sexta-feira, 15 de junho de 2018

POEMA DE VICENTE ALENCAR




LIBERDADE
Vicente Alencar

A liberdade de criar
pertence ao coração;

Ele chama, conversa,
dita o que quer
e o que deseja.

Todo o teu corpo
atende ao chamado.

Ali, naquele momento,
és apenas um ser
que ama.

Nada impedirá
teus pensamentos,
tua paixão,
o teu conforto
de querer.

A liberdade de criar
faz teu coração dizer
tudo o que quer.

E tu te encantas
e até te espantas
com tanto amor.

sábado, 9 de junho de 2018

PADRE MORORÓ - UM HERÓI CEARENSE - SONETO DE JOÃO GOMES DA SILVEIRA



UM HERÓI CEARENSE
  João Gomes da Silveira


A pé, vencendo o tosco calçamento,
um sacerdote veste-se em batina.
Vai indo para o seu fuzilamento,
que Portugal ditou-lhe a dura sina.


Padre Mororó*, de fronte erguida,
caminha à frente da cavalaria,
sabendo já que vai doar a vida
por causas libertárias que nutria.


Do baobá ao tronco, junto ao Forte,
bem no centro da Fortaleza antiga,
o heroico padre vai colher a morte.


Revel, do Frei Caneca companheiro,
o cearense a mão no peito instiga
e as balas o estraçalham por inteiro.

- - - - -
(*) Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque Melo, o “Padre Mororó”, era simpático à Confederação do Equador. A mando da Coroa de Portugal, foi morto a tiros de arcabuz, aos 30 de abril de 1825, no centro da Capital cearense, atual Praça dos Mártires, ou “Passeio Público”.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

NOSSOS PAIS E O TEMPO DE ENVELHECER - POR PIO BARBOSA NETO



Nossos pais e o tempo de envelhecer
(*) Pio Barbosa Neto

Chega um tempo em que não conseguimos admitir as fraquezas que assediam a realidade de nossos pais, o peso dos anos, que minam as forças e que extraem deles, o bom humor, a serenidade da vida.
É difícil aceitar que nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não é preguiça nem desdém. Que não é porque se esqueceram de dar o recado que não se importam com a nossa urgência. Que pedem para repetirmos a mesma frase porque não escutam mais tão bem - e às vezes, não está surdo o ouvido, mas distraído o cérebro. Demora até aceitarmos que não são mais os mesmos - que dirá “super-heróis”? Não podemos dividir toda a nossa angústia e todos os nossos problemas porque, para eles, as proporções são ainda maiores e aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a pressão, a taxa glicêmica, o equilíbrio emocional.

O ritmo lento de seus passos, o esquecimento que a tudo assiste a falta de controle nas mãos, o tremor delas, o caminhar trôpego, enfim, tudo mesmo, gera uma inaceitação, um inconformismo nosso, diante de quem, um dia, parecia ser um personagem imbatível, cheio de sonhos e planos, como se a vida fosse um eterno tempo de força e beleza.

Quanto mais eles perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos, sem compreender por que o inevitável aconteceu. Pode até surgir alguma revolta interior por esperar deles que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si, sem percebermos, na nossa própria desorientação, que eles não têm a mesma consciência que nós, não têm como impedir a passagem do tempo ou que possuem, simplesmente, o direito de sentirem-se cansados..."

Acontece que, o medo claro da morte, nos assedia imaginar a perda dos pais é algo que machuca que deixa uma lacuna que jamais será preenchida.
Olhando para a cortina do tempo, lembro-me que, foi num dia de sol, numa tarde calma, que meu pai partiu, levando consigo a saudade que aqui ficou entranhada no peito, em forma de um coração que pulsa e bate incontinente.
O que pensar sobre este instante, talvez seja natural, lembrar a vida, ao invés de pensar o instante final, o desenlace que a todos deixou descer na face, um rastro de tristeza e ausência, em forma de lágrima a cair. 

Jorge Luiz Borges escreveu:
"Um homem propõe-se a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de mares, de ilhas, de peixes, de habitação, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto."
Envelhecer já nos demanda outras tarefas. Quem envelhece já fez pedidos, por vezes cansou de esperá-los. Quem envelhece já fugiu à regra, abriu exceção. Quem envelhece já dormiu na cadeira da sala de aula, já jantou de madrugada e entendeu que nenhum desejo vale mais a pena do que aquilo que nos vem sem que desejemos. Aquilo que está em nosso caminho, seja ele desviado para o destino que for.

Aceitar envelhecer, voltar atrás perante enganos, enxergar beleza no imperfeito e felicidade no detalhe são coisas que nos tomam a consciência com a maturidade. E maturidade leva experiência.
O que fica da vida é a certeza clara, de que, não fomos feitos para a morte, sequer a desejamos, contudo, um dia, ela chega sorrateiramente, de maneira silente, muda, e sem avisar arrebata a existência de forma impiedosa e cruel. 

Não tenho interesse em falar sobre esta ruptura que nos deixa órfãos, mercê da agonia de não mais ter entre nós, alguém a quem dedicávamos amor e carinho.
Prefiro guardar a imagem de meu pai, chegando de viagem, com suas malas pesadas, com seu sorriso aberto, com seu abraço forte e acolhedor, o resto são retalhos que o tempo compôs em forma de poema prá dizer o quanto sua vida me inspirou a ver o que de mais sublime encontrei na minha caminhada, - a figura ímpar de meu pai, como alguém a quem estendo minha prece diante de Deus, agradecido, por ter durante alguns anos experimentado a magia do amor, da cumplicidade de uma relação tão próxima, que tenho guardado comigo como uma joia rara que acolho na profundeza de minha alma.
(*) Professor, escritor, poeta, roteirista
(Texto Complementar - Meu Pai – PBN)
(Fonte: obviousmag.org)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

MAIS UM SONETO DE VIANNEY MESQUITA





LÓGICA DA PENA

                                                                                     Vianney Mesquita

                                           Sê lento no castigo e rápido no prêmio. (Públio OVÍDIO Nasão).



                            Isento de castigo é quem procede
                        Sob os regramentos sentenciados,
                        É, justamente, o que não acede
                        Desacatar intentos demarcados.

                        Vem da Moral nascente, que não mede
                        Pressupostos por si equivocados.
                        E, na ausência da ordem, o que sucede
                        É o Direito assentar atos regrados.

                        Se a pessoa, atabalhoadamente,
                        De tal modo, violar a lei corrente,
                        Restará bem inserta no escarmento.

                        Se não prosseguir, contudo, assim,
                        Continuará incólume, outrossim,
                        Sem a rija desdita do tormento.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

NOSSO ADEUS À INESQUECÍVEL AMIGA, NEIDE FREIRE




Neide Freire se foi em busca das estrelas... Quanta saudade deixaste, minha amiga querida! Imaginativa como és, quiseste enxergar além do infinito! E partiste, amiga, sem te despedires de nós que tanto te amamos! Mas vai, Neide, coração aberto, sorver a Poesia que sempre te encantou e que, agora, podes vê-la tal como é. Vai em paz, que Deus confortará teus filhos, netos, bisnetos e a grande legião de teus amigos! 
Descansa em Paz!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

GISELDA MEDEIROS




A PÁLIDA CANÇÃO DAS HORAS


Sob o olhar sombroso dos alpendres,
refaço-me em letras e apascento
o azul silencioso dos espinhos
que o medo me enxertou com seus ancinhos.

Na parede da sala, insone espelho
aprisiona o meu olhar vermelho
e tinge de ocre o meu lábio calado
há muito pelo tempo embalsamado.

O pálido relógio marca a sombra
das horas líquidas que ontem deixaram
seus rastros de procela nas alfombras.

A cortina dos medos se descerra...
E vejo dedos, céleres, que aram
novo jardim de amores sobre a terra.  


(do livro ÂNFORA DE SOL)

sábado, 21 de abril de 2018

UM POEMA DE GISELDA MEDEIROS





CANÇÃO EXTRAVIADA
Giselda Medeiros


 A mim não importa a solidão.
Sou um rio que se vai
nas sombras – alimento – da paisagem
que escorre de meus dedos.
                           
Minha voz é este verso
que carrego nas entranhas.
Com ele, expulso meus medos
construo sílabas na cartilha do Amor
ou rezo salmos à passagem dos mortos.

Com meu verso
velo o sono dos que se entregam a Eros
no desespero dos espelhos narcísicos
ou na obstinada esperança de Orfeu.
Com ele, coso a túnica dos sonhos
que resta, alva, entre solitários lençóis.
                           
Meu verso é vento que se derrama
nos pórticos dos oráculos
e sabe o martírio dos surdos,
o desespero de Tântalo,
a perplexidade dos andarilhos
que não têm aonde ir.

Por isso, meu verso
é este tempo que não quer ruir
é esta linha que não se espanta
ante o martírio da pauta extraviada
pelo incêndio das horas metálicas
que interceptaram o som da nossa canção.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

DE PORTUGAL PARA O BRASIL - ADELINA CHARNECA



PENAS QUE EU NÃO CONTO

Se eu contasse as minhas penas
faria calar o mundo
hollywood não faria mais cenas
e os navios iam ao fundo

Contava uma por uma
no fio de uma navalha
o mar não mais teria espuma
morria quem fosse canalha

Umas vão e outras ficam
de penas hei-de morrer
lá no sitio onde habitam
ninguém me pode valer

Hei-de ao mundo revelar
quantas penas já passei
se o mundo me escutar
juro que as esquecerei !
''autora'' Adelina Charneca (Portugal)

sexta-feira, 23 de março de 2018

PERFIS DE MULHERES CEARENSES



Aconteceu, em 10 de março de 2018, no Foyer do Theatro José de Alencar, o lançamento da Antologia "Perfis de Mulheres Cearenses". 
As Professoras Fernanda Maria Diniz da Silva, Gildênia Moura de Araújo Almeida e Marilde Alves da Silva foram as Organizadoras, que juntaram 21 colaboradores e seus respectivos estudos sobre alguns perfis femininos que desafiaram preconceitos, venceram estigmas da época e deixaram impressas suas obras, revolucionando a sociedade machista, assim como aconteceu com Francisca Clotildes, Emília Freitas, Jovita Feitosa, Rachel de Queiroz, entre outras. 
A professora e escritora Nádya Gurgel elaborou seu estudo, enfocando a vida e a obra de três escritoras cearenses, a saber: Ana Miranda, Angela Gutiérrez e Giselda Medeiros (p. 181-188). enaltecendo, assim, a literatura cearense.  
Abaixo, estão postadas algumas fotos desse evento memorável.

ICONOGRAFIA


Professora Nádya Gurgel


Nádya Gurgel e uma das Coordenadoras


Nádya Gurgel


O autógrafo de Nádya para o Magnífico Reitor do IFCE


Nádya com seus filhos


Nádya com a escritora Giselda Medeiros


Nádya com duas das biografadas: Giselda Medeiros e Marília Lovatel


O LIVRO


Coordenadoras, biografadas e coautores


1ª Página do Ensaio

sexta-feira, 16 de março de 2018

ADELINA GARRIDO CHARNECA - POETA PORTUGUESA



(DA SÉRIE, SAUDADE)


Há dias,
em que não queria escrever mais poemas,
mas,
os poemas são as asas que me fazem voar,
e eu já não sei viver no chão,
já não sei viver aqui
neste lugar,
onde já ninguém tem coração.

Por vezes,
julgo minha missão terminada,
e sinto-me incomodada,
mas nada posso fazer,
ficarei, até que a vida me queira,
deixando o meu coração,
sem eira nem beira.
Ficam as minhas palavras,
sem nunca dizer adeus,
deixando algo no ar,
um perfume ou uma pena,
um sorriso ou algo mais,
coisa simples e pequena,
o meu grito,ou os meus ais.

''autora'' Adelina Garrido Charneca.

segunda-feira, 5 de março de 2018

VOCÊ VAI LER? PREPARE-SE!



NOMES EXCÊNTRICOS

                                                                       Vianney Mesquita

O nome é como o rótulo das garrafas: fora está escrita uma coisa, mas o que vale é o que está dentro. [LUIGI LUCATELLI, jornalista latino. Roma (Lazio), 1877-1915].

              Ainda hoje, é bastante comum deparar-se nomes extravagantes de cidadãos brasileiros, com 45 anos ou mais de idade, como, por exemplo, Maurício Tarzan das Selvas, Oceano Atlântico Linhares (Ceará) e Antônio Treze de Junho de Mil e Novecentos e Dezessete, dentre tantos da lista imensa que há no País.
            Pessoas de registo e batismo com créditos esquisitos, como José Casou de Calças Curtas, Abrilina Décima Nona Caçapava Piratininga de Almeida e Jacinto Leite Aquino Rego, não podem, por conseguinte, contar menos do que a mencionada idade, pois, em 31 de dezembro de 1973, foi editada a Lei número 6015, sancionada pelo Presidente Emílio Garrastazu Medici, cujo parágrafo único do artigo 55 assim prescreve: Os oficiais do Registro Civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do juiz competente.
            De tal modo, quem possuir Certidão de Nascimento com as denominações de (ou exoticamente parecidas) Manuel Sola de Sá Patto, Maria Cristina do Pinto Magro e Maria dos Prazeres e Morais é porque nasceu antes da edição do há instantes citado diploma legal. Com efeito, de janeiro de 1974 até hoje, não podem mais aparecer nacionais averbados em cartório como, noutro exemplo, Nacional Futuro Provisório da Pátria, Maria da Cruz Rachadinho e Maria Rinalda Tricontela Gorgontona Pirinica de Doidoi.
             Em decorrência, pois, dos interditos da legislação, é vedado ao oficial do Registro Civil acolher, para lançamento no livro próprio, aquelas configurações nominais estrambóticas, no mesmo plano de Um Dois Três de Oliveira Quatro, Naída Navinda Navolta Pereira, Percilina Pretestatata Predileta Protestante –bem como dos nisseis Mijaro Nabika Soares  (filho de Tako Oku Nabika) e Amosa Kaganasaya Vidal -  com vistas a eximir da ridiculização homens e mulheres com denominações tão esdrúxulas.
            Também, aditados aos Japodeis da Pátria Torres, Geno Cídio Geraldo Povo e Antônia Veadeira da Matta, ainda em curso no Brasil, com registro anterior a 1974, há os nomes ao contrário, como, exempli gratia, o do deputado Federal por Santa Catarina, de 1991-1993, Onaireves Moura (nascido em 1946 - Severiano ao contrário), hoje de registração proibida pela Lei 6015, retrodita.
            A propósito de nomes estrambólicos, certa vez encontrei-me com o linguista Itamar Santiago de Espíndola e lhe disse haver adquirido, de sua vastíssima produção (40 livros), a obra Escolha bem o nome do seu filho (1974), aliás, o móvel desta croniqueta.
             Conversamos um pouco, tendo ele me falado haver sido consultado por um japonês casado com uma cearense. Este pedira ao Dr. Itamar para oferecer uma sugestão a fim de nominar o recém-nascido, ao que o linguista e advogado respondeu: - Sugiro o nome... O japinha nem deixou o homem completar a resposta, expressando, satisfeito: - SUGIRO! Excelente nome!
            Ainda com relação aos designativos inusitados, quando estudava na U.F.C. – Faculdade de Direito – havia uma acadêmica chamada Eva Gina; e, não à-toa, a título de curiosidade, nossa Princesa atendia por Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, ao passo que o seu pai, casado com Dona Teresa Cristina, se chamava Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocácio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
             Em adição aos nomes longos, muito me apraz o fato de ser cunhado (casada com meu irmão, Paulo César) da Professora Doutora Regina Elisabeth Jaborandy de Mattos Dourado Mesquita (UECE), bem assim de ser amigo do Professor Doutor José Antônio Carlos Otaviano David Morano (UFC-UNIFOR – Medicina).
            Narra a cambada que, num cartório em São Paulo, um pai foi registrar a filha recém-vinda, tendo apresentado a menina como Nonatina Arquibancada do Corinthians. De imediato, o notário se negou, apegando-se à mencionada Lei 6015. Eis que, então, o pai da pretensa “Arquibancada” protestou, raivoso, e exigindo tratamento igualitário, ao alegar a recepção do filho da mulher atendida pelo funcionário imediatamente antes dele, pois o garoto houvera sido registado como Manuel Bandeira dos Santos. Se pode “Bandeira dos Santos”, por que não “Arquibancada do Corinthians”?
            Videntes e adivinhos, mesmo, foram os pais do celebrado urologista cearense, de nomeada nacional, Sálvio Pinto, ao lhe dirigirem este nome logo ao nascimento, pois, na realidade, não há indicativo nominal mais adequado para essa especialidade, e este médico é, hoje, verdadeiro salvador destes “galináceos”, valiosíssimos animais sob vários pontos de vista...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

UM BELO SONETO DE MYRSON LIMA


PRECE

Quero estar pronto, quando me chamares
Com a alma leve e a consciência pura,
Livre da dor, do tédio e da amargura
Para o rito final em teus altares.

E um grande dia surgirá radiante
Na plena glória de teu grande reino
Pois me fizeste dele o teu herdeiro,
Tornando-me feliz e confiante.

Que a Virgem do Alto me abençoe
E me encaminhe a seu amado Filho
Para que me receba e me perdoe

Dos meus tropeços nesta insana lida
Em que houve tristezas e pecados,
Mas não faltou um grande amor à vida.


Myrson Lima

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

POEMA DE GISELDA MEDEIROS



QUERO...
Giselda Medeiros

Quero a policromia do teu mundo,
 a melancolia dos teus olhos
 e o arco-íris do teu pensamento.

Quero a música do teu silêncio,
o desenho branco do teu sorriso
e a agonia lenta dos teus apelos.

Quero a geometria dos teus abraços,
 a dispersão dos teus rosados sonhos
 e o moreno lânguido de tua pálpebra.

Quero a noite que adormece em tua rútila pupila,
as rosas que se abrem nos teus dedos olorosas
e o palpitar vermelho do teu coração.
                          
Quero as asas que te levam vida afora
 e quero o ar que impulsiona esse teu voo

 e quero a ti, gaivota, livre, em meus espaços.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VICENTE ALENCAR: MAIS UM POEMA



PARA QUÊ?
Vicente Alencar

Se estamos poetando,
para que essa preocupação
com a rima,
com a métrica,
com a estrofe?
Para que essa preocupação?

Tudo que se escreve
deve ter sabor,
deve ter perfil,
deve ter alma,
deve ter amor.
Às vezes,
não necessariamente.
Mas, se fale tudo que se quer,
se diga tudo
aquilo que deseja,
mas, fale com o coração,
diga com ele,
ou para ele.
Para a mulher amada
para a mulher querida
para a mulher lembrada.
A desejada,
a que está longe,
quase perto,
somente interessa
o recado do coração.

Deixe a rima de lado
se você não quer usá-la.
Mas fale com todo o amor
e todo o pecado,
pelos caminhos do coração!

Para que mais?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Conselhos bem “Pai d’égua” de um nordestino sobre as suas metas para o Ano Novo



ENTRADA DE ANO NOVO 

 Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje!
Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.
Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.

Sobre o amor

Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe.
Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.
Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.
Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um  chapéu de touro.
As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.

 Sobre o trabalho

Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.
Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar. Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.
Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.
Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

 Sobre a sua vidinha

Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.
Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.
Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.
Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

Arrumação motivacional

No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.
Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.
Prá começar o ano discunforça:
Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto:
Sai mundiça !!!
Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2018.

E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.
Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom!!!

 Como vai ser pai d’égua esse 2018!!!