quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MAIS UM POEMA DE LILA XAVIER


O que dizem as almas livres

Os discursos aglutinados e as
Análises dos discursos
Colocam-me frente a frente
No mesmo campo semiótico
Daqueles que se encobrem sem
Quererem dizer
O que de fato querem dizer.

Nesse caso,
Quase sempre a palavra
Representa o que não lhe sai
Da consciência.

Então,
Como separar o “joio do trigo”?
O sentido do significado?
E sua superficialidade?
Ou sua contumaz limitação?

Como a palavra reveste o
Que fala o pensamento?

Saibam que a palavra fala o que
Sai das entranhas dos seres,
Em embustes indecifráveis.

Aqueles a quem o caráter se apresenta deformado
Coíbem o outro de saber
O que dizem suas almas livres
Cheias de um querer livre,
Do desejo primário
Do ensejo de desvelar-se e mostrar-se
Por meio das palavras
E de seus sentidos
Multiformes e
Furtacores,
Que repercutem boca a fora.

Externalizando falsas palavras,
Mesmo aquelas macias
Que se lançam fagueiras
Ao encontro de quem as ouvem,
São falsos os pensamentos
Que se permitem vestir
Com as palavras
Pois elas se embustem e não
Sinalizam que são embusteiras.

Então, pretendo
Com minhas mãos
Libertá-las de dentro de tais criaturas
Para que pensamento
E palavra, possam
Ser desvendados.

Sendo assim,
Cada pessoa se revelará
Sem máscaras
Simplesmente, como
Verdadeiramente é.

Lila Xavier

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Uma obra de arte literária! Texto rico, linguagem rebuscada e mensagem profunda. Parabéns! Mais uma para o livro!

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