sexta-feira, 19 de março de 2010

E TU VIRÁS - Giselda Medeiros


É noite em mim...
noite de silêncios e tristezas
a pervagar nas canções dos andarilhos
que não têm para quem voltar.

É noite nas tímidas paisagens do luar,
no ciciar da brisa outonal
e na grande solidão das pedras.

E cresce a noite em mim,
em tudo,
como crescem os ais apaixonados
em seus lençóis de linho
tão branquinhos!
Ou os ais dos que se deram adeus
na tarde que se foi.

Mas não faz mal que a noite cresça...
Acenderei em mim
a branca luz do castiçal do amor,
e tu virás por ela,
entre ofuscado e amante,
beber da minha luz
e ouvir-me os versos que fiz.
Aí, então, cuidemos, meu amado,
que a noite será breve,
muito breve.


(Tempo das Esperas)

Nenhum comentário:

Postar um comentário