domingo, 28 de fevereiro de 2010

O TEMPO E SEUS MISTÉRIOS - Giselda Medeiros



O tempo, amado, é uma fina espada,
é um fluir constante de ilusão;
é um fremir de asas em revoada,
por sobre o pó do nosso coração.

O tempo, amado, é um carrossel de sonhos
desmantelados, rotos pelo chão;
é um galope de dragões medonhos
a vomitarem cinza em nossa mão.

O tempo, amado, é um rio caudaloso
a tremer silencioso em sua foz
para soltar seu grito ruidoso
sobre o oceano de nossa dor atroz.

O tempo, amado, é uma roda-gigante
que nos leva, em frêmito, abaixo e acima,
acima e abaixo, em volta circundante
sobre o estertor da dor que nos calcina.

Por isso, amado, é urgente que vivamos
este momento pleno de lirismo
antes que o pó a que nos destinamos
venha ceifar o nosso romantismo.

E vivamos como aquelas velhas árvores
altivas a exibir os frutos que gerarem...

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Giselda, os poetas sabem-se incapazes de domar o tempo, durante um breve momento fingem segurá-lo pelas crinas, mas, vencidos pelo cansaço, deixam-se levar em louca cavalgada.
    Parabéns,
    Lourdinha

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