetidamente provocada, decerto, se transformará em fúria. (Publílio Siro).


No dia 15 recentemente transato (dezembro de 2015), o blog da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo publicou, convenientemente ilustrada com um quadro do pintor italiano Cesare Maccari, a matéria aludida no fundamento desta nota - Políticos Brasileiros - A Frase do Dia - com vistas a evidenciar a fase sociopolítica do Brasil, na Operação Catilina, denominada pela imprensa do País para uma manobra da Polícia Federal, sucedida naquela data.   

Absolutamente oportuna e vergonhosamente veraz é esta sentença sugerida pela imprensa nacional, subsidiariamente estendida pela nossa Editoria, para retratar a Pátria então vigente, quando, por exemplo, despudorados catilinas, poucos, felizmente, do universo de 513 deputados à Câmara Baixa do País – e põe “baixa” nisto – se esmurram e permutam palavras de calão reles, como se representantes fossem de uma laia semelhante à sua, fato a não se coadunar conosco, os nacionais que, em pecaminoso equívoco, os elegemos em pleito democrático.


 Sem querer, tampouco necessitar, entrar no mérito – corrijo, demérito, da estória – pois o País inteiro assiste, e o estrangeiro em peso acha graça de nós, vou somente, com vistas a facilitar para o leitor a descodificação da sentença oferecida a fim de fotografar o dia, trazer achegas informacionais às renomeadas indagações de Cícero, fartamente mencionadas pelos registos históricos. Eis as duas primeiras interrogações: Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus eludet?

As muito historicamente conhecidas Catilinárias, as quais concederam a Marco Túlio Cícero o título de Pai da Pátria, constituem um conjunto de quatro orações expressas contra Lucius Sergius Catilina – a primeira e a derradeira dirigidas ao Senado Latino, e as do meio diretamente ao povo romano.

As duas ora reproduzidas na língua do Lacio, falada no então Império Latino – depois código de expressão das Ciências até época relativamente próxima - traduzem-se em: Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? E Por quanto tempo tua loucura haverá de zombar de nós?
Lúcio Sérgio Catilina foi il capoccia de uma conjuração para chegar à República, na Cidade Eterna, no ano 63 a.C. Destemido, audacioso e arrojado, porém desprovido de consciência, dirigiu a conspiração contra o Senado (SPQR – Senatus Populusque Romanus, denominação oficial do Império), em cuja maquinação incluía as pessoas e autoridades mais depravadas daquele senhorio despótico.

 A trama foi, então, denunciada por Cícero que, na qualidade de cônsul, desmantelou a estratégia de Catilina, tendo conduzido à condenação os seus sequazes, consoante proposto por Catão de Útica, o Jóvem, descendente de Catão, o Antigo



Lucius Sergius Catilina morreu de armas em punho antes de alcançar seus desígnios (62 a.C), na cidade de Pistoia, hoje com aproximadamente 84 mil habitantes, região da Toscana (Itália) – vinculada à História Nacional, pelo fato de ali terem sido sepultos um em  dos cemitérios os corpos de componentes da FEB – Força Expedicionária Brasileira, que pelejaram na Segunda Guerra Mundial, na aleia dos chamados Aliados contra o Eixo RO-BER-TO – Roma, Berlim e Tóquio.



A relação procedida com Cícero, Catilina e as Catilinárias para nominar a supramencionada operação da Polícia Federal brasileira reside no fato de haver Lucius Sergius restado para o enredo histórico da Humanidade como o protótipo do conspirador, de sorte que o seu nome é, ainda hoje, empregado para qualificar negativamente os que tendem a conquistar fortuna e poder, por todos os meios, ao afundar na desdita a própria Alma Parens, consoante sucede agora no Brasil.

Acresce referir, por curiosidade, a ideia de o mencionado evento haver transposto à História, em razão - além da sua relevância fática como ocorrência altamente representativa do passado - da preeminência experimentada pelo Latim como língua culta, cujo emprego, consoante adiantei há pouco, consumiu longo tempo feito código da manifestação científica em todo o Mundo, bem assim, utilizado como expediente comunicativo da Igreja Católica, detentora de enorme poder, grande até a atualidade.

De tal maneira, as obras eruditas, expressas na codificação românica, consoante ocorreu com os dois pares de Catilinárias, inda são (bem menos, porém, do que dantes) exercitadas em escolas de vários países, como teores de matérias jungidas ao Latim, o qual, por meio de bestuntos tão estreitos de nossas então “autoridades” educacionais, sobrou retirado dos nossos curricula, trazendo imenso prejuízo, no Brasil, ao aprendizado da Língua Portuguesa. É o caso de também se perguntar – Quosque tandem?

Por conseguinte, continuemos todos a indagar, até se chegar a um modus faciendi para a conclusão de um estado crítico tão indecoroso – emoldurados pelo célebre afresco de Maccari (Cícerone denuncia Catilina  - 1888), reproduzido pelo periódico virtual da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo:

- Quosque tandem

(in: Academia Cerense de Literatura e Jornalismo)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

UM POEMA DE ALDEMAR PAIVA


MONÓLOGO DO NATAL                                                                             
 Aldemar Paiva

Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedra nessa fantasia.

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz,
sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente
e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai, cansado,
trouxe um trenzinho feio, empoeirado,
que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
“É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
eu pensei que meu bilhete com atraso,
chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda,
ele partiu dando muitas voltas,
meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.

O resto eu só pude compreender quando cresci
e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco:
“Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”.

Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar
e como quem não quer abandonar
um mimo que nos deu, quem nos quer bem,
disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”.

Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio,
tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou
ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou.

Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal.

Meu pobre pai doente, mal vestido,
para não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão,
e num gesto nobre, humano e decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara,
no entanto depois de grande,
minha mãe, em prantos,
contou-me que fôra preso
e como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia,

entrou na cela e o libertou pro céu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ARTIGO DO JORNAL O POVO


Adeste, fideles!

Cântico religioso natalino composto por John Reading (1677-1746), organista em Winchester, Inglaterra: “Vinde, fiéis”. Vinde adorar o Deus menino, a salvo dos Herodes e demais demos, ancorado na praia. Vinde juntar-se aos refugiados a palmilhar o chão, da Síria aos Inhamuns, buscando a salvação. É o povo refazendo as trilhas dos missionários, hoje infestadas por mercenários e assoldadados outros, a serviço dos anticristos. 
“Adeste fideles”, vinde integrar esta turma de sobreviventes, orar pelos que nasceram para não ser, e morreram de fome, de frio, no mar, ou na lama de Mariana. Ignoremos as vozes dos algozes e ouçamos os vagidos vindos daquela manjedoura. Fechai-lhes, Pai, os ouvidos ao ribombar das metralhadoras daqueles que fazem da morte um meio de vida. Deploremos o que vaticinou (profetizou) o filósofo genebrês Jean–Jacques Rousseau (1712-1778) em seu “Discurso sobre Ciências e Artes”: “quanto mais civilizados ficamos, mais corruptos nos tornamos”. E bárbaros! Tempos insanos estes. 
Dias da ira, irônicos tempos. Assaltantes matam cardiologista com bala no coração, alpinista morre abalroado em rodovia. Estaríamos assistindo a um ensaio de outro apocalipse? Sonho, pesadelo ou realidade? Mas, como apregoam os africanos, a água da chuva não é tão preta como aparentam as nuvens. Festejemos o infante Jesus, em mais este Natal nosso, das luzes, dos sinos, nos presépios de palha e nos berços dourados, nas senzalas e nas casas grandes.
Natal das juras veladas, promessas não cumpridas, palavras que esquecemos de dizer, graças obtidas sem nosso reconhecimento. Penitenciemo-nos. Nessa noite, na consoada (ceia natalina ou de Ano Novo) recordemos quem partiu sem se despedir. Acorram! É tempo de colher a nova safra de esperança. Natal é Cristo de novo, um eterno templo de fé. Contrariemos o ódio e uma das “Odes” (1,1,8) do poeta e filósofo romano Quintus Horatius Flaccus (65 – 8 a.C.) em suas “Carmina”: “Carpe diem, quam minimum credula postero”, i.e., aproveita o dia (ou o momento fugaz) confiando o mínimo no futuro.
Esqueçamos este Horácio e pensemos com confiança. O Natal está dobrando a esquina. Exultemos, ao jeito de crianças esperando Papai Noel. O essencial é a espera. O resto é só alegria. Acreditemos no futuro que a Deus pertence, porquanto ele é nosso também.
Aleluia! Feliz Natal!
Pedro Henrique Saraiva Leão