terça-feira, 5 de agosto de 2014

A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU - Autores: Klévisson Viana e Bule-Bule


Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.
Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.
Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.
Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
— Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!
Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
— Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!
A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.
Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.
A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
— Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.
Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!
A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.
Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.
Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
—Ele mora em Pernambuco! 
A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!
Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
— Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.
João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.
“Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.
Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João,
Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.
Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!
— Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.
Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro! 
— Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.
Se dependesse de mim,
Ariano não morria.
A morte na internet
Comprou passagem barata.
Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
— Eita que viagem chata!
Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.
Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!
Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!
A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.
Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado. 
Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.
Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.
Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: - O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.
Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.
São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.
Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira. 
E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: - Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!
Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.
Logo chegou Jesus Cristo,
Com seu rosto bronzeado.
Veio de braços abertos,
Suassuna emocionado
Disse assim: — Esse é o Mestre,
O resto é papo furado!
Suassuna que, na vida,
Sonhou em ser imortal,
Entrou para Academia,
Mas percebeu, afinal,
Que imortal é a vida
No plano celestial.
Jesus explicou seus planos
De fazer uma companhia
De teatro e ele era
O escritor que queria
Para escrever suas peças,
Enchendo o Céu de alegria.
Nisso Ariano responde:
— Senhor, eu me sinto honrado,
Porém escrever uma obra
É serviço demorado.
Às vezes gasto dez anos
Para obter resultado. 
Nisso Jesus gargalhou
E disse: — Fique à vontade.
Tempo aqui não é problema,
Estamos na eternidade
E você pode criar
Na maior tranquilidade.
Um homem bem pequenino
Com chapeuzinho banzeiro,
Com um singelo instrumento,
Tocou um coco ligeiro
Falando da Paraíba:
Era Jackson do Pandeiro.
Logo chegou Luiz Gonzaga,
Lindu do Trio Nordestino,
E apontou Dominguinhos
Junto a José Clementino
E o grande Humberto Teixeira,
Raul e Zé Marcolino.
Depois chegou Marinês
Com Abdias de lado
E Waldick Soriano,
Com um vozeirão impostado,
Cantou “Torturas de Amor”,
Como sempre apaixonado.
Veio então Silvio Romero
Com Catulo da Paixão,
Suassuna enxugou
As lágrimas de emoção
E Catulo, com seu pinho,
Cantou “Luar do Sertão”.
Leandro Gomes de Barros
Junto a Leonardo Mota,
Chegou Juvenal Galeno,
Otacílio Patriota.
Até Rui Barbosa veio
Com título de poliglota. 
Chegou Regina Dourado,
Tocada de emoção,
Juntinho de Ariano,
Veio e beijou sua mão
E disse: — Na sua peça
Quero participação.
Ariano dedicou-se
Àquele projeto novo.
Ao concluir sua peça,
Jesus deu o seu aprovo
E a peça foi encenada
Finalmente para o povo.
Na peça de Ariano
Só participa alma pura.
Ariano virou santo,
Corrigiu sua postura.
Lá no Céu ganhou o título
Padroeiro da cultura.
Os artistas que por ele
Já nutriam grande encanto
Agora estando em apuros,
Residindo em qualquer canto,
Lembra de Santo Ariano
E acende vela pro santo.
Ariano foi Quixote
Que lutou de alma pura.
Contra a arte descartável
Vestiu a sua armadura
Em qualquer dia do ano
Eu digo: viva Ariano
Padroeiro da Cultura!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Homenagem ao município do Acaraú, nos seus 165 anos de emancipação política



Homenagem ao Município do Acaraú, minha terra natal (e minha também, Dimas Carvalho).

 OS DE ONTEM

 Dimas Carvalho

Acaraú, nas tuas largas ruas,
A poeira dos séculos repousa:
- Petrificada luz que no chão pousa,
- Antiga Luz de tantos sóis e luas...
O silêncio é o presente que não ousa
Transpor o Rio, onde o passado estua...
Mas quando, à noite, o vento do Mistério,
Por entre as ruas e avenidas sopra,
Vejo surdir a inumerável tropa,
Vinda do Abismo do esplendor funéreo...
São os ginetes do passado. São
Os teus fantasmas, cada qual ao turno,
Que lhe compete, de gibão, coturno,
Deslizando em suave procissão...
Acaraú, ó girassol noturno,
Do Ceará emblema e coração.


terça-feira, 29 de julho de 2014

PRIMOROSA AULA DE VIANNEY MESQUITA

TRÊS LAPSOS DE ENTENDIMENTO
Vianney Mesquita*


Na primeira vez que me enganares, a culpa será tua; na seguinte, será minha. (Anônimo).

As significações equívocas, antes ocorrentes mais em circunstâncias de uso da língua no universo coloquial, sem o escopo de socializar conhecimento, tampouco de lecionar, encontram-se também, hoje, nos espaços de emprego da linguagem culta, em que se codificam, por exemplo, feitos e fatos científicos a se propagarem em livros ou quaisquer suportes de informação.
Exibem-se inumeráveis exemplos desses logros elocutórios até em legislações e documentos de órgãos oficiais do Brasil, fato a se deplorar, pois conduzem o leitor à arapuca do erro, desabilitando nosso código glossológico perante os demais do ecúmeno linguístico, nomeadamente deste exercitado nos Estados Lusofônicos – o Português.
Reportamo-nos a três eventos que a nós nos parece oportuno trazer à balha, pelo emprego genérico e indiscriminado em textos de lições escolares, dispostos legais, pronunciamentos formais, discursos e comunicações científicos e literários, peças de Doutrina e Jurisprudência, Bioestatística governamental et reliqua.

Alternativa

Consoante expressamos, em razão do largo e inadequado uso da dicção alternativa e suas variações cognatas, com acepções distintas daquelas que realmente conotam, impende tomar-se em consideração a ideia de que alternativa provém de alter (Latim) = outro, outra.
            Por conseguinte, existe, tão-só, UMA alternativa.
            Diz-se, em Português correto, a alternativa é esta, de sorte a não se cogitar em (cogita-se em) diversas alternativas, num “leque” de alternativas (Proh pudor!), porquanto, por definição, o vocábulo corresponde à Sucessão de duas coisas reciprocamente exclusivas, isto é, uma opção entre duas coisas.
            Efetivamente, pois, a opção – não sendo uma coisa – será a outra (alter), a alternativa.
            Opção será, pois, a alternativa para eliminar as construções frasais equivocadas, feitas, amiúde, a contrapelo das regras da Língua, desprezando, in casu, a procedência glossológica da palavra.

            Nascer morto

            Quiçá inglória seja nossa luta em objeção a expressões desse jaez. Todo o Mundo, até o escrevinhador da língua culta, como adiantamos há pouco, suporta, aceita e aplica palavras e expressões sem qualquer consistência glotológica. Pouco se lhe dá se está ou não depauperando a língua do Prof. Dr. Horácio Dídimo.
            Muita vez, são expressas até antíteses violentíssimas, como na consagrada (miserável consagração!) – e universalizada nas línguas românicas – dicção NASCER MORTO, utilizada pela Bioestatística, até em mensagens de lavra e responsabilidade estatais, no Brasil.
            Se NASCER significa, conceitualmente, começar a ter vida exterior, vir à luz, enxergar a luz, como pode alguém NASCER MORTO? Nascer, então, é o mesmo que morrer?
            Diga-se, por conseguinte, a mulher pariu um feto sem vida, delivrou um corpo morto, ou algo semelhante. NASCER, por conseguinte, foi, é e será, indefinidamente, o antônimo perfeitíssimo de morrer.
            Lamentavelmente, com alternativa, ainda alimentamos expectativa; com relação a nascer morto, entretanto, parece estar a “guerra” definivamente perdida, a não ser, entre nós do Ceará, com o adjutório da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

            Entre xis e ípsilon ou de xis a ípsilon?

            Eis a derradeira demonstração de emprego atrapalhado de expressões, na indicação, notadamente em trabalhos universitários, de intervalos de duas grandezas ou coisas.
            É necessário enxergar-se a grande diferença bem visível nas duas dicções, no caso, exempli gratia, de se apontar intervalo etário.
 Ao se expressar a ideia de que as pessoas ouvidas na pesquisa revelaram nas respostas idades de 28 a 40 anos, evidentemente, se depreende que os números lindeiros, as idades-limite inferior e superior, onde estão contidos 28 e 40, são 27 e 41 anos, isto é, aqueles que têm ENTRE 27 e 41 anos, na realidade contam DE 28 A 40 anos.
 Muitas vezes, os pesquisadores expressam que as crianças do seu experimento, por exemplo, nasceram entre 2011 e 2012, tal significando dizer que ainda não nasceram, porquanto, ENTRE 2011 E 2012, nada existe.
Então, rematando o caso, ENTRE os anos de 1927 e 1946, estão os períodos DE 1928 a 1945, não, como é constante e equivocamente apontado. ENTRE e E (aditiva) são intervalos de fora, e não devem ser contados, ao passo que DE-A hão de ser considerados.
De tal sorte, DE XIS A ÍPSILON # de ENTRE XIS E ÍPSILON.


*Acadêmico ocupante titular da Cadeira número 37, cujo patrono é Estêvão Cruz.

 
 MEU CARO PROF. MOURÃO. Veja que aí há uma redundância estilística - A NÓS NOS PARECE, um À BALHA = À BAILA e COGITAR EM, de propósito feitos.
          

terça-feira, 22 de julho de 2014

AJEB-CE FESTEJA ANIVERSÁRIO DE GISELDA MEDEIROS



A AJEB-CE, por meio de sua Presidente Nirvanda Medeiros, realizou no Náutico Atlético Cearense um almoço de adesão em homenagem à Giselda Medeiros, pelo seu aniversário, ocorrido em 14 de julho. Foi um encontro agradabilíssimo, fino e carregado de amizade.
A ajebiana Maria Luísa Bomfim fez a saudação à aniversariante que estava cercada de sua família e de seus queridos amigos, por isso, radiante de felicidade.

Confira a saudação de Maria Luísa Bomfim


Boa Tarde

Querida Giselda

  Ao ser convidada por nossa presidente Nirvanda Medeiros, para saudá-la esta tarde, em nome da AJEB, fiquei orgulhosa e feliz. Orgulhosa por merecer a confiança dos amigos e amigas, feliz por ter a oportunidade de dizer em público da grande “benquerença” que existe em todos nós por Você. Você, que há bastante tempo reúne o que há de melhor e mais saudável no mundo literário, sempre seguindo rotas tranquilas, harmoniosas, repletas de amor e solidariedade, visando cada vez mais ao enriquecimento  daqueles que gozam do prazer de sua convivência. A riqueza de seus conhecimentos aliada a sua vontade de aparar as arestas que, vez em quando aparecem, nos mostram o desprendimento da partilha, o prazer da amizade e a lógica da sabedoria. Liderança é um “dom”, e esse dom você carrega de uma maneira sábia. Sim, porque existem duas formas de liderar: a positiva e a negativa. A sua, é aquela que nos leva a olhar o belo da vida, a querer ser cada vez melhor no dia a dia, a acreditar que o bem sempre vence o mal, que o amor está acima de tudo.
     Em todas as entidades às quais  você pertence , em todos os grupos de que você participa, essa sua maneira cativante e responsável, aliada ao seu bom humor e simpatia é extremamente eficaz para o bom resultado das metas idealizadas.
 Sabemos que é de suma importância, no convívio social, respeitar o próximo e aceitar as diferenças. Sem isso é difícil compartilharmos bons momentos de prazer e amizade. Essas qualidades em seu coração de mulher amorosa e amadurecida tornam possível, em todos os sentidos, o relacionamento de harmonia existente entre os participantes.
 Nada mais justo, que prestarmos essa sincera homenagem a Você Giselda querida, nossa presidente de honra e eterna princesa da poesia, por mais uma etapa percorrida no calendário de sua existência. Reconhecer seu valor e suas inúmeras qualidades é tarefa simples e prazerosa, pois inteligência, coragem e amor são constantes em tudo que você realiza.
Amiga, você é muito, muito mais do que estas minhas simples, porém, sinceras palavras, você merece nosso aplauso pela dedicação e carinho demonstrados durante todos esses anos na liderança da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, a nossa valorosa AJEB.
Temos imenso orgulho, não só da sua convivência fraterna neste nosso grupo, mas, sobretudo, da sua contribuição, que sem dúvida alguma é sempre muito importante para o êxito de todas as entidades literárias a que você pertence.
Receba os parabéns de todos aqui presentes, por tudo que você já conquistou e por tudo que ainda irá conquistar. 
 Deus lhe abençoe.
MLUISA BOMFIM, 18/07/2014.

Os agradecimentos da Aniversariante



 FOTOS


A Família: Rafaela (neta) e as filhas Ana Paula e Rosinha


Giselda com a Presidente Nirvanda Medeiros


COM AMIGAS E AMIGOS


Maria Helena Macedo



Cláudio Queiroz


Hermínia Lima


Zenaide Marçal e Maria Luísa Bomfim


Conceição Seabra, Beatriz Alcântara, Rejane Noronha e Ednilo Soárez


Tereza Porto e Cybele Pontes


Ernando Uchoa Lima


Conceição Seabra e Euda Barbosa


Evan Bessa e Maria do Carmo Fontenelle


Sabrina e o pai Aldo Melo


Pereira de Albuquerque


Heliane Pimentel e Nirvanda Medeiros


Conceição Seabra, Nirvanda Medeiros e Lêda Maria


J. Udine e Fátima


Nirvanda e Pedro Jorge Medeiros - Presidente do Náutico Atlético Cearense


Alanna, Rafaela e Rosinha 


Ednilo Soárez e Rita de Cássia Araújo


Ajebianas e Ajebianos (1)


Ajebianas e ajebianos (2)


A aniversariante agradeceu aos amigos com um poema de Vinicius de Moraes, que se segue:


PROCURA-SE UM AMIGO
Vinicius de Moraes

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

                                                 ............................

“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida... mas é delicioso que eu saiba e sinta que eu os adoro, embora não declare e os procure sempre...” (Vinicius de Moraes).


Náutico Atlético Cearense - 18/7/2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

LILA XAVIER HOMENAGEIA GISELDA MEDEIROS COM SONETO DE VINICIUS



Soneto da maioridade

O Sol, que pelas ruas da cidade
Revela as marcas do viver humano
Sobre teu belo rosto soberano
Espalha apenas pura claridade.

Nasceste para o Sol; és mocidade
Em plena floração, fruto sem dano
Rosa que enfloresceu, ano por ano
Para uma esplêndida maioridade.

Ao Sol, que é pai do tempo, e nunca mente
Hoje se eleva a minha prece ardente:
Não permita ele nunca que se afoite

A vida em ti, que é sumo de alegria
De maneira que tarde muito a noite
Sobre a manhã radiosa do teu dia.

Vinicius de Moraes

Querida Giselda

....FELIZ ANIVERSÁRIO!!!! Saúde, paz e amor. MUITO amor! Bjs

domingo, 6 de julho de 2014

A TRAVESSIA - GISELDA MEDEIROS



A TRAVESSIA  

                  
                    Não sei onde deixei meu barco...
                   Na linha do horizonte, há teias que me confundem.
                   E há fuligem e pátina no cais onde me encontro.
                   Miro o oceano. Azul... Esmeralda...
                   Confundem-se em mim mar e firmamento,
                   dor e alegria, melancolia e excitação,
                   vontade de partir, desejos de ficar...
                   Mas, ir para onde?
                   Ficar, para quê?
                  
                   O vento tange uma ária de Bach...
                   e, dispersas pelo espaço azul,
                   as nuvens dançam seu balé aéreo.
                   O passado distingue Isolda, O Lago dos Cisnes...
                   Principio a esvoaçar com as etéreas bailarinas,
                   tão brancas e tão leves,
                   tão únicas e múltiplas... sem começo, meio e fim.
                   Ah... Saudade dos sonhos
                   enfiados nas sapatilhas róseas!
                   Saudade do brilho das finas saias,
                   rodopiando, rodopiando...
                   E a bailarina, então, se alçava,
                   quase levitando, livre, lépida, linda!...
                  
                   O vento me sacode...     A Realidade. A Travessia!       
                   Ao longe, um barco sobre espumas flutuantes...
                   De repente, nem rastro nem espuma...
                   Só a Travessia...

(do livro ÂNFORA DE SOL)


segunda-feira, 30 de junho de 2014

EVOCAÇÃO DE LUSTOSA DA COSTA (1)


Vianney Mesquita - o Autor 

É melhor o pouco da memória do que o muito do esquecimento. (Lewis Howard Latimer. * Chelsea-Mass., 04.09.1848; + Nova Iorque-NY, 11.12.1928).

Deparamos, na estante, Sobral – Cidade das Cenas Fortes, um dos 28 trabalhos em livro do nosso ex-professor na Universidade Federal do Ceará, na década de 1970 – disciplina Cultura Brasileira – imortal Francisco José LUSTOSA DA COSTA, por quem nutríamos crescida admiração, tanto na qualidade de pessoa como de intelectual de escol e cronista bem apessoado nas letras em quase todos os seus gêneros.
Aportou-nos, pois, à evocação a ideia de que, dos representantes da inteligência cearense nos diversos espaços do conhecimento, sem qualquer hesitação, o jornalista e acadêmico Lustosa da Costa (Cajazeiras-PB, 10.09.1938 – Brasília-DF, 03.10.2012) é o que mais conservou fidelidade à Terra Sobralense, onde viveu e formou o caráter de homem sério e formulou boa parte de sua constituição intelectual.
Escasso era o dia – se é que houve este – em que o Autor de Vida, Paixão e Morte de Etelvino Soares deixava de comentar qualquer coisa acerca de Sobral, desde Brasília, na sua coluna do Diário do Nordeste, evento demonstrativo de sua benquerença à pátria (2) de tantas pessoas ilustres a pontilharem nossa história.
A maioria de seus livros, vasta produção edificada no curso de muitos janeiros, tem a Cidade de Dom José Tupinambá da Frota como móvel principal do enredo, sempre carreando episódios do passado ainda não tocados pelos investigadores dos feitos locais, ao sobrepor os faustos históricos do ativo intelectual alencarino, a igual tempo em que elasteceu a memória de Sobral/do Ceará com matéria-prima histórica de qualidade indiscutível.
Adiu-se ao seu bem-querer peculiar pela Zona Norte o consistente substrato intelectual, haurido, jamais (3), em Sobral, no que respeita à prima base de acumulação de sua larga cultura, integralizada em Fortaleza, noutros cantos do País e na Europa. Por tal pretexto, seus escritos são esteticamente agradáveis e os argumentos - porquanto vazados em fontes idôneas - restam incontestáveis, fatos que concedem aos seus escritos o encanto da Arte Literária e o estatuto de veracidade histórica.
Eis, pois, que este sobralense honorário veio trazer (como o fez noutros ensejos, também) o mencionado Sobral – Terra das Cenas Fortes – cujo palco é, de novo, a Princesa do Norte e, feitas artistas, as pessoas da Cidade, achegando ao estoque de fatos mais matérias para nos ilustrar e estear a tarefa dos operários da cultura, representados pelos investigadores.
 Foi, por conseguinte, mais uma ocasião de enlevo para quem estima Sobral a da publicação, com lançamento, do prefalado livro (Fortaleza: ABC, 2003), rebento da diligência deste emérito investigador, que tanto bem dedicou à urbe pela qual nutria imensa afeição e a ela se apegou com igual firmeza.
Pela via do “e-eternidade”, mandamos o abraço particular e nossa manifestação de saudade ao imenso Escritor de Amor em Tempo de Seca e estimado ex-professor. Aos sobralenses, pelas páginas deste jornal, parabenizamos pelo que receberam em matéria de Literatura da pena refulgente deste jornalista que percorreu livremente as trilhas da cultura em qualquer lugar do Brasil e d’alhures.

N O T A S
(1) Texto inédito, escrito em 2003, na oportunidade em que foi feita a publicação e lançado o livro no Ideal Clube, em Fortaleza-CE. Agora foi ligeiramente modificado para se proceder à atualização.
(2) A fim de que não pairem dúvidas, pátria tem aqui como uma de suas acepções [...] 2 a parte do país em que alguém nasceu (HOUAISS; SALLES VILLAR, 2005) , de modo que pátria não é apenas a nação, o país onde alguém veio ao mundo. Nossa pátria, ou seja, local onde nascemos, v.g., é Palmácia-CE.
(3) Apreciamos o emprego de JAMAIS como advérbio de modo, não advérbio de tempo. Aqui é aplicado no mesmo sentido de especialmente, particularmente, principalmente, mormente etc.


Lustosa da Costa - de imperecível memória

quarta-feira, 25 de junho de 2014

POEMA MOTIVOS - 4


Poeta, gosto do teu verso!
 Espelho de tua alma, ele é tua aventura,
 lírico reflexo dos murmúrios que vêm de tua voz.
Gosto da melodia sensual que deles se desprende,
ímã de sensibilidade de um poeta
ora timidamente criança,
ora amante afoito em seu ofício.
Mas, sabes, poeta? Vejo em teu verso
um Prometeu acorrentado
buscando um amor que vive a lhe escapar...
E sabes que esta é a sina do poeta:
do nada, simplesmente, sentir que tem o tudo
ou tendo o tudo, sentir que não tem nada!    

Giselda Medeiros

sexta-feira, 20 de junho de 2014

UM ENSAIO DE VIANNEY MESQUITA


ESTRUTURA DO SONETO Aos Pesquisadores Científicos

Vianney Mesquita*

A ciência é o cemitério das ideias mortas (Miguel de Unamuno y Jugo. * Bilbao, 29.09.1864; + Salamanca, 31.12.1936).

O poema seguinte foi elaborado na grade métrica do soneto, ideação poética de quatro estâncias - dois quartetos e dois tercetos, perfazendo catorze versos – com várias possibilidades de localização das rimas.
 Constitui homenagem àqueles que, diuturnamente, buscam respostas para as manifestações precisas da Natureza e de seus entes, sob a totalidade de ângulos de exame, configuradas na atividade científica, isto é, a procura atentiva e aprofundada de algo que não é notório, ou cujo conhecimento, deseixado de profundez e explicações plausíveis, é pautado na chamada communis opinio ou senso comum.
Sejam benditos os pesquisadores
Com seus rigores a buscar verdades;
Capacidades de interlocutores.
E de ouvidores de obscuridades.

Ao perquirir tão insondáveis fatos,
Cujos relatos pedem teorias,
Por essas vias, os feitos transatos
Têm, mais que atos, metodologias.

Neste exercício de sabedoria,
Ao revelar seus faustos de vivência,
Tranquilidade e douta teimosia,

É demonstrado em toda a percuciência
Extasiando o mundo, que aprecia
Um vivaz operário da ciência.

O entrecho poético ocorreu sob inspiração do relatório final da primeira pós-graduação stricto sensu da hoje professora doutora Maria MARLENE Lopes CIDRACK (Educação em Saúde - UNIFOR), detentora de uma cátedra de membra-titular (*) da Academia Cearense de Odontologia.
 Para obter o título de mestre (ela é mestrA, mas o título é de mestrE), compôs um verdadeiro paradigma de ensaio acadêmico, o qual muito me impressionou, a igual do ocorrido há quatro anos, quando defendeu tese de doutoramento na Universidade Federal do Ceará – Faculdade de Educação, com base na história do antigo SAPS, no Jacarecanga-Fortaleza (Escola de Nutrição Agnes June Leith),  concedendo ensejo à publicação do livro Visitadoras de Alimentação, editado pela Universidade Federal do Ceará (Edições UFC).
A estrutura métrica desde soneto assenta em versos decassilábicos portugueses quase-sáficos, com ictos na quarta, às vezes na oitava, e na décima de cada linha das duas primeiras estâncias. Nestas, as rimas estão nos primeiros com os terceiros e nos segundos com os quartos versos.
 Usei, no feitio desta composição supostamente petrarquiana (Francesco Petrarca -1304-1374), de não consoar os quartetos – o que representa uma opção autoral – porém é de relevância proceder a esta consonância.
 Entrementes, nos trísticos, o primeiro verso do primo terceto rima com o seu terceiro e com a segunda linha do segundo. Por sua vez, o segundo verso do primeiro trístico faz rimas com o primeiro e o terceiro do segundo terceto, ao passo que o primeiro e o terço versos do primeiro grupo de três corresponde em som rimado ao segundo verso do derradeiro terceto.
Destaco, neste comenos, o emprego da rima encadeada – atualmente bem mais rara – nas linhas versificadas das estrofes quádruplas, o que confere mais estesia à composição.


(*) Embora de lícita aplicação, membra é feminino muito pouco empregado no Brasil. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

OUTSIDER – O HOMEM DO LADO DE FORA - POEMA DE SÉRGIO MACEDO


OUTSIDER – O HOMEM DO LADO DE FORA.

Só suportava a vida
Quando não estava nela.
E não era comum essa viagem.
O amigo se acomodou melhor na ausência.
Na sua ausência preferida:
A ausência de si mesmo em si.
Criou na ausência, outro ser
Criou na ausência seu habitat, mais que natural
Seguro, como somente a ausência pode ser segura.
Meu amigo não domava fadas nem demônios
Nunca gravou na pedra seu epitáfio
Nunca teve gavetas, nem atalhos,
Negou seus aniversários
aos da vida.
Capitulou diante do primeiro Evereste que
Encontraria. Capitulou.
Nunca teve boa impressão da vida,
Nunca a pressionou.
Os filhos nunca foram, pois não vieram.
Não se deixou conhecer pelo mundo
Mas também não se encontrou
Seus olhos miravam em paralelo
Para muito além do infinito
Encontrou um confidente:
A ausência da luz
Nunca teve rota de fuga,
Nas ausências não há riscos
Meu amigo, finalmente partiu
Vivendo de ausência,

Permanece eterno entre todos poucos nós.

Sérgio Macedo