sexta-feira, 14 de julho de 2017

Fato Recente




 Canonização de São Francisco Marto e sua Irmã, Santa Jacinta

            A Igreja Católica Apostólica Romana celebra, em 2017, exatamente cem anos de ocorrência da primeira aparição de Nossa Senhora, na Cova da Iria, em Fátima, fato sucedido no dia 13 de maio de 1917.
            A vila de Fátima é sede do Concelho de Santarém e, desde essa aparição aos três pequenos pastores, os irmãos Francisco e Jacinta Marto, e sua prima Lúcia dos Santos – de nove, sete e dez anos, respectivamente – a Cova da Iria passou a ser um local importante de peregrinações e turismo, de modo geral, porém os dias de maior afluência são 13 de maio e 13 de outubro, datas da primeira e da última aparição (seis) da Virgem Santíssima.
            Neste ano, ali no Santuário, durante as comemorações do Centenário, com a esplanada lotada e em transmissão televisiva para todo o Mundo, com acesso pela internet, aconteceu a cerimônia de Canonização, por breve do Papa Francisco, dos dois manos pastorinhos, enquanto correm os papéis de beatificação da Irmã Lúcia dos Santos, falecida em 2005, com a idade de 97 anos, processo  iniciado em 2008.
            Os dois pastorzinhos, que eram muito humildes e não sabiam ler, tampouco escrever, pereceram de gripe espanhola, vírus então em nova cepa da influenza, aparecido na Espanha na sua primeira fase (1918), mas que se transformou em pandemia (1919), molestando o Mundo inteiro, levando a óbito cerca de quarenta mil pessoas, especialmente no período epidêmico desta doença terrivelmente disseminada.
            Conforme o Santo Padre, na sua homilia de 13 de maio de 2017, vista e ouvida por fiéis dos países católicos, “Como um exemplo para nós, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta”, os quais, com a mais viva fé em Nossa Senhora, foram receptores da “[...] força para superar as adversidades e os sofrimentos”. “[...] Fátima é, sobretudo, este manto de luz que nos cobre, tanto aqui quanto em qualquer parte da Terra” – rematou o Papa Francisco – o quarto pontífice a visitar Fátima, em 50 anos.
            Francisco de Jesus Marto nasceu em Aljustrel (Fátima) em 11 de junho de 1908 e faleceu em Ourém, na segunta fase da pandêmica febre espanhola, no dia 4 de abril de 1919, ao passo que Jacinta Marto, nascida na mesma cidade do seu irmão pastor, em 11 de março de 1910 , transitou, vítima desse mal, em Lisboa, a 20 de fevereiro de 1920, tendo a Igreja escolhido essa data para celebrar todos os anos o dia dos dois santos.
            Por volta dos anos de 1950, foram tornados públicos os primeiros milagres dos dois videntes de Fátima, ora canonizados, um dos quais denotava uma vista do inferno, mostrada pela Virgem Maria, ao passo que o outro dizia respeito a uma guerra pior do que a conflagração mundial de 1914-1918, na qual pereceram nada menos do que nove milhões de pessoas, tendo deixado feridas trinta milhões, contando civis e militares.
             O terceiro prodígio foi anunciado pelo Papa São João Paulo II, exatamente em Fátima, no ano 2000, quando da beatificação dos dois então veneráveis – Francisco e Jacinta. Esta maravilha, realizada sob o consentimento de Deus, dizia respeito a dois fatos: a) ao atentado, perpetrado contra o Papa João Paulo II, pelo terrorista turco Ahmet Ali Agca, em 31 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, no Vaticano, por ocasião do sexagésimo quarto aniversário da primeira visita de Nossa Senhora de Fátima; e b) à luta entre o comunismo ateu e Igreja do século XX.
            Dois outros prodígios, creditados às duas crianças aljustrelenses (pastorinhos de Fátima), reconhecidos pelas autoridades vaticanas do Direito Canônico, constituíram o moto principal de suas santificações, o primeiro dos quais descansa na cura de uma senhora paraplégica lusitana, que houvera pedido a (hoje) Santa Jacinta a debelação de sua doença. Esta se chamava Maria Emília Santos, residente no Lar São Francisco, em Leiria – Portugal.
            Matéria datada de 27 de junho de 1999, assinada pelo jornalista Manuel Fernandes Vicente, no jornal Público (Comunicação Social SA), da cidade do Porto, dá conta de que Emília, de 69 anos, nascida em 1930, foi acometida de paraplegia grave durante 22 anos de intensivo padecimento. É a própria doente a narrar parte da sua estória ao jornal portuense, in verbis:
            No dia 25 de março de 1987(?!), cerca das onze e meia da noite, no fim da novena que habitualmente fazia a Jacinta, disse para comigo: ‘Jacintinha, ainda não te lembraste de mim’. Logo a seguir, comecei a sentir um formigueiro, que ocorreu três vezes. Tive medo e comecei a chorar [...] a sentir os pés e ouvir uma voz de criança a dizer três vezes: ‘Senta-te, que tu podes’. [...] Até eu fiquei espantada [...] Disse quem me viu que o meu rosto ficou muito comprido, da cor de cera e que os cabelos ficaram caídos.’Ela vai morrer, comentou alguém’. [...] [interrogação-exclamação nossas, pois 1999 (data da matéria) – 22 (anos de paraplegia) = 1977].
              “Sentou-se, então na cama” – prossegue o periodista. “Um novo ‘momento mágico’ surgiu, quando, 23 meses depois, pediu à ‘Jacintinha’ para a ‘por a andar’, para evitar dar trabalho aos mais próximos’, [...] pois – pensou ela – ‘depois de começar a andar na cadeira de rodas, ainda dava mais trabalho do que quando estava deitada’. Lembra-se, então, de que, “num momento, [...] ‘os pés puseram-se direitos e fiquei de pé, tendo deixado toda a gente surpreendida’”.
            Na informação de Vicente, “Foram estes dois ‘momentos mágicos’ que a Comissão dos Cardeais da Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano, quis avaliar, com vista a uma eventual beatificação” dos dois irmãos pastores de Fátima “a quem Maria Emília Santos dedica” enorme devotamento. (VICENTE, in PÚBLICO, 27.06.1999).
            O fato é que a beatificação sucedeu no dia 13 de maio de 2000, conforme adiantamos, por breve de São João Paulo II, no Santuário de Nossa Senhora, em Fátima. (Veja parágrafo de fecho desta seção).
           O outro episódio taumatúrgico operado dá conta da sujeição de um mal em um garoto do Brasil que sofreu trauma da cabeça, na ainda recente data de 3 de maio de 2013. Em 12 de maio de 2017, em Fátima, seus pais disseram à imprensa que o menino se libertou das consequências do acidente, após neste sentido haverem solicitado, juntamente com uma freira da cidade de Campo Mourão-PR, a intercessão dos beatificados de então, Francisco de Jesus Marto e Jacinta Marto, no que foram atendidos.
            Consoante matéria divulgada desde a Cidade-Santuário portuguesa (na véspera da santificação sob comentário), pela nossa ex-aluna da UFC, jornalista Ariadne Araújo (O Povo, in ARAÚJO, 12.05.2017), esse milagre aconteceu na Sede do Município de Miranda, no Paraná, ocasião em que o garoto Lucas, então com cinco anos (nasceu em 2008), filho de João Batista e Lucile Yurie, brincava com sua irmã, Eduarda, às oito da noite, quando caiu por uma janela a seis metros e meio no chão, tendo quebrado a cabeça e perdido boa parte da massa encefálica.
            A mencionada religiosa, carmelita de Campo Mourão, sensibilizada com a repetida solicitação dos pais para as freiras do Carmelo rezarem aos beatos, intercedendo por Lucas, sem serem atendidos, soube o que fazer. Pediu-lhes, então: “Salvem esse menino, que é uma criança como vocês!”.
            Ao cobrir os acontecimentos relativos ao Centenário da  primeira aparição e da canonização, diretamente de Fátima, para seu órgão de imprensa, conta Ariadne Araújo:
            [...] Inesperadamente, dois dias depois das rezas do Carmelo, o menino acordou do coma perguntando pela irmã e falando normalmente. Os médicos, espantados de tamanha recuperação, não tinham explicação. Pouco tempo depois, já recebeu alta e voltou para casa completamente normal. ‘O Lucas de antes do acidente é o mesmo de agora’, diz o pai. Segundo João Batista, ‘foi uma alegria sentir a bênção da amizade destas duas crianças que ajudaram o nosso menino e agora ajudam nossa família’.
            É consabido dos católicos bem informados o fato de que, conquanto as visitas de Nossa Senhora à Cova da Iria não sejam dogmas eclesiais, isto é, não seja exigido de todas as pessoas dessa confissão, Francisco de Jesus Marto e Santa Jacinta Marto fazem parte, desde o dia 13 de maio de 2017, da população celeste na dignidade de santos. O primeiro, então, enriquece o grande contingente dos Franciscos Moradores do Céu estudados nesta publicação.
            No que diz respeito, porém, ao valor atribuído aos milagres para que tenham bom curso os processos de beatificação e santificação, atente o leitor para a leitura do capítulo deste livro intitulado Direito Canônico e Canonização, onde está explicada a Nova Legislação Relativa à Causa dos Santos, desde a edição, em 25 de janeiro de 1983, da Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister, do então Papa São João Paulo II, apenas  sete anos antes da beatificação dos agora santificados irmãos pastorinhos.

VM e GJ         

sábado, 8 de julho de 2017

TEXTO INTERESSANTÍSSIMO DE RUBEM ALVES



A COMPLICADA ARTE DE VER

Rubem Alves

 

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria!


Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.


De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."


Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas.


Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".


Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.


William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.


Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.


Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema. :

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural.


'Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios', escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.


Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho".


Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".


Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram".


Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".


A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação.


O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.


Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.


Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".


Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto foi extraído da seção 'Sinapse', jornal 'Folha de S.Paulo', versão on line, publicado em 26/10/2004.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

BÁRBARA DE ALENCAR É TEMA DE PALESTRA NA SAL


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Jornalista Vicente Alencar profere "verdadeira aula sobre nossa História", ao falar sobre Bárbara de Alencar, na reunião da Sociedade Amigas do Livro, anfitrionada por Beatriz Alcântara e Lúcia Filgueiras.

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sábado, 24 de junho de 2017

HOMENAGEADA PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA A AJEBIANA ANA PAULA DE MEDEIROS




Hoje, 20 de junho de 2017, na Assembleia Legislativa, houve a celebração dos 10 anos do Programa Alfabetização na Idade Certa - PAIC. A UFC, representada por nosso magnífico Reitor, prof. Henry Holanda, foi homenageada por ter sido parceira do Programa nos anos iniciais de sua implementação. Eu, Ana Paula de Medeiros, tive a honra de ter participado da criação do Programa, junto com a Diretora da Faculdade de Educação, profa. Isabel Ciasca, e de nosso Pró-Reitor de graduação, prof. Claudio Marques. Trabalhamos juntos, nos primeiros anos, ao lado de uma equipe de altíssima qualidade da Seduc, no intuito de fazer o Programa funcionar. Essa experiência me rendeu muitos dos conhecimentos que hoje tenho sobre alfabetização, área em que orgulhosamente atuo. Com o PAIC, a realidade das escolas públicas do Ceará, hoje, é bem diferente e nos dá mais esperanças de um futuro melhor para nossas crianças. Foi uma manhã de muita emoção!














A AJEB-CE PARABENIZA ANA PAULA DE MEDEIROS. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

HOJE É DIA DO CORPO DE DEUS - VIANNEY MESQUITA


Catolicismo Romano

HOJE É DIA DO CORPO DE DEUS
Festa de Guarda da Igreja Católica (15.06.2017)

Vianney Mesquita*

Deus não olha os teus atos, tampouco teu aspecto externo. Ele enxerga, apenas, teu coração e tuas intenções. [Abu Hamid Muhammad ibn Muhammad, dito AL GHAZALI - teólogo islâmico, cosmólogo, filósofo e jurista persa. Tus (Iran), 1058-1111].


            1 INTRODUÇÃO

Hoje, 15 de junho de 2017, a quinta-feira sequente ao Domingo da Santíssima Trindade, este imediatamente seguinte ao dia de Pentecostes, a Igreja de Roma celebra a festa de CORPUS CHRISTI, expressão latina claramente significativa da dicção Corpo de Deus. Consoante a Santa Sé, é data santa de guarda, cumprindo a participar da Santa Missa aqueles que professam a confissão católica, de acordo com o expresso pela CNBB, em se reportando ao Brasil.
O caminho processional do Corpo de Deus pelas ruas é recomendado pelo Cânone 944, ao determinar ao bispo da Diocese que o providencie, caso possível, (...) para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo.
Parece-nos oportuno informar o fato de que, desde nossa primeira infância, tomamos contato (e não desaproveitamos deste até o momento) com a doutrina cristã de orientação tridentina, cuja transmissão pedagógica começou a ser operada com as catequistas da Paróquia de São Francisco de Assis, no nosso Município de nascimento, Palmácia (1957), antes Distrito de Maranguape-CE-Brasil.
Desenvolvia-se, então – começo dos anos 1950 - o vicariato do Cônego Joaquim Alves Ferreira, assessorado por seu irmão, Monsenhor Pedro, poliglota, professor do Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, sábio da Igreja, os quais primavam pela instrução religiosa de seu pastoreio, concedendo-lhe apropriada iniciação confessional, ao ponto de assegurar, sem intermitências, sua continuidade, no nosso caso, ao abrigo diligente de nossos pais, Vicente Pinto de Mesquita (Fortaleza, 15.10.1913-11.11.1993) e Maria de Lourdes Campos Mesquita (Palmácia, 10.08.1920 – Fortaleza, 20.04.2004).
De tal modo, na prossecução à busca da Palavra e de seus desdobramentos, tomamos tento em dar sequência a esta manifestação constante de crédito cristão, evidentemente – impende relevar – no reconhecido estado de humano penitente, não farisaico. Na medida do possível, por conseguinte, demandamos conhecer mais claramente as verdades emanadas do Verbo Divino, bem assim as diversas circunstâncias que emolduraram sua repercussão, por meio da atenção e estudo autodidático de seu enredo historiográfico.
Assim, ao empregarmos o substrato prático prestadio ao desenvolvimento do tema, tomado na consonância das razões descritas há pouco, também recorremos à literatura histórica, devidamente referenciada, mas levando em conta fatos de domínio público, para nos reportar neste escrito ao enredo do evento de Corpus Christi, no Brasil, ferido no terceiro quartel do Trecento, conforme será visto mais à frente.

            2 ORIGEM – MILAGRE DE BOLSENA

A exaltação do Corpo e Sangue de Jesus Cristo procede de uma intenção do padre francês Jacques Pantaleon (nascido em Troyes, por isso Jacques = Iago = Jacob) – futuro Papa Urbano IV, então cônego diocesano de Liége (Bélgica) - de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque, pois recebera segredo de Santa Juliana de Liége, monja agostiniana do Mosteiro de Mont Cornillon, a qual experimentou visões de Jesus Cristo, cujas significações foram depois explicadas à Igreja.
Santa Juliana viu, numa das vezes, a lua cheia com uma rachadura no disco. Então, o Senhor lhe revelou que a Lua era a Igreja e a cisão a ausência de uma solenidade no círculo litúrgico dedicada ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela contou às autoridades o ocorrido depois de 1230 (therealpresence.org.).
Já no Sínodo de 1246, Dom Roberto Thouroutte, prelado de Liége, estabeleceu na sua Diocese uma festa em honra do Ss. Sacramento, celebrada pela vez primeira em 5 de junho de 1249.
 Entrementes, no Papado há pouco referido, São Pantaleão – Urbano IV – numa cidade perto de Orvieto (Umbria,  Vorsínia, dos Etruscos, hoje com 26 mil hab), foi assinalado o conhecido Prodígio de Bolsena (Itália, norte de Viterbo, no Lacio). Consoante fonte mencionada no final deste parágrafo, um padre celebrante da Missa, ao partir a Hóstia Sagrada, viu sair dela sangue que encharcou o corporal (pano sobre o qual descansam o cálice e a patena no decurso da Missa). Então, o Sumo Pontífice prescreveu que os objetos milagrosos fossem conduzidos para Orvieto (lugar da Corte desse Papa, que jamais ocupou Roma), em procissão, no dia 19 de junho de 1264, recebidos com solenidade pelo Vigário de Cristo e levados para a Catedral de Santa Prisca.
(http;//www.therealpresence.org.eucharst/mir/portuguese_pdf/ PORTU-bolsena.pdf).
 Com efeito, a solenidade do Corpo de Deus foi oficialmente instituída ex-vi da Bula Transiturus de hoc Mundo (Passagem desde mundo), editada em 11 de agosto de 1264, sob a assinatura de Urbano IV, para ser celebrada na quinta-feira imediatamente posterior à oitava de Pentecostes.
Com vistas a conferir maior esplendor às comemorações, queria São Pantaleão (Urbano IV) um canto para ser oficiado durante a celebração. Pediu, pois, a Santo Tomás de Aquino (1225-1274) para compor o Ofício, que o fez sob o título Lauda Sion, o qual é entoado, ainda hoje, nas celebrações de Corpus Christi, na sequência antes do Evangelho, sendo Aquino, também, o compositor de várias outras peças, como, verbi gratia, o Tantum Ergo, Pange Lingua et reliqua.



Lauda Sion Salvatore

Sião exulta de alegria/louva teu pastor e guia/
Com teus hinos, tua voz!/Tanto possas, tanto ouses/
Em louvá-lo não repouses:/ Sempre excede o teu louvor.

(ecclesia.com.br.filocalia/?Page+_id=440).

            3 PROPAGAÇÃO DA SOLENIDADE

Mencionada Bula, em razão da morte do Papa menos de um mês depois, experimentou de pouca repercussão, porém se espalhou por algumas igrejas, conforme ocorreu em Colônia, Alemanha, na qual a Festa do Corpo de Deus é oficiada desde antes de 1270, onde a procissão surgiu e se espalhou pelo País, depois em França e Itália. Em Roma, o préstito ocorre desde 1350.
A Santa Eucaristia, como é do conhecimento geral dos católicos, é o terceiro dos sete sacramentos (Batismo, Crisma ou Confirmação Batismal, Eucaristia, Penitência ou Confissão, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio), instituído quando da Última Ceia, oportunidade em que Jesus falou que Este é meu corpo ... isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim.
Para o Bispo de Hipona, Santo Agostinho, a celebração de Corpus Christi é um memorial de imensurável benefício para os cristãos, deixado em pão e vinho. Pelo fato de a Eucaristia ter sido celebrada pela primeira vez nas Endoenças, isto é, na Quinta Feira Maior, a festa do Corpo de Deus é sempre oficiada neste dia da semana. Corpus Christi é celebrado, como adiantamos, 60 dias depois da Páscoa, ou seja, de 21 de maio a 24 de junho.
A modo de informação complementar, Endoenças – vocábulo nem sempre bem explicado – procede da palavra latina eclesiástica indulgencia (ae), relativa a bondade, brandura, condescendência, favor, graça, isenção de um tributo, perdão de uma pena. A Quinta feira Santa e a Sexta Feira da Paixão eram dias de perdão – dies indugentia (ae), em que eram concedidas “indulgências eclesiásticas”. (HOUAISS; VILLAR SALLES, 2011). Particularizou-se, então, o uso do substantivo – somente no plural – para corresponder à Quinta Feira Santa, dia de instituída a Eucaristia. 
4 CELEBRAÇÕES LOCAIS

Diferentemente de outros lugares do Brasil, na Arquidiocese de Fortaleza – bem como nas demais dioceses cearenses (oito – Crateús, Crato, Iguatu, Itapipoca, Limoeiro do Norte, Quixadá, Sobral e Tianguá) – recorre-se à procissão com andores, acompanhada de cânticos e, evidentemente, a Santa Missa, de sorte que não se usam tapetes nas ruas na recepção ao Corpo de Deus, ao modo de algumas cidades brasileiras, mormente as históricas, como, por exemplo, em Mariana-MG, destacando-se, ainda, Pirenópolis-GO, Castelo-ES, Jaguariúna, Caieiras e Borborema, no Estado de São Paulo.
 Tal usança procede de Portugal, para aqui trazida pelo elemento colonizador, consoante informa Canção Nova (v. ref.). Os desenhistas dos tapetes se utilizam de materiais como serragem colorida, farinha, areia, pó de café, flores e demais atavios.

            5 FINAL

            Contando mais de oito centúrias de celebração da Festa do Corpo de Deus, quando no mundo católico se processaram, por todo esse lapso, manifestações de adoração ao Senhor, conforme o espírito que presidiu o Papa Urbano IV – São Pantaleão - ao instituir a Bula Transiturus de hoc Mundo – Passagem desde Mundo - chamamos a atenção dos fiéis para que, também nas celebrações de rua do Corpus Christi, suas atenções primordiais se dirijam, preferencial e absolutamente, ao louvor e reconhecimento de Deus como criador, senhor de todas as coisas, protetor e provedor das nossas necessidades, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro, consubstancial ao Pai, conforme dita a oração do Credo Niceno-constantinopolitano.
            De tal modo, mesmo que se haja de apreciar a tradição, vestida de folclore, aliás, culturalmente, parte da civilização humana, não se haverá de deixar no olvido o fato de que o objetivo axial da existência humana repousa na salvação das almas. Isto porque, estamos na dependência da vida correta conduzida na Terra, anelo ao qual se aporta somente ao cultivar a crença na Trindade Santa, no atendimento às suas prescrições expressas nos Santos Evangelhos, Escrituras e desdobres verbais dos vigários terrenos da Divindade.
 Por tais pretextos, no Corpus Christi ora solenizado, havemos de reforçar as raízes da nossa fé e nos dedicar, por inteiro, enquanto temos corpo, às ideações salvíficas, para que, enfim, pós-Último Julgado, nos seja possível desembarcar no Melhor Lugar da eternidade, sob a destra do Criador, cujo corpo se adora e venera em tão ditosa ocasião.


BIBLIOGRAFIA

HEUSER, - O.F.B., Frei Bruno. História Sagrada. 45 ed.. Petrópolis: Vozes, 1976.
HOUAISS, A.; SALLES, Mauro Villar. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2001.
SGARBOSA, Mário; GIOVANNINI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1996.
WHITE, Ellen G. Vida de Jesus. Tatuí-SP: Casa Publicadora Brasileira,1996.
(ecclesia.com.br.filocalia/?pag_id.440)
noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=234011 (presbíteros.com.br/site/historia-da-solenidade-de-corpus-christi)
(em.wikipedia.org/wiki/Lauda_Sion)
  

sábado, 10 de junho de 2017

LEIA ESTE PRECIOSO COLAR DE TROVAS

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COLAR DE TROVAS

01
Nos rituais da poesia,
em sublime comunhão,
molho o pão da fantasia
*no vinho da inspiração!*
(Arlindo Tadeu)

02
No vinho da inspiração
bebo versos de amizade,
me faz bem ao coração
*saciando a dor da saudade...*
(Canoas Netto UBT Bebedouro SP)

03
Saciando a dor da saudade
eu encontro inspiração
para fazer caridade
*extravasando emoção!*
(Neiva Fernandes)

04
Extravasando emoção,
faço trovas para o mundo.
São joias feitas à mão
*repletas de amor profundo.*
(BessanT)

05
Repletas de amor profundo,
vão minhas trovas, a esmo,
singrando os mares do mundo,
*dando carona à mim mesmo!*
(Juraci Siqueira)

06
Dando carona a mim mesmo
num barco de trovador,
eu faço trovas a esmo
*espalhando muito amor.*
(Leda Maria)

07
Espalhando muito amor,
florindo pelas estradas...
Reduzindo sempre a dor
*em todas minhas paradas.*
(M. Zilnete)

08
Em todas minhas paradas,
o silêncio me valeu
como reflexões aladas,
*aumentando o sonho meu.*
(Danusa Almeida)

09
Aumentando o sonho meu
vou vivendo cada dia
e se a estrada for de breu
*desenho outra de alegria!*
(Por Claudia Bergamini)

10
Desenho outra de alegria
no meu mundo interior,
pra manter a fantasia
*planto semente de amor.*
(Aurineide Alencar)

11
Planto semente de amor
na terra da poesia...
Quero o perfume da flor
*dissipando a maresia!*
(Dáguima Verônica)

12
Dissipando a maresia,
vejo, no azul, teu olhar.
Me arrasto na fantasia,
*solto meu barco no mar.*
(Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros)

13
Solto meu barco no mar,
navego ao sabor do vento, só quero poder cantar,
 *ter uma vida a contento!*
(Lucilia Decarli)

14
Ter uma vida a contento,
sonho de todo o poeta,
que afasta de si o lamento,
*ao revelar que é esteta.*
(Olga Maria)

15
Ao revelar que é esteta
e tem sua alma elevada,
com sua Arte então completa
*faz trova rica e rimada.*
(Ariete Regina)

16
Faz trova rica e rimada,
o que crê na inspiraçāo,
que a luz que lhe é enviada ,
*vem do Deus da criação!*
(Luzimagda)

17
Vem do Deus da criação,
que fez tudo tão perfeito,
enche o nosso coração
*com tudo o que tem direito.*
(Ruth Hellmann)

18
Com tudo o que tem direito,
a minha alma se extasia
em cada verso perfeito
*nos rituais da poesia.*
(Arlindo Tadeu Hagen )

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Rosa Virgínia Carneiro de Castro - contemplada com uma Menção Honrosa no Concurso de Poesia e Prosa Milton Dias, da ACE.




Transcrevemos o poema premiado, com os nossos aplausos à Autora, Rosa Virgínia Carneiro de Castro.


Supremas Manhãs nas Artes
Uma homenagem poética ao Artista Plástico Piassa.
“Tudo que é belo morre no homem, mas não na arte.”
Leonardo da Vinci
                           Piassa!
No Universo dos fios brancos, ele ajoelha-se
Rende-se às Preces dos Pincéis
Entre neblinas finas de além azul celeste
De dentro das nuvens noturnas, caem-lhe estrelas em veste
A solidão  de orvalhos verdejantes e límpidas da criação
Ao nascer do dia floresce-lhe nas mãos!
Seus cabelos não são dourados
Como os do Pequeno Príncipe
Mas trazem os ensinamentos dos trigos.
A humanidade melódica lhe toca, rege seu espírito
Por ser um homem lendário em fluidez e abrigo.
                           Piassa!
Um artista plástico, um poeta com asas de Eros, um amigo
No silêncio do seu sorriso, gesto largo, colhem-se todas as chamas
Dos que sofrem, dos excluídos, dos “sem vez” na vida humana.
Ele vem dos mitos de Cervantes, de Shakespeare, de Baudelaire.
Do país de todos os sonhos de Lorca.
Sua pele traz a cor de Caravaggio, de Picasso, de Dalí.
No poder da tinta cintila sua  arte de vanguarda
A  nos fazer outonos nos olhos de sua alma
Um sussurro de esperança  de um canto em Debussy
Lembrando Camus, “cada folha uma flor!”.
                              Piassa!
Nas brisas dos vales montanheses correm corcéis
                   Dos seus mágicos e magnéticos pincéis!
Piassa, um viajante cruzando as fronteiras anciãs do tempo
A unir Povos, desejos e alentos ... onde o sol se levanta!
Sua pintura traz todos os sentimentos pelas lágrimas do vento.
Num arco-íris cíclico do destino humano.
Eu o contemplo com um bom humor de menino
A brincar nas ruas de Paris…
O historiador na luz da poesia que alguém sempre quis.
                              Piassa!
Flor que canta Bach e acorda os deuses do Paraíso
Flor que traz amoras vermelhas de paixão e frio
Um dia as amoras já foram brancas: lá em Píramo e Tisbe.
Flor branca, branca flor das manhãs
                   Dos jardins de Claude Monet.
Flores dos rios de Heráclito cheias de amor e perdão.
Flor de Deus que nasce na neve e flutua na pureza do coração.
                              Piassa!
          Para sempre, Piassa!
Pseudônimo – Tisbe

                                                                                        Rosa Virgínia Carneiro de Castro

terça-feira, 30 de maio de 2017

MINIPOEMAS DE GISELDA MEDEIROS


MOTIVOS

                              I

                            A ti, ó Poesia,
                            seios do eterno a jorrar leite e mel,
                            ergo  minha taça
                            vazia...
                            Quero vê-la transbordante
                            de canções
                            de leite e mel.


                             II

                            Oferta-me, senhor,
                            o salitre do teu corpo
                            e o húmus de tua alma
                            para que floresçam em minha carne
                            as acácias do amor.

                             III

                             Oh, claras manhãs de primavera,
                            deixai que vos contemple o rosto!
                            Deixai-me ir
                            em vossa caravana de macia luz,
                            ao sopro viageiro das brisas da esperança!


                             IV

                                Assim como um grito,
                            teus dedos alongaram-se
                            sobre as minhas dunas.
                            E houve festa
                            no silêncio das areias.


                              V
                
                 Sei que guardas
              em baú de estrelas 
              os sonhos que me roubaste.
                        Melhor.
                        Um dia, hei de tê-los
                        banhados de luares.


                             VI

                            Assim quero o meu poema:
                            vôo de pássaro
                            nas manhãs intermináveis;
                            ou, simplesmente,
                            rastros que ficaram
                            dos pés que, em nome do amor,
                            empreenderam
                            a grande viagem.

  
                            VII


                            Abre-me teu céu,
                            ó meu amado,
                            para que, com estas mãos de espera,
                            possa eu levar-te a revoada
                            dos pássaros
                            que em mim habitam.
                            E eles encherão teu céu
                            com o segredo
                            das tardes lavadas de Poesia.


                             VIII

                            E esta solidão de lajes
                            a velar o sono
                            do sonho
                            adormecido em mim,
                            terra e mar,
                            metáfora alucinada,
                            mastigando o silêncio das estrelas!...

  
                            IX

                            As barcas do Amor
                            estão ancoradas em teu porto.
                            Urge soltá-las
                            antes que o tempo lhes mastigue
                            os últimos remos e mastros.

  
                            X

                            Não é preciso decifrar o azul
                            das águas...
                            Meu horizonte está no azul
                            de uns olhos de criança,
                            águas de infância
                            na correnteza de meu outono.


                             XI

                            Com mãos de rosa
                            escrevo-te, ó meu amado,
                            este poema
                            cheio dos risos
                            da alvorada que há em mim.

  
                            XII

                            Sou um rio
                            seco
                            à espera permanente
                            das águas
                            de teus afluentes.


                             XIII

                            Não chores
                            se me vires a buscar estrelas...
                            É  que estou indo
                            à procura de teus olhos.

  
                            XIV
                           

                            Não te pedirei mais nada.
                            Se já me amas
                            e cantas comigo
                            a doce canção da Poesia
                            já me basta.
                            É tempo de semear.


                            XV

                            Se queres saber de mim
                            lê meus versos
                            e verás
                            refletida nas metáforas
                            a imagem do que sou.
                            Por favor
                            não me interpretes
                            simplesmente
                            à luz dos símbolos e metáforas.
                           
                            Vai mais fundo.
                            E não me tenhas compaixão
                            se tenho o sonho
                            como pão.
                            Sou aprendiz da vida
                            e na minha travessia
                            busco estrelas
                            como guia.
                            Mas tem cuidado!
                            observa o que diz minha biografia:
                            frágil, sensível

                            e, sobretudo, Poeta.
                          
                          (in: Tempo das Esperas)