terça-feira, 19 de setembro de 2017

SESSÃO NOBRE DA AJEB-CE




Hoje, 19 de setembro de 2017, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - reuniu seu corpo social para realizar sua sessão mensal, com a  finalidade de diplomar os ilustres nomes: Suzana Dias Ribeiro, Cybele Valente Pontes, Gutemberg Liberato de Andrade (estes como Sócios Beneméritos) e Gilda Maria de Oliveira Freitas, como Sócia Efetiva.

A cerimonialista Francinete Azevedo convidou o Jornalista Vicente Alencar que usou a palavra para receber e saudar Suzana Dias Ribeiro.

Em seguida, Giselda Medeiros fez a saudação à Cybele Pontes:

SAUDAÇÃO À CYBELE VALENTE PONTES

Tomada de emoção, recebo da Presidente Gizela Nunes da Costa a incumbência de tecer algumas palavras que traduzam a amizade, o carinho, a gratidão e o reconhecimento que todas nós, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, AJEB-CE, nutrimos por Cybele Pontes.
Confesso que cumprir este desiderato é-me excessivamente honroso, por outro lado, é tarefa que exige grande responsabilidade, já que as palavras, segundo o pensamento machadiano, “amam-se umas as outras e casam-se”.  E digo que o difícil, neste instante, é atrair as palavras de modo que haja esse perfeito casamento. Ademais, alerta ainda a Sabedoria Popular que “as palavras, como as abelhas, têm mel e ferrão”. Desse modo, tomando todos esses cuidados, ouso, à Drummond, penetrar “surdamente no reino das palavras”, lá onde “há calma e frescura na superfície intacta”. Elas estão lá e, reconhecendo-me, entre algazarras e silêncios, tomam-me pela mão e, em álacre burburinho, levam-me a contemplar o espelho das águas mágicas. E ali, entre deuses, posso vislumbrar, ao centro, o garbo, a realeza da deusa Cybele, filha do Céu e da Terra, por conseguinte, a própria Terra, a Grande Mãe dos Deuses. Rodeiam-na ninfas todas  aplaudindo-lhe as benesses, encantadas com o olhar materno que traz a cada uma de nós a segurança e a certeza de que o culto divino do amor às letras, com seus rituais luminosos são os mistérios da própria deusa, mistérios que nos passam como conhecimentos ritualísticos, para a preservação do templo da Literatura, guardando pelos tempos a participação mística desses cultos memoráveis.
Estimada Cybele, queridos colegas da AJEB-CE. Intertextualizando, assim, um pouco da história dessas duas Cybeles, quis que transpuséssemos as barreiras do real para que pudéssemos conferir a energia que anima nossa querida Cybele Pontes, que se mantém como mulher sustentáculo da Sociedade Amigas do Livro, essa Entidade que difunde amor aos livros, direcionada à instalação de bibliotecas onde elas se fazem necessárias.  
Diante deste breve prólogo, conclui-se que se faz justa esta nossa homenagem à Cybele Pontes, ao ser-lhe conferido o título de Sócia Benemérita da AJEB-CE, no ano de seu quadragésimo sétimo aniversário de fundação.
Perguntamo-nos: por que muitas entidades culturais desfazem-se antes de completarem cinco, dez, quinze, quando muito, vinte anos? E a resposta vem-nos clara e contundente: a AJEB, como a SAL, exercita-se, de geração em geração, sempre apoiada neste tripé: trabalho, solidariedade e tolerância, convicta de que a força e a unidade “não vêm do fato de todos realizarem as mesmas ações, mas, de todos caminharem na mesma direção”, sempre seguindo nosso lema “A perenidade do pensamento pela palavra”.
Parabéns, Cybele, pela honraria merecida! Parabéns, AJEB-CE, na pessoa de sua presidente Gizela Nunes da Costa, pelo reconhecimento dos méritos de nossa ilustre homenageada!
                      Muito obrigada
Giselda Medeiros
19/9/2017

 E, por último, Rejane Costa Barros, que saudou Gutemberg Liberato de Andrade.

Saudação a Gutemberg Liberato de Andrade na qualidade de Sócio Benemérito da AJEB-CE

            Setembro chegou trazendo bons ventos e o aroma benfazejo da Primavera e do cultivo às boas coisas da vida, uma delas, a amizade fiel, leal e verdadeira. A AJEB – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria do Ceará tem mostrado ao longo de sua história que é preciso agirmos de maneira a enaltecer sempre o nome de nossa Associação e fazer que a cada encontro possamos levar algo de engrandecedor para nossas vidas. 
            Nesta reunião do mês de setembro, compartilhamos algumas destas mudanças trazidas por nossa atual presidente, Gizela Nunes da Costa, nos quadros dos Associados. Alguns mudaram de categoria e a mim coube proferir a saudação a um deles. 
Um dia, os mistérios do acaso colocaram-me frente a frente com o casal Argentina e Gutemberg e tivemos a permissão do Altíssimo para que nossos caminhos fossem cruzados e tomados pela devoção da fraternidade, que seguíssemos no mesmo passo, ouvindo as mesmas canções de acalanto e celebrando as mesmas vitórias, embora esse mesmo destino tenha trazido algumas tragédias nesses nossos caminhos, aprendemos a desviar das pedras e sentirmos o aroma das flores que a cada dia embelezam e enfeitam o nosso trajeto, com a pureza do sorriso de uma criança que descobre os mistérios dessa vida, tão fascinante. Com muito afeto e prazer saúdo o Sócio Benemérito Gutemberg Liberato de Andrade, meu amigo e pai de coração, dizendo a cada um de vocês, que ele é um homem positivo e cristalino, amigo e companheiro querido de todos, que, ao abrir os braços fraternais, consegue congregar e apaziguar qualquer peleja. Dá-nos a palavra certa no momento propício e consegue nos fazer entender que quando há alguma coisa errada, podemos melhorar com atitudes positivas e enriquecedoras para a nossa vida e a de quem nos acerca. Alegre, boa praça e bonachão poderia apenas por essas qualidades provocar abrasadas admirações e despertar simpatias comovedoras. Quem com ele convive, sabe que ele é tudo isso e muito mais.
Citando a frase célebre de Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, digo a você Gutemberg que me cativaste há muito tempo e esse nosso benquerer torna-se mais especial a cada dia.
Tê-lo em nosso quadro de Associados e hoje passando à categoria de Sócio Benemérito, só enriquece a nossa AJEB-CE, pelo que tem feito em prol de nossa cultura e da divulgação do nome da Associação.
 Que você permaneça em nossas vidas por muitos anos e continue a trazer os teus conhecimentos para esta troca literária, amigo Gutemberg. Precisamos beber nessa fonte onde você tanto se inspira.
Gerardo Mello Mourão dizia que o poeta tem que ser assim: poeta. E pela vida afora Gutemberg tem aprendido a usar a sua poesia decantando-a em forma de trovas e mais recentemente, de seus cordéis. Ofereceu ano passado um deles à AJEB – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria do Ceará, onde relata a história da Associação desde sua fundação aos dias atuais, um lindo e valioso presente.
Tenho além de muito afeto por ti, uma admiração imensurável e concluo com as palavras de Malba Tahan que diz muito bem a respeito da palavra sinceridade:
“Sincera é a palavra doce e confiável. Sincera é uma palavra que acolhe. E essa é uma palavra que deveria estar no vocabulário de toda alma. Sincera foi uma palavra inventada pelos romanos. Sincero vem do velho, do velhíssimo latim... Eis a poética viagem que fez sincero de Roma até aqui: Os romanos fabricavam certos vasos de uma cera especial. Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Em alguns casos, chegava-se a se distinguir um objeto – um colar, uma pulseira ou um dado – que estivesse colocado no interior do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso: — Como é lindo... Parece até que não tem cera! “Sine-cera” queria dizer: “sem cera”, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado. Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração”. Todas essas palavras descrevem muito bem que o nosso Sócio Benemérito Gutemberg Liberato de Andrade é um homem sincero, fiel e leal. Sua voz, mansa e pausada, traz sempre uma surpresa ao falar. Somos um povo que se orgulha de sua vida, de sua história, de sua amizade. Um afetuoso abraço dessa sua filha de coração nessa manhã radiante e festiva!
                                                                                   Rejane Costa Barros
                                                                       Fortaleza, 19 de setembro de 2017.
                                                                       AJEB Coordenadoria do Ceará.

Agradecidos e emocionados, os distinguidos sócios disseram sucintamente da alegria pela distinção a eles outorgada.

A Presidente Gizela Nunes da Costa fez a entrega do Diploma de Sócia Efetiva à nova ajebiana, Gilda Maria de Oliveira Freitas .

Após o encerramento da sessão, aconteceu a confraternização no salão nobre da Academia Cearense de Letras.

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA




















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sábado, 16 de setembro de 2017

Giselda Medeiros - a cronista

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CRÔNICA PARA UM GRANDE AMOR (*)
GISELDA MEDEIROS

São seis horas da manhã.
Um raiozinho de sol vem me acariciar, aqui neste alpendre de minha casa de praia. Desperto e ouço o soluço do mar que, embravecido e saudoso, parece querer lembrar-me de que estou absolutamente só.
São tantos os pensamentos que me ocorrem e que se tumultuam como que empurrados por emoções que ainda desconheço. Olho a imensidão dessa massa azul beijando o horizonte e perco-me em devaneios. Teu perfil, além-mar, surge de ímpeto, desenhado na brancura das nuvens que passeiam, distraidamente. E tua lembrança me vem, dominadora e dominada. Tenho ânsias de ver-te, mas este mar imenso nos separa, ao mesmo tempo que nos une, num antagonismo medonho.
Não sei o que fazer, agora, diante dessa brisa que me acaricia a pele, a me excitar os desejos. Ah, amor, que inveja desta brisa! Sei que ela é livre e pode, assim, estar contigo e gozar da tua presença. Sentir teu perfume inconfundível, brincar com teus cabelos de ouro e provar do doce dos teus lábios – rosa e espinho – a confundirem-se, a dominarem, a deixarem-me atônita, plena de amor e saudade.
Saudade?! – pergunta-me assustada uma voz interior.
E me vem a resposta fria, através deste vazio. É verdade! Jamais nos tivemos, sequer nos beijamos ou deixamos antever qualquer gesto de posse. Mas te amo e sei que te quero, assim como a areia da praia quer o abraço morno das ondas. Quero-te, como a flor quer o amanhã para desabrochar linda e fecunda. E que seria da flor se não houvesse a ternura da manhã? E que será de mim se não estiveres em mim? Serei este mar sem o azul imenso das águas, sem a vivacidade dos peixes a desafiar perigos, sem a renda branca e translúcida da espuma que vem esparramar-se na areia árida e seca antes do abraço.
E a alegria do momento em que estiveres comigo?!... Penso nisso e vejo surgir do caos a plenitude do amor. Ter-te como parte minha, inseparável... Aí, sim, seremos uno, indivisivelmente uno. Nossos abraços hão de abraçar o mundo. Nossos beijos ansiados despertarão as musas que nos virão inspirar. E a poesia explodirá de nossos corpos, de nossas almas, num ritmo acelerado de emoções.
Amor, perdão! Perdão, pela covardia de nunca ter dito do meu amor. É que tenho medo de não me tomares em teus braços, no momento em que meus lábios ansiarem pelos teus. Eu morrerei! Por isso, deixo que as palavras falem por mim nesta crônica. Talvez, um dia, possas entendê-las e arrancá-las do meu peito com a fúria explosiva do amor.
Querido, são seis e meia da manhã. Enquanto te escrevia, o raiozinho de sol cresceu, subiu e lá se vai junto com a brisa. Sente-os nesta crônica, pois nela está minha alma sequiosa de teu amor, enquanto aqui fica a repousar este corpo inerte, posto que minha essência te pertence e estará sempre contigo, onde quer que estejas.
(*) – In Antologia do Amor, Música e Poesia / organização Antônio Pompeu de Araújo – Fortaleza – Imprima, 2000, pág. 200.

domingo, 10 de setembro de 2017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Soneto de Vianney Mesquita para Giselda Medeiros


SONETO PARA GISELDA MEDEIROS
Vianney Mesquita*

Escritor original não é aquele que a ninguém imita; é o que ninguém consegue imitar. (CHATEAUBRIAND).

Nossa princesa da Literatura,
Pós-laureada em bibliografia,
Língua-prosa, crítica e poesia,
No texto é mestra-mor da urdidura.

Excelsa, apreciadíssima figura,
Excele, em seus escritos, a porfia
Por irrepreensível escritura,
Ao adorná-la de eugenesia.

Na Espanha, na Itália e Filipinas,
Sabedoria e erudição supinas
São triviais a milhares de Imeldas.

Em dimensão, porém, desta Medeiros,
No Ceará e Brasil sobranceiros,
De tal casta não há quaisquer Giseldas.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

LILA XAVIER E MAIS UM POEMA BELO


Nenhum texto alternativo automático disponível.
Revelação do medo (Pra vc querida Giselda)

Os sentidos
Congelam-se frente ao medo
Simbolismo opressor da paz.
Gostaria, oh, como eu gostaria!
Que a vida tivesse fim nesse momento.
Para eu não saber nada.
Não querer nada
Não ver nada.
A solidão de ti
É recorrente.
A que andas?
Por acaso te escondes?
A morte, de ti tomou posse?
Busco razões para o medo
Pois meus olhos não te têm por perto.
Recorro às lembranças
Mas só encontro os meus fantasmas
Transfigurados nas desilusões
Que se vestem em trajes de decepção
E ainda sugerem vida longa
Nos retratos que ornam as paredes,
Além de se fazerem presentes
Nos detalhes da minha silhueta
Que riscam os cílios grossos e definidos
Da juventude presunçosa.
Nesses retratos
São revelados um casal
Que transpirava
Desejo e amor,
Esperança no eterno
Ricocheteados por uma paz ancestral.
Mas, do que mesmo estou a falar?
De que esperança?
De que amor?
De que paz estaria sendo ricocheteada?
Que desenho é esse que faz adormecer os sentidos?
Que colore o medo
Que desbota a esperança
Que faz murchar o desejo..
É um desenho em branco e preto revelando
Claramente, a ausência,
De quem nunca esteve.
Lila Xavier

Leia belíssimo poema de Ana Paula de Medeiros

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TEMPO DE FLORESCER

Deu vontade de correr naquele cerrado
Pisar a grama pontiaguda
Deixar minhas dores por lá...
Vontade de ficar à sombra do ipê
Deitar no tapete de flores
Olhar o azul
Imaginar cenas com as nuvens
E pensar em nada
E falar de nada
Só ficar, ali, parada
Vendo ouro no céu.
Minha ampulheta, de flores amarelas seria
Meu tempo, contado por horas de amar
Distância não haveria
Em segundos, eu chegaria
Aqui e acolá.
E a derradeira vontade
Depois de tudo que pensei ali
Foi de ser como a flor do ipê
Que tão quieta deseja
O pouso do colibri.
Brasília, 23 de agosto de 2017.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

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EU, O MAR E O TEMPO
Ana Paula de Medeiros





Houve um tempo
De abundância e plenitude
Ondas caudalosas
Ausência de margens
Um infinto azul
Sem limites
Sem paredes ou muralhas

Houve outro,
Em que se ergueram paredes de vidro
Limites invisíveis a olho nu
Muralhas intransponíveis
Tempos de tirania
De vendas e mordaças
Eu, caminhando em busca
De um punhado de felicidade
Quis apenas viver os oceanos
Chegar perto do horizonte
Tocar a luz da lua
Banhar-me no sal
Cheguei tão perto da Ilha
Repleta de palmeiras e falésias
Vi a terra tão próxima e possível
E quis estar ali...
Mas havia o vidro!
O vidro...
Ventos de abandono
me fizeram perder o equilíbrio
E eu caí na água
com âncoras presas nos pés.

sábado, 22 de julho de 2017

A SAGA LÍRICA DE GISELDA MEDEIROS



A escritora Giselda Medeiros é homenageada, no dia de seu aniversário, pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, AJEB-CE, com lançamento do livro "A Saga Lírica de Giselda Medeiros", livro organizado pela atual presidente, Desembargadora Gizela Nunes da Costa, trazendo resenhas sobre seus livros e comentários sobre a escritora, Princesa dos Poetas do Ceará, Giselda Medeiros. Arleni Portelada assumiu, com muita eficiência, o cerimonial do evento, acontecido no salão nobre do Náutico Atlético Cearense, dia 13 de julho de 2017, às 19h.

A Acadêmica, Dra.  Angela Gutiérrez, em inflamado e primoroso discurso, apresentou a obra, que está prefaciada pelo escritor, poeta e professor, também Acadêmico, Batista de Lima, e posfácio assinado pela escritora, Acadêmica, Beatriz Alcântara.

Foi uma noite festiva e alegre, uma vez que contou com a participação musical de Alvarus Moreno e sua esposa, Auzeneide Cândido, além da voz e violão de Renato Assunção.

Havia uma nobre e gentil plateia. A seguir, o texto de apresentação, por Angela Gutiérrez.




UM DIA AZUL NA VIDA DE GISELDA MEDEIROS[1]

Há dias azuis em nossas vidas. Hoje é um desses belos dias de cor celeste na  vida da querida amiga e escritora consagrada na Terra da Luz, Giselda Medeiros. Neste dia, de ouro sobre azul, comemoramos o aniversário da amiga – o dom de sua vida -, e o lançamento do livro A Saga Lírica de Giselda Medeiros, coletânea de textos de leitores-críticos que reconhecem na escritora o dom da poesia, enriquecido em sua bela e sempre ascendente trajetória literária.

Hoje, no entanto, não é o primeiro dia azul de Giselda. Como a escritora relata em seu discurso de posse na Academia Cearense de Letras:

Era 14 de julho. Não o de 1789, em que se decretava, na França, a vitória da liberdade, com a Tomada da Bastilha. Mas, um outro 14 de julho, numa cidadezinha acanhada do interior cearense, quando uma outra liberdade se fazia imperativa.
O véu das estrelas cobria com sua luz azul o tímido casario de Prata [...]
Senhores, naquele 14 de julho, a cidadezinha de Prata do Acaraú era toda plenilúnio. E um branco alvoroço derramava-se pelo ar para receber uma menina, a terceira filha do casal Jorge Francisco de Medeiros e Raimunda de Sousa Fernandes Medeiros. O sopro de vida, antes essência, exteriorizou-se.

Se o nascimento de Giselda foi seu primeiro dia azul, permito-me relatar alguns dias azuis entre tantos outros que brilham em sua carreira literária. No ano de 2000, a 21 de junho, a escritora ingressa  na Academia Cearense de Letras, como décima mulher a compor o quadro feminino de membros de nossa instituição, desde sua fundação, em 15 de agosto de 1894. Complementando a informação, acrescento que, depois do ingresso de Giselda, há 17 anos, somente duas mulheres passaram a ser membros de nossa Academia: Natércia Campos, tão nobre escritora e amiga que logo partiu ao encontro de seu pai, sempre lembrado Moreira Campos, e Lourdinha Leite Barbosa, Diretora Cultural da ACL, escritora talentosa, que publicou, no ano passado, a importante obra Barão de Camocim: Uma história real tecida com os fios da imaginação.

A acadêmica Regine Limaverde, que acaba de publicar belo livro intitulado dentro de mim, o mar, que tive honra e prazer em  prefaciar, com sua aguda sensibilidade feminina, sempre audaz na luta pelo reconhecimento pleno dos direitos da mulher, em discurso de saudação à poetisa Giselda Medeiros, que tomava posse na cadeira 28 da mais antiga academia de Letras do país, lembrou o papel do então presidente da ACL, Poeta Artur Eduardo Benevides  que, cito suas palavras: “foi peça importante para o preenchimento de algumas vagas na Academia com escritoras e poetisas, e decididamente findou  com a era de apenas escritores homens numa sociedade onde bens, saber, atividades, prazeres, obrigações e trabalhos devem ser divididos entre o homem e a mulher”.

E traçou algumas linhas do retrato da poetisa que entrava na Casa de Thomaz Pompeu:

Uma mulher que é a própria poesia, pois escreve, fala e pratica poesia com quem quer que prive de sua amizade. Uma mulher moderna. Culta, alegre, atuante nas letras de nossa terra.

No mesmo discurso, a escritora Regine, ao examinar alguns poemas de Giselda, cita uma estrofe do livro Transparências, que abriga dois versos que me encantam:

O poeta é o mar
Onde navegam as naus da esperança

Reproduzo-os aqui e agora porque dizem bem do sentimento que pode alimentar o povo brasileiro neste momento triste, brumoso, tempestuoso em que enxergamos com dificuldade um futuro digno para nossa nação e precisamos ouvir a voz da poesia para mantermos a chama verde da esperança, capaz de iluminar os caminhos de nosso país.

Quinze anos atrás, em outro dia de brilho azul, alguns traços marcantes da personalidade e das obras líricas da poetisa - a nobreza de seus sentimentos e  a delicadeza de sua escrita -,  já lhe haviam desenhado um perfil mais-que-perfeito para torná-la merecedora do título de Princesa dos Poetas do Ceará, proclamado pelas diversas entidades  culturais que assistem na tradicional e respeitada  Casa de Juvenal Galeno.  

Hoje é mais um dia cor-do-céu sem nuvens para a poetisa, no momento em que merecida distinção lhe é conferida: o lançamento de um livro de leituras de seus livros. Há prêmio mais benéfico ao coração de quem escreve do que ver reunidos textos que comentam sua obra e lhe reconhecem valor literário? A coletânea, idealizada pelos membros da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB - Coordenadoria do Ceará, de que Giselda Medeiros é Presidente de Honra, foi organizada pela atuante presidente da entidade, Desembargadora Gizela Nunes da Costa, mulher em que se unem duas imensas qualidades – dignidade e simplicidade, além de entusiasmo contagiante. Prefaciada pelo escritor e professor Batista de Lima, com a sutileza crítica de quem bem conhece a literatura tout court, a literatura cearense e a obra da poetisa homenageada, A Saga Lírica de Giselda Medeiros conta com posfácio, da também acadêmica e professora Beatriz Alcântara, escrito em linguagem poética e com delicada sensibilidade na escolha dos poemas de Giselda que cita no texto. 

Participam da coletânea, com escritos de ontem e de hoje, as companheiras ajebianas de Giselda e outros expressivos nomes de nossa literatura, listados abaixo a seguir: Artur Eduardo Benevides, Batista de Lima, Beatriz Alcântara, Carlos Augusto Viana, Débora Cavalcante, Dias da Silva, Dimas Macedo, Elinalva Alves de Oliveira, Evan Gomes de Bessa, Francisco Ferreira Nobre, Genuíno Sales, Geraldina Amaral, Gizela Nunes da Costa, José Alves Fernandes, José Telles, Linhares Filho, Maria Argentina Austragésilo de Andrade, Maria do Carmo Fontenelle, Maria Helena do Amaral Macêdo, Maria Luisa Bonfim, Maria Nirvanda Medeiros, Neide Azevedo Lopes, Nilto Maciel, Rejane Costa Barros, Rosa Virgínia Carneiro de Castro,  Zenaide Braga Marçal.

Gostaria de convocar à minha fala a companhia de palavras de todos os colegas escritores da coletânea que Gizela, nesta noite festiva, entrega ao público leitor de nossa cidade, aos colegas escritores e acadêmicos, aos participantes de todas as associações de Letras a que a homenageada pertence. No entanto, se assim o fizesse, não só tomaria o lugar de descoberta do leitor, como estaria assumindo, também, o papel de Pierre Menard do conto de Borges, instigante personagem que quer escrever el Quijote com as mesmas palavras com que o genial Miguel de Cervantes Saavedra escrevera as aventuras do  Hidalgo de la Mancha. E nesse caso, considerando que Menard tem sido visto como metáfora do escritor latino-americano que repete sempre o mesmo destino de desmanchar os fios da escrita do Outro para criar novas teias e tessituras em seus, nossos livros, não estaria longe do paradigma que nos é atribuído.
Porém, se repetir as palavras dos colaboradores da coletânea deixaria meu texto mais bonito, por outro lado, muito o alongaria e, certamente, anularia o prazer do primeiro encontro dos leitores com a coletânea. Assim, hei de contentar-me em lembrar uma única voz, que já não se faz ouvir em nosso mundo, com sua bela sonoridade humana, mas permanece em nossa memória em toda sua musicalidade e sabedoria.
Recordo, pois, uma voz inesquecível, a do grande poeta Artur Eduardo Benevides, quando comenta dois momentos do itinerário poético de Giselda.  Ao escrever sobre o primeiro livro de Giselda, disse o poeta:

Alma Liberta é um livro de estreia. Giselda, com ele, se apresenta de corpo inteiro, aos seus leitores, assumindo a responsabilidade de ser uma voz a serviço da paz, do amor, da beleza e da verdade. Numa palavra, a serviço da poesia.
Saúdo-a com esperança e dou-lhe as boas vindas. O seu talento fará o resto.

As palavras premonitórias do Mestre da Poesia confirmam-se e, em texto posterior, o Poeta de Pacatuba, como gostava de denominar-se aludindo afetuosamente à sua terra de berço, reafirma que a escritora “... sabe tirar proveito, sempre, de seu comprovado talento, sendo uma das poetisas de maior expressão, nos dias que passam, na Literatura do Ceará”.

Que mais posso dizer, depois que Magister dixit?
- Giselda, sua poesia e sua amizade são pedras preciosas, safiras... diamantes azuis, para guardar, como diz Milton Nascimento, em sua “Canção da América”:
Debaixo de sete chaves,/ Dentro do coração/.../ No lado esquerdo do peito...

                                                                                   Angela Gutiérrez,
                                               escritora, membro da Academia Cearense de Letras
                                                            e do Instituto do Ceará



[1] Apresentação da coletânea A Saga Lírica de Giselda Medeiros, dia 13/7/2017, no Náutico Atlético Cearense, por Angela Gutiérrez.


GALERIA DE FOTOS












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OS AGRADECIMENTOS DA HOMENAGEADA



ORAÇÃO À AMIZADE

SENHORAS, SENHORES

                  
                   Aprendi, desde cedo, de minha mãe, que “A palavra doce multiplica os amigos”. Por isso, digo-vos, hoje, que não há maior doçura do que a de saborear uma amizade. Porque os amigos são como a oliveira verde que foi semeada para dar azeite na longa noite das nossas agonias. São a candeia que se acende quando as sombras empalidecem nosso céu. Ou a flor brotando, linda e majestosa, do pântano de nossas dores. São pomos dulcíssimos que nos saciam a fome de carinho. São pálios abertos a nos proteger das agressões do tempo.
                   Feliz é o que tem amigos para cantar. E hoje, nesta noite macia de afetos, como poderia deixar de bendizer a Deus pela amizade com que me cercais, meus queridos amigos? A vossa palavra é para mim canteiro de perfumadas rosas. São suavíssimas auroras a descerem sobre a tarde da minha existência. E é em vosso regaço que busco o contorno da minha poesia. Inundais com vossa luz de amor os vales do meu destino. Sois as delícias do meu viver!
                   Nesta noite, asseguro-vos, tudo é alegria! Alegria, sobretudo, de ser acariciada com esta homenagem que me faz a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria do Ceará, homenagem, digo-vos, liderada e organizada por sua atual Presidente, Dra. Gizela Nunes da Costa, para este dia do meu natalício. E quem, dizei-me, quem não sentiria um tropel de emoções explodir-lhe no peito, diante de tamanha reverência? O que fiz para merecê-la senão buscar sempre em cada alvorada as cores da poesia com as quais aprendi a traçar o desenho da vida, construindo retas, contornando curvas, apagando traços supérfluos, retomando linhas, burilando os tons, tecendo o fio do amor, pelo qual vieram os amigos e sentaram-se à mesa para celebrarmos juntos o sagrado rito da amizade? Pois foi dessa palavra que absorvi o favo da solidariedade. E são tantas as delícias, e tantos os afagos com que me brindais, amigos! Vossas mãos me abrem o silêncio, plantando versos para a minha próxima colheita. Vossa palavra desabrocha-me o pensamento ébrio de metáforas. Afastais, com vossos passos, as ervas daninhas que se alastram pelos caminhos. Extinguis, com vossa luz, as trevas da falsidade, da inveja e da maldade. Por isso, tenho por vós tamanha lealdade, e tão contínua, como o sol que torna sempre todas as manhãs, e tão abundante, como o rio que corre e, ao voltar sobre si mesmo, vem acrescido de seus afluentes.
                   Vejo vossos rostos a sorrir em meu destino. Rostos amados, os de agora, e os dos que já passaram, porque “Deus renova aquilo que passou” e que foi amado. E minha alma se enche do sal da vossa amizade e do aroma do vosso coração.
                   E, agora, deixai-me agradecer! Em primeiro plano, ao meu grande Deus, que me nutre a alma e que me faz ser eternamente aprendiz, para que possa viver sabiamente. Ao presidente desta Casa, Dr. Pedro Jorge Medeiros, por nos ceder o espaço romântico do Náutico, bem como à sua mãe, Nirvanda Medeiros, nossa Diretora de Eventos. À Presidente da AJEB-CE, Dra. Gizela Nunes da Costa, elo fundamental na corrente da AJEB; À Rejane Costa Barros, revisora da obra e autora das orelhas; À Acadêmica, e minha querida amiga, Angela Gutiérrez, cuja palavra acabamos de ouvir e que nos chegou como notas soantes de uma canção de sabedoria e competência. À Universidade Federal do Ceará, pela concessão da chancela à obra e pela aprovação do livro na “Coleção Diálogos Intempestivos”. Aos Acadêmicos Batista de Lima e Beatriz Alcântara, pela aquiescência ao pedido da Organizadora, para a feitura do Prefácio e do Posfácio, respectivamente. Ao editor, Dorian Filho, meu querido amigo e zeloso profissional. A Carlos Alberto Dantas, o diagramador e capista da obra, que, com sua sensibilidade artística, deu à luz este primoroso projeto gráfico. Aos escritores, que deixaram plasmada, no livro, a percuciência de suas palavras. À minha amada Família, templo que me acolhe e me alimenta a alma com a hóstia do Amor. Enfim, a minha saudação a todos os integrantes da AJEB, da Academia Cearense de Letras, da Academia Cearense da Língua Portuguesa, da Academia Fortalezense de Letras, da Academia de Letras e Artes do Nordeste, da União Brasileira de Trovadores, da Sociedade Amigas do Livro e da Associação Brasileira de Bibliófilos; e a vós todos, amigos, que aqui estais a comungar comigo desta homenagem. Bem sei que sairei daqui carregando o cheiro do incenso de vossa amizade. E, doravante, hei de seguir com a felicidade daqueles que têm esperanças e luares brotando de suas mãos.
                   Resta-me, por fim, amigos, a certeza de, neste momento de júbilo que hoje experimento, ter multiplicado substancialmente minha gratidão a todos vós, cuja palavra quererei ouvir sempre.
                   E, ao final, ratifico, com estes versos de Cecília Meireles, tudo o que me ditou a emoção do momento:
                   “Basta-me um pequeno gesto,
                   feito de longe e de leve,
                   para que venhais comigo
                   e eu para sempre vos leve...”
                                                                      Muito obrigada.
                                                             Giselda Medeiros
                                                                                                  13/7/2017